sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS CURA O LEPROSO


                            6º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B

“Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento” (Lv 13, 46). O texto do Levítico, na primeira leitura, deixa claro como o leproso era tratado pela lei. Uma lei com objetivos sanitários foi revestida com roupas religiosas e acabou se tronando um meio de exclusão para os doentes desde o Antigo Testamento até o tempo de Jesus.

Ao curar um leproso, Jesus se opõe a exclusão. Como imagem viva do Deus invisível, revela que o Senhor ama a todos e que ninguém deve ficar excluído da mesa do Reino. Hoje criamos também nossas barreiras de exclusão: excluímos as pessoas indesejadas, as que não pensam como nós ou aquelas que não nos adulam ou beneficiam. A própria comunidade pode isolar os seus leprosos: os pobres, os jovens, os cristãos de ocasião que nem sempre encontram o seu espaço por omissão das lideranças eclesiais. Na sociedade impera uma crescente consciência de direitos humanos que clama a igualdade de todos e que luta contra a discriminação das minorias, como vemos nas discussões sobre o racismo e homofobia. Apesar de tais discussões, as lepras ainda continuam existindo, como rótulos de exclusão. O Evangelho é um convite para uma nova mentalidade.

Deus teve compaixão, ou seja, sentiu no seu coração a dor daquele pobre excluído. Mas a misericórdia divina não anula a parte humana: “Senhor, eu sei que o Senhor pode me curar se quiser”. O enunciado carrega a certeza da fé. A certeza de que o amor de Deus não tem barreiras. Neste ano será proclamado o ano da fé pelo Papa Bento XVI. É um sinal visível de que a fé é uma verdade que precisa ser mais proclamada, pois vivemos em um mundo descrente, no qual as pessoas enxergam o mundo espiritual apenas quando convém ou quando despertam a curiosidade pelo extraordinário. Urge uma fé que toca o profundo do ser, que transforma vidas, que gera o comprometimento.

A fé é o caminho para que o Senhor cure nossas lepras. As piores não estão na superfície de nossa pele, mas aquelas que destroem muito mais do que nosso corpo. As piores lepras são aquelas que destroem nossa vontade, nossa dignidade, nossa integridade e nossas relações humanas. Que cada um examine a si mesmo e perceba quais são as lepras que atingem o coração. Hoje o Senhor nos pedirá a fé como caminho de cura para arrancar nossos males.

“O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso”.

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. (Madre Teresa de Calcutá)


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR.

FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.
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