quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

SER CATEQUISTA É "VOLUNTARIADO?


O CATEQUISTA É VOLUNTÁRIO?

Uma catequista de São Paulo, me contou o seguinte outro dia:

"Ângela o padre daqui nos disse outro dia: Que ser catequista não é ser voluntário, (ele não admite que a gente fale isso), que não se aprende a ser catequista...que ser catequista é um dom que Deus nos dá ao nascer, e que cabe a nós responder a esse chamado... No que é claro discordamos, dizendo que podemos e devemos aprimorar esse chamado... Bom, nem preciso dizer que isso gerou polêmicas..."

O que eu penso a respeito:

Eu acredito que ser catequista é muito mais que ir à Igreja em encontros semanais, ir à missa toda semana, participar de reuniões, formações e retiros. A gente pode ser catequista em todos os lugares e não só na Igreja.

Numa das minhas viagens por aí, eu conheci o marido de uma catequista. Que era, sem saber, um grande "catequista"! Isso porque ele se diz ateu e não frequenta a Igreja, mas não se importa que sua esposa o faça e a apoia. Ele não o faz e tem ideias bem arraigadas sobre isso, deixa a esposa na porta da Igreja e volta buscar depois.

Mas, o Seu Arnaldo é uma das pessoas mais revestidas da "couraça" de Cristo que já conheci. Ele trabalha pela comunidade como nenhuma outra pessoa faz, e sem rezar um Pai Nosso. Ele se preocupa com o outro, ele trabalha pelo outro e ele FAZ pelo outro. Está sempre envolvido em projetos em prol do bem-estar da sua comunidade, trabalha pelo social, ajuda os necessitados, trabalha pela capacitação profissional daqueles que não tem condições. Gratuitamente! Sem retorno financeiro.  Ele ama o outro sem precisar “ouvir” de Jesus que é isso mesmo que a gente tem que fazer.

Acredito, como disse o padre, que é mesmo um "chamado". Mas, mesmo aos chamados, respondemos se assim o queremos. E a caminhada, depende exclusivamente de nós. Ir ou ficar é da nossa vontade.

Deus te chama, Jesus te ensina o caminho, o Espírito Santo te dá forças, mexer as pernas: é com você! E, evidente, ninguém enfrenta uma árdua caminhada sem estar preparado: sem levar água, alimento ou ter sapatos confortáveis. E é bom estudar o mapa da jornada (itinerário) também. Somente os desavisados e imprevidentes o fazem sem preparo. E, normalmente, desistem na primeira subida...

E digo mais, o que acaba comprometendo nossa missão na Igreja, é justamente o "voluntariado". Nisso eu concordo com o padre. Catequista não é um mero voluntário.

      - Voluntário é aquele que se oferece para fazer algum serviço gratuito, nas horas em que está disponível.
- E voluntário, faz quando quer e quando pode
- E voluntário usa só as horas vagas.
- E voluntário pode deixar de sê-lo a hora em que quiser.
- E voluntário não precisa exatamente saber “bem” o que está fazendo.
- E ninguém precisa, exatamente, se preparar para ser voluntário. Normalmente é um serviço específico, dentro daquilo que ele pode oferecer, com os dons que tem.


E o problema mesmo é que a grande maioria, maioria mesmo, dos catequistas, se acha “voluntário”. Por isso eu prefiro ser "amadora"! (Risos).

O amador o é, enquanto está aprendendo e se aprimorando. Para um dia ser um “profissional” de verdade, comprometido verdadeiramente com a sua "profissão". Pois profissão, lembra especialização e comprometimento. A profissão também precisa gerar benefícios para a sociedade. Bom, aí vocês podem pensar que o profissional precisa ter como contraprestação dos seus serviços, o salário. E qual é o salário do Catequista?

OPA! Perái! Estou dizendo que catequista é profissão? Isso pode deixar os padres de cabelos em pé... vamos "arrumar"...

Não, não é uma profissão, mas, fica bem dentro daquilo que um profissional precisa fazer: formar-se, preparar-se para executar uma tarefa. Quanto ao salário, vamos pensar que, com certeza, o salário dos justos é a vida eterna.

E o que me anima nesta vida é a expectativa de que no fim da minha jornada “de trabalho", me espera lá no final, naquela derradeira sexta-feira, um "happy hour" eterno, sentada com Aquele que me acompanhou pela vida afora: Jesus! E ali vamos conversar sobre os prós e os contras dessa missão tão importante...

Ângela Rocha
Catequista Amadora (ainda e sempre).
"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


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