segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Aprendendo com os outros...


Foi em Guarapuava, na Catedral de Nossa Senhora de Belém que comecei meu aprendizado na catequese. Se é que, ser catequista, é uma questão de aprendizado. Se for, com certeza, é eterno. Aprendemos junto com nossos catequizandos a cada ano que passa. Isso casa bem com o fato de eu me achar amadora.

Uma das coisas que fez parte do meu "aprendizado" e que me chamou a atenção lá, é que a (o) catequista inicia a caminhada com as crianças na primeira etapa da catequese, ou seja, no primeiro ano, e acompanha a criança até ela receber o sacramento, no terceiro ano de caminhada. Acontece a mesma coisa com a  catequese de Crisma, que é de dois anos. Claro que nem sempre a gente começa e termina com as mesmas crianças. Muitos mudam de horário, de dia, de período; por conta da escola e de outros compromissos. Mas a maioria fica com a gente. A não ser que nos odeiem, aí... rsrsrsr.

Bom, o fato é que assisti outro dia na TV, uma reportagem sobre a educação na Finlândia, país nórdico europeu. E achei interessante as escolas de lá. Os professores fazem algo como a catequese da Catedral. Acompanham as crianças por todo ensino fundamental. Se fosse por aqui, seria desde o jardim de infância até a quarta série mais ou menos. A justificativa para isso é a seguinte: Interagir com a  criança, estabelecer laços de amizade e companheirismo com elas e com os pais. Interessante, não?

Outra coisa é que a escola é uma "extensão" de suas casas. Eles têm tarefas diárias que não tem nada a ver com a escola, como cuidar das plantas, supervisionar a coleta de lixo, ajudar a cuidar dos mais novos, etc. E tiram os sapatos para entrar nas salas para não sujar o chão! Participam também de oficinas de arte e de pequenos ofícios. Aprendem a pregar um quadro na parede e a apertar parafusos. Elas gostam verdadeiramente de ir à escola. Isso faz com que muitas crianças fiquem com saudade da escola nas férias. Lá, férias é uma "chatice".

Guardadas as devidas proporções, - afinal não podemos fazer uma comparação justa entre um país de primeiro mundo e o Brasil - acredito que se pode aprender muito com isso. Da experiência que tive ao acompanhar os mesmos catequizandos por três anos, posso dizer com certeza, que foi absolutamente válido do ponto de vista do que deve ser a Igreja, ou seja, uma "comunidade". Aprendi as conhecer as crianças, suas realidades, seus hábitos e suas famílias. Coisa que é praticamente impossível em oito meses (quando chega a isso), de catequese no ano. E pensemos que nesses oito meses, nos encontramos com nossos catequizados, quatro vezes por mês. Que conhecimento e que profundidade pode ter um relacionamento de 32 encontros? Isso se não tiver feriados e recessos pelo meio.

Um outro benefício disso tudo: nossos encontros não se tornam rotinas de conteúdos e nem viramos "especialistas" numa determinada etapa. Isso gera crescimento. E o relacionar-se, gera amadurecimento e afinidade. Quer motivos melhores?

E vamos lembrar que Jesus ficou em torno de três anos com seus discípulos... até que eles estivessem prontos para pregar a sua palavra. E o catecumenato, a catequese dos primeiros tempos da igreja, também era assim. Um tempo onde se aprendia junto, um processo de crescimento contínuo e não um processo seriado e fragmentado como temos hoje.

Quem sabe não cheguemos há isso um dia... ejaculacao precoce


Ângela Rocha

sábado, 28 de dezembro de 2013

Prece de Ano Novo...

Que neste ano que se inicia, meus olhos, meus ouvidos, meus sentidos
e o meu coração, se abram para o que estiver por vir.
E que eu veja além do comum...
Que eu enxergue, através dos homens, o que há de melhor em cada um.
Que eu ouça as palavras bonitas e as guarde.
Que eu sinta as coisas boas. E que as ruins, doam só por um segundo.
Que eu seja mais do que uma simples mortal.
E que eu lembre sempre da centelha divina que há em mim.
Que eu veja na esperança sempre um traço de eternidade.
Que eu seja muito maior que a minha vontade de crescer.
Que eu queira mais do que meu próprio querer.
E que não queira só para mim...
Que eu seja mais do que esperam de mim.
Que eu possa expandir felicidade e perceber na simplicidade o valor de todas as coisas.
Que eu seja a semelhança do bem.
E que todos que de mim se aproximarem, sintam o amor que tenho a oferecer.
Que eu nunca cobre nada dos outros, mas cobre sempre de mim.
Que eu consiga me doar sem esperar agradecimento.
Que eu seja simples e grandiosa, como simples e grandiosa é a criação.
Que eu permaneça voltada ao que é bom e precioso...
À vida em toda a essência de sua grandeza.
E assim, serei humana e feliz, humilde e poderosa, amante e amada.
Estarei pronta e de braços abertos para colher os frutos de um novo tempo, que espera mais compreensão e tolerância de cada um para todos os seres do universo.
Assim, terei a verdadeira comunhão entre o ser e o mundo que me acolheu.
E todos os seres inteirados, estarão respeitando o espaço comum...
E o mundo ficará bem melhor.
E eu terei feito apenas, uma parte de tudo isso...
Aquela pequena parte que poderá ser a grande diferença.
Que eu tenha a felicidade de ver meus amigos e familiares unidos em um só pensamento: de amor, paz e harmonia.
Que eu tenha o privilégio de ver um mundo melhor para todos os seres do universo.
Então estarei em paz...


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

BOLETIM FORMATIVO EDIÇÃO ESPECIAL - DEZEMBRO

SAUDADE DO BOLETIM FORMATIVO?

Pois é... virei numa Ninja essa semana e consegui editar o terceiro!
Aproveitem, leiam e, se possível, divulguem em suas paróquias.
Em Janeiro voltamos com ele já pensando no planejamento 2014. 
Enquanto vocês aguardam, abram com carinho, desamarrem os laços de fita e curtam...
Pois este é o PRESENTE de Natal dos administradores do grupo para vocês!




Arquivo em PDF para imprimir e distribuir: AQUI.

Angela Rocha
Catequistas em Formação


HOMILIA DO DOMINGO

4º Domingo do Advento – Ano A

A nossa história é um encontro entre a ação de Deus e a ação humana. Deus quer vir ao encontro do ser humano, quer realizar a profecia ouvida por Acaz, proclamada pelo profeta (“Eis que uma virgem conceberá...”), mas espera uma resposta de José e de Maria. O resultado é o encontro do Divino com o humano: o Emanuel é “descendente de Davi segundo a carne, autenticado como filho de Deus com poder, pelo Espírito...” (Rm 1,3-4). O Deus se fez humano porque encontrou eco na resposta de um homem e de uma mulher, encontrou um sim à sua vontade. Ele não arromba a porta, mas pede licença para hospedar-se em nossa casa e ali fazer a sua morada. Quais são as características deste sim que abriu as portas para o Salvador?

Um sim de fé. Um ar romântico envolve a narrativa da história que antecede o nascimento do Emanuel, mas na verdade, a vida dos pais de Jesus foi uma vida normal, ou seja, foi tão cheia de Deus, quanto cheia de dificuldades. Imaginemos Maria vendo-se grávida, sem saber do futuro, sem saber como explicar aos pais, ao noivo e à comunidade o acontecido. Imaginemos José, considerando-se traído por Maria, mas mesmo assim a protegendo, arrumando formas de deixá-la longe das punições prescritas para as adúlteras da época. Sem a fé, não haveria uma resposta afirmativa. José é o exemplo do homem que supera as dúvidas e medos e abre-se para Deus. José vive da esperança que nasce da fé, certo de que a promessa está garantida: “o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (Spe Salvi 1).

Um sim que faz renúncias. José e Maria abriram mão de seus projetos pessoais, deixaram de constituir uma família convencional, enfrentaram os desafios inerentes à paternidade e à maternidade do Filho de Deus. Acolheram o pedido de Deus, sem questionar ou reclamar...

Um sim aberto aos sinais de Deus. José recebeu uma mensagem pelo sonho. O anjo, enviado como comunicador da mensagem divina, revelou o significado do que estava acontecendo. Poderia José interpretar os fatos com olhos puramente humanos, mas lhe coube a graça de olhar com olhos divinos. Deus se serve de sinais, como havia sido declarado a Acaz pelo profeta. Ainda hoje, continua realizando sinais para que possamos nos abrir à sua vinda. Se esperarmos grandes milagres, talvez fechemos os olhos aos sinais mais simples e preciosos. Nossa vida está repleta deles: acontecimentos que indicam algo, que nos fazem tomar novo rumo, que nos fazem calar e reverenciar a graça que não nos abandona. 

Ao prepararmos a árvore, os presentes, o presépio e a ceia, preparemos também o coração. Que os sinais divinos deste final do ano, quando nos tornamos tão sensíveis, sejam provocadores da fé e da esperança. E assim, caminhemos certos de que o Deus Conosco está realmente ao nosso lado e não nos abandona. 

Pe Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)


O melhor presente...

Temos hoje um grande problema em nossas mãos: A educação de crianças e adolescentes para serem bons cristãos e, dessa forma, bons cidadãos. Na verdade o grande problema está nos pais, pois, os filhos são só, conseqüência deles. O mundo anda tão “imediato” que não sobra tempo para mais nada, os filhos, o(a) esposo(a), o outro, enfim...

A família já não sabe mais o que é importante, não sabe mais ficar com ela mesma. Quando está junta não consegue se “curtir”, acha que é necessário fazer alguma atividade, algum passeio maluco como um shopping center, por exemplo. Com isso não há conversa, perde-se o vínculo de família, de pessoas que dividem o mesmo espaço e o mesmo sentimento. E para se “desocupar” dos filhos, os pais enchem a agenda dos deles com escola, natação, inglês, dança, futebol, caratê... não sobra tempo nem para brincar. Brincar? O que é isso?

Erro novo achar que estamos preparando-os para o futuro. Não se sabe o que as crianças vão enfrentar no futuro e do que elas irão precisar. É melhor investir na formação humana, na formação cristã, fazê-las saber pensar criticamente, educá-las na fé, acreditando num Ser Superior, porque aí, elas enfrentam qualquer coisa. Brincar é fundamental. È brincando que a criança explora, inventa, cria soluções para suas dificuldades e angústias. É assim que ela aprende. Outro ponto a ser considerado são as diferenças entre os valores da família e o que a sociedade e a mídia passam. Quando os filhos são pequenos cabe aos pais impor certos limites, saber dizer não, pois, se os pais não o fizerem, o mundo lá fora o fará e aí eles não vão saber enfrentar isso.
E essa falta de tempo para com os filhos, enche os pais de culpa. Por não terem tempo para estar com os filhos eles usam presentes para compensar essa ausência, incentivando o consumismo exagerado, fazendo com que as crianças dêem pouco valor afetivo ao presente. Só que não dá para “comprar” a presença do pai ou da mãe. Com isso também já não se espera com ansiedade a data do aniversário ou o Natal. Todo dia é dia de presente. Datas especiais já não existem mais.

E a solução talvez nem seja passar mais tempo com os filhos. O melhor presente para se dar a eles é investir no tempo em que se passa com eles. Fazer desses momentos os melhores possíveis, de preferência, dialogando. Às vezes até, ficar um pouco escutando o silêncio gostosa da presença do outro.

Valorizar outras coisas antes do consumo, aprender atitudes e virtudes como generosidade e solidariedade. Tentar ensinar os filhos a enfrentar o mundo e a vida como ela é na prática. Fazê-los ver que nem tudo é cor-de-rosa, que existem pessoas e outras crianças que dariam tudo para estar no lugar deles.

Ângela Rocha

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Feliz Natal!!


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sendo catequista...

Houve uma ocasião em minha vida, que precisei de “salvação”.

E quem me salvou foi a Igreja Católica. Pela acolhida e ações de uma comunidade inspirada em Jesus Cristo. Essa mesma Igreja forjou a minha identidade religiosa. Nela fui batizada, crismada, fiz a minha primeira comunhão, casei,  batizei os meus filhos e onde, hoje, sou catequista.

Durante algum tempo (aquele tempo em que a gente acha que tem que fazer tudo: estudar, trabalhar, criar os filhos, passear, festejar e tudo o mais... e pra ontem ainda!), eu esqueci um pouco dos meus compromissos de cristã batizada. E levei a vida de, como muita gente costuma se denominar, “católica não praticante”. Pouco me lembrava de rezar e ia a missa de vez em quando. E claro que, lá pelo meio do caminho, eu me perdi completamente.

E voltei a lembrar de Deus, porque “precisei” Dele. E O tive.

E posso dizer então que me transformei numa católica de verdade e de fé. Porque provei daquilo que Jesus distribuiu fartamente: amor, caridade, perdão, doação, partilha, compreensão. Não porque Ele não tivesse me dado antes. Esteve sempre lá, mas,  eu acreditava não precisar. E foi como beber de uma fonte que nunca seca. Passei a ter sede dessa fonte de água viva. Passei a verdadeiramente, VIVER a fé. Passei a dar um valor enorme aos outros. Por que amar não é guardar o que de bom se tem, é partilhar com o outro.

Mas percebi também que precisava saber mais de Jesus. Por isso li, pesquisei, estudei e escutei. E enquanto ia me aprofundando nisso minha alma e meu espírito foram se enchendo da mais pura felicidade. E percebi que não podia ficar quieta. Ah, eu não podia ficar sem falar daquilo com alguém!

Fazer ecoar as coisas que vem de cima, reverberar a mensagem no coração das pessoas a ponto de refletir por toda a sua volta. Falar de Jesus! Não com a boca, mas com o coração e com as atitudes. Acredito que a partir daí, me foi confiada uma missão. E que não passei o que passei a toa. Acredito que fazia parte do “aprendizado” que Deus queria que eu tivesse.

A missão confiada, não é fácil. A responsabilidade é tremenda. Mas a recompensa é valiosa. E não é só por ver a alegria de cada pessoa a quem você mostra Jesus Cristo, é porque a cada minuto, vai crescendo em nosso próprio coração essa “catequese”.

E ao longo dessa caminhada de “ser, saber e saber fazer”, percebi que chegar a um encontro de catequese não é ir “dar uma aula”. É encontrar-se com Jesus em meio àquelas pessoas! É viver a realidade de cada um e aprender dela. E isso, muitas vezes, não depende de “didática” ou “metodologia”. Se eu quiser mesmo usar essas palavras, talvez pudesse dizer “didática do amor” ou  “metodologia da fé”.

Aprendi também que nem sempre é possível ser “exemplo” (apesar de saber que devo sê-lo), muitas vezes o outro é meu exemplo. E nem sempre sei bem o que falar. Mas se somos verdadeiros, se amamos de verdade, a voz do coração sempre fala mais alto.

Muitas vezes, ser catequista implica deixar de fazer coisas bem mais fáceis e cômodas. Existem serviços em nossa Igreja que independem de tanto trabalho ou não exigem tanto do nosso tempo. Nestes outros serviços não é preciso preparar antecipadamente o que se diz, o que se faz, de que maneira se vai fazer ou o que se vai falar. E nem se tem nas mãos a responsabilidade da “conversão” e da fé de tantas outras pessoas. Nem é preciso “conhecer” tanto.

Mas a catequese implica bem mais. Não posso falar daquilo que não sei nem dar o que não possuo. E mesmo com toda a iluminação do Espírito Santo não há como espalhar a Boa Nova sem entendê-la e conhecê-la. Aliás, aqueles que se dão ao trabalho de conhecer, ler, estudar, orar, se aprimorar... Estes sim é que tem o Espírito Santo de Deus com eles!

Então, se minha Salvação foi obra e graça de Jesus Cristo, só posso retribuir.  Como? Transmitindo a mensagem que Ele deixou usando os meios que a Igreja que Ele fundou me proporciona: A Palavra de Deus, fonte de inspiração; a Eucaristia, alimento do espírito; a leitura constante e estudo dos documentos do magistério da Igreja, base para o entendimento das coisas Dele e do mundo; respeito pelas tradições e pela Liturgia e; o infinito amor que Ele nos transmite a cada encontro com nosso semelhante.

Ângela Rocha
Catequista e Formadora
catequistasemformacao@gmail.com


A MENSAGEM CRISTÃ:

VERDADES E NORMAS

O que é afinal ser catequista? Antes de qualquer coisa, é aquele que professa as verdades fundamentais da nossa fé (isto está no Catecismo da Igreja Católica) e as faz ecoar.

Verdades estas que são:

- Crer em Deus, Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, em seu Mistério de Salvação;
- Celebrar o Mistério Pascal nos sacramentos, que tem o Batismo e a Eucaristia como centro;
- Viver o grande mandamento do amor a Deus e ao próximo, buscando a santidade (e essa busca passa muitas vezes pelo pecado e pela reconciliação);
- Rezar para que o reino de Deus se realize (principalmente por aqueles que não sabem o que fazem).

Junto a essas quatro ações: Crer, celebrar, viver e rezar, estão as quatro colunas de sustentação de nossa fé católica: o símbolo (o Creio), os sacramentos, as bem-aventuranças junto com o decálogo (mandamentos) e o Pai Nosso. Estes são, em resumo, os ensinamentos básicos da catequese (DNC 129/130). Depois vem o conhecimento da história da Salvação: O antigo testamento, a Vida de Jesus e a História da Igreja.

Bom, isso é o que um catequista precisa conhecer e SER em primeira instância. E só então buscar cumprir sua missão: Fazer ecoar a palavra de Deus.

Mas o Catequista é humano e é gente. O Diretório Nacional de Catequese lembra isso no item 261: “O perfil do catequista é um ideal a ser conquistado”. Ele se constrói olhando para Jesus, seu modelo. Mas nem tudo é perfeito neste mundo. O caminho é árduo. E encontramos catequistas aí, meio perdidos entre o ideal que se deve conquistar e a misérias humanas a que estamos sujeitos neste mundo. É difícil entrar neste “modelo ideal”.

E precisamos tirar da cabeça que catequista é para “ENSINAR” sacramento.

Sacramento é sinal, é a “marca” de Deus. No batismo somos lavados e entregues a Deus; na comunhão nos tornamos UM com Cristo; na Crisma somos provados no fogo e mostramos se somos verdadeiros discípulos. Um catequista é apenas uma pessoa escolhida para ser o “canal”. É pela sua palavra e orientação a que as pessoas se CONSTROEM. E o catequista jamais será perfeito. SOMOS HUMANOS! Nossos erros e falhas não podem nunca ser considerados “contra-testemunho”. Por que contra testemunho maior do que o de pais que sequer vão a missa e colocam os filhos na catequese? A família tem jogado a formação religiosa de seus filhos nas “costas” do catequista. Porém, os valores éticos e morais, quem dá, são os pais. Valores que vêm do berço, ninguém corrompe.

Ao catequista, deveria caber tão somente as orientações do Crer, Celebrar e rezar... Viver... viver é com a família, com a comunidade, na escola, com as pessoas, com a sociedade... Viver, a vida ensina... ou, deveria ensinar.

Ângela Rocha

catequistasemformacao@gmail.com

SER, SABER E SABER FAZER

Três Qualidades do Catequista
 
O povo de Deus recebeu a vocação e a consagração de anunciar e testemunhar o Evangelho. Nesta vocação comum, o Senhor escolhe alguns para o serviço da catequese. Portanto, os catequistas são convocados por Deus mediante a Igreja, para desempenhar a missão evangelizadora da educação na fé.

A fim de que estes agentes pastorais possam desempenhar de maneira responsável e qualitativa o seu ministério, devem prestar uma particular atenção às suas competências, entre as quais está o serviço à Palavra de Deus e à Igreja. 

A formação 

A formação integral dos catequistas, delineada no Diretório Geral para a Catequese numa tríplice dimensão: ser, saber e saber fazer, procura tornar os catequistas capazes de desempenhar de forma mais consciente a sua tarefa na comunidade eclesial. A finalidade destas três características educativas consiste em acompanhar progressiva e permanentemente o agente pastoral da catequese, a fim de que ele possa desenvolver a própria personalidade cristã, aonde confluem os valores e a sabedoria humana, a síntese da fé e o compromisso pastoral.

Este programa didascálico comporta o conhecimento da Bíblia e da teologia, da pedagogia e da comunicação, da liturgia e da espiritualidade. Tudo isto não diz respeito de maneira exclusiva a um simples saber intelectual, mas sim a um conhecimento em nível de testemunho, ou seja, a uma profunda experiência de comunhão, de misericórdia e de certeza do amor de Deus, que consiga fazer do catequista um autorizado educador na fé. 

Servidor da Palavra

A atitude típica do cristão consiste em praticar na sua própria existência o projeto de vida do Mestre, expresso de forma categórica, com as seguintes expressões: Com efeito, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10, 45). Por conseguinte, é mediante a participação no Mistério pascal de Cristo que cada um dos batizados se une à vontade do Pai, mas de maneira ainda mais específica aqueles que desempenham um determinado ministério no seio da comunidade eclesial. 

Conseqüentemente, a espiritualidade do catequista impõe uma escuta participativa da Palavra em ordem a uma interiorização, a um confronto e a uma resposta existencial. Consciente do seu papel a desempenhar na Igreja, ele tem necessidade de uma familiaridade com a Sagrada Escritura para acompanhar os irmãos na intimidade com o Verbo do Pai.

Da meditação fiel da Bíblia, como uma conseqüência lógica, o catequista poderá iluminar, encorajar e instruir os catequizandos a não se deixarem desanimar pelas dificuldades, a não se submeterem aos critérios secularizadores, hoje predominantes na sociedade, e a não venderem a sua dignidade de filhos de Deus.

Os livros sagrados forjam a mente e o coração do catequista, tornando-o capaz do martírio, ou seja, de dar testemunho da fé, onde se manifesta a sabedoria bíblica, porque conquista o domínio da Sagrada Escritura; inquietude missionária, porque adquire a consciência do incansável zelo missionário evangelizador de Jesus, caminha no seguimento dos seus passos para alcançar todas as pessoas com amor salvífico; caridade veemente, porque segundo o exemplo do Senhor se inclina diante do sofrimento do homem para dar alívio e infundir esperança,  sinais evidentes de que o seu  agir constitui um eco do novo mandamento: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente”. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mt 22, 37-40).

Da recepção humilde e obediente da Palavra revelada, o catequista dispõe-se a servir a comunidade eclesial para a edificar na comunhão, na diaconia e na missionariedade. 

Servidor da Igreja

O ministério do catequista nasce, vive e realiza-se no seio da Igreja; por isso, ele pode ser considerado plena e justamente animador da comunidade eclesial, promotor da educação, da alimentação e do amadurecimento da sua fé, além de testemunha daquilo em que o povo de Deus acredita, daquilo que o mesmo celebra, vive e reza.

Uma das finalidades específicas da catequese consiste em iniciar os catecúmenos na vida comum, onde se vive a experiência de amar e louvar a Deus, de se ajudarem uns aos outros e de se aperfeiçoarem fraternamente, de com partilharem as tribulações e as alegrias, de oferecerem a própria disponibilidade, tolerância,  paciência e prudência nos relacionamentos interpessoais, de tal maneira que, em qualquer situação, a Igreja se apresente como ícone da Santíssima Trindade.

Nesta altura, é necessário relevar a importância do relacionamento de colaboração entre os catequistas e os pastores, em vista de realizar conjuntamente a programação pastoral da catequese, para que ela possa corresponder de maneira constante à sua natureza no contexto da missão evangelizadora da Igreja.

Por sua vez, os pastores que se interessam sinceramente pela preparação dos catequistas, cuidam da sua competência doutrinal e metodológica, enquanto se dedicam à orientação espiritual e virtuosa destes agentes pastorais. E tudo isto,  sempre para servir e edificar a Igreja de Deus, na certeza de que cada um dos ministérios encontra a sua gênese na confiante chamada divina. "Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e que vos destinei para irdes e dardes fruto, e que o vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16).

O serviço eclesial à Palavra 

Através de uma análise da realidade social contemporânea, evidencia-se o afastamento de tantos batizados da Igreja, porque os valores que no passado orientavam o comportamento humano, atualmente são ameaçados por uma mentalidade ateia; por conseguinte, é necessária uma séria e qualificada catequese em que a Palavra de Deus seja apresentada orgânica e unitariamente,  mediante a sua linguagem narrativa dos acontecimentos salvíficos e através do seu impetuoso poder de redenção.

Não com menos urgência, é necessário demonstrar a identidade apostólica da igreja, onde o catequista desempenha o seu serviço em particular sintonia e comunhão com ela. Quanto mais forem evidenciados o amor e a responsabilidade em relação à comunidade eclesial, tanto mais os catequizandos se sentirão como verdadeiros filhos da igreja, orientados pelas Sagradas Escrituras.                 


(L'Osservatore Romano)

O SABER FAZER NA CATEQUESE


O capítulo quinto do Diretório Nacional de Catequese, ao tratar da Catequese como educação na fé, começa falando da pedagogia, do “saber fazer” do próprio Deus. E diz: “Deus, como educador da fé, se comunica através dos acontecimentos da vida de seu povo... Sua pedagogia parte da realidade das pessoas” (DNC 139).

Sabe da vida quem presta atenção nos fatos e nas pessoas. Um(a) catequista desligado do mundo não estaria em condições de usar uma pedagogia que responda às necessidades de seu tempo e de seus interlocutores, mesmo que tivesse um grande conhecimento teórico da tradição, dos mistérios da fé e das próprias disciplinas da educação em geral.

Combinando bem com esse fio condutor inicial, o DNC lembra algo que parece óbvio, mas que tem sido esquecido em muitas situações: “Em vez de ir fornecendo respostas, teríamos que ouvir as perguntas que os catequizandos já trazem...” (DNC 165).

 Um encontro catequético, mesmo bem preparado, pode ser resposta a perguntas que ninguém fez nem está interessado em fazer, se antes não estivermos abertos à escuta das pessoas e da nossa realidade. São as inquietações e perguntas das pessoas que abrem a mente e o coração para a resposta religiosa. Mas a pergunta vem primeiro. Mesmo que sejam perguntas tão profundas que não têm resposta imediata, são elas que mantêm aberto o caminho da busca, onde Deus se revela.

Saber escutar pessoas faz parte do indispensável acolhimento, sem o qual a Igreja não consegue se tornar atraente e capaz de cumprir sua missão. Mas o/a catequista não precisa só saber escutar individualmente quem está a seus cuidados. É preciso saber escutar o mundo em volta, o universo da comunicação, o momento histórico e a vida da comunidade. Falamos muito em comunicação moderna. Então se diz que a Igreja precisa se expressar via internet, ou na TV. Se ela fizer isso com competência, será muito bom, é claro. Mas estar em dia com a comunicação moderna não é só – e a meu ver nem principalmente – “dar o nosso recado” através dos variados recursos da mídia. É também saber ouvir o que está sendo dito no cinema, nas histórias em quadrinho, na TV, na obra dos grandes poetas e romancistas, na música popular, na fala de jornalistas competentes. A familiaridade com os temas e linguagens aí apresentados dá à catequese abordagens que prendem o interesse e podem facilitar o caminho para a apresentação da proposta evangelizadora. O DNC  dá uma orientação que poderia ser bem mais desenvolvida na formação dos/as catequistas:  “Os bons artistas têm o dom de expressar de forma impactante a experiência humana. A catequese pode aproveitar o talento desses parceiros” (DNC 165).

Há muitas oportunidades para a catequese aprofundar o seu “saber fazer” dentro do próprio ambiente eclesial. Uma comunidade que viva uma verdadeira comunhão e estimule a criatividade dentro da fidelidade ao essencial da mensagem será uma permanente escola de metodologia. O nosso conhecido método ver-julgar-agir-celebrar- rever, mesmo não sendo o único caminho possível, tem uma enorme capacidade de educar o/a próprio/a catequista, ajudando a fazer a interação fé e vida e convidando a um olhar mais atento sobre o que nos cerca. A recíproca também pode ser verdadeira: o comportamento da comunidade inspira o agir dos catequistas e o agir dos catequistas vai transformando também pedagogicamente a comunidade na direção da comunhão, do diálogo, da compreensão da situação vital de cada pessoa, da sensibilidade para a necessária transformação social.

Mas Igreja e sociedade não são dois mundos isolados. Descobrem-se bons modos de fazer catequese ouvindo a própria Igreja (e nossos documentos estão cheios de preciosas indicações) e também ouvindo o mundo secular, conhecendo experiências pedagógicas bem sucedidas, aplicando conhecimentos de ciências humanas. Por isso, o DNC  observa: “Um catequista que gosta de  aprender, também fora do âmbito da Igreja, será mais criativo e terá mais recursos para dar conta da sua missão” (DNC 151).

Alguém poderia perguntar: Não estaremos exigindo demais desse exército de catequistas que já é tão dedicado e tão gratuitamente generoso? Seria realmente pedir demais, se o primeiro beneficiário desse processo não fosse o/a próprio/a catequista. Uma pessoa empolgada pelo permanente aperfeiçoamento do seu “saber fazer” catequético vai se tornar mais competente na vida como um todo, vai crescer mais do que a acomodação  permitiria. E isso é um grande prêmio, que os nossos catequistas bem merecem!


Therezinha Motta Lima da Cruz


O SABER DO CATEQUISTA

PREPARAR-SE PARA SERVIR

“O momento histórico em que vivemos ... exige dos evangelizadores preparo, qualificação e atualização. Qualquer atividade pastoral que não conte, para a sua realização, com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua qualidade”.
(Diretório Geral de Catequese - DGC, nº 234)



O Diretório Nacional de Catequese (DNC) cita estas palavras do DGC quando fala da importância da formação inicial e permanente de catequistas, tendo em vista o exercício de sua missão (ver DNC, nº 252).

A formação de catequistas é um instrumento valioso na preparação de pessoas para o ministério catequético, pois lhes dá segurança no anúncio do Evangelho. Além disso, o/a catequista cresce e se realiza como pessoa, assumindo sua missão com alegria e satisfação. A qualidade de sua ação pastoral também é aprimorada, dinamizando suas atividades.
É por isso que muitas/os catequistas estão participando das Escolas Bíblico-Catequéticas regionais, diocesanas e paroquiais. Também temos cursos de pós-graduação na área catequética em algumas partes de nosso país, onde várias pessoas aprofundam seus conhecimentos. Isto revela o amor e a dedicação de milhares de catequistas que generosamente investem tempo e dinheiro para melhor servir o Povo de Deus. O DGC insiste em três aspectos do conhecimento que são importantes no exercício do ministério catequético: 1. a mensagem a ser transmitida; 2. o interlocutor que recebe a mensagem; 3. o contexto social em que vivemos.

A MENSAGEM

“A mensagem é mais que doutrina, pois ela não se limita a propor idéias. A mensagem é vida” (João Paulo II, citado no DNC 97). A mensagem catequética faz ecoar a mensagem de Jesus, que nos comunicou o mistério da Santíssima Trindade, Deus-Comunhão(ver DNC 100). O centro da mensagem catequética é anunciar que “a salvação é oferecida a todas as pessoas, como dom da graça e da misericórdia de Deus” (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi 27a).
O DNC nos apresenta alguns critérios para anunciar esta mensagem: Em primeiro lugar está a centralidade da pessoa de Jesus Cristo, depois vem a valorização da dignidade humana, o anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, o caráter eclesial da mensagem, a exigência da inculturação e, por fim, a hierarquia das verdades da fé (ver DNC 105). Importante ressaltar que a fonte da mensagem a ser anunciada encontra-se na Palavra de Deus transmitida na Tradição e na Escritura. “A Igreja quer que em todo ministério da Palavra, a Sagrada Escritura tenha uma posição pró-eminente” (DGC 127).

O INTERLOCUTOR

Em vez de falar de “destinatário”, o DNC prefere usar “interlocutor”, já que o catequizando interage no processo catequético (ver DNC, cap. 6). Além de levar em consideração as diferentes etapas da vida humana (idosa, adulta, juvenil, adolescente, infantil), faz-se necessário não esquecer a catequese na diversidade, que inclui os grupos indígenas, afro-brasileiros, as pessoas com deficiência, os marginalizados e excluídos, as pessoas em situações canonicamente irregulares. Ainda devem ser tidos em conta os grupos diferenciados (profissionais liberais, artistas, universitários, migrantes...), os diversos ambientes (rural e urbano), o contexto sócio-religioso (pluralismo cultural e religioso, a religiosidade popular, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso, os recentes movimentos religiosos), e o contexto sócio-cultural (inculturação, comunicação e linguagem) para que possamos alcançar a todos.

O CONTEXTO SOCIAL

O parágrafo 86 do DNC cita a Constituição do Vaticano II, Gaudium et Spes 1: “as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”. Portanto, a vida humana e tudo aquilo que a envolve faz parte do anúncio catequético, que não pode ignorar o mundo em que vivemos.

O QUE UM(A) CATEQUISTA PRECISA CONHECER?

Levando em consideração a mensagem, o interlocutor e o contexto social, o DNC (nº 269) apresenta os conteúdos que um/a catequista precisa conhecer para desempenhar com qualidade e segurança seu ministério:
a) a Palavra de Deus, fonte da catequese: “A Sagrada Escritura deverá ser a alma da formação”;
b) o núcleo básico da nossa fé: as quatro colunas (credo, sacramentos, mandamentos/bem-aventuranças, pai-nosso);
c) as ciências humanas, de modo especial um pouco de pedagogia e psicologia;
d) o Catecismo da Igreja e os documentos catequéticos (Catequese Renovada, Catechesi Tradendae, DGC, DNC...);
e) a pluralidade cultural e religiosa: educação para o diálogo com o diferente;
f) os acontecimentos da história: descoberta dos sinais e dos desígnios de Deus;
g) a realidade local: história, festas e desafios do lugar em que se vive;
h) os fundamentos teológicos da ação pastoral: rosto misericordioso, profético, ministerial, comunitário, ecumênico, celebrativo e missionário.

O saber não é algo isolado, mas está em estreita conexão com o ser (pessoa) e o saber fazer (metodologia) do catequista. Um/a catequista bem preparado/a será capaz de formar discípulos de Jesus comprometidos com a causa do Evangelho e do Reino: vida plena para todos. Isto inclui todas as dimensões da vida humana, que precisam ser fecundadas pela semente do Evangelho. A formação é o espaço que temos para nos tornar “adultos na fé rumo à maturidade em Cristo”.


Pe. Videlson Teles de Meneses 

SER CATEQUISTA

SER CATEQUISTA

Ninguém nasce catequista.   Aqueles que são chamados a este serviço podem tornar-se bons catequistas através da prática, da reflexão e da preparação adequada, na consciência de serem enviados e comprometidos com a educação da fé.

Ser catequista é viver uma vocação característica dentro da Igreja. Ela é uma realização da vocação batismal. Pelo batismo, todo cristão é mergulhado em Jesus Cristo, participante de sua missão profética: proclamar o Reino de Deus. Pela Crisma, o catequista é enviado para assumir sua missão de dar testemunho da Palavra com força e coragem.

O núcleo central de verdadeiro serviço catequético reside nesta tomada de consciência: ele sabe que é Igreja e que atua em nome da Igreja.

O catequista é enviado. Sua missão possui duplo sentido: é enviado por Deus, constituído ministro da Palavra pelo poder do Espírito Santo, e é enviado pela comunidade, pois é em nome que Ele fala. Integrado na comunidade, conhece bem sua história e suas aspirações sabe animar e coordenar a participação de todos. O sentido do envio é importante para a perseverança do catequista.
Ser catequista significa um passo a mais na missão de testemunhar o próprio Cristo. É um ministério. Um serviço. Enfim é chamado a uma missão.

MISSÃO DO CATEQUISTA

O catequista tem a missão de anunciar Jesus Cristo pelo testemunho e pela palavra. Primeiro ele tem que viver aquilo que ensina, para depois falar da sua própria experiência. As palavras comovem. Os exemplos arrastam.
É educador da fé, ajudando a pessoa a descobrir para fora o dom de Deus, já colocado nela, por Deus mesmo. Tornar consciente de que em cada pessoa já existia a semente do Verbo.
É missão do catequista levar seus catequizandos a insersão na comunidade. A ação pastoral do catequista orienta-se para um esforço no sentido de ajudar o catequizando a descobrir seu valor, como pessoa, como Filho de Deus, amado e redimido por Jesus Cristo, engajando-se na comunidade Eclesial.
É missão do catequista se preparar, pelo estudo, reflexão, oração para ser evangelizador. Ter conhecimento do processo das transformações sociais.

O catequista perfeito não existe. No processo de formação, no engajamento na comunidade, na prática do dia-a-dia, o catequista vaia adquirindo aptidões, qualidades humanas, práticas metodológicas e pedagógicas. Aprofunda seus conhecimentos, sua espiritualidade, etc.

No processo de formação dos catequistas procuram-se desenvolver os seguintes aspectos:

A dimensão pessoal:
·        Equilíbrio psicológico, boa comunicação, certa liderança.
·        criatividade e iniciativa, capacidade de diálogo e de trabalho em equipe.

A dimensão Comunitária e Eclesial:
·        Participação, engajamento e espírito de serviço;
·        Solidariedade e amor preferencial pelos pobres;
·        Disposição para progredir na educação da própria fé e espiritualidade (conversão continua, vida de oração e vida sacramental) e em sua formação como catequista (atualização constante).

A dimensão sociopolitica-cultural:
·        Conhecimento da realidade brasileira, suas mudanças e transformações;
·        Espírito crítico e de discernimento diante da realidade socio-política;
·        Respeito pela dignidade e pela consciência de cada pessoa;
·        Participação sociopolítica, cuidando para que a ação pastoral não seja utilizada em benefício de partidos e ideologias;
·        Respeito às culturas e buscas de catequese inculturada.

Dimensão pastoral:
·        Engajamento na ação pastoral da Igreja, caminhando como povo e fazendo a interação entre a vida e fé;
·        Integração da catequese nas demais pastorais.

CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS

Na medida que se tem consciência do ser catequista aparecem frutos imediatos:
- Capacidade de perdoar
- De se reconciliar
- De entender os limites dos outros
- De recompor a união, às vezes abalada por ofensas, agressividades, falta de caridade, deve ser uma virtude comum, aperfeiçoada pelo grupo de catequistas.
 - Capacidade de fazer e aceitar a correção fraterna
 - Compor, retificar, endireitar estradas mal feitas exigindo renuncias, paciência, calma, equilíbrio emocional.
- Amizades desfeita sendo recomposta
- O catequista vai sentindo que através de seu ministério continua o obra de Jesus
Cristo.
- O catequista na medida que vai descobrindo seu ser, sua vocação e missão, com certeza, através do seu testemunho e conversão, vai modificando também a sua comunidade. É um catequista que trabalha em nome e com a Igreja.


(Pe. André Biernaski)


FORMAÇÃO BÁSICA PARA CATEQUISTAS - ROTEIRO BÁSICO


ROTEIRO BÁSICO PARA INICIANTES

PRIMEIRO ENCONTRO
(03 horas – intervalo de 20 minutos)

Instruções gerais:
- Antes de cada encontro, preparar um ambiente propício. A Cruz de Jesus, uma Bíblia e uma vela a ser acesa, é sempre parte do encontro.

- Iniciar o encontro com uma Oração Cristã
Roteiro da oração:
- Começa com a acolhida e um rito inicial que pode ser um simples Sinal da cruz;
- Prepara-se o espírito: pode ser com uma música ou um salmo;
- Um texto bíblico (sempre, não existe oração sem o texto bíblico, pode até ser um só versículo);
- Um texto reflexivo (se houver);
- Preces (brotam do texto bíblico);
- Oração do Pai Nosso (sempre);
- Despedida em forma de benção (Louvado seja N.S.J, por exemplo)
A verdadeira Oração Cristã sempre é feita a partir de um texto bíblico, de preferência com uma vela acesa.

EU, CATEQUISTA...

Sou chamado a ser catequista: entender o que é vocação, chamado e encontro.
Sou convidado a saber sendo discípulo e aprendendo com o mestre Jesus: Formação e estudo.
Sou enviado a saber fazer em comunidade na Igreja para a missão: serviço da catequese.

(1ª parte) - Motivação
Ponto de referência: A importância da motivação inicial
- Desejo de servir
“Sentir-se chamado a ser catequista e receber da Igreja esta missão...”
- Viver o batismo
- Os segredos do chamado
- A experiência do encontro com o Senhor
- Ser anunciador do Plano de Deus
- Qual é o Plano de Deus?
- O desejo de ser um revelador do Plano de Deus

Reflexão: Quais foram os pontos que mais tocaram e ajudaram você a tomar consciência de ser um revelador do Plano de Deus e cultivá-lo a cada dia?

(Trabalhar as respostas oferecidas na ficha de inscrição: “Descreva em poucas palavras a sua motivação para estar fazendo essa formação”).


Resumindo: É desejo de Deus...
  1. Incentivar para que todos conheçam o Plano de Amor do Pai e busquem a Ele que nos amou primeiro para reconhecer a sua ação na história.
  2. Orientar para que todos se tornem discípulos e missionários para continuar a obra de Jesus Cristo para que todos tenham acesso à Salvação.
  3. Comprometer todos para que vivam (testemunho) segundo o Espírito Santo colocando seus dons a serviço da Igreja especialmente aos mais necessitados.

(2ª  parte) - Vocação
            Ponto de referência: O chamado a ser catequista
                                               - O que é vocação?
                                               Vem do latim vocatio, ação de chamar.
                                                Duas liberdades: a iniciativa de Deus que chama e a liberdade humana de responder a esse chamado.

                                               - Será essa a minha vocação?
- Encontro pessoal com Cristo (a experiência de Moisés, dos profetas, dos discípulos, da Samaritana, de Zaqueu).

Reflexão: O que é ser catequista para você? O que faz um catequista na Igreja?

Resumindo:
Ser catequista é viver uma vocação característica dentro da Igreja. Ela é uma realização da Vocação batismal. Pelo batismo, todo cristão é mergulhado em Jesus Cristo, participante de sua missão profética: proclamar o reino de Deus. Pela crisma, o catequista é enviado para assumir sua missão de dar testemunho da palavra com força e coragem. (CNBB. Formação de catequistas: critérios Pastorais, 44).

Considerações:

- Todo o encontro deve ser conduzido com DIÁLOGO. Sempre buscando o máximo de interação possível com quem está ouvindo. O catequista iniciante deve ser incentivado a mostrar-se como ser humano, deve dar testemunho e relatar experiências. Ligar sua vida à vida na Igreja. Esse primeiro encontro é um “reconhecimento” de terreno. Deve despertar no vocacionado questionamentos a respeito do chamado. Ele deve ser “provocado” a mostrar a que veio. Incentivar perguntas.

- Se possível chamar outros catequistas para dar testemunho.  

- Deixar claro ao catequista iniciante que a formação não é para “enchê-lo” de “conteúdo”. Não se ensina a ser catequista. A catequese é uma opção pessoal. Você é catequista “sendo”, “desenvolvendo” e “crescendo”. Ou seja, pegue tudo de bom que existe em você, desenvolva “atitudes” e procure crescer na vocação, aprimorar seus conhecimentos e buscar todas as oportunidades de aprendizado possíveis. Isso só se faz participante ativamente da catequese, amando a catequese e colocando-se sempre a “serviço”.


SEGUNDO ENCONTRO
(03 horas – intervalo de 20 minutos)

Eu, Catequista...

- Perfil
            Ponto de referência: Ser, saber, saber fazer em comunidade (DNC 262-276)
                                   1) O ser do catequista, seu rosto Humano e cristão (Ser)
·        Características de sua personalidade
·        Relação consigo mesmo
·        Relação com a Igreja
·        Relação com a catequese
·        Ser catequista: sua identidade
·        Ser catequista: seus valores
·        Ser catequista: inserido na caminhada
·        Ser catequista: responsabilidades

2) O catequista se construindo (Saber)
·        A Palavra de Deus: intimidade com a Bíblia
·        As referências doutrinais da Igreja: Catecismo da Igreja Católica;
·        As referências de orientação: DNC e outros documentos que norteiam a atividade catequética;
·        A realidade: ter sempre presente quem são os destinatários da catequese e o contexto social em que estão inseridos

3) O catequista desenvolvendo o seu saber (Saber fazer)
·        Relacionamento: saber dialogar com maturidade
·        Pedagogia; se inspira no Mestre, toca a vida das pessoas
·        Comunicação: saber comunicar a palavra com entusiasmo e vida. Aproveita os recursos existentes: internet, TV, DVDs, músicas, imagens;
·        Metodologia: tem claro um caminho inspirador recorrendo às orientações da Igreja e ás ciências auxiliares como a Pedagogia e a Psicologia;
·        Planejamento: sua atividade não é improvisada, mas nasce da reflexão e da programação.

Considerações:

É importante observar que o catequista que se sentiu chamado à missão, precisa ter algumas características em sua personalidade como: ser uma pessoa simples, capaz de receber a todos, ser atencioso, acessível, disponível, paciente, animador, unificador, ser exemplo e ser autêntico. Assim ele pode desenvolver atitudes de acolhida, atitudes de escuta e atitudes de serviço. Sendo e desenvolvendo isso ele pode crescer: na consciência da importância da vocação de ser catequista, na percepção que é agente de transformação e instrumento na mão de Deus, para sem medo colocar os próprios dons  a serviço da evangelização, crescer no saber através do estudo e na constante procura de formação, na consciência de ser enviado a uma missão, a um ministério em nome de Jesus Cristo na comunidade eclesial e no saber fazer, sempre presente nos planejamentos, preparando os encontros sem esquecer da caminhada catequética na ação pastoral de conjunto da sua comunidade.



Angela Rocha
Formadora

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO