quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Homilia do Domingo


2º. Domingo do Tempo Comum – Ano A

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1,29). Esta expressão usada por João Batista é muito familiar. Repete-se em todas as missas, quando apresentamos o pão e o vinho consagrados antes da comunhão. De fato, o Cristo, o ungido pelo Espírito, veio ao mundo para ser o Cordeiro que tira o pecado.

O cordeiro era um animal sacrifical no Antigo Testamento. Na Páscoa, o Cordeiro era imolado e o sangue era espalhado nas casas. No Novo Testamento, não são mais necessários os sacrifícios de cordeiros e de nenhum outro animal, pois o próprio Deus ofereceu a sua vida, o Cristo Senhor tornou-se o Cordeiro imolado (cf. Hb 9,11-14).

O sangue dos sacrifícios santificava as pessoas e objetos aspergidos. O sangue de Jesus tem um poder muito maior. Mas não se trata de um poder mágico. Se muito ainda gritam com tons fundamentalistas que o “sangue de Jesus tem poder”, não é porque o mesmo traz uma força mágica, nem porque as feridas de Jesus verteram tanto sangue que agradaram ao Pai que assistia tudo de camarote. De modo nenhum, a intensidade da dor foi responsável pela redenção do mundo.

Onde está então o verdadeiro sentido da dor do Filho de Deus? Cristo veio ao mundo para oferecer a sua vida em prol da vida de todos nós. Sua existência doada até a morte é sinal do amor eterno de Deus que deseja destruir todo mal e amenizar toda dor.

No Cordeiro de Deus entendemos o sentido da dor humana, sobretudo aquela que é causada conscientemente pela entrega de si mesmo: “Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça; sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o mesmo homem” (Spe Salvi 39). Ainda que pareça inútil doar algo de si em um mundo que parece caminhar perdido ao vento, ainda que grande parte das pessoas se preocupe apenas consigo mesmos, ainda que aparentemente seja melhor cuidar de si mesmo e procurar apenas o máximo de prazer possível, Jesus nos ensina que vale a pena doar algo de si mesmo para que o mundo tenha menos dor, para que o ser humano seja mais humano, para que a lágrima seja enxugada, para que o Reino esperado seja visto e nos anime a continuar...

Cada um de nós é convidado a ser também cordeiro...

O Cordeiro de Deus é o sinal vivo da compaixão divina. A partir da Paixão de Cristo “entrou em todo o sofrimento humano alguém que partilha o sofrimento e a sua suportação; a partir de lá se propaga em todo o sofrimento a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança” (Spe Salvi 39). No rebaixamento de Deus se encontra a nossa redenção. Nas dores do Cordeiro temos a cura para a dor do mundo. Nós que fomos chamados a ser santos, o seremos pela compaixão e pela solidariedade.

Para tanto, precisamos reconhecer que o pecado alheio está em meu próprio coração, que as alegrias e tristezas do outro são as mesmas que tocam o meu coração, que a fraqueza do próximo é a minha fraqueza. Enfim, devemos ter consciência que participamos da mesma condição de dor e de pecado. Se soubermos olhar o mundo deste ponto de vista, seremos mais compreensíveis com os outros, mais pacientes e mais humanos. Afinal, o Céu não é tomado de assalto, mas dado como um dom. Somos apenas colaboradores de Deus na missão de participarmos das dores dos irmãos e de lutarmos contra o pecado que é a condição de cada ser humano.

Neste domingo, a exclamação de João Batista é um convite à imitação do Cristo. Quando o Cordeiro de Deus for elevado, vamos olhar fixamente e repetir: “Senhor, eu não digno de que entreis em minha morada...” Não sou digno, porque minha vida não é todo dom; não sou digno porque ainda o egoísmo me destrói; não sou digno porque ainda esqueço de que sou tão pecador como tantos outros; não sou digno... Mas quero alimentar-me daquele que me anima a oferecer a própria vida: “Mas dizei uma palavra e serei salvo!”

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

POR QUE O CARNAVAL E A PÁSCOA MUDAM DE DATA TODOS OS ANOS?



Esta é uma pergunta que muita gente se faz. Este ano, 2014, teremos a Páscoa dia 20 de abril, bem mais tarde. Já o carnaval acontece dia 04 de março, coisa que não estamos muito acostumados, já que se emenda o carnaval  com as férias de verão.

Sem dúvida, este é um ano especial. Não exatamente por ser ano de Copa do Mundo de Futebol e por ela acontecer no Brasil, mas, porque isso tem feito com que as coordenações de catequese se “mexam” para botar a catequese pra andar um pouquinho mais cedo. Lá pelo mês de junho, tudo vai parar pra gente correr pro sofá e assistir jogo. É preciso terminar o semestre mais cedo. Gostemos ou não, não importa. Queiramos ou não, vivemos no país do futebol e onde “Deus é brasileiro”.

Mas, por que o carnaval acontece mais tarde neste ano? E a páscoa será só no final de abril? Para que se explique essa mobilidade é necessário que se volte as origens da Páscoa e do Carnaval que, apesar de ser uma festa pagã, está ligada à Páscoa Cristã.


A PÁSCOA E SUAS MUDANÇAS NO CALENDÁRIO

"Quem é o que celebra a Páscoa, senão quem crê Naquele que padeceu na terra, para reinar com Ele no céu?"

Santo Agostinho

Origens da Páscoa

Muitos povos antigos tinham por costume comemorar o fim do Inverno e o início da Primavera com festas durante as noites iluminadas pela Lua Cheia. A primeira noite de Lua Cheia, após a entrada da Primavera, era para eles uma noite especial.

Foi durante a noite, numa dessas comemorações, que ocorreu o Pessah (passagem, em hebraico), relatado na Torah dos hebreus e no Antigo Testamento da Bíblia Cristã. Foi quando o anjo da morte passou sobre o Egito e todos os primogênitos dos não hebreus foram mortos. A esse acontecimento, seguiu-se a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés. A comemoração da data da Pessah (passagem), que viria a dar origem à Páscoa dos cristãos, foi diretamente ordenada por Deus a Moisés.

Na tradição Cristã, a Páscoa é igualmente importante, pois quando Jesus retornou a Jerusalém para participar das comemorações do Domingo da Pessah (Páscoa), foi capturado e, depois, crucificado, tendo morrido na sexta-feira e ressuscitado no domingo. Alguns historiadores relatam que a ressurreição de Jesus se deu na lua cheia da primavera (no nosso caso, hemisfério sul, no outuno).

A Páscoa, como festa cristã comemorativa da Ressurreição de Jesus Cristo, foi instituída pela Igreja Católica somente no ano 30 d.C. e, originalmente, coincidia com a Páscoa (Pessah) dos hebreus.

Já, o Carnaval tem sua origem ligada à Páscoa Cristã. Às vésperas da Quaresma, prestes a passar 40 dias sem comer carne, os povos antigos instituíram uma festa para fartarem-se o quanto pudessem durante 3 dias com comidas, bebidas e, é claro, de carne.

A palavra “carnaval” provavelmente tem origem na expressão latina “Carne Vale”, que significa que “se pode comer carne”. O Carnaval (originalmente) começa no domingo, a exatos 49 dias antes do Domingo de Páscoa, termina na Terça-Feira Gorda, à véspera da Quarta-Feira de Cinzas, quando começa a Quaresma.

A Páscoa no calendário

Primeiramente a Páscoa Cristã, coincidia com a Páscoa Judaica. Mas com a instituição do calendário Juliano começaram a ocorrer algumas diferenças, uma vez que o calendário cristão é diferente do calendário judaico. O calendário cristão é solar (baseado na movimentação da Terra em volta do Sol). O calendário judaico é lunissolar: os meses são baseados nos ciclos da lua, mas as estações do ano no movimento solar, nele o ano pode ter 12 ou 13 meses, dependendo do ciclo.

Como a Páscoa Judaica passou a não coincidir com a Páscoa Cristã, a igreja,  para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C,  definir a data relacionada a uma Lua imaginária, conhecida como a "Lua eclesiástica", uma série de projeções da posição da lua feita pelos estudiosos da época.

Com isso, surge uma variabilidade decorrente da precisão da lua cheia eclesiástica. A situação melhorou com a entrada do calendário gregoriano, mas a coincidência entre a lua teórica e a real ainda não é perfeita. Por tudo isso, é que a data da Páscoa pode variar entre 22 de março e 25 de abril, e a do carnaval caminha junto com ela, fixada sempre sete domingos antes.

O dia da Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo, de acordo com o  decreto do Papa Gregório XIII instituído 1582, (seguindo o concílio de Nicéia), é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março ou 22 de março, época em que ocorre o equinócio de Primavera (ou de outono no hemisfério sul) e consequentemente a mudança da estação (equinócio é o ponto da órbita da terra em que se registra igual duração do dia e da noite).

Esse fenômeno ocorre no dia 21 de março e no dia 23 de setembro. Lembrando que, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas, que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua, pode ser calculada e está próxima da lua real.

Com relação a Páscoa Judaica (Pessah), ela ocorre 163 dias antes do ano novo judaico, na primeira lua cheia da primavera do hemisfério norte. No calendário judaico cada mês (que podem ser de 29 ou 30 dias) se inicia com a lua nova. Comparado com o calendário gregoriano (solar), ocorre a cada ano uma diferença de aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença a cada ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II) em sete destes anos. Essa adaptação acontece, também, para que a Páscoa judaica sempre aconteça na Primavera (hemisfério norte), já que as estações do ano obedecem ao ciclo solar. Os anos que possuem treze meses, no calendário judaico, são chamados de Embolísticos. Pelo calendário judaico estamos no ano de 5.774, da criação do mundo e o ano novo se dará em setembro/outubro.  Complicado isso, né?

Normalmente a Páscoa judaica é próxima da Páscoa Cristã. Este ano a Páscoa cristã será no dia 20 de abril e a Páscoa Judaica, dia 15 para 16 de abril.

Interessante é que, há mais de 1600 anos, os sábios do Talmude (coletânea de livros sagrados que contem as leis judaicas), que não contavam com o auxílio de computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de setembro de 2.239.

Festas móveis do calendário Cristão

Para calcular a data da Páscoa para qualquer ano no calendário Gregoriano (o calendário civil), usa-se uma fórmula matemática bastante complicada.  Essa fórmula é do astrônomo francês Jean Baptiste Joseph Delambre (1749-1822). Um dado importante é que a fórmula calcula a data da Páscoa a partir de 1583, ano em que foi instituído o calendário gregoriano.

Fixado, assim, a festa da Páscoa para determinado ano, todas as outras festas também se movem desde a septuagésima (65 dias antes da páscoa) até o Corpus Christi. A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa e, portanto, a Terça-Feira de carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.  Vamos ver o calendário das principais festas até o ano de 2020:

Ano
Cinzas
Paixão
Páscoa
Ascenção
Pentecostes
Corpus Christi
2014
05/03
18/04
20/04
01/06
08/06
19/06
2015
18/02
03/04
05/04
17/05
24/05
04/06
2016
10/02
25/03
27/03
08/05
15/05
26/05
2017
01/03
14/04
16/04
28/05
04/06
15/06
2018
14/02
30/03
01/04
13/05
20/05
31/05
2019
06/03
19/04
21/04
02/06
09/06
20/06
2020
26/02
10/04
12/04
24/05
31/05
11/06

Todos esses cálculos e projeções parecem confusos, mas vale lembrar que a Festa da Páscoa além de ser uma tradição milenar, é a festa da Ressurreição, da passagem da morte para a vida, da escravidão para liberdade e é interessante que todos os povos a comemoram juntos (ou o mais próximo possível).

Antecipadamente eu desejo... Uma feliz Páscoa a Todos!

Angela Rocha
angprr@uol.com.br

OBS. Este texto eu fiz em 2008, por "encomenda" do nosso bispo D. Wagner que queria explicar no Boletim Diocesano essas mudanças. Eu apenas atualizei as datas.


domingo, 12 de janeiro de 2014

RITOS E CELEBRAÇÕES NA CATEQUESE – PARTE IV


PRINCIPAIS CELEBRAÇÕES: ENTREGA DO PAI-NOSSO

SIMBOLO: Preparar a oração do Pai-Nosso no formato “pergaminho” ou qualquer outra forma criativa; pode também colar uma estampa ou medalha com Jesus junto ao texto do pergaminho.

Antes, um pequeno lembrete...

Qualquer rito de entrega que se faça, ENCERRA ou MARCA uma etapa da catequese, não necessariamente um período/ano, mas uma fase de conteúdos, por exemplo que fale sobre as principais fórmulas de oração. Não é preciso que se faça, obrigatoriamente, uma “entrega” vinculada a esse ou aquele “ano” de catequese.  Os ritos e celebrações devem ter ligação íntima com o conteúdo abordado na catequese, ou seja, celebra-se um “acontecimento” especial.

A Entrega do Pai-Nosso ou Festa do Pai Nosso deve encerrar um período em que se trabalhe a Oração do Senhor com os catequizandos e também de um encontro com os pais/responsáveis a respeito das Orações ou desta oração em especial.

Quando fazer a entrega do Pai Nosso?

Ao longo da catequese, em todos os encontros, trabalhamos a oração com as crianças, ensinamos a orar e a “conversar” com  Deus. Esta é uma das finalidades da catequese e, normalmente, as crianças estão maduras para entender a importância da oração que Jesus nos ensinou, no segundo ano da catequese. Ainda assim, é importante que se faça uma prévia explanação da entrega do símbolo às crianças e da importância de se “mostrar” à comunidade que elas já sabem orar e estão mais amigas e “íntimas” do Senhor.

Não se faça, de forma alguma, uma celebração vazia de significado, onde os catequizandos, pais e a comunidade, participem sem se envolver de forma mistagógica na celebração. Esse é o sentido da entrega dos símbolos: despertar os catequizandos para o mistério da fé, fazê-los vivenciar os conteúdos aprendidos na catequese. Que se faça “festa” sim, mas que não se peque por exageros e excessos, comprometendo o ritual da missa e a liturgia.

Ambiente:
- Velas, flores, cartaz escrito “FESTA DO PAI NOSSO”.
- Preparar um local para colocar as simbologias citadas: bandeja com os pergaminhos.

Orientações:
- Esta celebração deve ser realizada preferencialmente na missa, com a assembléia paroquial reunida, utilizando as leituras do dia (quando for possível fazer esta celebração no domingo com a leitura apropriada (Mt 6, 9-13 ou Lc 11, 2-4. Obs. Em 2014 não teremos estas leituras no domingo).
- Aproveitar momentos como a entrada da Palavra e Ofertório para envolver os pais dos catequizandos.

RITOS INICIAIS:

Comentarista (sugestão): A nossa comunidade paroquial hoje está em festa porque os nossos catequizandos vão receber a oração do Pai Nosso. Eles foram aprendendo ao longo deste ano que Deus é um Pai maravilhoso, que nos dá a vida e tudo faz para o nosso bem. Com Jesus, aprenderam a tratá-lo por Pai do Céu. Jesus chama Deus de “Abba”, que quer dizer “Paizinho”. Jesus quer nos mostrar que nós também podemos ter esta intimidade com Deus. Ele é o nosso “paizinho”. Nossos catequizandos sabem que, pelo Batismo, fazemos parte da família dos filhos de Deus – a Igreja. E esta família está hoje aqui reunida. Convidamos a todos, então, a louvar o nosso pai do Céu nesta nossa celebração.

(Entram duas crianças com o cartaz FESTA DO PAI-NOSSO, ladeados por duas velas e um ramo de flores que são colocados em lugar de destaque. Enquanto entram pelo corredor central, alguém lê o texto de Lucas 11, 2-4, como se fosse Jesus falando. O leitor do texto pode ficar escondido. Após a proclamação, canta-se o canto de entrada).

Liturgia da Palavra

Liturgia Eucarística

ENTREGA DO PAI-NOSSO - (Antes da oração no início do rito da comunhão)
Os catequistas ficam a frente com os pergaminhos.

Presidente:  Neste momento, vocês, queridos catequizandos, vão receber a oração do Pai-Nosso, para rezá-la todos os dias, para sentirem confiança no amor de Deus por vocês.
Convidamos os pais ou responsáveis a vir buscar a oração com os catequistas e entregá-la a seus filhos dizendo:
“Recebe o Pai-Nosso, a oração que Jesus nos ensinou.
Reze-a todos dos dias em sinal do amor ao Pai do céu.”

(Outra opção, dependendo do número de catequizandos, é o próprio presidente da celebração fazer a entrega da oração, significando o próprio Cristo fazendo a entrega).

A seguir o presidente motiva para a oração do Pai-Nosso no rito oficial, que pode ser cantada desde que seja a oração correta, na íntegra.

COMUNHÃO

BÊNÇÃO FINAL


FONTES:

Este roteiro de celebração foi adaptado do livro “Itinerário celebrativo para a iniciação cristã – Crianças e Adolescentes”, publicado pela Editora Arquidiocesana de Curitiba – Paraná.

MODELOS DE PERGAMINHOS:


ANO LITURGICO - EVANGELHO DE SÃO MATEUS (ANO A 2014)

Estamos iniciando o Ano Catequético e precisamos estar atentos às leituras do Evangelho Dominical. Este é o Ano Litúrgico A, com leituras do Evangelho de São Mateus. Vamos conhecer um pouco mais deste Evangelho e do Ano Litúrgico?

O que são as letras A, B e C do Ano litúrgico?

As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações são determinadas de acordo com o Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (evangelho e outros livros) a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público, com seus milagres e curas, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.
  
O rito romano, utilizado nas celebrações da Igreja católica possui um conjunto de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos perpassando os domingos e as solenidades. A cada ano, a liturgia das celebrações segue uma sequencia de leituras próprias, divididas em anos A, B e C.

- No ano “A” a leitura principal do evangelho na celebração segue o Evangelho de São Mateus;

- No ano “B”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Marcos;

- No ano “C”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Lucas.

Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.

O ano litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e se encerra com a solenidade de Cristo Rei do Universo do ano seguinte. 


ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS


PLANO GERAL DO EVANGELHO DE MATEUS

1.                  Evangelho da Infância de Jesus è1,1-2,23;  Mateus narra infância de Jesus para proclamar que Ele é o Herdeiro das promessas feitas a Abraão e a David (Genealogia), é o descendente de David anunciado pelos Profetas (1ª passagem), reúne os traços de Salomão, o sábio (2ª passagem) e de Moisés, o salvador do povo (3ª passagem). Os pagãos vêm a Ele com presentes, como o tinham anunciado os profetas (2ª passagem).

2.                  Anúncio do Reino do Céu è 3,1-25,46; São Mateus mostra-nos o princípio do Reino dos Céus: Jesus é anunciado e proclamado como Filho de Deus, nas tentações cumpre a vontade do Pai como verdadeiro Filho e no sermão ensina-nos a cumprir essa mesma vontade de Deus, para podermos receber o Reino dos Céus (5, 20) e ser também filhos de Deus (5, 45). Os capítulos 8 e 9 do Evangelho mostra o poder do Reino dos Céus; Cristo é Aquele que tem esse poder e demonstra-o fazendo milagres e perdoando os pecados, no mesmo tempo que expulsa os demônios; mas logo a seguir, transmite este poder aos Doze, de modo que esse poder se perpetue na Igreja.


3.                  Paixão e Ressurreição de Jesus è 26,1-28,20.  Mateus apresenta Jesus como o Filho de David, o herdeiro do Reino (2 Samuel 7, 12-14), e também como o Emanuel (“Deus conosco”), da profecia de Isaías (7, 14). No entanto, o título que mais lhe interessa é o de Filho de Deus. A imagem de Cristo apresentada por Mateus é a do enviado de Deus, na qual se vão cumprir todas as expectativas do Antigo Testamento. Cristo é a realização de tudo o que fala o Antigo Testamento; dito de outra maneira, Mateus contempla todos os personagens do Antigo Testamento como figuras de Cristo, enquanto que Cristo é a realidade, na qual tudo se cumpre. É como se tudo o que dizia a Sagrada Escritura até então, fosse algo vazio que agora se enche, ou como um desenho que agora tem de se terminar de pintar.

Mateus fala frequentemente do “Reino de Deus”, ou do “Reino dos Céus”, dando preferência a esta última expressão, sem fazer aparentemente distinção entre as duas formas. Os outros evangelistas, ao contrário, usam mais a primeira. É notável a frequência com que Mateus se refere ao Reino: enquanto Mateus refere-o 50 vezes, Marcos refere-o somente 14 e Lucas 39.

Deve-se recordar que a “Boa Nova” consiste em Deus que vem reinar sobre o seu povo. O Reino dos Céus não é algo que está exclusivamente do outro lado (no Céu), mas sim, que vem a este mundo: Deus vem exercer a sua função de Rei, transformando tudo, tanto o mundo, como os homens. O Reino dos Céus vem a este mundo, começa a ganhar forma na terra, e terá a sua consumação nos Céus. São Mateus preocupa-se em mostrar que a boa nova da chegada do Reino dos Céus dá-se na pessoa de Jesus Cristo. O Reino dos Céus anunciado e preparado no Antigo Testamento já está presente em nós, porque Jesus é o cumprimento de todas as profecias. Jesus forma uma comunidade, na qual se começam a manifestar os sinais da presença do Reino. São Mateus é o único evangelista que dá o nome de “Igreja” a esta comunidade (Mateus 16, 18).

 DETALHES DO EVANGELHO DE MATEUS

Autor: Mateus significa “dom de Deus” (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9). Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais freqüentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: “fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).


CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO EVANGELHO DE MATEUS

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:

- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:

Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como doPai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do “Pai”: a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça:

(3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc.)
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:

- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH – Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:

- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. As mulheres:

- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38);Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabéiaera mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
 - As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1-10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.
                       
7. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:

O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):

- São 7 ou 9, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados…;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”.
Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões… Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Os números em Mateus:

Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando…” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:

- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes, Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. O verbo “ver”:

- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etC.

12. É o Evangelho da Igreja:

- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembléia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.


Frei Ildo Perondi ildo@sercomtel.com.br

Ildo Perondi é Frei Capuchinho, nascido em Romelândia (SC), com Mestrado em Teologia Bíblica pela Universidade Urbaniana de Roma. É Professor de Sagradas Escrituras na PUC-PR (Campus Londrina) e no Instituto Teológico Divino Mestre de Jacarezinho (PR). Assessor Bíblico da CRB, CEBI, CEBs e Escolas Bíblicas para leigos.







BIBLIOGRAFIA:        

CNBB. Ele está no meio de nós, Paulus (1998, São Paulo)
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. CEBI (1990, São Leopoldo)
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus, Paulus (1990, São Paulo)
Introdução ao Evangelho de Mateus da Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.
* Neste texto, todas as citações onde não aparece o nome do livro da Bíblia, são do Evangelho de Mateus.

sábado, 11 de janeiro de 2014

RITOS E CELEBRAÇÕES NA CATEQUESE - PARTE III

PRINCIPAIS CELEBRAÇÕES

CELEBRAÇÃO DA ACOLHIDA: Para início das atividades catequéticas

SIMBOLO: A Cruz e a Bíblia

Conforme inspira o RICA, o início das atividades catequéticas (início do ano catequético), pode ser celebrado como uma experiência de profunda recepção e acolhimento dos catequizandos, expressando a alegria e a ação de graças da Igreja com a presença e a participação deles na catequese. O objetivo é que os novos catequizandos sejam instituídos como Catequizandos, assumindo compromissos diante da Igreja e da Comunidade; e que os catequizandos das demais etapas renovem seus compromissos de catequizandos.  A comunidade paroquial deve acolher, incentivar, orientar, apoiar e promover convivência com os catequizandos por meio das diversas atividades das pastorais e movimentos.

É importante que esta celebração seja feita em uma missa, na presença de toda a comunidade e que seja precedida de um encontro com os pais/família dos novos catequizandos. 

Aos pais compete a entrega da Palavra (Bíblia) nesta celebração e, portanto, deve ser feita uma catequese com eles para ressaltar a importância desse gesto simbólico de entregar aos filhos a Herança da nossa fé. Os pais devem ser orientados a adquirir a Bíblia (normalmente a versão usada pela paróquia na catequese) e que estes façam uma bonita dedicatória ao filho. Caso os pais não tenham condições financeiras de adquirir a Bíblia, compete à comunidade o esforço para proporcionar as respectivas doações.

Ressalta-se que: o Roteiro abaixo foi construído de maneira mais simples, com adaptações do RICA  e de manuais celebrativos para as comunidades que AINDA NÃO ESTÃO COM O PROCESSO CATECUMENAL em andamento, uma vez que, aquelas que estão, possuem Itinerários próprios para as respectivas celebrações. Estão no roteiro somente os momentos de interação com os catequizandos, as demais etapas da celebração procedem normalmente.

A Acolhida:

Os catequizandos e seus pais/responsáveis podem aguardar fora da Igreja ou do local onde será realizada a celebração, possibilitando, assim, uma acolhida significativa. (Previamente devem ser reservados bancos para as famílias e novos catequizandos).

Os momentos sugeridos podem ser adaptados de acordo com a realidade e as possibilidades de cada paróquia, no contexto das celebrações eucarísticas.

- Preparar uma mesinha à frente da nave, com uma bandeja com pequenas cruzes de madeira com cordão para serem entregues aos catequizandos como símbolo de pertença a Cristo.

Acolhida do padre (fora da Igreja):
Após o sinal da cruz, o presidente da celebração pode ressaltar que a Igreja e a comunidade paroquial sentem muita alegria em recebê-los. Pergunta aos catequizandos, provocando respostas:
“- Vocês querem aprender a ser cristãos?”
“- Vocês querem conhecer Jesus e ser amigos dele?”

Pode concluir com uma breve catequese, apropriada ás circunstâncias:
“- Como vocês já crêem em Cristo, vamos receber vocês com muita alegria na família dos Cristãos para esta caminhada, na  catequese vocês vão conhecer melhor Jesus. Vocês vão procurar viver como filhos e filhas de Deus, conforme Cristo nos ensinou e vão amar a Deus de todo coração e também amar uns aos outros como Ele nos amou.”

Em seguida o presidente se dirige aos pais ou responsáveis, provocando uma resposta:
“- Caros pais ou responsáveis, vocês estão dispostos a desempenhar a sua parte nesta caminhada catequética? Sendo exemplo para seus filhos e valorizando a celebração dominical?”

Após a resposta dos pais/responsáveis, o presidente entra na Igreja convidando os pais ou responsáveis a trazerem seus filhos, que podem entrar junto com a procissão de entrada (se não for feita a assinalação da fronte) ou aguardar em fila no corredor central, até que o padre faça a Acolhida da assembléia.

Logo após o Canto Inicial e a acolhida à assembléia o padre explica que hoje é um dia de festa porque a Igreja acolhe os novos catequizandos deste ano catequético e às suas famílias.  Em seguida o presidente diz:
“- Cristo chamou vocês para serem seus amigos, lembrem-se sempre dele e sejam fiéis em segui-Lo. Para isso vou marcar vocês com o sinal da crus de Cristo, que é o sinal dos cristãos. Este sinal vai fazer com que se lembrem de Cristo e de seu amor por vocês. Vocês vão receber também uma pequena crus das mãos da sua(seu) catequista.”

O presidente faz o sinal da cruz na fronte dos catequizandos e convida os pais a também fazê-lo. Ao lado o(s) catequista(s) colocam uma pequena cruz de madeira com cordão no pescoço dos catequizandos e instrui estes a se dirigirem aos seus lugares (que estarão reservados).

Procede-se a Celebração normalmente até a Entrada solene da Palavra.

Entrada da Palavra
O comentarista (ou o padre) fala:
 “- Assim como recebemos solenemente a Palavra de Deus para ser lida e rezada, vocês também, novos catequizandos receberão das mãos dos seus pais, a Bíblia, que contem a História da Salvação e todos os ensinamentos de Jesus para que vocês se tornem verdadeiros cristãos. Enquanto recebemos a Palavra de Deus com o canto, os pais podem entregar aos seus filhos a Bíblia, com um forte abraço e o desejo que de esta seja a luz que os conduzirá na catequese e pela vida afora.”

Logo após as leituras e homilia, recomenda-se um momento de silêncio, convidando os catequizandos a rezar em seus corações.

Oração dos fiéis
Que as orações dos fiéis seja adequada ao tema e momento. Vários catequistas podem fazer as preces, pode-se incluir preces de acordo com a realidade e a caminhada da comunidade paroquial.
Sugestões:
- que se aumente a cada dia o desejo de viver com Jesus;
- que eles sejam felizes na Igreja;
- que perseverem em sua preparação;
- que os catequistas sejam iluminados pelo Espírito Santo para conduzir seus catequizandos;
- que se afaste de seus corações o medo e o desânimo;
- que todos tenham a  alegria de receber os sacramentos;
- pela catequese da paróquia.

Ritos Finais
No momento mais adequado (pode ser na Ação de Graças), sugere-se que um catequizando de cada etapa, leiam juntos os “Compromissos dos catequizandos”, diante de Deus, da Igreja e da Comunidade. A seguir, um casal, representando os pais, leiam os “Compromissos do Pais” com o primeiros educadores da fé, ressaltando a importância da família na caminhada catequética dos filhos. E ainda, um catequista pode declarar os “Compromissos do catequista”,  diante dos catequizandos, de suas famílias e da comunidade paroquial. Podem citar, por exemplo, a importância da participação em todos os momentos promovidos pela catequese e pela comunidade paroquial, missas dominicais. Os compromissos  podem ser elaborados pela comunidade.

Despedida
Quem preside, depois de citar a alegria da recepção dos novos catequizandos e convidá-los a viver de acordo com o que ouviram, envia-os com uma bênção a todos os catequizandos de todas as etapas.

Após a Celebração é interessante promover um momento de confraternização e partilha com catequizandos, pais/responsáveis, catequistas, padres, lideranças, etc.

OUTRAS SUGESTÕES:
- Pode-se promover um momento de Consagração da catequese a Nossa Senhora, com a Oração de Consagração a ela.

“Minha Senhora e minha Mãe, eu vos ofereço a minha vida, e em prova do meu amor, consagro os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração, inteiramente todo o meu ser.
Oh, minha mãe, ajudai-me nessa caminhada da catequese, para que eu sempre percorra o caminho que me leva até Jesus, Vosso filho amado.
Senhora da minha vida, protegei-me com Vosso manto, ensinai-me a escolher o certo e não deixar que o mundo me engane com falsas promessas.
E que ao final dessa caminhada, eu perceba que a verdadeira alegria vem do Vosso Filho, Jesus Cristo, o verdadeiro amigo e companheiro em minha vida.
Nossa Senhora, protegei minha família e ajudai-me a ser um verdadeiro instrumento de Vosso Filho.
Ò incomparável mãe, ajudai-me a viver e a ecoar a Palavra de Deus, na  vida da minha comunidade e na vida dos meus irmãos. Amém.”


Ângela Rocha
Catequista


Em seguida, teremos a 4ª PARTE, o Roteiro da “Festa do Pai-Nosso”, celebração em que é entregue a oração do Pai Nosso na segunda etapa da catequese.

Fontes de pesquisa:
RICA – Ritual de Iniciação Cristã de adultos
Itinerário Celebrativo para Iniciação Cristã de Crianças e Adolescentes, Arquidiocese de Curitiba.

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO