segunda-feira, 16 de novembro de 2015

DIA DE CATEQUESE: ENSINANDO EUCARISTIA

ENCONTRO: A REFEIÇÃO COMO DÁDIVA DO AMOR DE DEUS.

Vou contar pra vocês sobre o meu encontro de catequese do último sábado...

Mas antes quero colocar aqui alguns pensamentos.

Estou, nesta etapa da catequese, tentando mostrar aos meus catequizandos o que penso e sinto sobre a Eucaristia, pois, é este o Sacramento, a “marca”, o “sinal”, que eles vão receber dentre em breve e é nele que estou concentrando nossos encontros.

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Para entender o que celebramos na Eucaristia, é preciso “celebrar”. E entender o que se está celebrando. “Celebração” é um conceito próximo de “festa”. Celebrar é dar vida a uma festa. Na Eucaristia, celebramos a vida e festejamos nossa condição de filhos de Deus.

Vamos então ao Evangelho de Lucas. O evangelista Lucas escreveu para os gregos. E os mestres gregos divulgavam seus ensinamentos caminhando ou durante as refeições. Lucas usou isso e descreveu Jesus como o “caminhante”, o filho de Deus que desceu dos céus para caminhar junto com as pessoas. E no caminho ele vai explicando a vida delas. Podemos ver isso na narrativa dos discípulos de Emaús, uma das mais belas histórias da Bíblia. Neste Evangelho está claro como Lucas vê a Eucaristia.

Jesus explica o mistério da vida aos discípulos, que neste momento estão fugindo decepcionados, com suas esperanças frustradas. Essa imagem, longe de ser triste, é um panorama maravilhoso para descrever a celebração da Eucaristia. Nós vamos à Igreja como pessoas que muitas vezes estão fugindo de alguma coisa, decepcionadas com a vida e buscando algo que nem nós mesmos entendemos o que é. Lá, à luz das escrituras, nos é explicado por que aconteceu daquele jeito, como aconteceu, qual é o significado por trás de tudo e para onde vai nosso caminho. As leituras da Palavra dão esse significado. Quando entendemos os “porquês” da nossa vida, aprendemos a lidar com ela.

Hoje, muitos fogem da verdade de si mesmos e das suas vidas.

Na Eucaristia, Jesus quer nos convidar a ver e entender nossa vida de uma maneira nova, à luz de suas palavras e de uma história que liberta e ilumina. A Eucaristia é, então, uma nova interpretação de nossa vida a partir da fé em Jesus Cristo. Ao partir o pão, os olhos dos discípulos se iluminaram e eles puderam entender essa “nova” vida dada a toda humanidade. E nessa “ceia” e nas diversas outras descritas por Lucas encontramos a compreensão exata da Eucaristia.

Para ele, a ceia eucarística é a continuação das refeições que Jesus fez durante sua vida com justos e injustos, pecadores e inocentes. Nessas refeições Jesus tornou visível a bondade de Deus e Sua solicitude ao ser humano, muito mais que pão ou comida, ofertou dádivas divinas com amor e generosidade, com aceitação incondicional, com o perdão dos pecados e a cura de todas as enfermidades. As refeições que Jesus fazia com pecadores e justos eram cheias de alegria e gratidão pela proximidade com Deus. E assim como os mestres gregos transmitiam seus ensinamentos nos banquetes, Lucas descreve Jesus como o mestre que transmite os pensamentos mais importantes durante as refeições. Em sua palavra ele sempre lembra a “essência” divina que temos. O reino de Deus está em nós, somos a morada de Deus, essa é a nossa virtude. Somos capazes de Deus!

Jesus convidava os pecadores para suas refeições. E somos convidados para a ceia do amor assim mesmo, como somos, com todos os nossos defeitos e fraquezas. Aceitar o convite ou convidar os fariseus (pecadores) para uma refeição, mostra que eles se desviaram do amor e mostra que comer com eles é exercer o perdão.

Uma das mais belas imagens da Eucaristia é descrita por Jesus na parábola do filho pródigo, que ele conta em uma refeição com os pecadores.

Somos todos como o filho pródigo. Nós nos afastamos de nós mesmos, da nossa essência e perdemos a nossa pátria interior. Dilapidamos nosso patrimônio e vivemos de esmolas e migalhas. Saciamos nossa fome com comida barata. E nos sentimos cada vez piores com isso.

Na Eucaristia nos “aprumamos” para ir à casa do Pai. Para “voltar” ao nosso lugar. É lá que nossa fome será saciada de todas as coisas que necessitamos. A Eucaristia é a ceia da alegria que o Pai realiza para nós. Ele festeja porque não estamos mais perdidos. Por isso devemos comer e ser felizes. Estávamos “mortos”, separados de nossos sentimentos, excluídos da verdadeira vida. Nós nos perdemos, mas, na eucaristia nos reencontramos e nos tornamos vivos. Celebramos a ceia da “Vida”!

Ali, na Eucaristia, descobrimos quem somos e qual é o verdadeiro sentido da nossa vida: que somos amados incondicionalmente por Deus, que Deus espera por nós e que nunca é tarde demais para voltar ao lugar em que verdadeiramente “estaremos em casa”.

E em toda celebração da Eucaristia, tornamos presente o que aconteceu no passado. Jesus está entre nós e faz a refeição conosco.

Em seus vários relatos sobre ceias, Lucas explica o que ocorre em toda Eucaristia. Para ele, também, a eucaristia é principalmente a celebração da memória da última ceia de Jesus com seus discípulos, na qual Ele deu um novo sentido aos gestos de partir o pão e beber o vinho do cálice. Jesus utilizou o rito da ceia pascal para recomendar a seus discípulos um novo rito, que deveriam celebrar sempre após a sua morte,a  fim de honrar a memória do seu amor.

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E foi mais ou menos isso que fiz em meu encontro no sábado. Evidentemente não li este texto nem usei esta argumentação com as crianças. Eu apenas os convidei para a minha casa para partilhar um almoço comigo. Nem sequer lemos qualquer dos evangelhos. Lemos apenas o Salmo 150, louvando a  Deus e agradecendo por podermos partilhar uma refeição juntos. E na nossa “ceia” falamos da nossa vida, dos nossos afazeres, falamos do quanto é bom estarmos juntos ao redor de uma mesa, celebrando a alegria da vida, dividindo uma macarronada, frango e  batatas fritas.

Também tentamos ser uma “equipe” fazendo um chaveiro de contas para presentear os pais. E a mãe da Isabella mandou pra gente um bolo de sobremesa, para festejamos o aniversário da Isabella que será esta semana.

Foi uma manhã e uma tarde, muito, mas muito, frutuosas para mim, como pessoa. E para minha família que se abriu para receber mais sete crianças em casa e, penso que, para os meus catequizandos também. No fim da tarde eu estava cansada, mas extremamente feliz.

Não teve “ponto”, “lição” ou “tema” em nosso encontro. Eu só quis, neste encontro, colocar um dos caminhos para compreender a Eucaristia que é a “Ceia da memória”. O caminho da refeição como “celebração” e “festa”. Esta é a visão de São Lucas em seu Evangelho.

Ainda preciso mostrar a visão de São João, que vê a Eucaristia como “iluminação”. E também dar outros enfoques a ela: Eucaristia como transformação; Eucaristia como sacrifício de amor; Eucaristia como Mistério; Eucaristia como partilha do pão...

E só então, entrar na estrutura da celebração: os ritos iniciais, a liturgia da Palavra, a oração dos fiéis, a apresentação das oferendas, a oração eucarística, a celebração da comunhão e os ritos finais...

Estão vendo que eu não ensino “missa”? Eu ensino Eucaristia.

Ângela Rocha

Fonte de pesquisa:


Grüen, Anselm. Eucaristia: Transformação e união. São Paulo: Loyola,2006.

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