sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DICAS SOBRE AUTORES BIBLISTAS


Em quem e no que “acreditar” a respeito de informações e estudos da Bíblia? 

Muitas vezes nos deparamos com um grande número de “interpretações” de textos bíblicos na internet, e ficamos sem saber são pertinentes ou não ou mesmo se são de origem católica ou não. Não que a Bíblia e a exegese mude se for um pastor protestante a interpretá-la ou até mesmo um autor que não demonstre sua confissão religiosa. Mas, é bom saber qual é o “nível” de credibilidade de quem está falando.

Alguns de vocês já fizeram o ensino superior e, portanto, fizeram um TCC (trabalho de conclusão de curso) ou ainda fizeram uma Pós-Graduação e uma Monografia ou Artigo de conclusão ou ainda, um trabalho no colegial onde o professor exigiu que fosse feito dentro das “normas”.

Bom, se vocês lembrarem das aulas de "metodologia" vão lembrar do professor dizendo para vocês que as FONTES DE REFERÊNCIA precisam ser citadas e ser fontes FIDEDIGNAS, ou seja, de PUBLICAÇÕES renomadas: livros, artigos, teses, etc...
E normalmente não se aceita fontes oriundas da Internet se não forem De SITES de pesquisa com artigos publicados e nome dos autores.

Da MESMA FORMA, precisamos tratar ASSIM, o nosso ESTUDO BÍBLICO na catequese. Ler e pesquisar, mas , com DISCERNIMENTO.

Tudo que normalmente passo aos catequistas à respeito da Bíblia e seus textos, é oriundo das notas explicativas e notas de rodapé da Bíblia de Jerusalém ou da Bíblia Sagrada das Paulinas (Edição do Pontifício Instituto Bíblico de Roma), ou ainda, do site dos Freis capuchinhos de SC, do site abiblia.org (quando tem o nome do biblista e é alguma curiosidade) e de livros de estudo bíblico, sempre citados ao final do texto.

Normalmente, quando se trata de "exegese", ou seja, INTERPRETAÇÃO desta ou daquela passagem, eu busco autores como Frei Ildo Perondi, Jose Tolentino Mendonça, Frei Carlos Mesters, Jose Antonio Pagola, Jose Maria Castillo, entre outros. Uso bastante também os estudos do Pe. Rui Santiago, padre redentorista português.

A "exegese" requer um conhecimento profundo da bíblia, logo, como não sou exegeta, leio vários autores antes de passar alguma coisa nas formações de catequistas. Existem diferenças de pensamento entre um autor e outro. Portanto, CUIDADO com aquilo que vocês leem por aí! A maioria é "achismo" de pessoas despreparadas para dar opinião ou dão opiniões "pessoais" sem embasamento teórico.

Se vocês encontrarem artigos e textos de biblistas com estes nomes: Kurt Aland, Albrecht Alt, Karl Barth, Joseph Blenkinsopp, Ernst Bloch, Dietrich Bonhoeffer, Rudolf Bultmann, Pierre Teilhard de Chardin, Frank Cruesemann, Oscar Cullmann, Herbert Donner, Bernhard Duhm, Otto Eissfeldt, Karl Elliger, Herman Gunkel, Adolf von Harnack, Martin Hengel, Joachim Jeremias, Gerhard von Rad, Karl Rahner, Rolf Rendtorff, Paul Tillich, Julius Wellhausen, podem confiar. São famosos biblistas internacionais.

Aqui no Brasil, como instituições, temos o CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, como excelente fonte de pesquisa bíblica e a UNISINOS, Universidade Jesuíta, como fonte de pesquisa, com artigos excelentes. Autores como: Carlos Mesters, Francisco Orofino, Julio Zabatiero, Leonardo Boff, Ildo Perondi, José Pedro Tosaus Abadia, são constatemente consultados quando se trata de Bíblia.

Então, peço a vocês que, se pesquisarem num blog, site, página do facebook onde não tem nenhum NOME ou APRESENTAÇÃO de um estudioso da Bíblia, não usem como referência. Estes artigos podem até nos ajudar na compreensão desta ou daquela passagem, mas, são "opiniões" parciais de leigos, como nós, que não tem estudo necessário para dar esta ou aquela opinião.

Quanto aos textos de Felipe Aquino e Pe. Paulo Ricardo, apesar do conhecimento que possuem (mais de liturgia), não costumo citá-los, porque ambos têm posições conservadoras sobre diversos assuntos da Igreja e nem sempre conseguem ser "imparciais" sobre alguns temas. Precisamos, ao estudar Teologia e Bíblia, fazê-lo de "cabeça aberta" e com iluminação da fé, pois vamos nos confrontar com informações que não fazem parte da nossa educação religiosa até então.

Que Deus nos abençoe com o “desconforto”, contra as respostas fáceis, as meias verdades, as relações superficiais, para que sejamos capazes de ir fundo dentro de nosso coração, sem medo de buscar a verdade, que, com certeza, nos trará uma fé ainda mais verdadeira e profunda.

A catequese precisa de ADULTOS na fé, não de crianças medrosas enfurnadas em seus "cenáculos". Vamos “sair” em busca de conhecimento!


Ângela Rocha

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO