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sábado, 15 de junho de 2019

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

franciscanos.org.br
Estamos celebrando a festa da Santíssima Trindade. Depois de celebrarmos a ascensão de Jesus e a vinda do Espírito Santo, a Igreja nos chama a recordar o mistério da unidade de Deus. Mesmo sendo o nosso Deus três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, nós professamos a fé em um Deus único. Não temos três deuses. Não somos politeístas, como eram, por exemplo, os gregos. Estes tinham muitos deuses que, sendo diferentes entre si, causavam a Zeus um grande transtorno para poder administrar contrastantes conflitos e interesses.
Nós, cristãos, nascemos da fé hebraica e cremos em um só Deus, onipotente e criador de todas as coisas. Mas Jesus nos revelou que este Deus único é também comunidade. Deus não é um ser solitário. Em seu interior estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo, gozando da mesma onipotência, da mesma glória, da mesma vontade, têm também os mesmos interesses, se amam entre si e transbordam o seu amor... Mesmo sendo esta uma realidade de difícil compreensão, ou seja, um mistério impossível de ser compreendido em toda a sua profundidade, somos todos convidados a contempla-lo e a encontrar nele explicações e motivações para as nossas vidas.
Por meio deste mistério constatamos que nós também não fomos feitos para a solidão. Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, quando nos fez à sua imagem e semelhança, já nos fez abertos e em relacionamento profundo com os demais. É inútil pensar que posso viver sozinho, ou que posso encontrar felicidade fechado em meu egoísmo. Não fomos feitos para ser assim. É o pecado que se encarrega de obscurecer nossa semelhança com Deus, nos levando a buscar o isolamento. Desde de o princìpio fomos feitos para a vida em comunidade, para a comunhão, para a fraternidade. Toda a nossa ação tem algum efeito que, indo além de nós mesmos, acaba por atingir toda a comunidade humana. Se faço o bem a uma pessoa, estou fazendo isto a ela, mas também a mim mesmo e a toda a humanidade. De igual modo, ao maltratar uma pessoa, estou ferindo a mim mesmo e estou atingindo a comunidade como um todo. Assim sendo, será sempre inútil pensar que posso crescer pisando sobre os demais.
Que poderei ser melhor por criticar os outros.
Que posso ser mais rico por desprezar a caridade.
Que posso saber mais se não ensinar o que sei.
Que posso ser mais respeitado por humilhar aqueles que acredito estarem abaixo de mim.
Infelizmente o diabo entrou na nossa história. A palavra diabo significa: “aquele que se atravessa e separa”. Sempre que somos motivo de divisão e de contendas, estamos sendo diabólicos, estamos colaborando para obscurecer a imagem de Deus. Não é razoável pensar que eu possa ser imagem de Deus me afastando dos demais. Sozinho, ninguém é imagem de Deus, pois nosso Deus é comunidade, é Trindade. A imagem de Deus é o matrimonio, é a família, é a comunidade, é a amizade, é a fraternidade.
Jesus Cristo veio ao mundo para reunirnos. Ele queria refazer a imagem de Deus. Toda a sua vida, suas palavras e suas ações queriam nos ensinar o caminho da unidade. Até mesmo a eucaristia, é uma unidade mística com Deus, mas a unidade de todo o gênero humano.
Somos chamados a romper os muros, abrir as portas, fazer estradas, construir pontes, a abraçar, ajudar, estender a mão, perdoar, elogiar.
Que todos sejam um!
O Senhor vos abençoe e vos guarde,
O Senhor faça brilhar a vossa face e tenha misericórdia de vós.
O Senhor volva seu olhar carinhoso e vos dê a PAZ.
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

NÓS SABEMOS "QUEM" SÃO OS NOSSOS CATEQUIZANDOS?



Por que as meninas se maquiam, pintam as unhas de vermelho? Por que os meninos usam brincos? Por que algumas crianças têm tatuagens? Por que se vestem assim ou assado? Nós sabemos como são suas famílias, a vida que levam e o que os leva a se auto afirmar tão precocemente? Não estamos esquecendo que cada pessoa é um ser único e filho do Pai, como a gente? Que cada pessoa assume a identidade que melhor a representa? 

Estas perguntas nos fazemos hoje quando, em nossas paróquias, se exige comportamentos de crianças e adolescentes que estão aquém do mundo de hoje. Às nossas crianças no dia da primeira eucaristia, exige-se uma “aparência” totalmente fora do contexto deste novo milênio: cabelo bem penteado, simplicidade, nada de brincos, unhas pintadas, calças rasgadas.... Mas, não se exige que saiba da grandiosidade do gesto que está prestes a fazer ou da magnitude que é participar da comunhão eucarística com Jesus, que é ação de graça, reconhecimento pelo dom que recebemos de partilhar nossa vida com o outro.

Tive um catequizando que fez a primeira eucaristia aos 14 anos, diferente das outras crianças que tinham 11, 12. Usava boné, usava brinco e claramente estava "em outra". Faltava bastante. Quando perguntei a ele o porquê, ele me disse que estudava de manhã e na sexta dormia tarde e não conseguia acordar cedo no sábado. O que ele fazia na sexta à noite? Jogava os jogos tão amados pelos adolescentes. Hum... perguntei quais jogos ele gostava e fiz de conta que entendia do negócio falando um "Que legal!" bem animado. E perguntei se podia ligar para ele no sábado de manhã para acordá-lo. E combinamos assim... Às 8hs eu ligava e avisava da catequese, ele chegava atrasado, mas, vinha. Os pais saiam para trabalhar e penso que tanto fazia se ele fosse ou não ao encontro.

Foi uma conquista lenta, com descobertas gradativas. Ele usava boné porque o cabelo era "desajeitado"... e se ressentia quando alguém pedia e ele para tirar. Eu não pedia, mas, quando as turmas se reuniam, sempre tinha uma catequista “incomodada” com ele que acabava pedindo. E eu via o quanto aquilo o "machucava": Mostrar cabelo "ruim" pra todo mundo? Que "mico".

No dia da primeira eucaristia, lá estavam elas, as "beatas de plantão", "fiscais de porta de Igreja" como diz o Papa Francisco, a se incomodar com o brinco do meu menino. Vieram falar comigo e eu respondi: "Vai lá e fala você". E não é que foram mesmo!

Ele educado, olhou para mim a se perguntar se tirava ou não o brinco. Senti no olhar dele o quão "violentado" em sua identidade ele se sentiu. Que "banquete da comunhão" era aquele que não permite a uma pessoa ser o que ela é? Mostrar-se a Deus do jeito que se sente bem. Senti tudo isso quando ele me perguntou com o olhar o que fazer.

Fui até ele e cochichei no seu ouvido: "Tire o brinco aqui agora na entrada, mas, quando estiver sentado no seu lugar, coloque de novo. Senão Jesus vai se perguntar onde anda você." Ele sorriu, tirou o brinco, pôs no bolso e foi...

Tenho certeza que ele, hoje no grupo de jovens, nunca se sentiu mal na presença de Jesus. A gente aqui pode não aceitar as crianças como elas são e gostam de ser, mas, Jesus está sempre dizendo: "Venham a mim os pequeninos, do jeito que eles são". Que diferença faz para Deus, a cor da unha? O corte de cabelo? O brinco? São perguntas que me faço sempre.

Li uma coisa bem interessante num dos meus livros de teologia (1): "A mensagem de Jesus precisa ser uma boa nova para homens e mulheres DE HOJE e não simplesmente uma repetição do passado". Houve um tempo em que as coisas eram diferentes, mas, agora, nos dias de hoje, não tem mais como evangelizar com um "caderninho" de regras. “As práticas tradicionalistas que se fixam no passado sufocam a novidade do Espírito, precisamos "purificar" as expressões históricas da nossa fé”, é preciso trazer o novo às novas pessoas e não reeditar o antigo, o ultrapassado e aquilo que sufoca e diminui. Sim, vamos aceitar as coisas boas que herdamos do passado, mas, atentos às novas perguntas da sociedade atual que grita por atenção, mesmo estando tão rodeada de coisas. Muito daquilo que a nossa catequese praticava no passado, já não se aplica mais, não traduz adequadamente a mensagem de Jesus, que não dava um modelo para que as pessoas se “encaixassem”, entrassem e, sim, abria um “modelo” de mundo onde todos cabiam.

Ângela Rocha

(1): A casa da teologia. MURAD, Afonso et al. São Paulo: paulinas, 2010.

CATEQUESE EM SAÍDA

A catequese busca favorecer o encontro entre Jesus e o catequizando, onde quer que esteja

O Dia do Catequista, celebrado dia 01 de junho no Chile, se inspirando no Mês Missionário Extraordinário de outubro 2019, teve como tema “Catequistas em missão”.

Para se ter uma “Catequese em saída” é preciso, em primeiro lugar, reconhecer em quais lugares a catequese ainda não oferece respostas adequadas às necessidades da comunidade. Não se trata de pensar somente ou principalmente na catequese sacramental, mas, particularmente em situações de vida em que hoje não oferecemos um itinerário catequético adequado.

Após tantos séculos de evangelização, urge colocar a catequese em caminho rumo a uma profunda renovação. Como o Papa Francisco fala de “Igreja em saída”, podemos dizer que hoje é necessário ter uma “Catequese em saída”.

O objetivo último da catequese não é ensinar os conteúdos em sentido conceitual/doutrinal, mas colocar-se em comunhão com Jesus Cristo. O ensinamento dos Pastores da Igreja nos últimos anos evidenciou o fato que a fé não nasce da adesão a ideias, normas ou ética, mas, nasce do encontro com a pessoa de Jesus Cristo.

Na perspectiva de que o catequista testemunha aquilo que crê, a catequese é, num certo sentido, ‘missionária’, porque busca favorecer o encontro entre Jesus e o catequizando, onde quer que se encontre. Os projetos catequéticos devem abandonar a ideia de estruturar-se segundo a lógica dos conteúdos de modo enciclopédico, para descobrir a vitalidade da fé e seu progresso natural.

A Igreja confia esta missão ao catequista, que não deve somente transmitir um conteúdo de fé, mas testemunhando daquilo que crê, testemunha seu encontro e o seguimento a Jesus. Ninguém inicia os outros na experiência do encontro com Jesus Cristo se esta experiência não passa através da própria vida. O catequista é uma testemunha, um discípulo missionário. A mulher ou o homem que confia no amor quer viver fielmente o anúncio da salvação que recebeu.

Para realizar uma “Catequese missionária” muitos temas podem ser tratados durante os encontros de catequeses, mas o catequista não deve esquecer que o "Querigma” é a mensagem que todo catequista deve partilhar em cada encontro: Jesus Cristo te ama, deu a sua vida para salvar-te, e agora está vivo a seu lado todos os dias, para iluminar-te, para revigorar-te, para libertar-te. Essa mensagem deve ser repetida durante toda a catequese e em cada etapa e momento.

Para se ter uma “Catequese em saída” é preciso, em primeiro lugar, reconhecer em quais lugares a catequese ainda não oferece respostas adequadas às necessidades da comunidade. Não se trata de pensar somente ou principalmente na catequese sacramental, mas, particularmente em situações de vida em que hoje não se oferece um itinerário catequético adequado. Lugares e ambientes que requerem,urgentemente,uma assistência pastoral catequética, como anciãos, crianças, pré-adolescentes, adultos distantes da Igreja, casais jovens, famílias com trabalhadores em mineiras, o mundo carcerário, e outros.

A mídia em geral e as redes sociais podem oferecer uma ajuda válida para esse tipo de catequese. Os livros impressos não são os únicos meios. Hoje se alguém não sabe algo, procura-o na Internet ou nas redes sociais, nas quais ainda falta uma presença ativa da Igreja. Alcançar novos campos aonde o Evangelho ainda não chegou é o desafio para a catequese em saída.Este é um areópago ao qual não se pode renunciar e que deve ser evangelizado. Aí tudo deve ser feito. Além disso, existem muitas rádios diocesanas que têm um potencial catequético enorme.

Certamente essas tarefas nos levam para fora da nossa zona de conforto, mas é necessário fazê-las para colocar a catequese em saída e alcançar novas searas aonde o Evangelho do Senhor ainda não chegou.


Valenzuela Magaña - Diretor da Comissão Nacional da Catequese do Chile







SAÍRAM AS DGAE DA IGREJA NO BRASIL - 2019- 2023 : DOCUMENTO 109 DA CNBB

Acaba de ser lançado pelas Edições CNBB: 

Documento 109 - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 - 2023

As Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) constituem uma das expressões mais significativas da colegialidade e da missionariedade da Igreja no Brasil. Para o quadriênio 2019-2023, elas foram estruturadas a partir da concepção da Igreja como “Comunidade Eclesial Missionária”, apresentada com a imagem da “casa”, “construção de Deus” (1Cor 3,9).

A ideia de casa, entendida como “lar” para os seus habitantes, acentua as perspectivas pessoal, comunitária e social da evangelização, inserindo, no espírito da 'Laudato Si’, a perspectiva ambiental. Essa casa é a comunidade eclesial missionária que, por sua vez, é sustentada por quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. Em tudo isso, as Diretrizes – aprovadas por nossos bispos – convidam todas as comunidades de fé a abraçarem e vivenciarem a missão como escola de santidade.

São as DGAE que orientam toda a ação pastoral da Igreja no Brasil a cada quinquênio. Não deixe de conhecer e refletir.

Adquira o seu nas livrarias católicas ou pelo site  EDIÇÕES CNBB .

sábado, 8 de junho de 2019

ROTEIRO DE LEITURA ORANTE – PENTECOSTES



Leitura Orante de João 20, 19-23 - Pentecostes

Celebramos nesta Leitura Orante o dom prometido do Espírito Santo. Vamos compreender o que a palavra diz e depois orar com a palavra ou deixar que a palavra ore em nós. Pentecostes era uma antiga festa do judaísmo, era a festa das colheitas e os cristãos dos primeiros tempos adotaram parte do calendário antigo do judaísmo e inseriram nesta calendarização algumas festas como próprias do cristianismo. O Pentecostes é uma delas. O texto é João 20, 19-23.

Pacificação interior:

Para melhor entender e absorver a palavra como “oração” é necessário que nos pacifiquemos. Que deixemos a distração, os devaneios, as lembranças de compromissos ou de problemas, de atividades esquecidas que afloram ao nosso pensamento - justamente agora que estamos orando – que fiquem lá fora. Pacificarmo-nos interiormente. Fechando os olhos, buscando uma posição que favoreça o nosso recolhimento, vamos nos por confortáveis, vamos nos entregar a este momento. Lentamente vamos a uma primeira respiração, façamos o mesmo uma 2ª vez. Parece um exercício banal, ordinário, de pouca significação, de todos os dias até. Mas, fazendo com lentidão e com concentração, predispõe-nos à oração. Agora, tente imaginar os seus pulmões a encher-se de ar, o sangue a circular pelas artérias, pelas veias. Tente imaginar seu cérebro em intensas atuações de recordação, de ordens ao coração para bater, aos pulmões para respirar, ele está sempre ativo, mas, agora estará pensando só em Deus.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (6X)


Num segundo momento peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a compreender as palavras que vão inspirar nossa oração:

Vinde Espírito Santo....


♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito... (3X)

1º PASSO – LEITURA

Evangelho de Jesus Cristo segundo João:

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio'. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'”. 

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

2ª leitura: Silenciosa, cada um com a sua bíblia em mãos, leia novamente, fixando-se nos trechos mais importantes. Saboreando as palavras... concentrando-se no significado de cada palavra, de cada frase...

2º PASSO - MEDITANDO

Era o anoitecer do primeiro dia da semana. De qual semana? A tarde de qual dia?
Alguns versículos antes, Maria Madalena fora no “primeiro dia da semana”, até o sepulcro para ungir o corpo do amigo Jesus, pois não fora possível fazer isso na sexta, chegara o sábado e nada pode ser feito. Ela foi logo cedo no primeiro dia da semana, a pedra fora removida. Os discípulos foram até lá e viram que o corpo não estava lá. Qual era mesmo o dia? Era o primeiro dia da semana: Era o dia da ressurreição!

E estavam fechados numa sala. Talvez o cenáculo, onde estavam os discípulos, por medo dos judeus. Não é que os judeus perseguiam e ameaçavam os cristãos. Não, não era isso. “Judeus”, no evangelho de João, era uma menção àqueles que não quiseram crer. Então o temor e o medo que eles tinham era de falar de Jesus, o temor de recordar as promessas da ressurreição. Estavam atemorizados, sem forças e motivação para testemunhar quem era Ele. E o Mestre tinha morrido, fora uma decepção e estavam mergulhados em dúvidas e interrogativas. Era esse o medo, não eram as ameaças vindas de fora, o medo vinha de dentro. Fecharam as portas, mas, era de dentro deles que vinha o temor.

Pois bem, Jesus veio e pondo-se no meio deles disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Jesus veio, pôs-se, disse... Três verbos: vir é uma ressonância antecipada daquilo que se espera, daquilo que os discípulos creram desde o início, que um dia o Senhor virá, voltará. “Pôs-se em meio a eles”: porque este detalhe espacial no meio? Porque para comunidade encontrar o ressuscitado é preciso a vida comunitária, a partilha da fé. Só é possível reconhecê-lo e percebê-lo lá onde a fé é partilhada e a esperança compartilhada, lá o senhor se deixa vir.  E o senhor se colocou em meio deles e disse:  A paz esteja convosco”. “Paz” era a maneira comum, ordinária de saudar as pessoas.

Nós dizemos “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”.  Naquela época se dizia “Paz”, Shalom.  Precisamos mergulhar no sentido dessas saudações. Naquela época saudar com um “bom dia”, não era uma saudação fugaz, de momento, como se fosse uma mera cortesia. Quem dizia um bom dia, comprometia-se a fazer bom o dia da pessoa que encontrava. O mesmo aqui com “a paz”: o Senhor vem trazer a paz e oferecer a sua vida de ressuscitado para que eles experimentem a paz. Que não é a tranquilidade, que não é a ausência de problemas ou divergências, não! Mas, é a segurança e a convicção de que a vitória do senhor Deus está assegurada pela ressurreição. Então, por mais que os discípulos se deparem com desafios de toda ordem, o ressuscitado se faz próximo para que, com sua vitória, os discípulos experimentem a sua alegria. De fato, eles se alegraram, ficaram cheios de alegria por vê-lo.

“Como o Pai me enviou eu também vos envio”. Interessante este versículo: “Como o Pai me enviou eu também vos envio”.  Não é que um passa para o outro a missão, longe disso! Mas, se o Pai enviou seu filho Jesus para salvar o mundo, os discípulos são enviados por Ele, pelo Salvador, para que ofereçam a salvação que ele, Filho, assegurou a humanidade. A missão dos discípulos se fundamenta na missão do Filho: o Pai envia e o filho leva à salvação, é Ele, o Salvador, os discípulos têm então essa corresponsabilidade.  Não são salvadores, mas levam à vida, à humanidade, a voz do Salvador.

“E o Senhor soprou sobre eles”. Muito importante para o dia de Pentecostes é o sopro é a vida, a experiência do homem bíblico era muito singela: se eu não respiro, se fico sem ar eu morro. Então a vida que ele soprou sobre eles, os discípulos, é a vida do ressuscitado.
Mostrou-lhes as mãos e o lado”, não para mostrar feridas ou cicatrizes da crucificação... o lado aberto pela lança do soldado, não é para mostrar cicatrizes curadas e feridas abertas, Ele queria que os discípulos entendessem que só é possível encontrar-se com o ressuscitado, se seguir o caminho da cruz. Não é possível o encontro com o ressuscitado recusando o caminho e o seguimento da cruz.

É este o sentido do que celebramos no Pentecostes. O sopro do Espírito sobre eles é a vida do ressuscitado que Ele comunica aos discípulos. E este sopro faz com que os discípulos se tornem ricos e impregnados da vida do ressuscitado. O sopro sai do mais profundo do corpo. Recorda o Antigo Testamento, em Gênesis, que o Senhor soprou nas narinas do primeiro homem e ele se tornou um ser vivente. Também em Ezequiel 37, num campo cheio de ossos ressequidos, imagem de Israel que experimentara a morte, o profeta deu um sopro - o sopro do profeta e não de Deus – e fez com que todos aqueles ossos se tornassem vida, o povo voltou a vida. Agora, aqui, é o sopro de Jesus filho, sobre os discípulos para que enviados, levem a vida do ressuscitado aonde forem, a quem encontrarem. Era a promessa do Espírito Santo e onde o ele é levado, o perdão se torna a experiência mais imediata: a quem perdoardes, haverá perdão. A quem retiverdes, ou seja, a quem ainda não chegou a crer no Espírito e no Salvador, o perdão chegará quando a fé for uma experiência objetiva e real.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

3º PASSO - ORAÇÃO

Vamos dar outro passo: eu também estou lá, naquela sala... Com meus medos, o mesmo medo dos discípulos de testemunhar Jesus, não era medo dos judeus os perseguirem, não, era medo de testemunhar Jesus que ressuscitara e agora perdoa. Estou lá com eles, eu com meus medos. E Ele me mostra suas mãos, mostra que teve medo, sofreu, suou sangue mas sustentou-se, está a me olhar e me mostrar as mãos, o lado... Eis que meu Espírito lhes é dado... Posso sentir seu sopro em mim, me dizendo: vai, leve a paz, leve o perdão...
E eu qual é a minha palavra, qual a minha resposta?

Oremos juntos: Senhor Jesus, trouxeste-me a paz, mostraste-me suas marcas, mas, conheces meus medos e vergonhas. Até parece que não falo de ti para não parecer beata, carola, como se isso fosse me empobrecer. Senhor tenho medo, sopra sobre mim teu Espírito para que eu me alegre em pronunciar o Teu nome, em apresentar a Tua vitória e levar-te àqueles a quem eu encontrar e deixa-me ajudar-te a perdoar pois precisam da tua paz.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...


4º PASSO – CONTEMPLAÇÃO

Fechando os olhos vamos imaginar as cenas que o texto nos propõe.
Uma tarde, o sol que se põe, alguma nuvem com o brilho dos últimos raios de sol, um céu avermelhado, os discípulos reunidos. Estão fechados numa casa, temem, duvidam, debatem, lamentam-se e tudo parece ter se perdido. Uma semana antes o senhor era vitorioso, triunfal, fora recebido na casa de Lázaro, aquele que Ele fizera sair do túmulo.... Sim, mas agora, fora o senhor ao túmulo e a sensação era de derrota, lá estão eles a falar, gesticular, olham pela janela, irritam-se alguns talvez.

E o senhor se faz vier. Ninguém sabe por onde entrou, pela porta, pela janela? Estes limites o Senhor não tem mais. E se põe no meio deles, olha, saúda.... Tente imaginar a euforia daqueles que o veem.... É verdade ou é um sonho? Ou é a mente desvairada deles ou alucinações febris. O senhor lhes mostra a mão, lá estão marcas dos pregos, mostra o lado, lá está o sinal da lança, mas, está vivo e lhes fala. Tente imaginar a atenção daqueles, os olhos arregalados.

“E a paz esteja convosco”. Ouça esta frase com eles.  Tente ouvir isso... O senhor está dizendo a você e a eles, repete a mesma frase: “A paz...”. Agora ele se aproxima de Pedro, um sopro suave, João, outro sopro... imagine João, Tiago, André, Felipe... eles todos. O senhor sopra sobre um por um e em cada um deles. Receba o Espírito Santo, aquele sopro é como se o mundo fora recriado. Outrora Deus soprara em Adão e se ele se tornara um ser vivo. Agora aqueles... recebei o Espírito Santo e a quem perdoardes, haverá perdão. Aqueles onze, pois Judas não está lá, entreolham-se... Perdão... a quem perdoares, haverá perdão. Sim, perdão! Ainda não conseguem crer, vivem a perplexidade. Será que é Ele? Novamente: a quem perdoardes...  Eles olham para o senhor maravilhados, por tê-lo encontrado e entreolham-se pela magnitude da missão que lhes foi incumbida. Pelo Espírito Santo, este foi um sopro de vida recebido do ressuscitado para levar o perdão. É o mesmo sopro que sinto em meu rosto agora: O sopro do Espírito que me faz discípulo também.

♫ Mantra: Vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito, vinde Santo Espírito...

 Pai Nosso que estais no céu...


* Inspirada na Leitura Orante feita por D. Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba – Em 04 junho de 2017.


Este e outros roteiros, encontram-se em nossa apostila: "Roteiros de Leitura Orante para a Catequese": Discípulos de Emaus, Samaritana no poço, Atos dos Apóstolos, Jesus: caminho, verdade e vida...

O material está em formato de "apostila", em arquivo PDF e pode ser disponibilizado no e-mail de vocês por R$ 10,00, depositado em conta:

CAIXA ECONÔMICA - AG. 3635
CTA POUPANÇA: 013.00000230-8
PAULO ROBERTO ROCHA - CPF 598.914.759-72

É só depositar e me avisar pelo e-mail angprr@gmail.com!

E você ainda pode ESCOLHER uma leitura bíblica (dos Evangelhos), que recebe de presente um roteiro feito especialmente pra você!

domingo, 2 de junho de 2019

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR

Ascensão: benção que se expande sobre a humanidade

"Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu” 
(Lc 24,50-51)
Texto bíblico:  Lc 24,46-53

Agora que estamos chegando ao final do tempo pascal, vale a pena notar que a Páscoa, chave, centro e  ponto de partida da fé cristã, é um acontecimento de uma riqueza tal que é impossível descrevê-lo com uma só imagem. Por isso, celebramos o mistério pascal durante cinquenta dias, e logo prolongamos esta celebração cada domingo. Trata-se de um acontecimento único, embora nós, para entendê-lo melhor, o celebremos por etapas. Dito de outra maneira: Paixão, Páscoa, Ascensão e Pentecostes são a mesma realidade. Pode-se falar de quatro momentos, mas, na realidade são distintas perspectivas do mesmo Mistério. Quê estamos celebrando com a Ascensão? A Ascensão é mais um aspecto da cristologia pascal.

Cristo alcançou, na Ascensão, uma situação e um estado de infinitude que lhe permite preencher tudo com sua presença definitiva, e para comunicar-nos sua presença divina. Portanto, não se trata de uma Ascensão para um lugar físico que o afastaria para longe da humanidade.

A nuvem que o “oculta”, enquanto subia ao céu, não está nos indicando sua “ausência”, mas uma forma distinta de sua presença. Daqui em diante, Jesus estará presente entre nós através de seu Espírito, cuja missão é ser memória permanente e dinâmica para que não nos esqueçamos do que Ele disse e fez.
Precisamos recordar que, terminada a presença histórica de Jesus, vivemos o “tempo do Espírito”, tempo de criatividade e de crescimento responsável. O Espírito não nos proporciona a nós, seguidores(as) de Jesus, “receitas eternas”. Mas nos dá luz e ânimo para buscar caminhos sempre novos a fim de prolongar hoje o modo original de ser e de atuar de Jesus. Assim Ele nos conduz para a verdade completa de Jesus.
Lucas, o único evangelista que fala de ascensão, termina seu relato apresentando-nos os discípulos como que pasmados, olhando para o alto e a alguns personagens vestidos de branco que lhes repreendem: “Homens da Galileia, porque estás aí olhando ao céu?”
Como Jesus, a única maneira de alcançar a plenitude da vida não é “subir”, mas é “descer” até o mais profundo de nosso ser. Aquele que mais desceu é o que subiu mais alto.
Jesus deixou suas pegadas cravadas na terra, mas os discípulos ficaram assombrados com o olhar fixo nas alturas. Ao céu só se chega caminhando para as profundezas de nosso ser, pois só no mais profundo de cada um (céu interior), podemos encontrar o divino.
Não causa estranheza que, ao narrar a despedida de Jesus deste mundo, Lucas descreva de forma surpreendente: Jesus ergue as mãos e “abençoa” seus discípulos. É seu último gesto. Jesus volta ao Pai levantando as suas mãos e abençoando os seus seguidores. Ele entra no mistério insondável de Deus e sobre o mundo faz descer sua benção. Jesus deixa atrás de si sua benção. Os discípulos, envolvidos por sua benção, respondem ao gesto de Jesus indo ao templo cheios de alegria. E estavam ali “bendizendo” a Deus.
Saboreando com mais profundidade a narrativa da Ascensão, caímos na conta da insistência de Lucas no tema do bendizer de Jesus: “levantando as mãos os abençoou e enquanto os abençoava, se afastou deles...”.
Ao fixar a atenção no seu “bendizer” e fazendo uma tradução ao pé da letra do verbo grego “eu-logeo” (“eu”= bem; “logeo”= dizer), ficamos surpresos de que Jesus sobe aos céus dizendo coisas boas de seus discípulos e deixando um “informe final” sobre eles, claramente positivo.
É como se, antes de partir, Jesus tivesse redigido sua avaliação para prestar contas ao Pai e, para alívio nosso, revela-se satisfatória e elogiosa: somos boa gente, com pontos da vida a serem melhorados com certeza, mas, no conjunto, estamos bem. Ele leva anotadas muitas coisas boas de nossas vidas para contá-las ao Pai.
Vamos agora contemplar o gesto das mãos de Jesus que abençoam. Jesus sempre gostou de “abençoar”. Abençoou as crianças, os pobres, os doentes e desventurados. Seu gesto era carregado de fé e de amor. Ele desejava envolver aqueles que mais sofriam, com a compaixão, a proteção e a benção de Deus. A partir de então, seus(suas) seguidores(as) começam sua caminhada, animados por aquela benção com a qual Jesus curava os doentes, perdoava os pecadores e acariciava os pequenos.  Nós, seguidores(as) de Jesus, somos portadores(as) e testemunhas de sua benção no mundo.
Como cristãos, esquecemo-nos que somos canais da bênção de Jesus. A nossa primeira tarefa é ser testemunha da Bondade de Deus. Manter viva a esperança, não nos rendermos diante de tanto “maldizer”.
Deus olha a humanidade com ternura e compaixão. Já faz muito tempo que esquecemos isso, mas a Igreja deve ser, no meio do mundo, uma fonte de benção. Num mundo onde é tão frequente “maldizer”, condenar, prejudicar e difamar, é mais necessária do que nunca a presença de seguidores(as) de Jesus que saibam “abençoar”, buscar o bem, dizer bem, fazer o bem, atrair para o bem.
A benção é uma prática enraizada em quase todas as culturas como o melhor desejo que podemos despertar para com os outros. O judaísmo, o islamismo e o cristianismo lhe deram sempre grande importância. E, embora em nossos dias tenha sido reduzida a um ritual quase em desuso, não são poucos os que ainda destacam seu conteúdo profundo e a necessidade de recuperá-la.
Abençoar é, antes de mais nada, desejar o bem às pessoas que encontramos em nosso caminho. Querer o bem de maneira incondicional e sem reservas. Querer a saúde, o bem-estar, a alegria..., tudo o que pode ajudá-las a viver com dignidade. Quanto mais desejamos o bem para todos, mais possível é sua manifestação.
Abençoar é aprender a viver a partir de uma atitude básica de amor à vida e às pessoas. Aquele que abençoa esvazia seu coração de outras atitudes pouco sadias, como a agressividade, o medo, a hostilidade ou a indiferença. Não é possível abençoar e ao mesmo tempo viver condenando, rejeitando, odiando.
Abençoar é desejar a alguém o bem do mais profundo de nosso ser, mesmo que nós não sejamos a fonte da benção, mas apenas suas testemunhas e portadores. Aquele que abençoa não faz senão evocar, desejar e pedir a presença bondosa do Criador, fonte de todo bem. Por isso, só se pode abençoar numa atitude de agradecimento a Deus.
A benção faz bem a quem a recebe e a quem a pratica. Quem abençoa os outros abençoa-se a si mesmo. A benção fica ressoando em seu interior, como prece silenciosa que vai transformando seu coração, tornando-o melhor e mais nobre. Ninguém pode sentir-se bem consigo mesmo enquanto continua maldizendo o outro no fundo do seu ser. Não é possível ser canal de benção do Criador se do próprio coração brotam palavras de intolerância, de preconceito e julgamento. “Maldizer” o outro é maldizer-se a si mesmo.

Na oração: Fazer memória dos momentos em que você foi canal de benção para muitas pessoas. Você usa as redes sociais para “bendizer” ou “mal-dizer”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade



sexta-feira, 24 de maio de 2019

CATEQUESE SOBRE A ORAÇÃO DO PAI NOSSO


CATEQUESES DO PAPA FRANCISCO
SOBRE A ORAÇÃO DO PAI NOSSO


O Papa Francisco dedicou 16 catequeses à oração do Pai Nosso: tiveram início em 5 de dezembro de 2018 e foram concluídas dia 22 de maio de 2019.

LEIA e copie na ÍNTEGRA os 16 textos no botão abaixo:




SEMANA DA FAMÍLIA 2019


Mesmo se a Semana da Família em sua paróquia não é comemorada em agosto, o subsídio da Pastoral Familiar deste ano traz reflexões excelentes que podem ser adaptadas ao que você precisa.

O Hora da Família orienta a vivência da Semana Nacional da Família que ocorre de 11 a 17 de agosto de 2019

Nesta edição procuramos distribuir a reflexão do Hora da Família sobre a pergunta: ‘A Família, como vai?’, através dos sete encontros, que, esperamos, consigam nos fazer caminhar pelas várias possibilidades de respostas que poderemos dar. Aliás, talvez, ao final da Semana Nacional da Família 2019 não chegaremos a uma resposta adequada dentro do que o próprio Deus pensou sobre essa instituição divina chamada família, mas teremos tentado ao menos nos aproximar do pensamento de Deus.

O tema deste ano é uma retomada da reflexão que marcou a Campanha da Fraternidade de 1994. Ao voltar ao passado e ver o quanto a Pastoral Familiar já cresceu, percebe-se que a família busca e precisa aprofundar cada vez mais a sua missão na Igreja e na sociedade para conquistar um papel decisivo e central. 

Esse desejo de estar no centro das ações eclesiais aparece neste Hora da Família, ligando-o à Iniciação à Vida Cristã, às Políticas Públicas, ao envolvimento com as questões contemporâneas da vida urbana e à missão em meio a outras famílias.

O subsídio vem com os tradicionais encontros celebrativos da Semana Nacional da Família e refletem os seguintes temas: Família, vocação e juventude; Família e Políticas Públicas; Família, defensora da vida; Matrimônio e Família no plano de Deus, e por fim, o tema central: A família, como vai?

Além dos encontros, o material traz três celebrações temáticas para realizar no Dia das Mães, Dia dos Pais e uma celebração e consagração à Sagrada Família.

*Para adquirir o subsídio:

quinta-feira, 23 de maio de 2019

PALAVRAS DE FRANCISCO: 21 DE MAIO DE 2019


“A VIDA SE ENFRENTA COM A PAZ DE JESUS E SENSO DE HUMOR"

O Papa Francisco comentando a promessa de Jesus aos discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo", pergunta: Como é possível conciliar as "tribulações" e as perseguições que São Paulo sofre, narradas na página dos Atos dos Apóstolos (At. 14,19-28), com a paz que Jesus deixa aos seus discípulos contidas no Evangelho de João?

A vida de perseguições e tribulações parece uma vida sem paz, e a última das bem-aventuranças afirma: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa".  Assim, a paz de Jesus caminha com esta vida de perseguição, de tribulação. Uma paz que é muito profunda em relação a todas essas coisas. Uma paz que ninguém pode tirar, uma paz que é um dom, como o mar que na profundidade é tranquilo e, na superfície, existem as ondas. Viver em paz com Jesus é ter esta experiência dentro, que permanece durante todas as provações, todas as dificuldades, todas as “tribulações”.

Somente assim pode-se compreender como tantos santos viveram a última hora sem “perder a paz", a ponto de falar às testemunhas que estavam "indo ao martírio como convidados às núpcias". Este é o dom da "paz de Jesus" – paz que não podemos ter através de meios humanos, como por exemplo, indo ao médico ou tomando ansiolíticos.

Trata-se de algo diferente que vem "do Espírito Santo dentro de nós" e que traz consigo a "fortaleza". A paz nos ensina, a paz de Jesus nos ensina, a ir avante na vida. Ela nos ensina a suportar. Suportar: uma palavra que nós não entendemos bem o que significa, uma palavra muito cristã, que é carregar sobre os ombros. Suportar: carregar a vida sobre os ombros, as dificuldades, o trabalho, tudo, sem perder a paz. Ou melhor, carregar sobre os ombros e ter a coragem de ir avante. Isso se entende somente quando há o Espírito Santo dentro, que nos dá a paz de Jesus. Mas se ao invés disso nos deixamos tomar por um nervosismo frenético e perdemos a paz, tem alguma coisa que não funciona.

Tendo no coração o dom prometido por Jesus e não aquele que vem do mundo ou do dinheiro no banco, conseguimos enfrentar as dificuldades mesmo as mais difíceis e ir avante e com uma capacidade a mais, que faz sorrir o coração. A pessoa que vive esta paz jamais perde o senso de humor. Sabe rir de si mesma, dos outros, ou melhor, da própria sombra, ri de tudo. Este senso do humor que está tão próximo da graça de Deus. A paz de Jesus na vida cotidiana, a paz de Jesus nas tribulações e com aquele pouquinho senso de humor que nos faz respirar bem. Que o Senhor nos dê esta paz que vem do Espírito Santo, esta paz que é característica  Dele e que nos ajuda a suportar, carregar, tantas dificuldades na vida.

FONTE: Homilia do papa Francisco: 21/05/2019 - Casa de Santa Marta.  https://www.vaticannews.va/pt.html

domingo, 19 de maio de 2019

DESEJA +... : SUGESTÃO DE ATIVIDADE

Encontro sobre o Evangelho de João 13,31-35  
NOVO MANDAMENTO: "Amai-vos uns aos outros" 


Compartilho com vocês esta pequena atividade que preparei para trabalhar o Evangelho do 5º Domingo da Páscoa com os meus pequenos catequizando. Após o encontro levamos o cartaz para a igreja, o colocamos aos pés de Jesus Crucificado e  juntos rezamos pelo próximo. Eles pediram amor, alegria, paciência, fé e saúde. Foi muito lindo!

Atividade para o Encontro

Novo Mandamento: "Amai-vos uns aos outros"

Objetivo: Incentivar os catequizando a desejar ao próximo o que desejamos a nós mesmos.Trabalhar o sentido do amor ao próximo.

Iniciar o Encontro com a frase: 

DESEJO +  _________________________________

Pedir que cada um escreva o que deseja para sua vida hoje. Mencionar que não pode ser nada material.

Exemplos: Desejo + fé
                  Desejo + amor
                  Desejo + alegria.....

Pedir que coloquem seu nome no verso para identificação. Recolher os pedidos.

Leitura do Evangelho

Partilha

No final do Encontro entregar os papeis com os pedidos de cada um e pedir que coloquem a expressão: "...para o meu próximo".

Exemplo: DESEJO + alegria para o meu próximo.

Colocar os pedidos aos pés de Jesus Crucificado e rezar juntos pedindo a alegria para os que estão triste; por àqueles que hoje precisam de fé por àqueles que precisam de amor e assim sucessivamente, mencionando o que esta escrito nos papeis.

Terminar com uma bonita oração.

Gisele Araújo
Catequista - Bocaiuva do Sul - PR