segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sendo catequista...

Houve uma ocasião em minha vida, que precisei de “salvação”.

E quem me salvou foi a Igreja Católica. Pela acolhida e ações de uma comunidade inspirada em Jesus Cristo. Essa mesma Igreja forjou a minha identidade religiosa. Nela fui batizada, crismada, fiz a minha primeira comunhão, casei,  batizei os meus filhos e onde, hoje, sou catequista.

Durante algum tempo (aquele tempo em que a gente acha que tem que fazer tudo: estudar, trabalhar, criar os filhos, passear, festejar e tudo o mais... e pra ontem ainda!), eu esqueci um pouco dos meus compromissos de cristã batizada. E levei a vida de, como muita gente costuma se denominar, “católica não praticante”. Pouco me lembrava de rezar e ia a missa de vez em quando. E claro que, lá pelo meio do caminho, eu me perdi completamente.

E voltei a lembrar de Deus, porque “precisei” Dele. E O tive.

E posso dizer então que me transformei numa católica de verdade e de fé. Porque provei daquilo que Jesus distribuiu fartamente: amor, caridade, perdão, doação, partilha, compreensão. Não porque Ele não tivesse me dado antes. Esteve sempre lá, mas,  eu acreditava não precisar. E foi como beber de uma fonte que nunca seca. Passei a ter sede dessa fonte de água viva. Passei a verdadeiramente, VIVER a fé. Passei a dar um valor enorme aos outros. Por que amar não é guardar o que de bom se tem, é partilhar com o outro.

Mas percebi também que precisava saber mais de Jesus. Por isso li, pesquisei, estudei e escutei. E enquanto ia me aprofundando nisso minha alma e meu espírito foram se enchendo da mais pura felicidade. E percebi que não podia ficar quieta. Ah, eu não podia ficar sem falar daquilo com alguém!

Fazer ecoar as coisas que vem de cima, reverberar a mensagem no coração das pessoas a ponto de refletir por toda a sua volta. Falar de Jesus! Não com a boca, mas com o coração e com as atitudes. Acredito que a partir daí, me foi confiada uma missão. E que não passei o que passei a toa. Acredito que fazia parte do “aprendizado” que Deus queria que eu tivesse.

A missão confiada, não é fácil. A responsabilidade é tremenda. Mas a recompensa é valiosa. E não é só por ver a alegria de cada pessoa a quem você mostra Jesus Cristo, é porque a cada minuto, vai crescendo em nosso próprio coração essa “catequese”.

E ao longo dessa caminhada de “ser, saber e saber fazer”, percebi que chegar a um encontro de catequese não é ir “dar uma aula”. É encontrar-se com Jesus em meio àquelas pessoas! É viver a realidade de cada um e aprender dela. E isso, muitas vezes, não depende de “didática” ou “metodologia”. Se eu quiser mesmo usar essas palavras, talvez pudesse dizer “didática do amor” ou  “metodologia da fé”.

Aprendi também que nem sempre é possível ser “exemplo” (apesar de saber que devo sê-lo), muitas vezes o outro é meu exemplo. E nem sempre sei bem o que falar. Mas se somos verdadeiros, se amamos de verdade, a voz do coração sempre fala mais alto.

Muitas vezes, ser catequista implica deixar de fazer coisas bem mais fáceis e cômodas. Existem serviços em nossa Igreja que independem de tanto trabalho ou não exigem tanto do nosso tempo. Nestes outros serviços não é preciso preparar antecipadamente o que se diz, o que se faz, de que maneira se vai fazer ou o que se vai falar. E nem se tem nas mãos a responsabilidade da “conversão” e da fé de tantas outras pessoas. Nem é preciso “conhecer” tanto.

Mas a catequese implica bem mais. Não posso falar daquilo que não sei nem dar o que não possuo. E mesmo com toda a iluminação do Espírito Santo não há como espalhar a Boa Nova sem entendê-la e conhecê-la. Aliás, aqueles que se dão ao trabalho de conhecer, ler, estudar, orar, se aprimorar... Estes sim é que tem o Espírito Santo de Deus com eles!

Então, se minha Salvação foi obra e graça de Jesus Cristo, só posso retribuir.  Como? Transmitindo a mensagem que Ele deixou usando os meios que a Igreja que Ele fundou me proporciona: A Palavra de Deus, fonte de inspiração; a Eucaristia, alimento do espírito; a leitura constante e estudo dos documentos do magistério da Igreja, base para o entendimento das coisas Dele e do mundo; respeito pelas tradições e pela Liturgia e; o infinito amor que Ele nos transmite a cada encontro com nosso semelhante.

Ângela Rocha
Catequista e Formadora
catequistasemformacao@gmail.com


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO