CONHEÇA!

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

MAIS UMA CARTA! E ESTA É LONGA...

Queridas amigas,

Bom, antes de nós, Andréia e eu, entrarmos numa depressão profunda achando que somos mais porcaria de catequistas do que já achamos que somos... faço aqui algumas observações. 

Nem todas as realidades são iguais, Rô!  Louvo o seu ardor e gostaria, sinceramente, de poder passar noites sem dormir e semanas estudando para me tornar uma catequista melhor. Mas isso não é possível. Também gostaria de estar lá na minha primeira comunidade, onde conhecia a todos e onde podia acompanhar as crianças na catequese durante mais que alguns meses. Quando estava lá meu discurso era o mesmo que o seu. Estava no paraíso e não sabia. Minha realidade é que sou uma recém-chegada aqui. E pra mim é como se estivesse começando a ser catequista agora. 

Aliás, ainda converso com muitos dos "meus" ex-catequizandos. Sobre vídeo-game, filme, namoro, música. Somos amigos ainda. E muitos deles nunca mais pisaram na Igreja! Se acreditam em Deus, se seguem os passos de Jesus? Nem questiono isso. Basta-me que sejam pessoas de bem.

O que eu, a Glícia e a Andréia estamos colocando aqui são situações completamente diferentes da sua. E que, infelizmente, fazem parte da vida da maioria dos catequistas. Nem sempre podemos escolher a turma, o horário, o dia. Nem sempre temos tempo pra dedicação integral à catequese. Assim como nem sempre encontramos adolescentes com "ânsia” em saber como construir um mundo diferente, como fazer para lidar com o mundo, sem se matar, sem se mutilar, sem se “contaminar". A grande maioria já está "contaminada" desde muito cedo. 

E agora lembrei de uma fala de uma catequizanda minha:. "Porque você quer ficar nos chateando contando essas história? Isso não interessa, vamos brincar de alguma coisa." E aí eu questiono nosso papel de catequistas da Igreja Católica. Se é para fazê-los se sentir "aceitos, ouvidos, valorizados, e principalmente amados" não é melhor a gente montar consultório de psicólogo na catequese e jogar a bíblia fora? Ou quem sabe adotar todo mundo e levar pra casa? 

E quero lembrar o contexto das "pérolas aos porcos", que faz parte do Sermão da Montanha, ou seja, um dos maiores ensinamentos de Jesus aos homens. Em Mateus 7, 6, Jesus diz: "Não deis aos cães o que é santo, nem jogueis vossas pérolas diante dos porcos...". E aí acredito que ele fala das pessoas que, claramente, mostram desdém pelo evangelho, não devemos continuar insistindo e forçando-as a aceitar a palavra. Algumas pessoas, não querem ou simplesmente não conseguem ou estão preparadas para apreciar o grande valor da palavra de Deus. E essa é o nosso trabalho na catequese, fazer ecoar a Palavra de Deus. 

E se a gente for um pouco mais adiante em Mateus, vai ler o seguinte: "Todo aquele que pede recebe, quem procura encontra, e a quem bate, a porta será aberta." Não é preciso perder o sono ou se achar responsável pelas desgraças da humanidade ou se culpar porque ninguém está "aprendendo nada". Lembremos da "regra de ouro": "pedi e vos será dado!". Não podemos pedir pelo outros! É preciso que cada um se converta e se responsabilize pela sua própria fé. Querer isso de uma criança? Olha... É improvável que aconteça! 

E lembro aqui também uma fala de Içami Tiba: "Amigo é amigo e Pai é Pai", cada um tem seu papel. E vamos adaptar à catequese: "Catequista é catequista e Pais são Pais", não queiramos tomar o lugar destes, porque com os filhos, ficamos no máximo uma hora por semana e no período escolar. E esse é o período que nos é dado para CATEQUIZAR e não para praticar terapia de grupo! 

Por que nossos catequizandos parecem não saber nada e não seguem nossa religião depois da catequese? Porque não estamos sendo catequistas de verdade! Porque estamos querendo substituir relações humanas imprescindíveis! Queremos ser pais, terapeutas, conselheiros, professores, amigos. Educar para a fé que é bom, nada! E de quebra ainda usando a Bíblia, que nem todo mundo está preparado para entender. Primeiro a conversão! Sem estar convertido quem é que assimila alguma fé? 

Fico feliz, que você tenha catequizandos com presença constante na catequese e que você se sinta realizada com eles. Mas eu me nego a assumir a culpa pelo meu fracasso na catequese de adolescentes, assim como a Andréia também não deve assumir. E também não tenho amargura nenhuma. Só penso que a catequese de crianças e adolescentes, nos moldes em que estão, não tem futuro algum. 

Se pretendo deixar de ser catequista? Não, de maneira alguma. Mas, "educar" os filhos dos outros nas coisas elementares como respeito, cortesia, gentileza; não é função do catequista, como diz aquele ditado: "educação vem do berço". E isso não é um julgamento, é uma constatação dos fatos. 

E sim, cada vez mais se prova que o grande "segredo" do sucesso são as relações humanas! É com elas que precisamos contar para poder evangelizar as pessoas. Mas nunca pensando "substituir" ou "furtar" aos pais a grande responsabilidade de criar os filhos e fazê-los pessoas boas! A nós, cabe sermos os "segundos", nunca os primeiros, na vida das crianças e adolescentes. Precisamos complementar a educação dada pelos pais e ajudá-los quando necessário. Já imaginou que maravilha seria se, pelo menos uma vez por semana, a gente também pudesse se encontrar com as famílias? Esse é meu sonho! 

E assim como a Renata e a Rosangela relataram, existem muitas e muitas experiências maravilhosas de sucesso na catequese. Eu mesma tenho muitas. E é claro que não há uma debandada geral da Igreja, senão não teríamos mais católicos! Mas é ingenuidade nossa achar que tudo tem jeito e que basta um pouco mais de esforço nosso. Muitas vezes esse "esforço" pode custar a nossa própria fé na humanidade e nossa saúde! 

Angela Rocha – Londrina Pr.

ROTEIRO DE ENCONTRO; A LIBERDADE (PARA ADOLESCENTES E JOVENS)


    Este encontro para adolescentes e jovens é ótimo para abordar o tema da liberdade e das consequências das nossas escolhas.

TEMA: LIBERDADE

Público: Adolescentes e Jovens

1. Objetivo do Encontro: Refletir sobre o verdadeiro significado de liberdade, entendendo-a como um dom de Deus que exige responsabilidade. Convidar os participantes a pensar nas escolhas que fazem e nas consequências delas, promovendo uma visão cristã de liberdade que não é "fazer o que quiser", mas "fazer o que é bom". 

Material: prepare folhas do questionário para todos.

2. Ambientação:

- Coloque uma imagem de um pássaro voando em liberdade e algumas palavras-chave no ambiente, como "Escolhas", "Responsabilidade", "Consequência" e "Amor".

- Use uma mesa central com uma Bíblia aberta e velas ao redor para criar um ambiente acolhedor e reflexivo.

- Toque uma música suave sobre liberdade no início, como "Minha Liberdade" de Rosa de Saron, para ajudar a preparar o clima.

3. Acolhida: Acolha a todos com alegria e convide-os para fazer um “teste de maturidade”. 

Dinâmica: Teste de maturidade 

Critério de pontuação: 

- Sempre (2 pontos): Você pratica constantemente essa atitude, mostrando que tem uma tendência firme e frequente para esse comportamento.

- Às vezes (1 ponto): Você pratica essa atitude de forma ocasional, o que mostra que está desenvolvendo essa habilidade, mas ainda precisa fortalecê-la.

- Nunca (0 ponto): Você não pratica essa atitude, indicando que talvez seja uma área onde é possível crescer em maturidade e responsabilidade. 

Questões: Peça aos participantes que respondam às perguntas a seguir com "Sempre", "Às vezes" ou "Nunca", e faça a contagem de pontos ao final, divulgue o valor de cada resposta depois que os questionários estiverem respondidos. Para a contagem, peça que troquem entre eles os questionários para que um colega faça a contagem dos pontos. 

Questionário:

1. Faz questão de cumprir sempre o que promete?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

2. Costuma reconhecer quando não tem razão?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

3. Pede desculpas quando ofende alguém?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

4. Evita empurrar as tarefas para outras pessoas?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

5. Se interessa pelo que acontece no seu bairro, cidade, país?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

6. Sabe guardar um segredo que um amigo lhe conta?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

7. É capaz de recusar um programa interessante por causa de um compromisso assumido anteriormente?

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

8. Tem coragem de defender o que é certo, mesmo que isso lhe coloque em uma situação difícil? 

(  ) Sempre    (   ) Às vezes    (   ) Nunca

Resultados: Peça que somem os pontos do questionário para verificar o seu nível de maturidade. 

(Se desejar, crie outras explicações para os critérios) 

- Divulgue somente os resultados: 

- 14 a 16 pontos – Maturidade Alta: Você demonstra grande maturidade e responsabilidade em suas atitudes e compromissos. É alguém em quem os outros podem confiar e que valoriza os compromissos. Continue cultivando esses valores! 

- 8 a 13 pontos – Maturidade em Desenvolvimento: Você mostra um bom nível de maturidade, mas ainda há alguns pontos para fortalecer. Reconheça essas áreas e tente desenvolver práticas consistentes, lembrando que amadurecer é um processo. 

- 0 a 7 pontos – Maturidade em Construção: Você pode estar em um momento de reflexão e descoberta sobre a importância da responsabilidade e da confiança. Avalie as áreas em que sente mais dificuldade e pense em passos práticos para crescer. Lembre-se de que a maturidade se constrói aos poucos, com dedicação. 

Conclusão da Dinâmica: Após a pontuação e interpretação dos resultados, conduza uma breve reflexão sobre como a maturidade influencia nossa liberdade. Explique que ser livre é também ter responsabilidade pelas próprias escolhas e atitudes, e que, quanto mais maturidade, melhor conseguimos viver a liberdade de forma plena e equilibrada. 

4. Leitura Bíblica: Gálatas 5,13-14 – "Irmãos, fostes chamados à liberdade. Contudo, que a liberdade não seja um pretexto para viver segundo a carne, mas, pelo amor, servi-vos uns aos outros. Pois toda a Lei se resume num só mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo.’" 

Passos da Lectio Divina:

- Leitura: Leia o texto devagar, duas vezes, deixando que as palavras toquem os corações.

- Meditação: Pergunte aos adolescentes o que mais chamou atenção e como eles interpretam a relação entre liberdade e serviço.

- Oração: Um momento breve de oração pedindo discernimento para entender e viver a liberdade cristã.

- Contemplação: Silêncio para refletir sobre como colocar a liberdade em prática no dia a dia. 

5. Aprofundamento:

O que é ser livre? É fazer tudo o que “der na telha”? A Liberdade tem limites?

- Deus nos conhece melhor do que nós mesmos. Ele sabe que nós devemos ser felizes seguindo seus ensinamentos. (A partir dessa premissa, pode-se fazer uma reflexão sobre os mandamentos). 

- Toda libertação tem uma dose de risco. Aprofundar esse aspecto lembrando que o povo Hebreu teve que abrir mão de muita coisa, em troca da liberdade da escravidão no Egito (Ex 3-4), e acabou reclamando muitas vezes dos sacrifícios e responsabilidades que ser livre pode trazer (Ex 14-47), mas os que foram fiéis, viram as promessas de Deus se cumprirem ao longo da caminhada. 

O que é  ter liberdade de escolha? 

Comente o exemplo de Esaú e Jacó (Gênesis 25, 29-34). Esaú não quis desistir de seu almoço e acabou perdendo o bem mais precioso que tinha, o direito a progenitura.  

§  Nós estamos prontos para tomar decisões?

§  Sabemos diferenciar entre o que é importante o que é urgente?

§  Temos consciência de que uma única escolha errada pode até mudar a nossa vida radicalmente? (Cite exemplos). 

Para o cristão, liberdade significa a capacidade de escolher o que é bom e justo. Liberdade verdadeira está ligada ao amor ao próximo e à responsabilidade de nossas ações. Podemos fazer escolhas, mas elas sempre vêm acompanhadas de consequências. 

Converse com o grupo:

- Como a sociedade vê a liberdade? É diferente da visão cristã?

- Fale sobre situações em que, ao fazer escolhas, precisamos pensar em nosso impacto sobre os outros. 

6. Compromisso

Peça que cada adolescente pense em uma área da vida onde sente que pode usar a liberdade de forma mais responsável (na escola, com amigos, nas redes sociais, etc.).

Sugestão de compromisso: Cada um deve escolher uma situação específica em que, ao longo da semana, fará uma escolha consciente pelo bem. Pode ser ouvir um amigo em vez de julgar, resistir à pressão para seguir o grupo ou mesmo um ato de serviço. 

7. Oração Final

Conduza uma oração pedindo a Deus que os fortaleça na jornada de liberdade com responsabilidade. Agradeça pelo dom da liberdade e peça sabedoria para que todos possam fazer escolhas que tragam paz e harmonia ao seu redor.

 Sugestão de oração final:

 Senhor, obrigado por nos criar livres e nos dar o poder de escolher o bem. Ajuda-nos a compreender que a verdadeira liberdade é aquela que traz paz ao coração e beneficia os outros. Dá-nos discernimento para viver de acordo com a tua vontade, e que nossas escolhas sempre te glorifiquem. Amém.

 

 OUTRAS DINÂMICAS:

 1. Teia de amizades:

- Todos em círculo, com um rolo de barbante, um de cada vez enrola o fio na sua mão e joga o rolo para um colega.

- Antes de jogar, porém, ela(e) deverá dizer quais as características que considera mais importante em um amigo verdadeiro e o nome de um amigo. Ao final, será formada uma grande teia que mostra como nós estamos ligados, pois, em Cristo, somos irmãos e dependentes uns dos outros.

- Refletir sobre a passagem de Eclo 6,14: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção, quem o encontrou, encontrou um tesouro”.

2. Corrente com os nomes: 

- Cada um escreve seu nome numa tira de papel e o catequista vai unindo as tiras (como as correntes para enfeitar festas juninas). A mensagem é que nossa amizade não deve ser escravizante, mas sim, uma corrente aberta para que sempre caiba mais um elo. 

3. Dinâmica – "Correntes Invisíveis"

Material: Algumas vendas para os olhos. 

Passos:

1. Peça a alguns voluntários que vendem os olhos e, enquanto isso, espalhe pequenos obstáculos pela sala (cadeiras, almofadas, etc.).

2. Divida o grupo em pares: o adolescente vendado deverá atravessar a sala guiado apenas pelo parceiro, que dará instruções verbais para ajudá-lo a desviar dos obstáculos.

3. Após atravessarem, peça para trocarem de função. 

Reflexão: Ao final, pergunte:

   - Como foi confiar nas instruções do parceiro?

   - Alguém sentiu dificuldade em seguir as instruções, preferindo “fazer do seu jeito”?

   - Qual foi a sensação ao precisar de orientação para alcançar o objetivo? 

Mensagem: A liberdade não significa ausência de orientação; somos livres, mas precisamos de parâmetros e, muitas vezes, de ajuda para fazer escolhas que nos levem ao verdadeiro bem.

Adaptação: Ângela Rocha

FONTE: Adaptação do material de abordagens sobre Sexualidade na catequese, do Pe. José Rafael Solano Durán – Londrina 2010.




 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

ROTEIRO DE ENCONTRO: SANTIDADE E SEXUALIDADE

Ilustração: Marcela Tamayo - Revista Nova Escola

1. TEMA: SANTIDADE E SEXUALIDADE

Público: adolescentes e jovens. 

Para o Catequista:

Ao lidar com o tema, lembre-se de que:

- Abordagem cuidadosa: Fale sobre sexualidade de maneira apropriada para a idade, evitando despertar curiosidade excessiva. Trabalhe sempre com o consentimento do pároco e dos responsáveis pelos catequizandos. Caso convide um palestrante, certifique-se de que seja alguém preparado e fiel ao Magistério da Igreja. 

- Respeito à faixa etária: Adapte sua linguagem e abordagem conforme a idade do grupo, sendo sensível aos limites e preocupações dos jovens.

- Enfrentar questões difíceis: Muitos tópicos podem ser polêmicos, mas é importante abordá-los sem ignorá-los para que o grupo se sinta seguro em expressar suas dúvidas e preocupações.

2. Objetivo do Encontro: Aprofundar o entendimento sobre o 5º e o 6º Mandamentos, promovendo uma visão cristã sobre a santidade e a sexualidade.

3. Ambientação:

Prepare o espaço com um ambiente acolhedor e simples. Inclua símbolos religiosos que remetam à pureza e ao cuidado, como uma imagem de Nossa Senhora e uma vela branca. Se possível, toque uma música suave ao fundo para acolher o grupo.

4. Acolhida:

Receba os adolescentes e jovens com uma breve oração e um momento de descontração. Pergunte como estão se sentindo e crie um espaço de confiança para que possam partilhar livremente.

5. Leitura Bíblica (Lectio Divina):

Realize a Lectio Divina usando a passagem de 1Cor 6, 12-20 para refletir sobre a dignidade do corpo como templo do Espírito Santo.

6. Aprofundando o Tema:

5º Mandamento (Ex 20,13; Mt 5, 21s):

- A vida como dom de Deus: Deus é o Deus da vida, e qualquer ameaça à vida é um ataque ao próprio Deus (Jo 10,10).

- Cuidados com o corpo: Discutir hábitos saudáveis e como cuidar da saúde física e mental, contrastando com atitudes que prejudicam a vida (fumo, álcool, drogas).

- Temas contemporâneos: Debater questões como aborto, tecnologias reprodutivas e clonagem, sempre com o acompanhamento de profissionais cristãos, com o consentimento do sacerdote.

- Oração de São Francisco: “Senhor, fazei de mim instrumento de vossa paz.”

6º Mandamento (Ex 20,14; Mt 5,27): 

- Respeito pelo corpo: A importância de respeitar a própria dignidade e a dos outros.

- Castidade como autodomínio: Entender a castidade como caminho para uma vida saudável e equilibrada.

- Crescimento harmonioso: Homem e mulher são chamados à fidelidade aos Mandamentos de Deus.

- Meditação em 1Jo 2, 14b: “Eu vos escrevo, jovens, porque sois fortes...”

- Santidade e devoção mariana: Promover a devoção a Maria, modelo de pureza e serviço a Deus. 

7. Atividade Dinâmica:

1. Mudanças

- Separação de imagens: Distribua imagens de crianças e adolescentes, e peça que o grupo separe-as conforme as diferenças entre as fases. Pergunte: Quais são as diferenças entre elas? Como uma criança pensa e age, e como é diferente para um jovem? 

- Divisão em equipes: Divida o grupo para explorar as passagens bíblicas, com cada equipe refletindo sobre um aspecto da maturidade cristã:

    - Equipe A (1Cor 6, 12-20): Como Cristo vê as mudanças que ocorrem em nosso corpo?

  - Equipe B (1Cor 3, 18-21): Que mente Cristo quer para nós?

  - Equipe C (Jo 9, 1-7; 39-45): Como Cristo espera que seja o nosso olhar?

  - Equipe D (1Jo 4, 7-21): Que coração Cristo deseja para nós?

 - Equipe E (Fl 2, 1-4): Que tipo de relacionamento Cristo espera que tenhamos?

- Compartilhamento: Após o tempo de discussão, cada equipe apresenta suas respostas para o grupo.

2. Consciência Corporal: Estereótipos e Preconceitos

- Reflexão sobre o corpo: Com olhos fechados e música suave ao fundo, faça uma oração de agradecimento pelo corpo, lembrando que Deus criou cada um do jeito que é, com o propósito de sermos felizes e fazermos os outros felizes. 

- Discussão sobre papéis de gênero: O que é ser homem? O que é ser mulher? Cada grupo fará uma dramatização, destacando as diferenças na educação e as expectativas sociais. Após a apresentação, reflitam sobre o que isso nos diz sobre nosso relacionamento com os outros. 

- Exemplos de admiração: Peça aos meninos que descrevam um homem que admiram, e às meninas, uma mulher. Discuta: Esses valores são realmente importantes? Por quê?

Mensagem da dinâmica: Valorizar a dignidade e a beleza que Deus deu a cada um, sabendo que somos chamados a viver em santidade e respeito uns pelos outros.

8. Compromisso:

Cada jovem fará um propósito de respeito e autocuidado, comprometendo-se a valorizar a própria dignidade e a dignidade dos outros, procurando viver de acordo com os valores cristãos.

9. Oração Final:

Encerre com uma oração dedicada à pureza e à santidade, pedindo a intercessão de Nossa Senhora e de São José para que cada um viva sua sexualidade de forma sadia, respeitosa e conforme o propósito de Deus.

Adaptação: Ângela Rocha - Catequista


FONTE: Adaptação do material de abordagens sobre Sexualidade na catequese, do Pe. José Rafael Solano Durán – Londrina 2010.



terça-feira, 5 de novembro de 2024

QUE ALEGRIA RECEBER ESTA CARTA!


 Amigas,

Olha, eu concordo com a Rô, os adolescentes precisam de nós... eu AMO trabalhar com eles, esquento a cabeça? Esquento... Se me incomodo? Também... mas quando eu consigo chegar no coração de um deles, e ouvir a verdade do que se passa lá dentro, eu sofro e choro por eles, porque não era pra ser assim...

Faz pouquíssimo tempo que sou catequista e comecei de cara com a Crisma, desafio dos grandes, mas o amor fala mais alto em mim... Aliás, esse é um dos motivos pelo qual eu me encanto com Jesus, quando consigo, através da inspiração que Ele traz para minha vida, olhar o outro com olhos de amor, sem preconceito, sem mágoa, sem querer que a minha vontade prevaleça... apenas amor. E é isso que eles querem, eles querem mostrar ao mundo que são autossuficientes, mas, mexe onde dói pra ver, eles chorarem como bebês!

Outra coisa que percebi por aqui, é que o fato de a igreja ter algo pra eles contribui e muito para que o número de crismandos que voltam para a igreja depois do Crisma aumente mais e mais.

Recentemente foi criado um grupo de oração jovem aqui na nossa paróquia que tem cada vez mais e mais, arrebanhado os jovens, muitas vezes antes mesmo de eles entrarem para a catequese de Crisma, já estão participando. São mais de 100 jovens que se reúnem todos os domingos à tarde, e encerram o encontro com a participação na missa. Eles sempre fazem a entrada da procissão e todos podem vê-los, isso mesmo, eles querem ser vistos por nós! Claro que a participação não é de 100% dos catequizandos, mas sempre que eu vejo três das minhas catequizandas da turma passada lá, com a Bíblia numa mão, rosário na outra, acenando pra mim, eu digo pra mim mesma, "Obrigada Senhor, pois hoje eu sei que valeu a pena!"

Já que hoje tô "faladeira" ...rs... posso dizer que  também concordo com você Angela, pois em todos os e-mails que leio por aqui, tem um fundo de verdade aqui e ali. Eu amo trabalhar com os jovens, e os meus tem 14/15 anos por isso acho um pouquinho mais fácil me comunicar com eles. Mas a família deveria ser o principal foco da catequese sim. Catequizando os pais, os filhos seguiriam o mesmo caminho, ou pelo menos a probabilidade de isso acontecer, seria maior.

E nós não estamos preparados pra isso e duvido que estaríamos em mais 100 anos! Não concordo também que os sacramentos sejam valorizados pelos números, mas sim pelo valor que tem.

Eu tinha um catequizando que mais faltava do que vinha, me pregou umas mentiras pra justificar as faltas, e qualquer esforço meu para que ele recuperasse as faltas, ele não acompanhava. Frustrada, disse para eles que se alguém realmente não quisesse estar ali, que chegasse em casa e falasse com os pais, e se os pais reclamassem, mandasse vir até mim. Eu disse que na idade deles eu não estava preparada para receber o Crisma, que gostaria muito é de recebê-lo agora e eles me olharam espantados. Mas é a verdade, e também é verdade de que a semente em mim plantada há mais de 15 anos atrás, resolveu acordar e mostrar seu brotinho na terra. Devemos crismar só por crismar?

Acho que não. Mas como seria para mim hoje, se não tivesse sido crismada mesmo não estando preparada? Eu seria catequista hoje? Eu procuraria a Igreja? Eu me interessaria pela história da nossa fé? Só Deus saberia responder... E quanto a esse catequizando faltante meu, deixou a catequese, disse à mãe que não estava preparado para assumir o compromisso, mas que sabia que quando estiver, ele sabe onde buscar. Eu fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por ele ter tido a coragem de não ser só mais um número na catequese por vontade dos pais, e triste por ele não sentir o que eu queria que ele sentisse, mas o momento não pertence à mim, é de Deus, e ele é compassivo.

Andreia amada, que bom que você escreveu, o que é justo sim, pois esse é um grupo de amigos, e não  "Clubinho da alegria"! Compartilhar, o que é bom e o que é ruim faz parte e ajuda a todos. Ajuda a você que precisa desabafar e não sabe onde, e ajuda a gente a perceber que o problema não está “estacionado” em nossa catequese, todos passam por dificuldades aqui e ali,  você está passando pelas suas agora. Se os seus catequizandos querem conversar, converse com eles, e use a Bíblia, seu conteúdo, suas histórias e ensinamentos para conversar de volta com eles! Não se apegue ao planejamento, isso sim deixa a gente frustrada demais se não conseguimos pô-lo em prática, aconteceu comigo! Eu via catequista falando que já estava no final do roteiro e eu toda atrapalhada no meio do meu. Mas quando vi meus catequizandos me abraçando, cumprimentando, sentando ao meu lado para conversar, eu percebi que é isso que eles precisam é disso, atenção... Se eles souberem que na igreja tem alguém pra ouvi-los, eles voltam. Ânimo mulher!

Renata - Cocal do Sul SC

CELEBRAÇÃO DO ALTAR DO SENHOR: ROTEIRO

Esta Celebração Catequética é ótima para fazer antes da 1ª Eucaristia. Pode ser feita na sala de catequese, criando um ambiente propício para falar da Comunhão de forma mistagógica. 

CELEBRAÇÃO DO ALTAR DO SENHOR
ARRUMAÇÃO DA MESA SAGRADA

Para catequizandos próximo da 1ª Eucaristia

Início: Acolher os catequizandos com alegria e animação pela proximidade do sacramento. Incentivá-los a comentar suas expectativas e os preparativos da família, quem foi convidado, etc. 

Você vai precisar de: mesa, toalha, velas, flores, Cálice e patena, vinho (suco de uva), pequena jarra com água e pão.

- Um guia para as respostas dos catequizandos.

Início: O catequista chama a todos para partilhar da mesa do Senhor. E começa explicando os significados dos objetos que são colocados no altar e sua simbologia. 

Catequista: Estamos aqui reunidos para esta ceia em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Todos fazem o sinal da cruz). Vejam esta mesa, na missa ela é.... 

1. ALTAR DO SENHOR – a mesa sagrada é sinal de unidade e confraternização. Ao redor da mesa nos sentamos para dialogar, planejar, estudar, decidir e realizar. É também da mesa que recebemos o alimento que nos sustenta e fortalece. Sobre a mesa nos debruçamos para trabalhar e curar. A mesa é o ponto de concentração dos esforços do homem, da sua inteligência, de suas decisões. 

Todos: E vós, Senhor, escolhestes a mesa para vos encontrardes conosco no amor. 

2. TOALHAS – Eis agora as toalhas. Normalmente são toalhas de linho, que é plantado, cultivado, colhido, preparado, tecido e confeccionado por milhares de mãos nos campos, nos teares ou fábricas. É um fino tecido que reveste o homem, nos servem nas intimidades de nossos lares e recobre os altares do amor, onde nascemos e morremos. 

Todos: e vós, Senhor, escolhestes o linho para vos encontrardes conosco no amor. 

3. VELAS – Oremos agora sobre as velas. A cera que as abelhas fizeram no néctar das flores, é o resultado de um trabalho paciente, coordenado e de equipe. E a vela lentamente se deixa queimar, ser devorada, consumida pelo fogo para que à sua volta reine a luz, e as trevas sejam expulsas. Cristo é a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. A vela é também símbolo do cristão que deve orientar sua vida para Deus e para os irmãos. 

Todos: Senhor, que todos nós sejamos luzes, que levem os homens até Vós, nossa Luz! 

4. FLORES – É importante na missa ter flores. Elas simbolizam tanto! Síntese da beleza, sinal de alegria, de amor. É a natureza sorrindo, comunicando que além dos espinhos está a flor. Ela nos diz que muitas vezes nossa vida é feita de espinhos, de dores, mas que além de tudo isso, existe o amor e beleza do nosso Pai Celeste. 

Todos: Cremos que após esta vida, nasceremos para a glória eterna no Cristo Ressuscitado. 

5. CÁLICE E A PATENA: são feitos em geral de ouro, prata, metais preciosos. São sinais de poder, riqueza e nobreza. São ofertas a Deus, daquilo que a terra tem de melhor e Deus merece o que há de melhor. 

Todos: Mas vós, Senhor, quereis morar em nossa vida! Para vós, o ser humano é mais nobre, mais digno e precioso que todo o ouro e toda a prata. Por isso, lutaremos, Senhor, pela dignidade do homem-templo, vindo de vossa presença. 

6. Vinho – De muitos bagos de uva, dispersos nas colinas, recolhidos, esmagados, reduzidos à unidade ele foi feito. Vinho que comemora, que alegra que depois de transformado no sangue do Cordeiro, nos salvará. 

Todos: Vinho vermelho do sangue, sangue de tudo o que já sofremos: sangue de vida nova a correr em nossas veias. Vinho que o Senhor escolheu para se comunicar conosco no amor. 

7. ÁGUA – Eis agora a água, humilde, pura e tão essencial água. Fonte da vida, sem ela tudo morre. Água que mata a sede, que purifica, lava, irriga, refresca... 

Todos: Água do nosso batismo, que nos purifica, consagra e nos dá a vida nova de filhos de Deus. 

8. PÃO: Eis o pão. De muitas espigas, de muitos grãos, triturados, esmagados e levedados, todos os dias saciam a fome do homem. Deixando de ser o pão, transforma-se no corpo de quem o come. 

Todos: O pão nosso de cada dia nos daí hoje, Senhor. E ajudai-nos a ajudar-vos a dar aos nossos irmãos, o seu pão de cada dia, partilhando aquilo que temos e somos. E pela assimilação do Pão Eucarístico, transformai-nos em Vós, Senhor! 

Aprofundamento: 

- Todos sentados ao redor da mesa. O catequista inicia a explanação dando abertura para perguntas e dúvidas. 

EUCARISTIA: COMUNHÃO DE AMOR COM DEUS E COM OS IRMÃOS - GESTOS, PALAVRAS E ATITUDES 

COMO COMUNGAR   

Comunhão em duas espécies: Em algumas ocasiões a comunhão é oferecida aos fiéis em “duas espécies” ou seja: “pão e vinho”, ou melhor dizendo, a hóstia molhada no vinho temperado com água. O sacerdote ou ministro toma a hóstia, mergulha-a parcialmente no cálice, e diz: "O Corpo e o Sangue de Cristo". O comungante responde "Amém" e recebe o Sacramento na boca. 

Comunhão simples: é a que se recebe usualmente e tem o mesmo valor da comunhão de duas espécies. Quem recebe o “corpo” recebe também o “sangue”, porque não existe corpo sem sangue e nem sangue sem corpo. 

Comunhão na boca: todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na mão ou se quer receber a hóstia na boca. O sacerdote levanta a Hóstia e diz "O Corpo de Cristo", e o comungante deve responder "Amém". Em seguida, deve inclinar ligeiramente a cabeça para trás e estender a língua. O sacerdote colocará a Hóstia na língua e o fiel deverá responder "Amém". 

Comunhão nas mãos: o comungante deve ficar de pé ou de joelhos para receber a Comunhão. Deve levar em consideração que, se estiver de pé, precisa fazer um sinal de reverência antes de receber a Hóstia. Neste momento, o sacerdote levanta a hóstia e diz "O corpo de Cristo", e o comungante deve responder "Amém". A maneira correta é estender a mão esquerda com a palma para cima e com a mão direita colocada abaixo da mão esquerda (se você for destro) e assim receber a Hóstia. É importante tomar e consumir a Hóstia na presença do sacerdote antes de se retirar para retornar ao seu local. 

Comportamento após receber a comunhão: Após receber a comunhão, encaminhar-se ao banco e ajoelhar-se para agradecer a Jesus pela partilha do pão e do vinho, corpo e sangue. 

Intimidade com Jesus após a comunhão: Ter intimidade com Jesus após a comunhão significa estar em profunda comunhão com Ele, sem pressa. É o momento de agradecer, orar e dar graças pela Eucaristia e pela partilha na mesa da comunhão. 

Partilha e compromisso:  A comunhão é um compromisso. Depois que a missa termina, se abre o compromisso do testemunho cristão. Segundo o Papa Francisco: “Os cristãos não vão à Missa para cumprir uma tarefa semanal e depois se esquecem, não. Os cristãos vão à Missa para participar da Paixão e Ressurreição do Senhor e depois viver mais como cristãos: abre-se o compromisso do testemunho cristão. Saímos da igreja para “ir em paz” levar a benção de Deus nas atividades cotidianas, nas nossas casas, nos ambientes de trabalho, entre as ocupações da cidade terrena, glorificando o Senhor com a nossa vida”. (Catequeses do Papa, quarta-feira, 4 de abril de 2018)*. 

Recomendações:

·         Consumir a hóstia imediatamente na frente do ministro;

·         Não se deslocar com a hóstia na mão; 

·         Após comungar, agradecer a Deus de joelhos ou sentado; 

·         Estar em estado de graça, ou seja, sem pecado mortal. 

 Oração Final: 

Senhor, renovo o meu ato de fé, creio realmente que por meio dos sacramentos nos transmite a sua própria vida. Peço-lhe a graça de vivenciar bem mais e bem melhor os sacramentos que vamos receber. Que a Eucaristia possa nos comprometer e assim comprometidos, assumiremos nossa vocação de batizados. Amém!


Sem autoria definida - Roteiro adaptado por Ângela Rocha

* As catequeses do Papa Francisco sobre “a Missa” aconteceram de 20/12/2017 a 04/04/2018. Disponíveis em:



O TEMPO DE DEUS

Por esses dias andei me questionando se, realmente, o céu poderia existir. E briguei um pouquinho com Deus por ter levado alguém que amo, sem que eu tivesse manifestado o suficiente esse amor. E questionei a justiça de uma morte ainda tão prematura, quando havia tanto ainda a se viver. E fiquei também me perguntando por que, tantos de nós, estão perdendo as pessoas que amam.

É preciso ser realista: nosso tempo na terra é finito! E estamos - mesmo que a gente não goste de admitir - um pouco mais "velhos". Já não somos crianças e é normal que as pessoas que convivem conosco também envelheçam, vão terminando seu ciclo de vida e acabam partindo.. Duro aceitar isso. Duro aceitar que o "Kronos" é inevitável.

Mas pensando em quem perdi, percebi que a mim foi dado o tempo que podia me ser dado. E antes de ficar chorando por ter sido pouco, eu deveria agradecer por TER TIDO ESSE TEMPO. E saber que esse é o kairós, o tempo de Deus, muito mais verdadeiro e marcante que o Kronos do relógio.

Existe uma frase que diz que nada é por acaso, que não existem coincidências. Mas também acredito que nem tudo está escrito. Temos sempre uma escolha. E podemos escolher como viver o nosso tempo.

E talvez o céu também seja uma dessas escolhas. Podemos escolher viver o céu ou o inferno por aqui mesmo.

E que saibamos reconhecer este céu! Às vezes, estamos tão ocupados com nossas dores, que nem nos apercebemos do tempo precioso que nos é dado aqui, daquele tempo inestimável de dividir sorrisos, lágrimas, presença, amor... enquanto ainda é possível.

Penso que temos tido, aqui entre nós, muitas perdas. Perdemos nossas mães, nossos pais, nossos irmãos. E a cada perda que um dos meus amigos relata, é como se eu tivesse perdido alguém também. Tenho aprendido nesses dias o enorme valor de um simples abraço, do silêncio de quem não sabe o que dizer ou como consolar.

Gostaria que todos que perderam alguém, pensassem no CÉU que viveram junto a essa pessoa, nos momentos de alegria e até mesmo de tristeza partilhada. Mesmo que sejamos todos cheios de religiosidade, que acreditemos plenamente na vida eterna e num futuro reencontro, sempre fica na gente aquela "ausência", aquele sentimento dolorido de quem não vai mais ter o abraço físico da pessoa amada.

E não é nada fácil. É difícil aceitar que eles estão "num lugar melhor", quando a gente acha que o lugar melhor é junto com a gente. É egoísmo nosso, eu sei. Mas a gente precisa viver um pouco desse egoísmo. É o reflexo do grande amor que sentimos pelas pessoas que fazem parte da nossa existência.

Então é preciso buscar a serenidade, a aceitação. Talvez não seja possível ainda sufocar a dor e as lágrimas. Precisamos de tempo. Precisamos do tempo que só Deus pode nos dar. Tempo que preciso deixar passar.

Ângela Rocha
Catequista
31/03/2011

* Não, não perdi ninguém por esses dias. Só lembrei de não esquecer os que se foram.


domingo, 3 de novembro de 2024

ESSA É PRA AQUECER NOSSO CORAÇÃO!

 


Olá

Já tinha me sentido triste quando li o seu e-mail Andréia, e esse agora da Angela, me fez ficar mais triste ainda. Nossos adolescentes estão sozinhos, abandonados, ninguém quer gastar tempo com eles, a maioria dos catequistas não quer estar com eles, pois eles dão trabalho, eles questionam, eles exigem, eles impõem, não querem nossos conceitos, não querem se enquadrar em nossos moldes, não querem essas coisas pré-montadas que queremos que eles aceitem....

O que eles querem? Serem aceitos, serem ouvidos, serem valorizados, e principalmente serem amados!!! Meus catequizandos, meus sim, porque eu os conquistei, eu os cativei, eu dedico muito do meu tempo a eles, por eles me formo, por eles me dedico, me entrego. A catequese que fazemos (eu e eles)  é para que  sejamos cristãos no mundo e não dentro  apenas da Igreja. Deus está ali no meio de nós, se revelando em cada pequeno gesto nosso. 

Isso dá trabalho para acontecer? Dá... São noites mal dormidas, são perguntas exigindo respostas, é uma busca sem fim....é olhar para Deus e dizer:  e agora Senhor o que faço? É calar para o Espírito Santo agir. Mas tudo compensa com a alegria da presença deles constante nos encontros, com a ânsia que tem em saber como construir um mundo diferente, como fazer para lidar com o mundo, sem se matar, sem se mutilar, sem se contaminar, com pais ausentes, sem paciência, sem jeito pra lidar com eles, como farão para escapar das drogas, das bebidas, do sexo fácil..... 

Esse são os adolescentes que chegam até nós, lidar com eles, com certeza não tem receita pronta em livros, mas tem no escutar, dar as mãos, parar, questionar, responder perguntas, estar aberto para acolhê-los. Por isso minha querida Andréia e Angela, tentem olhá-los de outro jeito, ir além das aparências, os das frases feitas que eles falam, do seu aparente desinteresse, primeiro temos que conquistá-los, depois fica tão mais fácil falar de amor, falar de Deus. 

Andréia, comece tudo de novo com eles, não faça contagem regressiva para o final do ano, aproveite esse tempo que lhe resta para amar e ser amada, para revelar Deus e seu amor. Ângela, se Deus quiser você  vai tirar esse amargo que ficou dessa experiência. Quanto ao resultado minha querida Angela, o Espírito sopra onde quer, só trago em mim a certeza de que não estou jogando pérolas aos porcos. Quanto aos "meus" catequizandos, pode até ser que saiam da Igreja, e se assim for, é porque a Igreja não estava preparada para recebê-los. E eu vivo essa realidade dentro da minha casa com meus filhos, e pra mim não é o fim do mundo e nem penso que eu ou as catequistas deles jogamos  pérolas fora, não me soa bem dizer que na catequese muitas vezes "jogamos pérolas aos porcos".  

Acredito que semeamos, e que  as sementes estão brotando aqui e acolá, quem sabe um dia brotam na igreja... Quanto a catequese ser para adultos ou não, penso também que a catequese tem espaço pra todo mundo: pra crianças, pra adolescentes, pra jovens, pra adultos,  pra terceira idade, basta que nós, enquanto igreja, aceitemos dar um passo de cada vez e aceitemos florescer onde Deus nos colocar. Escrevi com o coração e no ardor da emoção, não vou reler esse e-mail pra não tirar o sentimento que me causou os e-mails, por isso espero de coração que minha resposta seja compreendida, acolhida, refletida até, mas não julgada. 

Rosangela – Londrina PR

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

E MAIS UM CARTA!

 


Querida Andréia

Só para te animar um pouquinho: Estou com uma turma de Primeira Eucaristia. Crianças de 10 e 11 anos. E eles são terríveis, a maioria.  Tudo o que eu faço ou falo parece não surtir efeito. E eles também não são de faltar, não. Queria muito fazer alguns encontros fora do centro catequético e, me pergunta se eu tenho coragem de sair com essas crianças de lá? Não tenho. Não confio neles. Mas e daí? A culpa é deles? Nãooooooo. É da Família. E é isso mesmo: catequizar a família em primeiro lugar. 

Nós temos essa oportunidade nos nossos encontros com os pais. Acho que temos que insistir muito nisso. Coisa que aqui na minha paróquia este ano não aconteceu. Agora, sinceramente: estou doidinha para que chegue logo a primeira eucaristia destas crianças e no ano que vem  eu pegue uma turma do zero. Digo isso porque essa turma que estou já "passou nas mãos" de algumas catequistas que os abandonaram. Também já tive vontade, viu. Mas não acho justo. 

Abraço fraterno,

Glícia – Passos MG