quarta-feira, 24 de abril de 2019

EXAGEROS DE CRIATIVIDADE NA LITURGIA


"A Liturgia já tem uma dinâmica própria e já possuem seus símbolos próprios e profundos. O símbolo deveria falar por si só. O símbolo que precisa ser muito explicado, deixa de ser símbolo!"

No Sábado Santo, vivemos a Grande Vigília Pascal, também conhecida como a Mãe de todas as Vigílias. Cada momento da liturgia da grande vigília, que é essencialmente batismal desde os primeiros séculos, nos leva a esta experiência de uma nova criação. Da criação do mundo, descrita no Livro do Gênesis, à noite de Páscoa com o batizado dos catecúmenos, com renovação das promessas do Batismo. Começamos falando do Sábado Santo, apenas para exemplificar a riqueza da Liturgia e o esmero de seu preparo.

“A Liturgia é o lugar onde tudo isto se torna mais visível, mais sensível. É um lugar decisivo para o encontro, para a alegria do encontro com Jesus Cristo. O pão, o vinho, a água, o azeite, a nossa própria presença, as palavras, os gestos, todos os ritos, os símbolos que usamos na liturgia, devem nos remeter sempre para o invisível. A liturgia, no fundo, tem este grande desafio: fazer ver  o invisível, e até de ver a própria palavra. A liturgia tem esta força de tornar possível o impossível.”

Dom José Manuel Cordeiro - Bispo de Bragança-Miranda (Portugal).

Os símbolos na liturgia, além do que são próprios do ato litúrgico, precisam ser utilizados com moderação e ponderação, não de maneira exaustiva e intransigente. Na busca de tornar a liturgia mais viva e mais participativa, se buscou demasiadamente inventar tantos símbolos, fazer acréscimos de para-liturgias que, ao invés de ajudarem, trazem mais confusão ou distorções, descentralizando-se do verdadeiro sentido do mistério pascal, da mesa do sacrifício eucarístico e da riqueza da liturgia como tal.

Parece que a liturgia por si só não fala nada, porque não a entendemos, e aí temos que completá-la com acréscimos demasiados, empanturrando a liturgia de elementos desnecessários. Transformamos, por vezes, a celebração dominical, do Tempo Comum, numa esticada missa que nunca acaba. 

Na liturgia, parece que o critério do menos, é ainda o melhor. Colocamos, por exemplo, 10 símbolos diversos na procissão do ofertório, quando não os colocamos igualmente já na procissão de entrada. E quando queremos dar destaque a tudo, nada fica, porque tudo se torna extremamente acentuado ou deturpado. A Liturgia já tem uma dinâmica própria e já possuem seus símbolos próprios e profundos.

O símbolo deveria falar por si só. O símbolo que precisa ser muito explicado deixa de ser símbolo. Não precisamos reinventar uma nova liturgia. Parece que a moda é uma criatividade exacerbada, desfocada da essência do mistério à custa de inovações, que ao invés de enriquecer, tantas vezes empobrecem o sentido mais profundo da ação sagrada.

É como a SC aponta: “Os próprios sinais sensíveis que a liturgia usa para simbolizar as realidades divinas invisíveis foram escolhidos por Cristo ou pela Igreja” (SC, 33). Porque encher de outros tantos elementos outros? Não significa que não possa havê-los, mas que levem ao foco principal e não sejam dispersivos.

A ação de graças, outrossim, em muitas comunidades é sinônimo de apresentação teatral ou homenagens diversas, desfocando do verdadeiro da centralidade da refeição sagrada. Tantas vezes acontece uma indigestão litúrgica frente a tantos outros aspectos e novidades, que se quer trazer presentes, na boa intenção de melhor celebrar.

Outras vezes, encompridamos demasiadamente a Liturgia da Palavra e acabamos atropelando a liturgia eucarística, porque o tempo da primeira parte extrapolou. Enfim, há aqui muitas coisas que poderíamos elencar como avanços ou retrocessos, de acordo com a visão dos liturgistas. Sabemos que a liturgia não pode ser inventada de acordo com nosso jeito, nosso gosto, nossa cara, mas adaptada de acordo com as permissões e prescrições que se nos permitem pelas normas orientadas pela Santa Sé, por meio da Congregação para o Culto e os Sacramentos.

Padre Gerson Schmidt.

FONTE: www.vaticannews.va   

segunda-feira, 22 de abril de 2019

CANTANDO A LITURGIA


Vamos iniciar este texto perguntando: Onde estão as referências bíblicas sobre dos cantos usados em nossas celebrações? O Apóstolo Paulo, poderá nos direcionar em sua carta aos Colossenses, que assim escreve:

 E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Colossenses 3,15-17)

Também Atos dos Apóstolos nos ensina:

E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. (Atos 2,46).

Nota-se que o canto faz parte das tradições que os apóstolos deixaram como herança à Igreja de Jesus Cristo. O canto esteve sempre presente nas reuniões e celebrações que aconteciam e acontecem em nome de Deus. É importante para sinalizar a alegria do Espírito que habita em nossos corações cantando. No entanto, para que haja coerência, é bom observarmos a orientação do magistério da nossa Igreja.

Um canto será litúrgico quando celebrar e for sinal simbólico, sensível e significativo dos fatos passados dos Mistérios de Cristo. É uma forma de expressão na santificação, glorificação e louvor à Deus em comunhão com Ele e com nossos irmãos de fé. Por isso dizemos que cantamos a liturgia. Portanto, o canto litúrgico terá as mesmas características que tem a ação litúrgica, sendo: memorial / orante / contemplativo / trinitário / crístico ou centrado em cristo / pascal / eclesial /eucarístico/ narrativo / proclamativo / histórico salvífico /profético.

No Catecismo da Igreja Católica também encontramos a importância do canto:

1157. O canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o carácter solene da celebração. Participam, assim, na finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis”. (CIC- 1157).

Dizia Santo Agostinho que “Cantar é próprio de quem ama”. Toda vez que um ministério se dispõe a servir cantando, estará manifestando o seu amor a Deus, expressando a alegria e o amor que sente em estar na presença divina do Pai Celestial. Assim, os cantores dever ser exemplo constante desse amor que sentem e manifestam por meio da sua voz.

Para ajudar nesse ministério de cantar a liturgia, selecionamos alguns critérios para escolha do repertório Litúrgico:
  • Inspiração divina deve ser o requisito principal na criação de um canto litúrgico. Por isso se faz necessário estar em sintonia na oração com Deus e o Espírito Santo, sendo ainda importante que os textos dos cantos sejam embasados na Sagrada Escritura ou inspirados nela, evitando explicitações desnecessárias, moralismos, intimismos, chavões;
  • As melodias devem ser acessíveis à grande maioria da assembleia;
  • Evitar melodias e textos adaptados de canções populares, trilhas sonoras de filmes e de novelas;
  • Seja levado em conta o tipo de celebração, o momento ritual em que o canto será executado e as características da assembleia;
  • Conhecer e respeitar os tempos do ano litúrgico e suas festas, assim como a realidade, e a cultura da comunidade, expressando o mistério pascal de Cristo numa união com todo o rito do dia;
  • Observe o rito: Alguns ritos na missa, como por exemplo, o Cordeiro de Deus, não pode ser modificado;
  • Quanto às músicas: procurar escolher cantos e tons e ensaiar com antecedência, consultando a liturgia diária;
  • Antes de toda e qualquer celebração, converse com o sacerdote e exponha o que o ministério preparou em unidade com a equipe de liturgia;
  • Ensaie com o povo antes da missa os cânticos novos;
  • Importante participar de encontros de formação de liturgia e canto com frequência. Sempre buscando o conhecimento vindo de nossos pastores;
  • Convidar pessoas para fazerem parte desse ministério, repassando a importância de estar em sintonia com os desejos de Deus.  


Missa não é show, Jesus é o centro da celebração, não desvie a atenção da assembleia com excessivas expressões faciais ou gestuais durante a interpretação de um canto, seja em conjunto, em solo vocal ou instrumental. As vestimentas também não devem desviar a atenção. Por isso o ideal é não usar roupas chamativas, decotadas, transparentes na celebração Eucarística. Comportar-se e vestir-se discretamente se faz necessário para que só Cristo seja enaltecido.

O ideal é que durante a celebração não ocorra comunicação verbal entre o ministério de música. Porém, em caso de extrema necessidade de algum diálogo, faça-o da forma mais discreta possível. Nada mais desagradável do que um ministério se entreolhando com ar desesperado, para saber qual o próximo canto.

Nas celebrações, se faz necessário que o ministério de música ajude o povo a rezar por meio de canções. Para isso é bom evitar harmonias complicadas. Cuidado para não cair na tentação de mostrar seus dotes artísticos na ocasião da celebração. As pessoas precisam se sentir tocadas e convidadas a cantar junto com o ministério de canto, e não só serem expetadores.

Devemos ser sensatos para ouvir e escolher um bom canto, assim como escolhemos nossa alimentação diária. O mesmo acontece com as músicas que ouvimos que é alimento espiritual para nossa alma, juntamente com outros atos de fé que vivenciamos. O que ouvimos e cantamos deve ser agradável para si e para aqueles que nos cercam. Um ministério de música deve ser distribuidor de música saudável para a alma, um distribuidor da benção de Deus.

Estar a serviço do canto litúrgico é basicamente contribuir na santificação dos fiéis e ter a honra de colocar os dons que recebemos de Deus a serviço Dele como prova maior do nosso amor e gratidão a Ele. Todo empenho nesta obra será recompensado pelo Pai.


Contribuição: Sandra Fretta G. Malagi - Laranjeiras do Sul – PR





sábado, 20 de abril de 2019

HOMILIA DO DOMINGO: POR QUE ELE VIVE!


                       HOMILIA DO DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C

Quanta ternura acompanhada de tristeza e saudade havia no semblante de Maria Madalena. O Mestre morreu na cruz, faz falta sua presença, mas o amor não vai embora. Quem já perdeu uma pessoa querida é capaz de entender com mais facilidade. As entrelinhas do Evangelho nos revelam profundas humanidades. Ensinam-nos a cultivarmos humanidades que não podem ser esquecidas.

Aquela Maria, hoje fruto de especulações a seu respeito, foi movida pelo amor e testemunhou o silêncio da manhã . Mas, de repente, tudo muda... A pedra foi retirada do sepulcro! Então, Maria sai correndo para anunciar: “Tiraram a pedra do sepulcro!” Pedro sai correndo pra ver, o discípulo amado também.
De algum modo, a Páscoa nos transforma, arranca-nos da imobilidade, muda nossos sentimentos e atitudes.

Mas será que a palavra ressurreição tem ainda força que desinstala? Não parece que é tão sentida. No cristianismo primitivo, afirmar que Jesus ressuscitou era uma palavra profética, causa de perseguição. Isso porque os ouvintes teriam que admitir que todas aquelas palavras desconcertantes de Jesus eram verdadeiras. Hoje corremos o risco de não nos afetarmos pela ressurreição, a vida depois da morte, sinceramente, pouco importa para o nosso tempo.

Corremos o risco de não se importar pelo valor profético da ressurreição ao autenticar as incômodas palavras de Jesus. Incômodas? São mesmo? Corremos o risco de sairmos do testemunho do túmulo vazio sem pressa, mas com a tranquilidade de sempre, pois nada afetou nosso coração e mente. Corremos o risco de não acolhermos com força o anúncio da ressurreição ao proclamar o Deus que nos quer cheios de vida, plenos, felizes. Por que preferir a resignação reparatória da sexta-feira Santa? Por que é melhor a cruz do que a vida ressuscitada? O domingo é bem melhor.

Jesus ressuscitou. Aleluia! E o que significa para você? Não deixemos o sepulcro vazio sem que algo seja transformado em nós.

Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR     


 FONTE: NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.

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Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete.  




quinta-feira, 18 de abril de 2019

O SIGNIFICADO DE CADA DIA DA SEMANA SANTA


Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

Terça-feira Santa

A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre, no caminho, a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que, a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

Quarta-feira Santa

Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem, de uma igreja ou local determinado, com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto, esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.
Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Sexta-feira Santa 
A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal – Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando, na oração e no jejum, Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.
Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

Domingo da Ressurreição
É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.

Jovens Conectados

terça-feira, 16 de abril de 2019

POR QUE SOU CATÓLICO? EM QUE ACREDITAM OS CATÓLICOS

O que faz de nós católicos? Quais são as nossas crenças?
MEU DEUS É AMOR

Sou capaz de perceber no amor humano traços do amor Divino. Quando vejo o olhar amoroso, o zelo no cuidado de uma mãe pelo seu filho, quando me emociono com uma heroica bondade, vejo que o amor de Deus continua presente em cada coração. A matéria prima do qual fomos criados é primeiramente o AMOR.
SER IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS

Quanta dignidade! Não consigo penetrar nesta verdade sem me abater o quão bela e frágil é nossa natureza e o quanto podemos desapontamos nosso criador quando somos levados como Adão e Eva à desobediência.
FILIAÇÃO DIVINA

Não somos meras criaturas de Deus, mas seus filhos adotivos (pelo Batismo e salvação em Jesus). Criados à Sua imagem e semelhança, Deus nos ama e nos trata como um Pai, como Abba.
DIGNIDADE DA VIDA HUMANA

Deus é o Autor da Vida e o ser humano o ápice da criação. O cristão não pode compactuar com a morte prematura e o aborto; e tem o dever de respeitar o próximo que tem dignidade igual a sua.
JESUS CRISTO

A revelação de Deus (de seu poder, de sua lei, de sua misericórdia). Compartilhamos a fé em Jesus Cristo com todas as religiões e seitas que confessam o cristianismo, mas no catolicismo podemos tê-lo presencialmente e ser um com Ele na Eucaristia.
VIDA ETERNA




Nossa esperança de encontrarmos Deus face a face. É difícil imaginar o que acontecerá, mas poderemos sentir em plenitude o amor de Deus e nada nos faltará.
BATISMO

Deus me retira da condição de criatura e me recebe como filho, infundindo a Santíssima Trindade na minha alma. Recebemos também os dons necessários para exercermos um tríplice múnus/dever: ser profeta, sacerdote e servir como rei.
EUCARISTIA

O  alimento de nossa alma, verdadeiro corpo e sangue de Jesus Cristo entregues para nossa salvação.
MARIA - MÃE DE DEUS

Grande exemplo de fé, assunta ao céu, nossa mãezinha do céu e poderosa intercessora junto a Deus.
COMUNHÃO DOS SANTOS


Reunidas a Igreja Triunfante, Padecente e Militante, formamos um único corpo do qual Cristo é a cabeça.
SAGRADA ESCRITURA

Canon sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, contém a história do povo eleito e seu relacionamento com Deus. É palavra viva, atual e fecunda.
SANTA TRADIÇÃO APOSTÓLICA

Somos herdeiros dos primeiros cristãos, do seu modo de celebrar e viver que foi sendo transmitido de forma oral (tradição) e escrita (escrituras).
UNIDADE DO CORPO MÍSTICO DE CRISTO

A Igreja é o corpo do qual Cristo é a Cabeça. Apesar de termos carismas diferentes, Deus nos irmana em Seu infinito Amor. Por isso tanto os sacrifícios quanto as vitórias podem ser "aproveitados" pelo bem geral.
A SANTÍSSIMA TRINDADE

Deus Pai Criador, Deus Filho Redentor e Deus Espírito Santo Santificador tem a mesma essência, agem sempre em conjunto, são três pessoas e ao mesmo tempo um único Deus.
AS DUAS NATUREZAS DE JESUS CRISTO


Jesus foi inteiramente homem e inteiramente Deus. Assumindo nossa humanidade (exceto no pecado), pode nos compreender e sendo Deus pode nos amar sem limites e nos redimir.
O ESPÍRITO SANTO

O Iluminador, o consolador, enviado em Pentecostes para fortalecer os fiéis e capacitá-los a vivenciar e propagar o Evangelho de Cristo.
A BELEZA DA CRIAÇÃO

A natureza, a perfeição das coisas vivas, ecossistemas, tudo provém da inteligência de Deus e deveria ser gerenciado de maneira equilibrada pelo homem.
OS SACRAMENTOS

Sinais que contém o sagrado, pelos quais Jesus se faz presente em nossas vidas (Batismo, Confissão, Eucaristia, Crisma, Matrimônio, Ordem e Unção dos Enfermos).
UNIDADE DA IGREJA NO MUNDO

Mesma liturgia, mesmo entendimento, sabemos que percorremos os mesmos caminhos, devido à hierarquia dos bispos e governo do Papa.
A RESSURREIÇÃO

Cristo venceu a morte, ao pecado, a Satanás e nos conseguiu a salvação e a vida eterna junto dele.
GRAÇAS E DONS DE DEUS

Deus, que nos ama como somos, está sempre distribuindo favores e qualidades para que possamos viver melhor, servindo-O na pessoa do irmão.
O SINAL DA CRUZ

Escudo protetor , é a marca do cristão, com o qual se pode orar e abençoar invocando a Santíssima Trindade.
A ORAÇÃO

A "fraqueza" de Deus e a fortaleza do homem. Deus nos espera sempre para um diálogo (agradecimentos, louvor, adoração e petição).
A EXISTÊNCIA DOS ANJOS

Nosso Pai designa um anjo da guarda para cada pessoa capaz de nos proteger e inspirar no caminho do bem, como também possui uma legião de anjos e arcanjos que cumprem seus desígnios dentre os quais alguns se rebelaram e são fontes do mal.
A LIBERDADE DO SER HUMANO

Deus não é capaz de desrespeitar uma escolha pessoal, por mais que nos ame e saiba que nos fará mal. Cada um é intimamente responsável pelos seus atos, e pode confiar na misericórdia do Pai.
O EXEMPLO DOS SANTOS


Podemos conhecer a vida de muitos que colocaram a vontade de Deus acima de tudo e conseguiram cumprir o mandamento do amor com grau heroico. Eles podem nos inspirar e também interceder por nós. São venerados e nunca adorados ou colocados no lugar de Deus.
A RECONCILIAÇÃO


Sempre que eu me arrepender e confessar meus erros posso obter o perdão de Deus, isto significa que posso começar de novo com um coração limpo. 
VOCAÇÕES

Homens e mulheres que colocam as suas vidas a disposição para servir a Deus e também para me servir.
VIRTUDES TEOLOGAIS


Deus as dispõe em nossa alma no Batismo: FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE, mas cabe a nós desenvolvê-las.
IGREJA FUNDADA POR CRISTO




A Igreja foi nascida com Cristo e seus discípulos, transmitida de geração em geração até os dias atuais.
DONS DO ESPÍRITO SANTO

São presentes de Deus para nós desde o Batismo e confirmados na Crisma: Sabedoria, Entendimento, Fortaleza, Piedade, Conselho, Ciência e Temor de Deus.

COLABORAÇÃO: Lilian Volpato - Brasília -DF