CONHEÇA!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

CATEQUISTA, QUE DEUS TE ABENÇOE...

Catequista, que Deus te abençoe...

Que Deus te abençoe com o desconforto: contra as respostas fáceis, as meias verdades, as relações superficiais, para que você seja capaz de ir fundo dentro do seu coração, em busca da verdade que só o amor oferece.
Que Deus te abençoe com raiva: frente a injustiça, a opressão e a exploração das pessoas, para que você seja capaz de trabalhar pela liberdade, justiça, paz, com ardor e energia.

Que Deus te abençoe com lágrimas: para que você possa vertê-las por aqueles que sofrem dor, rejeição, fome e guerra. Para que você seja capaz de estender a sua mão e reconfortá-los, e converter as suas dores em alegria.

E que Deus te abençoe com loucura o suficiente: para acreditar que você pode fazer a diferença neste mundo e fazer o que os outros proclamam ser impossível!

Amém.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

COMO OS DISPOSITIVOS MÓVEIS PODEM AUXILIAR NO PROCESSO DE FORMAÇÃO CRISTÃ DAS CRIANÇAS?


Hoje, os dispositivos móveis (celular, tablet, etc.), fazem parte da vida das crianças desde muito cedo. E é uma parte muito “importante” da vida delas, funciona não só como meio de comunicação, mas, como entretenimento, cuidado dos pais (vigilância e segurança), meio de adquirir conhecimento, registrar fatos e eventos, meio de fazer amigos e “estar” com estes amigos. É uma forma de interagir com o “mundo” como nunca se viu antes. E isso torna possível hoje, conhecer mais de si próprio e do outro pelo simples fato de que a rede nos dá outra perspectiva sobre o tempo e o espaço. Pode-se estar em qualquer lugar, a qualquer hora. Ao contrário do que se pensa, as relações estabelecidas por meios digitais não substituem as do mundo real, e sim, as complementam.

Com relação à educação religiosa, hoje existem aplicativos de jogos, vídeos, sites, blogs, músicas, enfim; direcionados à formação cristã. Pode-se acessar a Bíblia pelo celular, a missa, liturgia, orações; pode-se usar navegadores de busca para assuntos da catequese, de religião e conhecimento bíblico e, sobretudo, pode-se ter relações de amizade e companheirismo por meio das redes sociais e de “grupos” com as pessoas que também estão na Igreja. Além disso, internet nos proporciona um conhecimento e um acesso à informação que pode ser partilhado na catequese: quando temos uma dúvida, não conhecemos um assunto ou queremos “comprovar” uma informação, vivenciar fatos e notícias: podemos pesquisar na rede, visitar sites e comparar informações. O catequista deve ser um mediador desse conhecimento e dessa informação.

Não só os pais, mas, os próprios catequistas precisam direcionar a criança a estabelecer uma “relação saudável” com seu dispositivo móvel.

Com relação às crianças mais novas, o uso do celular é mais restrito já que, quem o possui, normalmente não tem acesso às redes sociais (ou não deveria ter). Os pequenos podem assistir vídeos com historinhas e parábolas, joguinhos e se, os pais assim o permitirem (e controlarem) usar as redes sociais como contato com os amigos. Mas, veja bem, estes “contatos” precisam ser supervisionados sempre.
Mas, com os adolescentes a conversa é outra! O celular e as redes sociais são uma extensão da vida deles. É necessário interagir com o “mundo” deles: Conhecer jogos, aplicativos, músicas, ídolos e redes sociais que eles acessam e gostam, antes de fazer qualquer crítica ou proibição.

Assim, o catequista deve aproveitar justamente isso: a “sociabilidade” do celular e o contato mais estreito com adolescentes e jovens. Ter os catequizandos em seus “contatos” e como “amigos” nas redes é imprescindível. O contato via “whatsapp” por exemplo, é um excelente meio de se fazer um “pós” encontro e até mesmo um “extra” encontro, conversar sobre o que se viu e de que forma isso se aplica na vida cotidiana. Criar grupos para discussão, além dos tradicionais recados, é uma forma de interagir e praticar o “fé-vida”, objetivo também da catequese.

Evidentemente que cuidados precisam ter tomados. Com relação à presença das crianças nas redes, nos deparamos com duas realidades preocupantes: a imaturidade das crianças que não sabem que o que fazem na internet tem consequências na realidade física; e pais que não dão a devida importância ao mundo digital. Acham que é algo passageiro, da “moda”: não é! A internet veio para ficar e tornar-se cada vez mais uma interconexão com a realidade. As crianças precisam ser educadas para os perigos da rede: pessoas mal-intencionadas, o perigo do vício e a “fuga” daquilo que é preciso viver de modo “real” e físico. Pais precisam ter consciência de que, assim como no mundo “real” em que vivemos, eles precisam cuidar dos filhos no mundo digital também e, não raras vezes, trazê-los “de volta” ao mundo mais real, físico, ao cotidiano: alimentar-se, praticar atividades físicas, conversar “olho no olho”, brincar, se encontrar com os amigos (fisicamente), dar um abraço, um aperto de mão.


O que os pais (e os catequistas!) devem fazer, é não ficar alheios ao que os filhos fazem na internet. É preciso compartilhar conhecimento e informação e isso pode ser feito de forma diversificada: fotos no Instagram, vídeos, torpedos, mensagens formato Twitter, Facebook, Whatsapp, etc. A presença dos pais deve ser oportuna e segura. Sem imposição, mas, educando para o bem e para o que é bom, formando consciência crítica nos jovens. Pais precisam ser “contato” dos filhos nas redes sociais! Precisam ser “amigos” digitais dos filhos. Precisam estar à frente dos filhos nas questões tecnológicas, participando, se informando e vivendo junto com os filhos a experiência de “estar conectado à Internet”; e os filhos precisam ter limites e serem exaustivamente informados dos riscos e dos problemas que acontecem nesse mundo “paralelo”, o mundo digital. Assim com o no mundo “real”, existem perigos enormes no mundo digital.

Os catequistas precisam, assim como os pais, estar “antenados” nesse mundo midiático que está aí. Não dá para ficar alheio e “proibir” o uso do celular nos encontros. Guardar o celular em determinados momentos, precisa ser uma escolha e não uma imposição. O catequista precisa saber do que crianças, adolescentes e jovens gostam e o que fazem na rede. Não é preciso ser um “expert” em tecnologia, mas, é preciso, no mínimo ter um celular com acesso à rede... rsrsrsr. Pode-se integrar os temas dos encontros aos meios digitais: fazer pequenos vídeos, incentivar o uso dos buscadores para pesquisa, aplicativos religiosos: Bíblia, liturgia, oração, etc. Criar grupos no Facebook, Whatsapp, etc.
Outra coisa que o catequista precisa - de forma urgente eu diria – é se tornar um “catequista na rede”. Ser um exemplo para catequizandos e suas famílias, dar testemunho de sua missão, ser uma referência a seus contatos e a todas as pessoas que possa atingir com suas publicações. O catequista não pode ser “um” na Igreja e “outro” nas redes sociais. E precisa pensar também que o “mundo” digital, é um mundo para se catequizar e evangelizar. E não é só fazendo citações bíblicas ou publicando o Evangelho do dia, que se faz isso. É “vivendo” tudo que um cristão deve viver: tendo discernimento em seus comentários, publicando fotos do que faz e do que acredita, evitando compartilhar publicações pejorativas e de baixo nível, “sendo” o mesmo catequista que é na sala da catequese: um profeta do anúncio e da denúncia, mas, sem ferir a ninguém.

O que todos nós, que de alguma forma somos educadores - sejam catequistas, pais ou professores - precisamos nos dar conta é que, a rede não é um simples "instrumento" de comunicação que se pode usar. Ela evoluiu para o que podemos chamar de “mundo” paralelo, um espaço onde muitas pessoas habitam, um ambiente cultural que determina estilos de pensamento e cria novos territórios e novas formas de educação. E dessa forma precisamos buscar novas formas de estimular conhecimento e estreitar relações. Precisamos “habitar” esse mundo e também organizá-lo. Não é, portanto, um ambiente separado da vida “real”, mas, ao contrário, está sempre mais integrado e conectado com aquilo que vivemos na nossa vida cotidiana. Os jovens mostram que se pode viver perfeitamente estas duas realidades: física e digital. Precisamos aprender com eles. Precisamos aprender a ser missionários, solidários e evangelizadores, também, nos meios digitais.

Ângela Rocha
Catequista e Administradora do Grupo "Catequistas em Formação".

 “Os católicos precisam ser "cidadãos digitais”, construtivos ao usar a internet, que é um ‘dom de Deus’, para manifestar a solidariedade. A Internet pode oferecer mais possibilidades de reencontro e de solidariedade entre todos, o que é uma coisa boa. A Igreja deve empenhar-se para levar ao homem ferido, pela via digital, o óleo e o vinho: Que a nossa comunicação seja um óleo perfumado para a dor e um bom vinho para a alegria! ”


(Papa Francisco – 23/01/2014)

sábado, 14 de outubro de 2017

MÁRTIRES DO BRASIL SÃO CANONIZADOS PELO PAPA NESTE DOMINGO


A Igreja brasileira ganhará 30 novos santos neste domingo, 15 de outubro. Aumenta a cada hora a expectativa pela cerimônia de canonização, presidida pelo Papa, que deve reunir dezenas de milhares de fiéis na Praça São Pedro.

Além dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, também serão canonizados na mesma data Cristóbal, Antonio e Juan, mortos por ódio à fé em 1527 e 1529, e considerados os Protomártires do México e de todo o continente americano; o sacerdote espanhol Faustino Míguez, fundador do Instituto Calasanzio e o Frade Menor Capuchinho italiano Angelo d’Acri.

Segundo o Pe. Júlio Cesar, vice-postulador da causa dos novos santos brasileiros: “Os mártires nos trazem uma mensagem de ‘ir ao encontro’: eles não ficaram esperando, não buscaram uma maneira de renegar, ou de salvar suas vidas, mas se doaram, se entregaram. Este é o grande convite para a Igreja de hoje, precisamos redescobrir a força de ‘doar-se pelo outro’. É muito bonita a expressão do Papa Francisco ‘abram as portas da Igreja para Jesus sair’. A Teologia do Martírio é cada vez mais necessária no mundo de hoje, cada vez mais acomodado, que busca seus próprios interesses, onde cada um quer construir uma Igreja que atenda às suas próprias necessidades, nós somos chamados a entender que ser cristãos é também renunciar, é mudar o nosso estilo de vida, ir em busca dos mais necessitados, dos excluídos, dos sofredores, mesmo que isso nos custe”.

Delegações de peregrinos, políticos e da Igreja brasileira também vão participar da missa, presidida pelo Papa Francisco às 10h horário local, com transmissão ao vivo para todo o Brasil a partir das 6h de Brasília.

Quem são os novos santos

Os ‘protomártires do Brasil’ foram assassinados entre julho e outubro de 1645 por soldados holandeses calvinistas nos chamados Massacres de Cunhaú e Uruaçu, as atuais cidades de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, ambas no Rio Grande do Norte.

Beatificados pelo Papa João Paulo II em março de 2000 na Basílica de São Pedro, chegam agora à canonização, podendo ser honrados nos altares de todo o mundo como santos.
Dom Jaime Vieira Rocha, Arcebispo de Natal, afirma que este momento de mistério e benção para o povo brasileiro deve ser ocasião de recomeço e de renovação do entusiasmo de ser cristãos

“Que a sociedade brasileira, interiorizando esta graça, desperte para a responsabilização de cada um, de nossos irmãos e de nosso país, em vista de um comprometimento ainda maior. Que seja um ponto de partida para todos”. 

Fonte: http://br.radiovaticana.va


OS MASSACRES DE CUNHAÚ E URUAÇU

Católicos do Rio Grande do Norte recordam, no dia 03 de outubro, data em que é feriado no Rio grande do Norte, o massacre dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, mortos por holandeses no ano de 1645, por não aceitarem a imposição militar, cultural e da religião protestante calvinista, se tornando um momento ímpar da história do Rio Grande do Norte, de resistência, fé e de defesa dos princípios de liberdade.

Os episódios dos massacres de Cunhaú e Uruaçu ocorrem em meio a uma crise no mercado do açúcar, e ao levante de colonos portugueses e brasileiros contra o domínio holandês. Após tomarem a Fortaleza dos Reis Magos, em 1633, os holandeses passaram a chamar Natal de "Nova Amsterdã” e a Fortaleza de “Castelo Keulen”. O deslocamento das forças seguiu devastadora para o interior do estado.

Jacob Rabbi era o comandante da tropa de tapuias, potiguares e holandeses, inicialmente apontado como intérprete entre os holandeses e os tapuias. Rabbi era alemão, natural do condado de Waldeck, emigrou para a Holanda onde foi contratado pela Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. Quando veio para o Brasil permaneceu durante quatro anos vivendo entre os indígenas e assimilou os costumes nativos, num verdadeiro processo “indianização”. Ele vivia com uma nativa Janduí de nome Domingas, num sítio de sua propriedade, chamado "Ceará". 

Ele é considerado, pelos historiadores, como uma das figuras mais sinistra, abominável e hedionda do domínio holandês no Nordeste do Brasil. No comando das tropas de janduís e potiguares, Rabbi foi responsável por vários saques e chacinas em engenhos, entre as capitanias do Rio Grande, Paraíba e Pernambuco.

O MASSACRE DE CUNHAÚ

Jacob Rabbi e um grupo de índios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú, atual município de Canguaretama, em 15 de julho de 1645. Ele se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, dia 16, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias.

Os historiadores estimam que cerca de 70 fiéis estavam presentes no lugar, cumprindo apenas o preceito religioso, não portando armas. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal de Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos.

Relatos posteriores, alguns deles de emissários do governo holandês que investigaram o episódio, descrevem cenas de violência, atrocidades e requintes de crueldade contra os fiéis. Desarmados, os colonos não tinham como resistir e se resignaram à morte. Atendendo a exortação do padre André de Soveral, que celebrava a missa, muito foram executados em meio as orações. O próprio padre foi morto a punhaladas.

MASSACRE DE URUAÇU

Três meses depois da tragédia de Cunhaú, no dia 03 de outubro, aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante, também sob o comando de Rabbi, ajudado pelo chefe da tribo potiguar Antônio Paraopaba, “educado” pelos holandeses. 

Depois do massacre em Cunhaú alguns moradores influentes, liderados pelo padre Ambrósio Ferro, que exercia as funções de vigário de Natal, pediram abrigo no Castelo Keulen, nome dado a Fortaleza dos Três Reis Magos, em Natal. Os que não foram, construíram uma paliçada para proteger a localidade conhecida como Potengi. O número de moradores refugiados na paliçada é incerto. Para os cronistas portugueses eram 70 homens, mas documentos holandeses citam 232 pessoas.

Pesquisas em documentos holandeses e portugueses mostram que o cerco a paliçada do Potengi durou 16 dias. Foi iniciada em setembro pelo grupo de Jacob Rabbi e, depois, contou com reforços enviados pelo Castelo de Ceulen, incluindo duas peças de artilharia. O bombardeio forçou a rendição dos luso-brasileiros.

Ocupada a paliçada do Potengi, os holandeses levaram cinco reféns para o Castelo de Keulen. Os demais colonos ficaram confinados na paliçada. No dia 2 de outubro chegou a ordem do conselho holandês para executar os principais líderes dos colonos, desestimulando a revolta em terras do Rio Grande.

Não há comprovação dessa ordem, mas o fato é que no dia seguinte, 03 de outubro de 1645, foram levados para Uruaçu: Antônio Vilela, Cid, seu filho, Antônio Vilela Júnior, João Lostau Navarro, Francisco de Bastos, José do Porto, Diogo Pereira, Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira, Simão Correia e o próprio padre Ambrósio Francisco Ferro, e foram todos executados.

Os relatos citam que ao chegar em Uruaçu, a tropa formou um quadrado e, no interior ficaram o sacerdote mais os colonos. Foi dada a ordem para que eles se despissem e se ajoelhassem. Jacob Rabbi chamou os nativos para que eles completassem o massacre. A crueldade foi ainda maior, braços e pernas foram decepadas, crianças foram partidas ao meio e grande parte dos corpos foram degolados. Entre os mortos estavam o padre Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira (proclamado pela CNBB como patrono dos ministros extraordinários da comunhão eucarística do Brasil), o qual, ao ter o coração arrancado pelas costas, proclamou: “Louvado seja o santíssimo Sacramento”.

À morte deles, segue-se a chacina dos que estavam refugiados em Potengi, depois de terem sido retirados da paliçada e levados para o mesmo porto. 

RELIGIOSIDADE

Em reconhecimento ao feito dos Mártires de Uruaçu, em 16 de junho de 1989 o processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé. Em 21 de dezembro de 1998 o papa João II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos. Em março de 2000, o papa João Paulo II beatificou os mártires de Cunhaú e Uruaçu como exemplos de fé cristã e defensores da Igreja Católica.

No dia 20 de abril deste ano, em consistório, o Papa Francisco anunciou a canonização deles para o dia 15 de outubro de 2017.

Fonte: Arquidiocese de Natal - RN

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DICAS SOBRE AUTORES BIBLISTAS


Em quem e no que “acreditar” a respeito de informações e estudos da Bíblia? 

Muitas vezes nos deparamos com um grande número de “interpretações” de textos bíblicos na internet, e ficamos sem saber são pertinentes ou não ou mesmo se são de origem católica ou não. Não que a Bíblia e a exegese mude se for um pastor protestante a interpretá-la ou até mesmo um autor que não demonstre sua confissão religiosa. Mas, é bom saber qual é o “nível” de credibilidade de quem está falando.

Alguns de vocês já fizeram o ensino superior e, portanto, fizeram um TCC (trabalho de conclusão de curso) ou ainda fizeram uma Pós-Graduação e uma Monografia ou Artigo de conclusão ou ainda, um trabalho no colegial onde o professor exigiu que fosse feito dentro das “normas”.

Bom, se vocês lembrarem das aulas de "metodologia" vão lembrar do professor dizendo para vocês que as FONTES DE REFERÊNCIA precisam ser citadas e ser fontes FIDEDIGNAS, ou seja, de PUBLICAÇÕES renomadas: livros, artigos, teses, etc...
E normalmente não se aceita fontes oriundas da Internet se não forem De SITES de pesquisa com artigos publicados e nome dos autores.

Da MESMA FORMA, precisamos tratar ASSIM, o nosso ESTUDO BÍBLICO na catequese. Ler e pesquisar, mas , com DISCERNIMENTO.

Tudo que normalmente passo aos catequistas à respeito da Bíblia e seus textos, é oriundo das notas explicativas e notas de rodapé da Bíblia de Jerusalém ou da Bíblia Sagrada das Paulinas (Edição do Pontifício Instituto Bíblico de Roma), ou ainda, do site dos Freis capuchinhos de SC, do site abiblia.org (quando tem o nome do biblista e é alguma curiosidade) e de livros de estudo bíblico, sempre citados ao final do texto.

Normalmente, quando se trata de "exegese", ou seja, INTERPRETAÇÃO desta ou daquela passagem, eu busco autores como Frei Ildo Perondi, Jose Tolentino Mendonça, Frei Carlos Mesters, Jose Antonio Pagola, Jose Maria Castillo, entre outros. Uso bastante também os estudos do Pe. Rui Santiago, padre redentorista português.

A "exegese" requer um conhecimento profundo da bíblia, logo, como não sou exegeta, leio vários autores antes de passar alguma coisa nas formações de catequistas. Existem diferenças de pensamento entre um autor e outro. Portanto, CUIDADO com aquilo que vocês leem por aí! A maioria é "achismo" de pessoas despreparadas para dar opinião ou dão opiniões "pessoais" sem embasamento teórico.

Se vocês encontrarem artigos e textos de biblistas com estes nomes: Kurt Aland, Albrecht Alt, Karl Barth, Joseph Blenkinsopp, Ernst Bloch, Dietrich Bonhoeffer, Rudolf Bultmann, Pierre Teilhard de Chardin, Frank Cruesemann, Oscar Cullmann, Herbert Donner, Bernhard Duhm, Otto Eissfeldt, Karl Elliger, Herman Gunkel, Adolf von Harnack, Martin Hengel, Joachim Jeremias, Gerhard von Rad, Karl Rahner, Rolf Rendtorff, Paul Tillich, Julius Wellhausen, podem confiar. São famosos biblistas internacionais.

Aqui no Brasil, como instituições, temos o CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, como excelente fonte de pesquisa bíblica e a UNISINOS, Universidade Jesuíta, como fonte de pesquisa, com artigos excelentes. Autores como: Carlos Mesters, Francisco Orofino, Julio Zabatiero, Leonardo Boff, Ildo Perondi, José Pedro Tosaus Abadia, são constatemente consultados quando se trata de Bíblia.

Então, peço a vocês que, se pesquisarem num blog, site, página do facebook onde não tem nenhum NOME ou APRESENTAÇÃO de um estudioso da Bíblia, não usem como referência. Estes artigos podem até nos ajudar na compreensão desta ou daquela passagem, mas, são "opiniões" parciais de leigos, como nós, que não tem estudo necessário para dar esta ou aquela opinião.

Quanto aos textos de Felipe Aquino e Pe. Paulo Ricardo, apesar do conhecimento que possuem (mais de liturgia), não costumo citá-los, porque ambos têm posições conservadoras sobre diversos assuntos da Igreja e nem sempre conseguem ser "imparciais" sobre alguns temas. Precisamos, ao estudar Teologia e Bíblia, fazê-lo de "cabeça aberta" e com iluminação da fé, pois vamos nos confrontar com informações que não fazem parte da nossa educação religiosa até então.

Que Deus nos abençoe com o “desconforto”, contra as respostas fáceis, as meias verdades, as relações superficiais, para que sejamos capazes de ir fundo dentro de nosso coração, sem medo de buscar a verdade, que, com certeza, nos trará uma fé ainda mais verdadeira e profunda.

A catequese precisa de ADULTOS na fé, não de crianças medrosas enfurnadas em seus "cenáculos". Vamos “sair” em busca de conhecimento!


Ângela Rocha

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CATEQUESE DO PAPA

RESIGNAÇÃ0 NÃO É UMA VIRTUDE CRISTÃ

 Na sua catequese desta quarta-feira, o Papa deteve-se sobre aquela dimensão  da esperança que é a espera vigilante. O tema da vigilância – disse – é um dos fios condutores do Novo Testamento. Com efeito, Jesus disse aos seus discípulos para estarem sempre prontos como aqueles que esperam o patrão para lhe abrirem a porta. No tempo que segue a ressurreição de Jesus em que se alternam momentos serenos e de angústia, os cristãos não podem nunca relaxar-se. São como servos que nunca vão dormir enquanto o patrão não voltar – disse o Papa que acrescentou:

“Este mundo exige a nossa responsabilidade, e nós a assumimos completamente e com amor. Jesus quer que a nossa existência seja laboriosa, que não diminuamos nunca a vigilância, para acolher com gratidão e maravilha cada novo dia que nos é dado pelo Senhor”
E o Papa recordou que cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com boas obras. Já fomos salvos pela redenção de Cristo, agora esperamos a plena manifestação da senhoria de Cristo, quando finalmente Deus será tudo em todos. Nada é mais certo do que este encontro marcado com o Senhor. Devemos estar prontos para a salvação que vai chegar, prontos para o encontro.

“Já pensastes, vós, como será esse encontro com Jesus, quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na alegria deste encontro!”

O Papa recordou depois que o cristão não é feito para o aborrecimento, mas sim para paciência, a perseverança, pois que nada acontece em vão, nenhuma situação é completamente refrataria ao amor, nenhuma noite é tão longa ao ponto de fazer esquecer a alegria da aurora. E quanto mais escura é a noite, mais próxima é a aurora. Se permanecermos unidos em Jesus, o frio dos momentos difíceis não nos paralisa e o futuro não será nunca obscuro. O cristão sabe que nesse futuro haverá o retorno de Cristo. Ninguém sabe quando será, mas só o facto de saber que no fim da nossa história está Jesus Misericordioso, já é suficiente para termos confiança e não maldizer a vida. Tudo será salvo, tudo – disse o Papa.

“Depois de ter conhecido Jesus, não podemos senão, escrutar a história com confiança e esperança”.
Francisco comparou Jesus a uma casa em que estamos e recomendou que não fechemos as janelas dessa casa, que não nos fechemos em nós próprios, a não chorarmos o passado, mas a olharmos para a frente, para um futuro que não é apenas obra das nossas mãos, mas antes de mais uma preocupação constante da providencia de Deus. Tudo o que é opaco, um dia se fará luz.

Deus nunca nos desilude – voltou a sublinhar Francisco. Ele quer que todos os seres humanos sejam salvos, por isso, não olhemos para a história com pessimismo como se fosse um comboio sem controlo – disse o Papa, recordando que a resignação não é uma virtude cristã. Assim como não é cristão levantar os ombros e baixar a cabeça perante um destino que nos parece inelutável.

Jesus recomenda que O esperemos sem estar de braços caídos. Não é a pessoa remissiva que dá esperança ao mundo – disse Francisco:
“A pessoa remissiva, não é um construtor de paz, mas sim um preguiçoso, uma pessoa que quer estar sempre cómoda. Enquanto que o cristão é construtor de paz quando arrisca, quando tem a coragem de arriscar para trazer o bem, o bem que  Jesus nos deu, nos deu como um tesouro”

O Papa concluiu recomendando que repitamos todos os dias da nossa vida aquela invocação (em aramaico) dos primeiros discípulos: Maranathá, “Vem, Senhor Jesus”. No nosso mundo não precisamos de mais nada senão de uma carícia de Cristo. E que graça, se na nossa oração, nos dias difíceis desta vida, sentirmos a sua voz que nos responde e nos dá segurança: “Eis, venho já”.

Depois da sua catequese, o Papa saudou os fieis presente com traduções em sete línguas, entre os quais o português:
“Saúdo todos os peregrinos de do Brasil e de outros países de língua portuguesa, particularmente os diversos grupos de sacerdotes, religiosos e fiéis brasileiros residentes em Roma, que vieram a esta Audiência para dividir a alegria pelo jubileu dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, cuja festa se celebra amanhã. A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, nos lembra que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça. Que Deus lhes abençoe”.
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No final da audiência geral o Papa recordou que a 13 de Outubro se conclui o centenário das últimas aparições marianas em Fátima, e pediu que, especialmente neste mês de Outubro, se reze o Santo Rosário pela paz no mundo: 

“Na próxima sexta-feira, 13 de outubro, conclui-se o centenário das
últimas aparições marianas em Fátima. Com o olhar voltado para a Mãe do Senhor e Rainha das Missões, convido todos, especialmente neste mês de Outubro, a rezar o Santo Rosário pela intenção da paz no mundo. Possa a oração dissuadir os ânimos mais rebeldes, para que tirem a violência de seus corações, das suas palavras  e dos seus gestos, e construam comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podemos ser construtores de paz”.

O Pontífice recordou que 13 de Outubro é também Dia Internacional para a Redução dos Desastres Naturais:
 “Renovo o meu premente apelo pela salvaguarda da criação, mediante uma sempre mais atenta tutela e cuidado pelo ambiente. Encorajo, neste sentido, as instituições e todos os que têm responsabilidade pública e social, a promover sempre mais uma cultura que tenha como objectivo a redução da exposição aos riscos e às calamidades naturais. As acções concretas, voltadas ao estudo e à defesa da casa comum, possam reduzir progressivamente os riscos para as populações mais vulneráveis”.


RADIOVATICANA.VA

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NOSSA SENHORA APARECIDA: Maria está no início e no fim da obra de Jesus.


"Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida!"  (Papa Francisco)

A Virgem Maria, a Mãe de Deus, é invocada conforme a história do povo cristão, em locais e regiões as mais distintas. Mesmo no Brasil, ela é chamada por muitos ‘nomes’. É quase automático nos lábios das pessoas, diante do inesperado ou do mistério grande das coisas, a exclamação: “Virgem Maria”! ou “Nossa Senhora”!

Para o descrente ou apenas o racional, a exclamação pode simplesmente ser um reflexo religioso inconsciente… No entanto, é curioso e muito significativo, que culturalmente o povo brasileiro chame sempre pela “mãe”, por uma “mulher”… que a fé sabe ser uma “bendita entre as mulheres”, porque é “cheia de graça”!

No Brasil, ela ganhou as feições simples e humildes de seu povo. É simplesmente a “Aparecida”, porque surgiu das águas, nas redes de gente simples como ela, os pescadores do rio Paraíba. A água escureceu sua imagem da argila, cor da terra. Apareceu negra, cabeça separada do corpo, que o homem colou e uniu. Outros sinais da identificação com o seu Filho e os seus irmãos: os renascidos da água e do espírito, membros do mesmo e único corpo, do qual o Cristo é a cabeça.

Antes dela ser “Aparecida”, já era a “Conceição”, aquela que concebe e dá à luz à própria Luz que veio a este mundo. Sabiamente diziam os Padres da Igreja que, primeiro Maria concebeu seu Filho na fé, crendo na Palavra que lhe foi anunciada e, por isso concebeu-O também no seu corpo. Tornou-se, então, o modelo e protótipo da Igreja, de todos os que, como ela, geram o Cristo pela fé.

Frei Regis Daher, OFM

Senhora Nossa, Maria Aparecida

Entre as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, às margens da Rodovia Dutra e do Rio Paraíba se ergue a majestosa Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Os que já tivemos ocasião de viver algum tempo naquele espaço sabemos do encanto e da beleza do espetáculo de fé que ali se assiste.

Dizemos, com razão, que ali é a Casa da Mãe. Os fiéis acorrem de todos os cantos. Há ônibus de peregrinos que rodam horas e horas. Há pessoas que fazem parte do caminho a pé. Há os que sobre de joelhos ladeiras e escadas. Em todos e em cada um dos peregrinos e dos devotos estão os filhos que buscam estar um pouco na Casa da Mãe. Há os que trazem o agradecimento das graças obtidas e os que não aguentam mais as dores do corpo e do coração e fazem promessas à Mãe de Jesus. Cansados da viagem, sem poderem dormir, essas mulheres e esses homens de fé querem colocar-se sob o manto da Mãe. Há mães que pedem pela conversão dos filhos, há esposos e esposas que suplicam graças para sua família e a solidez de seu casamento. Há pessoas dadas à bebida e às drogas que buscam força… Sempre um espetáculo de fé.

Quando João Paulo II esteve em Aparecida, por ocasião da Dedicação da Basílica Nacional, disse: “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida”. Desde que eu pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, a ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, um saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho no momento extremo de sua vida para ser nossa Mãe”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

HOMILIA: 27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A



                                              A VINHA É O REINO DE DEUS!

A história humana aos olhos da fé, pode ser sempre interpretada pelo binômio dom/tarefa. A vida é um presente de Deus, o que recebemos é uma graça, mas sempre Deus pede a nossa resposta – o nosso comprometimento. É nossa tarefa cultivarmos o dom recebido.
O Evangelho e a primeira leitura de uma decepção divina, Deus ama tanto, entrega tanto carinho, que espera uma resposta positiva. Mesmo diante da predileção divina, o povo de Israel fracassou várias vezes e o próprio Filho de Deus foi rejeitado, jogado para fora da própria Cidade Santa: o Calvário é do lado de fora dos muros de Jerusalém.

Os judeus da época de Jesus queriam guardar os frutos só para si.. Não queriam partilhar com os demais, julgavam-se exclusivos, faziam leis amargas e de exclusão, ao invés de gerar a acolhida alegre. Este foi um dos  motivos da rejeição do filho do dono da vinha, pois eles não poderiam aceitar a proposta de Jesus, que afetava as estruturas dos líderes da época.

A Igreja é a vinha do presente e nós os vinhateiros. Guardaremos os frutos só para nós? Faremos do Evangelho um privilégio que nos incomoda (que nos faz sentir salvos) ou vamos nos abrir para o mundo? A vinha é uma estrutura necessária, porém só tem sentido se está em função dos frutos. A Igreja, do mesmo modo, só é autentica se está em função do Reino, produzindo frutos de justiça, misericórdia, liberdade, fraternidade, perdão e paz...O principal fruto da vinha deve ser a missão que edifica uma Igreja aberta a todos, acolhedora, na qual os seus membros dão testemunho da alegria pertencer a Vinha. O Reino de Deus jamais poderá ser monopólio de nenhuma estrutura, de nenhuma instituição religiosa, nem do clero ou dos especialistas em religião. O Reino de Deus cresce pelo mistério do Espírito. Se nós que recebemos o dom e a tarefa de cultivá-lo em primeira instância não o fizermos, outros o farão. Que o Reino não nos seja tirado.

São Paulo nos deixa uma lista de frutos que devem fazer parte da cesta de quem colhe os dons da Vinha: a verdade, o respeito, a pureza, o amor, a honra, a verdade. Se lêssemos os versículos o texto proposto para este domingo, veríamos que São Paulo está falando da brevidade do tempo. Ou seja, a vida é breve. Deste modo, devemos viver  como peregrinos deste mundo, sabendo da urgência de frutificar. Diante dos problemas da vida, apresentamos tudo e coloquemos nossas dificuldades nas mãos dos donos da Vinha, pois Ele sabe o que faz. Vivendo de acordo com a Palavra do Senhor, vem o dom da paz: “Assim, o Deus da Paz estará conosco”.

A vinha, portanto, é também o símbolo da nossa vida. Hoje, Deus continua nos dando muito: a vida, a fé, suas bênçãos... O que estamos fazendo com os presentes que Ele nos deu? A nossa vida necessita de cultivo, de cuidados. Deve produzir frutos bons, não amargos. Quando chegarmos ao final da nossa experiência terrena, devemos olhar para trás e perceber que deixamos um legado, que simplesmente não passamos pela vida, mas que construímos frutos que ficam para a eternidade. No presente que o Senhor nos dá como graça, podemos decidir sobre o cultivo de nossa vinha.

“A pedra que os construtores tornou-se agora a pedra angular” (Mt 21,42). Se o ser humano desrespeitou a vinha pelos frutos podres que produziu, Deus enviou seu próprio Filho. Ao ser morto, Deus transformou nosso pecado em graça, a violência horrenda da cruz em sinal de amor-doação até as últimas consequências. Deus revela sua bondade em nossa maldade. Agora permanece como a pedra angular. Nossa vida deve ser alicerçada nesta pedra firme para que não desmorone. Assim, não por nossas forças, mas pela graça dele, teremos uma construção firme que não será destruída, uma vinha que não será arrancada.

Pe. Roberto Nentwig

* As homilias do Padre Roberto Nentwig podem ser encontradas na coleção "O Vosso Reino também é nosso", ano A, B e C.



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

PAPA FRANCISCO: PEÇAMOS À JESUS CORAGEM PARA SEGUI-LO DE PERTO

Em sua homilia desta semana, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco se inspirou no Evangelho de Lucas, em que Jesus toma duas decisões ao se aproximar o momento da sua Paixão: colocar-se em caminho e, portanto, aceitar a vontade do Pai e ir avante e, depois, anunciar esta decisão aos seus discípulos.

"Somente uma vez, Jesus se permitiu pedir ao Pai que afastasse um pouco esta cruz: 'Pai – no Jardim das Oliveiras –, se possível, afasta de mim este cálice. Mas não seja feita a minha, mas a tua vontade'. Obediente; aquilo que o Pai quer. Decidido e obediente e nada mais. E assim até o fim. O Senhor pacienta…Pacienta. É um exemplo de caminho, não somente morrer sofrendo sobre a cruz, mas caminhar em paciência" - disse o Papa.

Mas diante desta decisão, diante do caminho rumo a Jerusalém e rumo à cruz, os discípulos não seguem o seu Mestre. É o que narram várias páginas dos Evangelhos que o Papa cita. Às vezes, os discípulos “não entendem o que quer dizer ou não querem entender, porque estavam com medo"; outras vezes, “escondiam a verdade” ou se distraiam fazendo “coisas alienantes”; ou até mesmo, como se lê no Evangelho de hoje, “procuravam um álibi para não pensar” naquilo que aguardava o Senhor.

“Não era acompanhado nesta decisão, porque ninguém entendia o mistério de Jesus, a solidão de Jesus no caminho para Jerusalém: sozinho. E isto, até ao fim. Pensemos depois no abandono dos discípulos, na traição de Pedro... Sozinho. O Evangelho nos diz que aparece a ele somente um anjo do céu para confortá-lo no Jardim das Oliveiras. Somente aquela companhia. Somente”.

Vale a pena – e esta é a sugestão final do Papa hoje – “tomarmos um pouco de tempo para pensar” em Jesus que “tanto nos amou”, “que caminhou sozinho para a Cruz”, “na incompreensão também dos seus”. “Pensar”, “ver”, “agradecer” a Jesus obediente e corajoso e conversar com ele.

E é o próprio Papa a sugerir as palavras: “Quantas vezes eu procuro fazer tantas coisas e não olho para Ti, que fizeste isto por mim? Que foi paciente - o homem paciente, Deus paciente - que com tanta paciência tolera os meus pecados, os meus fracassos? E falar com Jesus assim. Ele decidiu sempre ir em frente, oferecer a face, e agradecê-lo. Tomemos hoje um pouco de tempo, poucos minutos – cinco, dez, quinze – diante do Crucifixo, talvez ou com imaginação, ver Jesus caminhar decididamente para Jerusalém e pedir a graça de ter a coragem de segui-Lo de perto”.

FONTE: radiovaticana.va 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

VAMOS FAZER MISSÃO ONLINE?

OUTUBRO: MÊS DE MISSÃO

Outubro é tempo de missões. E está bem mais fácil “missionar” agora. Temos em nossas mãos uma ferramenta poderosa: as redes sociais da Internet, acessíveis hoje, também, pelos dispositivos móveis. Nem é preciso levantar da cadeira, basta agilidade nos dedos e um conhecimento básico de tecnologia.


As redes sociais dominam o mundo. Hoje, pode-se lançar uma ideia ou uma causa, e em segundos, o mundo inteiro toma conhecimento. Pessoas se encontram e utilizam cada vez mais as redes para contato. Está cada vez mais fácil, unir pessoas em torno de um mesmo objetivo ou um ideal, seja ele qual for. Quer meio melhor de evangelizar?

São inúmeras as formas de dar voz à nossa causa, basta que busquemos a melhor maneira de colocar a evangelização virtual em ação. O mundo online é formado por um público que está preparado para replicar e multiplicar vozes. Nas diversas redes sociais se conversa de igual para igual, sem hierarquia e sem censura. O poder da informação está na internet. Lá, tudo é comunitário. Então, porque nossa Igreja ainda não infestou a rede levando a voz do Cristo Pacificador? Porque, nós, catequistas, ainda não estamos fazendo Ecoar, com toda a nossa força, a Palavra neste meio tão poderoso?

A Rede Social é uma das formas de representação de “relacionamento” afetivo entre os seres humanos. Então, nada mais lógico que a Igreja esteja lá. Ela é responsável pelo compartilhamento de ideias e interesses que movimentam o planeta. Valores também são compartilhados. Um grupo é composto por indivíduos que possuem identidades semelhantes e buscam, em seus relacionamentos, amizade e partilha.

Mas para que serve tantas plataformas de informação? O que são Google, Blog, Youtube, Facebook, Twitter, Myspace, whatsapp... e tantos outros nomes? Como utilizar essas ferramentas em prol de uma grande mobilização ou de uma grande “Missão” virtual? O Missionário de nossa Igreja deve informa-se, integrar-se nas diversas redes, adicionar contatos, criar blogs, grupos, páginas, compartilhar e divulgar ideias, trazer pessoas para o nosso lado, Evangelizar!

Se analisarmos bem, a tecnologia proporcionada pela internet é algo sonhado pelo próprio Cristo: A interação total e completa de toda a humanidade! Se há o mal também na rede, esse é o mal existente dentro de cada ser humano.Nada que um "bom combate" não resolva. Vamos a ele!


Ângela Rocha

APONTAMENTOS BÍBLICOS Nº 7

                                    O MEU SENHOR É FORTE!

O meu Senhor é Forte e faz acontecer o Evangelho todo dentro de mim de cada vez que fujo com ele para o cimo de uma colina qualquer ou caminho entre a multidão com a mão sempre agarrada à sua túnica para não me deixar engolir.

O meu Senhor é Forte e mostra-me cada vez que me manda preparar o barquinho e segreda que quer fazer-me passar para “o outro lado do lago”. Mal começo com os meus “mas”, garante-me que vai comigo e diz que isso tem que começar a bastar-me... E o Evangelho acontece de novo...

Jesus continua a erguer-se, agora dentro de mim, para dizer imponente ao vento: “Xiu, está calado!” e ao mar: “Para quieto!”. E tudo lhe obedece…

Imagina-o dentro de ti. Vá, imagina… Imagina-o agora, como quem vai na deitado sereno na popa do teu barquinho enquanto atravessas o lago que ele quis conduzir para o outro lado contigo… Dá-te conta dos ventos que te percorrem por dentro e dos mares revoltos que por aí andam ainda…

E agora vê-o levantar-se… vês? Diz-lhe que tens medo. Podes dizer! Diz-lhe que precisas dele. E vê-o agora erguer a voz… Cara-a-cara com os ventos e sem temer o mar: “Xiu, cala-te!!! Fica quieto!

E vê-o olhar-te agora, e sentar-se de novo contigo. Sente o vento a transformar-se em brisa… Podes dar-te conta nele, no seu rosto sereno, nos seus cabelos… Deixa-te olhar. Não desvies os olhos nem tenhas pressa em dizer-lhe nada. Deixa-te olhar assim por ele, que ele está a dizer-te com esse olhar tão íntimo o mesmo que disse ao vento e ao mar: “Serena… Sossega… Está quieto...”

E agora deixa-o fazer-te uma pergunta importante: “Porque é que ainda tens medo? Ainda não confias em mim?

Não lhe respondas! Não caias na tentação de responder apressadamente. Cala-te! Ele não pergunto para que lhe respondesses, mas para perceberes quem é que manda, quem é que é mesmo forte nesta travessia em que nós pensamos que temos sempre o controlo do barco sozinhos. Deixa-te só ficar assim um bocadinho...

E, se quiseres, podes repetir comigo tudo isto que não paro de repetir dentro de mim desde ontem: O SENHOR É FORTE!
O MEU SENHOR É FORTE! Faz acontecer em mim, dentro de mim, a Força e o Poder do Evangelho.

Faz acontecer dentro de mim as mesmas perguntas que faziam os primeiros discípulos dele: “Mas quem é ele, afinal, que até o vento e o mar lhe obedecem?!”

E, como eles, também não corro para arranjar respostas de cartilha, porque o mais importante nestas coisas não são as respostas mas as experiências que fazem acontecer estas perguntas. Perguntar-se por ele, pelo seu poder e pela sua Força, é já uma exultação pela maneira como a sua presença libertadora irrompeu em nós!
O MEU SENHOR É FORTE!

E o Espírito Santo, sua Força e seu único Poder, é tão fiel e amoroso que não deixa ficar o Evangelho de Jesus enterrado no passado mas permanentemente o atualiza e recria como fonte de sentido e experiência de libertação que nos faz continuar a sonhar, testemunhar e construir o Reino de Deus, os “novos Céus e nova Terra, em que o Mar não existe mais” e todos os ventos se calaram para sempre.
Pe. Rui Santiago