sábado, 22 de julho de 2017

HOMILIA: 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM


O JOIO E O TRIGO

A parábola do joio e do trigo revela uma profundidade antropológica: o bem o mal coexistem em nosso coração. Não podemos negar isso, nem seria diabólico admitir tal realidade. E mais: não podemos arrancar o mal. Fazemos, portanto, coisas boas e coisas não tão boas, ainda que desejemos dividir a realidade em dois grupos: de um lado os bons (onde nós estamos), de outro lado os maus.

Jesus nos ensina que o trigo cresce com o joio. Ele não deseja arrancar o joio antes do tempo. Nós carregamos o bem e o mal, pois ainda não somos santos, plenos. A plenitude virá por graça, para além desta história. Precisamos aprender a conviver com o mal, sem se conformar com ele. Não podemos ficar frustrados por ainda não sermos perfeitos, pois não chegamos à plenitude do Reino. Precisamos integrar o mal, ou seja, aprender com ele, não dar tanta força para nosso lado sombrio, aceitando o fato de que somos pecadores. A psicologia analítica corrobora com esta linha de pensamento. Este modo de conduzirmos a vida é muito mais humano. Desumano é ficar se culpando por qualquer falha, é tentar, com as próprias forças e com propósitos inúteis, alcançar uma perfeição inatingível.

Outro equívoco seria não compreender que as pessoas carregam o seu joio. Assim, não é justo julgar os que não agem ou pensam como nós ou fazer justiça, condenar todo o mal deste mundo. Apenas Deus pode fazer a justiça, só ele vai separar o joio do trigo no fim dos tempos, isso não cabe a nós.

As parábolas de Jesus nos ensinam a termos uma paciência histórica diante da realidade do já e ainda não. Poderíamos perder a esperança diante dos males do mundo, poderíamos nos revoltar contra Deus diante das injustiças da história. A parábola nos ensina a esperar, pois o Reino de Deus cresce gradativamente. Às vezes não tão gradativamente assim, pois há retrocessos históricos no âmbito global, social e pessoal. O importante é que sejamos fermento na massa, sinais do Reino, cultivadores de boas sementes, ainda que tenhamos sementes estragadas…

São Paulo afirma que o Espírito Santo ora em nós com gemidos inefáveis. Já vimos, no domingo anterior, que o gemido do Espírito é uma ânsia positiva, pois geme a expectativa da plena liberdade dos filhos de Deus e da libertação integral de todo o Universo. É isso que desejamos – um mundo sem males, sem dor, sem lágrimas, sem morte. É isso que o Espírito anseia, mas também nos ensina, ao trabalhar em nosso interior, que isso não vem de uma hora para outra, que ainda não chegou o tempo, que não podemos saciar no agora todos os nossos desejos.

Por isso, São Paulo nos orienta que não sabemos pedir o que convém. Presos em nosso egoísmo, pediríamos milagres e a cura definitiva de todo mal. Mas com o auxílio do Espírito, ansiamos tudo isso na paciência da história, na certeza de que Deus vai nos guiando em cada vitória e em casa derrota da jornada. A oração do Espírito geme para que o Reino venha: Venha a nós o Vosso Reino, enquanto caminhamos neste mundo de ambiguidades, nós que somos povo santo e pecador, nós que em nossa miséria somos dignos, pela misericórdia, de trabalhar para que o Reino seja já, ainda que por antecipação. Amém!


Pe. Roberto Nentwig

sexta-feira, 14 de julho de 2017

HOMILIA: 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


O SEMEADOR SAIU A SEMEAR

Um semeador saiu a semear… A semeadura da Palavra segue ao longo da história caindo em diversos lugares. Seguindo as ideias do Pe. João Batista Libânio, as terras onde são lançadas a semente são carregadas de experiências:

Há a terra onde habitam os pássaros. Estes são, na antiguidade, símbolo do demônio. São enganadores, pois escondem a verdade. Hoje há muitas ideologias, mentiras inventadas pelos donos do poder. Quantas vezes a verdade verdadeira fica à beira do caminho… Vivem-se ilusões que impedem a verdade de ter o seu espaço. Ilusão da riqueza fácil, ilusões dos bens de consumo…

Há a terra cheia de pedras e pouco profunda. Quantos corações não têm profundidade. Vive-se facilmente na superficialidade, ou seja, fica-se na periferia, fica-se diante da face, sem perceber a interioridade. É atitude de quem vive apenas das aparências, do que é bonito aos olhos, sem se perceber a beleza interior.

Há a terra cheia de espinhos. Os espinhos sufocam a semente. Os espinhos representam o que sufoca. Quando se deixa de lado o amor, a ternura, a virtude, a beleza, não há espaço para a Palavra.

São Paulo, na segunda leitura, fala-nos da paciência diante das tribulações. O mundo está sofrendo dores de parto, aguardando o dia da vida verdadeira, da alegria verdadeira. Quando uma mulher está grávida, espera com dores; mas a alegria posterior, quando ganha um filho, é muito maior. Assim, acontece com a história. Esquecemos facilmente de que o mal, seja moral ou natural, faz parte de nossa realidade existencial, pois este mundo ainda não participa da plenitude do Reino de Deus, sendo a sua imperfeição ainda latente. Nosso mundo caminha para a consumação: então não haverá mais morte, mais choro ou dor.

Precisamos, assim, enfrentar cada situação da vida na consciência da efemeridade, da transitoriedade da existência. Também nossos problemas podem estar esperando um fruto. O semeador não desiste diante da imperfeição da colheita, mesmo quando encontra maus semeadores ou estruturas que não favorecem o plantio. O importante é saber que a semente é boa e o dono da colheita é fiel. Este fará abundante colheita no fim dos tempos.



Pe. Roberto Nentwig

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CATEQUISTA NÃO É PROFISSÃO, MAS, VOCAÇÃO!

Ser catequista não é uma profissão, mas uma vocação: é o que afirma o Papa Francisco na mensagem enviada aos participantes do Simpósio  Internacional sobre Catequese, em andamento na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), em Buenos Aires.

No texto, o Pontífice cita um diálogo de São Francisco de Assis com um de seus seguidores, que queria aprender a pregar. O santo lhe diz: Quando visitamos os enfermos, ajudamos as crianças e damos de comer aos pobres já estamos pregando. “Nesta lição, está contida a vocação e a tarefa do catequista”, escreve o Papa.

SER CATEQUISTA

Em primeiro lugar, a catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno desta missão. De fato, “ser” catequista é uma vocação de serviço na Igreja, que se recebeu como dom do Senhor para ser transmitido aos demais. Por isso, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria vida. Para Francisco, este anúncio deve acompanhar a fé que já está presente na religiosidade do povo.

COM CRISTO
O catequista, acrescentou o Papa, caminha a partir de Cristo e com Ele, não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas se deixa olhar por Ele, porque é este olhar que faz arder o coração. Quanto mais Jesus toma o centro da nossa vida, mais nos impulsiona a sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos faz mais próximos dos outros.

CATEQUESE “MISTAGÓGICA”
O Papa compara este dinamismo do amor com os movimentos cardíacos: sístole e diástole, se concentra para se encontrar com o Senhor e imediatamente se abre para pregar Jesus. O exemplo fez do próprio Jesus, que se retirava para rezar ao Pai e logo saía ao encontro das pessoas sedentas de Deus. Daqui nasce a importância da catequese “mistagógica”, que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo meramente ocasional.

CRIATIVIDADE
E na hora de pregar, Francisco pede que os catequistas sejam criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar a Cristo. “Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha a sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele.

O Papa conclui agradecendo a todos os catequistas pelo que fazem, mas sobretudo porque caminham com o Povo de Deus. “Eu os encorajo a serem alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na vida fiel do discípulo missionário.”

O Simpósio Internacional sobre Catequese teve início no dia 11 de julho e prossegue até o dia 14. O encontro tem como tema "Bem-aventurados os que creem”, e entre os conferencistas estão o Arcebispo  Luis Francisco Ladaria sj, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Mons. José Ruiz Arenas, Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. 


RADIOVATIVANA.VA

terça-feira, 11 de julho de 2017

CONTO MEU ENCONTRO: VIVÊNCIA LITÚRGICA

“CONTO MEU ENCONTRO” de hoje é uma partilha da catequista Elenir Melo de Mossoró-RN, comunidade Areias – Governador


    DINÂMICA: ENTENDENDO OS TEMPOS LITURGICOS

Preparamos todo o ambiente antecipadamente
Conversamos  sobre o início do ano litúrgico que começa no Natal. A medida que íamos falando sobre cada tempo, a cor característica e os símbolos que podemos identificar  em cada tempo





Fomos viajando pelo ano litúrgico revendo cores e símbolos e, a medida que caminhávamos foram acontecendo testemunhos de novas descobertas e envolvimento na compreensão da nossa Liturgia da Missa. 





Fizemos a comparação com os cartõezinhos distribuídos no início do encontro e entendemos que é um Ciclo que não se acaba. A liturgia é uma continuidade. 


Foi MARAVILHOSO ver pessoas analfabetas compreendendo a Liturgia Eucarística
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

HOMILIA: 14º DOMINGO DO TEMPO COMUM


                          VINDE A MIM, TODOS OS CANSADOS E OPRIMIDOS...
Todos, alguns mais outros menos, experimentamos o cansaço nas nossas vidas, com as suas diversas formas.
Onde está a fonte do nosso descanso e da nossa paz? Deus nos responde hoje com as leituras. Caminho para o descanso interior da alma é recorrer a Cristo com humildade (primeira leitura e evangelho). Caminho que nos destrói a paz é a desordem egoísta (segunda leitura).
Em primeiro lugar, vejamos os diferentes cansaços que sofremos todos. Está o cansaço físico, que é próprio do nosso desgaste por causa do trabalho manual, profissional e ministerial: o operário se cansa, a dona de casa se cansa fazendo a faxina doméstica, o professor se cansa dando as suas aulas, o médico e o enfermeiro no hospital se cansam, o empresário e o sacerdote, o comunicador e o esportista a mesma coisa. Existe também o cansaço psicológico e afetivo, provocado pelas pessoas que vivem ao nosso redor, talvez na nossa própria casa, e que não estão de acordo conosco, que não compartilham a mesma fé e amor, que são hostis e indiferentes conosco; este cansaço nos enfraquece e gasta as nossas energias. Está também o cansaço espiritual, permitido por Deus para provar a nossa fé, esperança e caridade; quantas vezes sentimos o cansaço na fé e na esperança. Existe, finalmente, o cansaço moral de quem leva nas costas a sua consciência pesada e não consegue esquecer as suas culpas e pecados.
Em segundo lugar, o que fazemos com os nossos cansaços? Deus nos dirá que recorramos ao seu Filho Jesus que hoje lhe disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e fatigados pela carga e eu lhes darei descanso”. Espera-o na Eucaristia para fortalecer as suas forças espirituais. Espera na confissão para repor as suas forças quebradas. Espera na leitura dos santos evangelhos para animá-lo e consolá-lo. São Paulo lhe dirá hoje na segunda leitura: “Não vivais conforme a desordem egoísta, porém conforme o Espirito”, isto é, vivamos uma vida honesta e honrada seguindo os dez mandamentos. O profeta Zacarias também tem um conselho para a nossa paz e descanso interior: “Vive na humildade”, pois não existe vício que possa destruir mais a paz que a soberba. Se fôssemos um pouco mais simples, não amantes de grandezas, se tivéssemos “olhos de criança” e um coração mais humilde, então teríamos maior harmonia interior, uma paz mais serena nas nossas relações com os demais, uma sabedoria mais profunda e uma fé mais estimulante e ativa. Seriamos mais felizes e encontraríamos paz e descanso em Jesus Cristo.
Finalmente, Deus hoje também nos compromete a ajudar os nossos irmãos, a ser cireneus, porque muitos deles sofrem cansaços mais duros do que os nossos. Dê tempo e diálogo a esses que estão esquecidos e desamparados no cansaço da alma e do coração. Aproxime-se deles para ajudá-los a levar esse fardo pesado, como faz Cristo conosco. E, sobretudo, não ponhas nas costas dos outros os seus sacos de desgostos e reclamações, as suas rebeldias e raivas. Pelo contrario, coloque as suas costas para que os outros coloquem sobre elas as suas penas e as suas dores.
Para refletir: Quais são os meus cansaços? O que faço diante dos meus cansaços? Ajudo os meus irmãos a aliviar aos seus cansaços ou os afundo mais ainda? Medite esta frase de são Gregório Magno sobre o evangelho de hoje: “É um jugo áspero e uma dura escravidão estar submetido às coisas temporais, ambicionar as coisas terrenais, reter as que morrem; querer estar sempre naquilo que é instável, desejar o que é passageiro, e não querer passar com o que passa. Porque uma vez que elas desaparecem, apesar dos nossos desejos todas estas coisas que pela ansiedade de possui-las afligiam a nossa alma, atormentam-nos depois pelo medo de perdê-las”.

ZENIT.ORG

quinta-feira, 6 de julho de 2017

OS SÍMBOLOS COMO FACILITADORES NO PROCESSO DE INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ


O Documento 107 da CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil): “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários”, lançado há poucos dias, nos diz que a Iniciação à Vida Cristã é o processo pelo qual se é conduzido para “dentro” do mistério amoroso do Pai e de ser inserido na comunidade eclesial: para professar, celebrar, viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo, no Espírito Santo. É justamente por esse processo que a pessoa toma conhecimento do “encontro” com a pessoa de Jesus Cristo e de inserção na comunidade cristã. Esse processo contempla também os três sacramentos que formam uma unidade: Batismo, Eucaristia e Crisma, nos diz Dom Aloísio A. Dilli, Bispo da diocese de Santa Cruz do Sul, RS.

A Catequese é um dos lugares onde se dá o processo de Iniciação à Vida Cristã. O catequista deve ser um mistagogo, ou seja, aquele que conduz ao mistério, ele deve encontrar meios para levar o catequizando a ter esse encontro com Jesus e os mistérios da fé. Neste processo ele pode apelar para o auxílio das Ciências da Educação, particularmente a pedagogia contemporânea, discernida à luz do evangelho como nos recomenda o DNC (Diretório Nacional de Catequese).

Os símbolos são recursos pedagógicos que podem ser utilizados na catequese para conduzir ao mistério.  Eles comunicam, transmitem, manifestam algo que está “além” deles. Poderíamos pensar no exemplo de uma foto: ela é muito mais do que uma foto, ela é uma recordação de um momento especial, de uma pessoa significativa. Outro exemplo é uma bandeira: ela representa um país, uma pátria, um local. Ainda poderíamos colocar como exemplo um presente dado a alguém: ele representa mais do que ele é, representa um sentimento da pessoa que o dá.

Na catequese os símbolos têm sua importância para a Iniciação à vida cristã (IVC), eles são facilitadores nesse processo: fica muito mais fácil para a compreensão humana, quando conseguimos visualizar em alguma coisa, algo que desperte nossos sentidos.
Nos encontros de catequese, os símbolos devem ser usados de acordo com o tema que irá ser refletido, devem ser bem visíveis para que os participantes percebam sua presença. E, mais importante, eles devem ser explorados, não devem ser utilizados apenas como acessórios, mas, devem fazer parte do encontro.

Jesus foi um grande mistagogo e utilizou-se de vários símbolos para passar a sua mensagem. Como exemplo, podemos citar: Ele disse que era a água viva para a mulher samaritana (João 4, 13-14); Ele utilizou o grão de mostarda para falar da fé (Lc 17,6); Ele disse que era o caminho, a verdade e vida (Jo 14,6); disse que era a luz (Jo 8,12); e deu-se no pão e no vinho (Lc 22, 18-20); e utilizou vários símbolos para falar de uma realidade invisível. Portanto, é esse o papel fundamental do símbolo: comunicar uma coisa que vai além dela mesma. Por isso a Igreja nos diz que: os sacramentos são sinais visíveis de uma realidade invisível.

Renata Rodrigues Neto
Catequista de IVC – Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe – Estância/SE
Graduanda em Teologia


ROTEIRO DE ENCONTRO: HONRAR PAI E MÃE

Gostaríamos de partilhar com vocês nosso encontro desta semana, onde refletimos o Evangelho de Mateus 11, 25-30. Iniciamos com a seguinte dinâmica:

DINÂMICA DO FARDO 
Material necessário: sacos de feijão, açúcar, sal, arroz, farinha ou qualquer outra coisa que seja pesado. Se preferir, os sacos podem ser encapados com papel/sacola de sua escolha.

PROCEDIMENTO:

• Solicite um catequizando voluntário para participar da dinâmica.
• Depois de escolhido o voluntário, avise que pode pedir ajuda se não aguentar
Com o peso dos fardos.
- Peça para o catequizando estender os braços e entregue um fardo leve (pode ser o saco de sal, por exemplo) e pergunte se está pesado.
- Acrescente o saco de feijão e pergunte se está pesado.
- Acrescente o saco de farinha  e pergunte, está pesado?
- Acrescente o saco de açúcar, e pergunte, está pesado?
- Acrescente o saco de arroz e mais uma vez pergunte, está pesado?
Acrescente coisas até que fique bem pesado. Se não houver fardos suficientes, acrescente o caderno, a bolsa da catequese... Influencie os outros catequizandos a ajudar o voluntário a segurar os fardos.

SUGESTÃO PARA REFLEXÃO:

Você já carregou algo muito pesado? Percebeu que à medida que o tempo passa, parece ficar mais pesado e difícil carregar?
Será que acontece o mesmo com os fardos da vida que carregamos? O sal (fardo pequeno) é leve, porém quando somados aos demais fardos se tornou muito pesado. Em nossa vida também é assim, fardos leves somados a outros maiores se tornam insuportáveis. 
Mas Deus quer aliviar os nossos fardos. Deixemos que ele caminhe conosco. Também nós podemos aliviar o fardo das outras pessoas.
A dinâmica auxiliou muito na reflexão do evangelho.

DESENVOLVIMENTO DO ENCONTRO

TEMA: HONRAR PAI E MÃE

OBJETIVO: Levar o catequizando a compreender a importância dos pais ou daqueles que têm responsabilidades sobre eles. Que devem amá-los, respeitá-
los e ter gratidão para com eles durante toda a vida.
Mostrar uma pequena caixa ou envelope fechado e dizer para as crianças que ali está guardado um dos mandamentos, que é tão importante que merece ser estudado separadamente. 
Para que as crianças descubram, dar pista, tais como; refere-se a elementos muito importantes, que estão sempre perto de nós; sem eles seria difícil viver; somos muito importantes para eles, etc.
Continuar até que as crianças descubram: “Honrar Pai e Mãe”.
Pedir que uma delas abra a caixa ou envelope, mostrando a gravura que representa este mandamento. Perguntar se elas sabem o que significa exatamente a palavra “HONRAR’.

REFLEXÃO:

Que é honrar? É respeitar, amar, cuidar, proteger, obedecer. Deus colocou, entre suas leis, essa que lembra ao filho o dever de gratidão para com aqueles que o receberam na Terra, deram-lhe um corpo, cuidaram da sua saúde, alimentaram-no, educaram-no, e o encaminharam no mundo, até que tivesse condições de dirigir a própria vida. Lembra o Mandamento que, mais tarde, os filhos devem amparar os pais – ainda que sejam adotivos –, servindo-os na velhice, pois estes muito trabalharam, sofreram e se dedicaram, anos a fio, para torná-los felizes e fazê-los progredir. Honrar pai e mãe é, assim, expressar gratidão, demonstrar amor filial. É, enfim, também cumprir o mandamento cristão do amor ao próximo.
Observação: comentar que tem vários tipos de família e que umas são compostas por pai, mãe e filhos, outras de avós e filhos e tios, outras de irmãos, outras de pais com filhos adotivos. E que devemos amar a todos e tratá-los com respeito, pois são eles responsáveis pela educação. Família é quem você mora, é quem cuida de você.

Ao final do encontro (reservamos 10 minutos), fizemos uma proposta: 

Levamos envelopes, papel, uma caixa de sapato com lápis de cor, giz de cera, adesivos, figurinhas, cola colorida... e pedimos que escrevessem uma carta para o pai, ou para a mãe, ou para os dois, ou para o responsável. Poderia ser um pedido de perdão, um agradecimento, um pedido de ajuda ou qualquer outra coisa que desejassem expressar. Deixamos bem claro, que não teriam que ler para os amigos e nem para a catequista e deveria ser entregue para o destinatário assim que chegar em casa. Nosso desejo era que a carta se transformasse em uma linda mensagem de amor. Aí veio a surpresa: No início ficaram sem saber o que escrever. Depois que começaram, não queriam parar.
Enquanto escreviam a carta, colocamos a música "Trem Bala" (baixinho). 

O tempo do encontro acabou e tivemos que esperar por mais 10 minutos. Percebemos que tinham necessidade de escrever muitas coisas, desabafos... Alguns iam terminar em casa, pois o tempo não foi suficiente. Uma das crianças teve a ideia de deixar a carta na portaria para que o porteiro entregasse à sua mãe.
Estamos felizes por ter proporcionado este momento entre as crianças e suas famílias.


Roteiro de Encontro de hoje foi a partilha das catequistas Silvana Chavenco Santini e Regina Célia Fregadolli Auada, Paróquia São José Operário -  Maringá -PR.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

CATEQUESE DO PAPA

                                       A FORÇA DO CRISTÃO É O EVANGELHO
 O Papa Francisco na Praça de São Pedro para a Audiência Geral com cerca de 20 mil pessoas se encontravam ali para ouvir as suas palavras nesta última audiência geral antes da pausa de verão – as audiências serão retomadas no próximo mês de agosto.

Na sua catequese, Francisco falou da esperança cristã como força dos mártires. Partiu do Evangelho de São Mateus em que Jesus dá a entender aos doze apóstolos que os mandava como ovelhas para o meio dos lobos. Recomendou-lhes que fossem prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Sereis odiados por causa de mim – disse-lhes - mas quem tiver perseverado até ao fim será salvo.

Os cristãos amam, mas nem sempre são amados. A profissão da fé acontece, em grau maior ou menor - num clima de hostilidade. E Jesus leva os seus discípulos desde o início a ter isto presente – disse o Papa, que adiantou:

“Os cristãos são, portanto, homens e mulheres “contracorrente”. E isto, a seu ver, é normal, pois que o mundo está marcado pelo pecado que se manifesta em várias formas de egoísmos e injustiças. Quem segue Cristo caminha em direção contrária, fiel à lógica do Reino de Deus que é a lógica da esperança e se traduz no estilo de vida baseado nas indicações de Jesus”.

E a primeira indicação é a pobreza, a humildade, o desapego das riquezas e do poder, mas sobretudo desapego de si próprio. “O cristão caminha pelas vias deste mundo com o essencial para a caminhada, mas com o coração repleto de amor. Sem foices, sem grilhões, sem armas: “como cordeiros no meio de lobos”. “

Nunca fazer uso da  violência. Para derrotar o mal, não se pode adoptar os métodos do mal. A única força do cristão é o Evangelho. Em tempos de dificuldades, é preciso acreditar que Jesus está perante nós, e não cessa de acompanhar os seus discípulos”

O Papa continuou dizendo que a perseguição não está em contradição com o Evangelho, pois que se perseguiram Jesus, como podemos esperar que não o façam também conosco. Mas – recomendou - nunca desesperar, porque Deus vê e, seguramente protege e resgata.

Os cristãos devem, por isso, estar sempre do lado oposto de quem pratica injustiças, oprime os outros, age de forma mafiosa, tece tramas obscuras, faz lucro na pele dos desesperados… Os cristãos não podem ser “perseguidores, mas perseguidos, não arrogantes, mas simples, não vendedores de fumo, mas submetidos à verdade, não impostores, mas honestos. “

Esta fidelidade ao estilo de Jesus” – que é um estilo de esperança – continuou Francisco  - foi designado pelos primeiros cristãos com o belo nome de “martírio” que significa “testemunho”, um nome que perfuma de discipulado. Com efeito, os mártires não vivem, nem aceitam os sofrimentos em nome próprio, mas por fidelidade ao Evangelho.

Mas o martírio – advertiu o Papa – não é o ideal supremo da vida cristã, pois acima dele está a caridade, como aliás recorda São Paulo no hino à caridade:
“Mesmo que eu desse em pasto todos os meus bens e entregasse o meu corpo para me vangloriar, mas não praticasse a caridade, de não serviria.”

Repugna aos cristãos a ideia de que aqueles que provocam atendados suicidas possam ser chamados “mártires”: não há nada nos seus objetivos que possa ser comparado com as atitudes dos filhos de Deus.

O Papa disse ainda que lendo as histórias de tantos mártires de ontem e de hoje – que são mais numerosos do que os mártires dos primeiros tempos – ficamos admirados perante a força com que enfrentaram as provações.

“Esta força é sinal da grande esperança que os animava: a esperança certa de que nada e ninguém os podia separar do amor de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo.

E Francisco concluiu pedindo a Deus para nos dar sempre a força de sermos seus testemunhos e nos permita viver na esperança cristã, sobretudo no martírio escondido de fazer bem e com amor os nossos deveres de cada dia. 


DOS CULPADOS ÀS SOLUÇÕES...

Um texto que já publicamos aqui há algum tempo, mas, vale uma nova leitura!

Você se preocupa mais em procurar as soluções ou em procurar os culpados?
Vamos refletir um pouco sobre os tantos problemas que encontramos pelo caminho... ou pelo corredor!

Aqui está um dos segredos fundamentais do coração sábio, que implica uma nova maneira de olhar e agir: Preocupar-se em procurar de maneira mais comprometida as Soluções, do que os Culpados!

Vamos a um exemplo: estou passando e encontro uma bolacha caída no chão do corredor. Quando eu passo, o primeiro pensamento é a pergunta sobre o culpado:
Quem deixou aqui esta bolacha?!
Depois, é possível que, em vez de apanhar a bolacha, eu faça antes uma caminhada até à sala para perguntar:
“Quem deixou cair uma bolacha no corredor?”
Ao ouvir a confissão do culpado, talvez volte atrás e a apanhe, enquanto dou algum “sermão moralista” sobre a importância de não deixar cair bolachas no chão do corredor (como se a pessoa que deixou cair tivesse feito de propósito!...). Aí, ao voltar para apanhar a bolacha, já vou sereno porque já sei quem foi o culpado. Ou, melhor ainda: talvez não a apanhe mesmo, e diga ao “culpado” que ele mesmo vá apanhar. Claro, ele que se torne solução das suas próprias culpas!

Há ainda outras hipóteses. Por exemplo: vejo a bolacha caída, e imediatamente a apanho do chão (claro, acompanhado pelas frases do costume: “é sempre a mesma coisa… blá, blá, blá…”). No entanto, a mente não serena… as soluções para os problemas não nos costumam chegar… só sossegamos quando descobrimos os culpados. Por isso, apesar de me ter tornado solução para o “problema”, ao chegar à sala perguntarei:
Quem deixou cair uma bolacha no chão?”

Uma pergunta que já é totalmente desnecessária e inconsequente, porque a situação já está resolvida e, num grupo de adultos, ninguém deixa uma bolacha no chão de propósito para depois ter que ser “educado” por mim! E você pode pensar em muitos exemplos do seu dia-a-dia… As crianças são mestras neste tipo de imaturidade: “Não fui eu! Se não fui eu o culpado, porque vou ser a solução?”

Mas, se fossem só as crianças…

Tudo pode mudar – tudo vai mudar! – na medida em que você estiver disposto a encontrar sempre as soluções de maneira mais urgente que os culpados. A maior parte das vezes, essa lógica é apenas uma sutil maneira de estarmos sossegados…

Mas, ainda assim, atenção! Porque o sábio não é aquele que sabe as soluções para tudo e tem sempre na manga uma cartada milagrosa. Esses não são sábios mas, algo parecido com fanfarrões, sábio é aquele que se torna solução para as situações em que se sentir capaz de intervir validamente.

Rui Santiago cssr
Centro de Espiritualidade Redentorista - Porto Portugal

segunda-feira, 3 de julho de 2017

APONTAMENTOS Nº 4

"SUPORTAI-VOS UNS AOS OUTROS..."

Muitas vezes tive que ouvir ou ler interpretações estranhas deste apelo que o Apóstolo Paulo faz à comunidade cristã que vivia em Colossos. Dizem que havia problemas e divisões tão graves dentro da comunidade, que Paulo já nem pode dizer-lhes “Amai-vos uns aos outros!”, mas se fica pelo apelo a que todos se aturem o melhor possível.

“Suportai-vos uns aos outros” não significa “Aturai-vos!”, mas antes “Sede o suporte uns dos outros!” É um apelo à comunhão mais profunda, à solidariedade mais consequente, à presença mais fraterna!

As comunidades de discípulos de Jesus devem nascer da escuta do Evangelho proclamado como um grito pascal que abre as pessoas à Esperança, ao desejo de uma Alegria maior e de uma  Liberdade duradoura...


No centro destas comunidades deve estar a experiência de Deus descoberto progressivamente no encontro com o Jesus dos evangelhos, no encontro com os irmãos, no discernimento dos acontecimentos quotidianos e na celebração  da Vida.

Deve tornar-se um espaço de partilha e confidência, suficientemente aberto para que todos se sintam acolhidos e queridos, mas suficientemente íntimo para que todos saibam que o que se partilha no âmbito da comunidade não sai dela.

Na medida em que cada um se disponibiliza à ação do Espírito Santo no seu interior, as riquezas pessoais vão convergindo para o centro da comunhão, o que cria também novas possibilidades de enriquecimento para todos. Os dons pessoais são postos ao serviço e tornam-se carismas.

As relações começam a acontecer numa densidade nova, que ao princípio toda a gente sente que é “diferente” mas ninguém sabe ainda muito bem definir… É a progressiva emergência da Família nos laços do Espírito, uma dinâmica própria da marcha do Reino de Deus entre nós.

Entretanto, o Evangelho de Jesus é anunciado e acolhido verdadeiramente como tal, isto é, como Boa Notícia! Os encontros comunitários tornam-se uma fonte de “oxigênio espiritual” e o sentido de pertença de cada um aos outros vai gerando um “espírito de corpo”. Não há importantes e indiferentes, não há irmãos de primeira nem de segunda. Há temperamentos diferentes e jeitos relacionais próprios, mas todos se reconhecem e amam como iguais.

Então, todos começam a perceber que é fundamental os irmãos suportarem-se uns aos outros. Que cada um seja para outros um suporte, um apoio, um esteio. É isso que significa “Suportai-vos uns aos outros!”

Que ninguém no seio da comunidade se sinta tão só que acabe por cair! Que ninguém fique sem o suporte fraterno que lhe permite manter-se firme na procura  da Verdade que liberta e constrói o Reino.

“Suportai-vos uns aos outros!” significa: “Que ninguém se sinta abandonado entre vós, que ninguém se sinta desapoiado, que ninguém caia na prostração, no medo ou na tristeza por não ter tido suporte, por não ter encontrado quem se disponibiliza a suportá-lo”.

Quem me dera que existissem mais comunidades onde os irmãos se suportassem uns aos outros, ou seja, em que os contextos comunitários fossem acolhedores e fraternos, em vez de serem frios e moralistas. Quem me dera que ninguém tivesse de “aturar” ninguém, mas antes houvesse muitas possibilidades para aprender as artes do amor comunitário inspirado pelo Espírito de Deus.

Olha, hoje sinto que somos mais do que ontem a acreditar que só em contextos comunitários simples e profundos se pode fazer uma caminhada de aprofundamento e descoberta da Verdade libertadora do Amor de Deus por nós.

Sim, somos mais hoje, garanto-te… Se soubermos suportar-nos uns aos outros, não como quem se atura, mas como quem se ama e compadece... Saibamos fazê-lo, porque agora somos mais!

E Deus ainda há pouquinho me segredou que isto está apenas a começar. E bem de mansinho, por sinal... Xiu...



Pe. Rui Santiago

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO