sábado, 10 de dezembro de 2016

VAMOS JOGAR BINGO?


Um divertido bingo para brincar com as crianças.
Pegue uma caixa de bombons, imprima as cartelas em papel cartão, recorte e divirta-se!

Cliquei para baixar o arquivo: BINGO BÍBLICO



HOMILIA DO DOMINGO - 3º DOMINGO DE ADVENTO ANO A

No Evangelho de hoje, Jesus responde aos discípulos de João Batista. Ao fazer isso, não realiza um discurso teórico e abstrato. Jesus não é afeito às grandes elaborações filosóficas, como fomos acostumados, para falar de Deus e de sua atividade. O Senhor se define pelo que Ele realiza concretamente. Por isso, Deus fala de suas ações libertadoras: os coxos andam, os cegos veem, os prisioneiros são libertos... Portanto, para participarmos desta graça devemos nos abrir ao Reino, do contrário seremos ainda escravos, cegos e mudos. Será necessário o despojamento de João Batista, sua pobreza. Não há outro caminho, senão o do desapego dos cárceres deste mundo, fundados no poder e no acúmulo dos bens. Nossa libertação depende da aceitação da proposta de Jesus.

Esta certeza não elimina nossos limites, mas nos coloca na estrada da esperança do Reino. A primeira leitura fala, igualmente, de uma proposta concreta de salvação. O povo de Deus no Antigo Testamento vivia na esperança de tempos melhores. Vivia escravo, longe de seu país, na pior. Mas não perdeu a esperança, porque Deus prometeu a restauração (Is 35). Nós também, como o povo da Bíblia, desejamos o mundo prometido por Deus: reino de paz, justiça e amor. Ao mesmo tempo, também vivemos momentos de escravidão: nossos medos, vazios, doenças, a saudade, a morte... Também queremos que Deus venha e ponha fim ao mal, destrua o que nos perturba.

A espera da vitória de Deus proclamada pelo Profeta Isaías são um convite ao ânimo e a alegria: “Alegre-se a terra que era deserta...” (Is 35,1). “Dizei as pessoas deprimidas (os corações abatidos): Criai ânimo! Não tenhais medo! ” O nosso mundo está mergulhado no desânimo, na falta de sentido, na angústia e na ansiedade... Talvez em nenhuma outra época, as palavras do profeta Isaías foram tão atuais. Os homens e mulheres deste tempo precisam acolher esta palavra, remédio contra os dramas psíquicos tão presentes. Para isso, será necessário reavivar a confiança no Senhor que vem com amor. Ele virá, Ele vencerá.

Mas, precisamos esperar como o agricultor, na paciência. A paciência exige firmeza: “Firmai os joelhos debilitados...” (Is 35,3). “Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.” (Tg 5,8). O sofrimento e a paciência são quase sinônimos. Seguir na esperança é seguir com paciência e sem lamúrias, como insiste o Papa Francisco: “Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre. Ninguém pode empreender uma luta, se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos. Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: ‘Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza’ (2Cor 12,9).
O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal. O mau espírito da derrota é irmão da tentação de separar prematuramente o trigo do joio, resultado de uma desconfiança ansiosa e egocêntrica” (Evangelii Gaudium 85). 

Pe Roberto Nentwigsistema q48

Arquidiocese de Curitiba – Pr.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SOU CATEQUISTA... E AGORA? FAÇO O QUE?


VOCÊ CONHECE TODOS OS CONTEÚDOS DE FÉ TRABALHADOS NA CATEQUESE DE EUCARISTIA E CRISMA DA SUA PARÓQUIA?

Tem um pedido bastante recorrente em nosso grupo, na nossa página e no nosso blog:

Gostaria se sugestões para trabalhar com a Eucaristia...” ou “Gostaria de sugestões para a crisma”, ou ainda “Que temas trabalhar nesta ou naquela etapa?”. E o que me deixa mais perplexa ainda: “O que fazer na pré-eucaristia?” e “O que fazer na perseverança?”. Ora, se alguém “inventou” estas etapas, deveria saber qual o objetivo delas e ter em mente um planejamento. Ou não? Sou eu que estou “delirando”?

E vocês pensam que isso é coisa de quem vai começar a ser catequista agora, se enganam. Nem sempre. Tem gente que está na lida faz tempo e ainda não sabe o que faz ou o que fazer.

Não estou dizendo que não é para pedir sugestão, não! Uma coisa é ter um tema e não saber que método usar para trabalhar, outra bem diferente é nem ter esse tema... O objetivo do grupo Catequistas em Formação é ajudar a todos em sua missão. Mas, primeiro vamos ver o que nossa paróquia tem e espera de nós. E se ela não tiver nada, aí sim, vamos trabalhar para que ela tenha.

Mas, o que me deixou "pasma", foram alguns relatos dos catequistas que estão fazendo o curso de ITINERÁRIO comigo. Da enorme dificuldade em se conseguir na paróquia os roteiros de temas que são trabalhados nas diversas etapas. Parece que em alguns lugares isso é até “segredo de estado” ou “assunto proibido”.

Então, agora eu compreendo tantos pedidos de ajuda com roteiros...

Em nosso curso, num dos passos para se construir o itinerário, temos que trazer os conteúdos que são trabalhados em nossas paróquias, partilhar com as equipes e dali tirar um roteiro de temas ideal, que atenda os diretórios diocesanos, paroquiais e da Igreja, sobre a iniciação cristã, sobre a catequese. Enfim, é necessário saber, o que afinal, precisamos “ensinar” aos nossos catequizandos sobre a fé da Igreja Católica no tempo que nos é dado: seja um ano, dois anos, três anos ou mais até. Este método de aprendizagem se chama OFICINA.

E, pasmem comigo, muitos catequistas NÃO CONSEGUEM DESCOBRIR o que os outros catequistas das demais etapas, fazem nas suas paróquias. Nem sequer uma “listinha” rascunhada de temas sai: “Ah não tem!”; “Ah, eu uso o livrinho”; “Ah, não faço, tenho tudo na cabeça.” Um catequista não saber do outro, apesar de ser um absurdo, até é compreensível. Agora, alguém te falar que não sabe o que faz em 32 encontros num ano, que tem tudo só "na cabeça", é PRACABÁ! Como é que um catequista pode ter os encontros "de cabeça"??? Vai para a catequese sem saber o que fazer e lá, cai tudo do céu? Haja força do Espírito Santo aí, heim!

Onde fica a catequese como “processo gradual e progressivo de ensino da fé[1]? E como é que a coordenação de uma paróquia não sabe dos roteiros de encontros da catequese?? Como é que não se faz planejamento anual? Como não se faz planejamento conjunto? E se a catequese lá for de três anos e todo mundo fizer a mesma coisa todo ano? Ou se cada um faz o que lhe dá na telha? Como fica a iniciação desse cristão?

Esta catequese é... Fragmentada, frágil, infantil e dispersa, para dizer o mínimo. Aí a gente fica se perguntando porque a catequese não funciona e a maioria vai embora depois da crisma...

Em 2006, eu peguei minha primeira turma de catequese, sem saber absolutamente nada. Mas, sabe a primeira coisa que me deram? OS ROTEIROS DE TEMAS que eu devia trabalhar! E sabe o que era também uma prática naquela paróquia? Que os catequistas da mesma etapa se reunissem a cada dois meses e colocassem no papel o planejamento dos encontros. E era dos OITO encontros que faríamos. Não era só o tema não, era o ROTEIRO COMPLETO, com tema, dinâmica, atividades, orações, tudo! E tínhamos um manual como subsídio. Só que o manual não era nossa base, era “subsídio” apenas.

Isso tudo era entregue à coordenação para se arquivar numa pasta. E havia pastas de muitos anos arquivadas. E a catequese nesta paróquia é de TRÊS ANOS para a Eucaristia e DOIS ANOS para a Crisma. Assim, qualquer catequista que quisesse saber o que as outras etapas faziam era só pegar os planejamentos já feitos! Ou se quisesse uma sugestão de encontro, bastava consultar as pastas ou ainda, se mudasse de etapa, tinha parâmetros para trabalhar. Isso já faz dez anos. Hoje eles devem ter tudo isso em arquivo eletrônico.

Mesmo não tendo uma programação formal de formação básica para catequistas, esta paróquia me proporcionou uma FORMAÇÃO que guardo até hoje. Ela me ensinou a PLANEJAR e ORGANIZAR a catequese, coisa que me ajudou muito a ser uma catequista. Quem dera todos tivessem essa iniciativa.

Ângela Rocha

[1] DNC 41. Por ser educação orgânica e sistemática da fé, a catequese se concentra naquilo que é comum para o cristão, educa para a vida de comunidade, celebra e testemunha o compromisso com Jesus. Ela exerce, portanto, ao mesmo tempo, as tarefas de iniciação, educação e instrução (cf. DGC 68). É um processo de educação gradual e progressivo, respeitando os ritmos de crescimento de cada um.

*A paróquia que citada no texto, é a Paróquia Catedral Nossa Senhora de Belém, na Diocese de Guarapuava – Pr.  Não sei se ainda é assim por lá, mas, como catequista iniciante, aprendi MUITO com isso.

domingo, 20 de novembro de 2016

UHUUU!!! ESTAMOS DE FÉRIAS NA CATEQUESE!

Hoje é um dia especial: Domingo do Cristo Rei do Universo, fechamento do ano litúrgico. E não há, em muitas paróquias, a presença de catequizandos na missa. Isso porque a catequese já decretou “férias”. E quem tinha que receber os sacramentos, já recebeu.

Não consegui nem tirar minha filha da cama. Eita Mãe e catequista incompetente! “Ah Mãe! A catequese já acabou”. E assim é com muitos pais. Já é um tanto difícil levar os filhos à missa normalmente, que dirá quando a catequese já promoveu as festinhas de despedida e os catequistas já deram “adeus” às turmas até o próximo ano.

E a partir do próximo domingo viveremos um dos tempos mais fortes da liturgia: o Advento. E onde estarão nossas crianças? De férias, é claro! E é possível que só voltem a “viver” Igreja somente lá pelo mês de março, já que o carnaval é no final de fevereiro em 2017. Até começarmos de fato, será meio da quaresma.

Fico pensando como explicar ou justificar essa “organização” da catequese. O fato é que nem é preciso. Ninguém estranha. Afinal a catequese sempre foi dissociada da Liturgia. O ano litúrgico é apenas “ponto” do conteúdo da catequese. As crianças e jovens aprendem o que é, quais os tempos, cores, etc., mas, viver, praticar, é outra história. Exigiria muito mais que o comodismo e a ineficácia de nossa catequese.

Estou sendo dura eu sei, mas, explico: É extremamente difícil aos catequistas estender a catequese do ano para algo mais além daqueles 28 ou 30 encontros anuais. É de praxe que se tenha pelo menos três meses de parada no final do ano - coisa que nem a escola formal faz mais - e mais um mês no meio do ano. Não, não dá para dedicar mais que oito meses a missão. É demais! Isto para mim parece um tanto “preguiçoso” da nossa parte.

E também, como explicar aos pais que não se tira férias de Deus? Difícil. Aí a gente se agarra aquelas velhas desculpas:
- De que as crianças precisam descansar... Descansar do que? De ir à Igreja durante uma hora uma vez por semana?
- De que os pais querem tirar férias logo... Como? Eles também deixam de ir à Igreja nas férias?
- De que as famílias viajam nas férias... Sinceramente, por mais abastadas que sejam, duvido que uma família fique viajando de férias durante três meses. Muito menos que as crianças fiquem três meses na casa dos avós! São caso raros.

Ah, poderíamos sim - se quiséssemos de verdade - viver o Domingo do Cristo Rei e o Advento na catequese. Mas, falta COMPETÊNCIA para isso, isso sem falar na falta de vontade mesmo. O padre manda a gente parar? Duvido. Ele não para!

Agora, estranho mesmo, é perceber nas paróquias onde se vive a Catequese em estilo Catecumenal, que isto também acontece! Sim, isto mesmo! Em muitas dioceses já se vive uma catequese orientada pelo Calendário Litúrgico. Que começa e termina no Tempo Pascal. O início da catequese se dá logo após o Domingo de Páscoa. E, teoricamente, acaba depois da Quaresma, no tempo pascal ainda. Mas isso é “teoricamente”. Os pais, acredito, nem sabem disso. É complicado demais explicar a eles. Isto porque, os pais viveram, também, uma catequese onde o Ano Litúrgico era só teoria!

Fico aqui pensando onde e quando se viverá, neste novo estilo de catequese, o tempo da Iluminação e Purificação. Porque eles são vividos nos domingos da Quaresma e tem seu ápice na Semana Santa. Outro período de “folga” da catequese. Será que a catequese vai criar sua própria “Semana Santa” em outra data?

Sei que muitos de vocês vão querer me “pegar pelo pescoço”, afinal, os catequistas precisam de “férias” e descanso da lida. Ah, sim, claro que precisam. Mas, tiram férias da Igreja e das celebrações também? E deixemos por conta do pais este tempo... Afinal os pais também são “catequistas dos filhos”. Ah, claro! Pais que estão precisando mais de catequese que os próprios filhos...

Estamos de passagem na vida deles, é verdade. Mas, essa passagem precisa ser de uma longa “viagem” e não apenas aquela que a gente faz de alguns minutos num ônibus urbano.

Preguiça e falta de competência soa muito duro, sim. A preguiça eu até retiro e troco por comodismo. Mas a incompetência eu deixo e ainda reforço! E mais, nem é preciso "vincular" catequese à missa. Este vínculo é implícito! Ora, então eu faço catequese para que os catequizandos participarem da missa se quiserem ou se os pais quiserem? Então viver comunitariamente a comunhão e a Palavra é opção? Na catequese estou "educando" para a Eucaristia e a vida em comunidade. Se os catequizandos declinam dessa vivência, que catequese estou fazendo? Os pais nos trouxeram suas crianças, elas estão ali, resta-nos fazer um bom trabalho, inclusive de catequese familiar!

As palavras, às vezes, soam duras, mas são necessárias. Neste nosso “sistema” de evangelização, achamos que, quem menos tem culpa somos nós, catequistas. Porque não está em nossas mãos muitas das decisões que, realmente, seriam eficazes para uma catequese que consiga tocar família e catequizando. Porém, muitas vezes nos omitimos em nossas paróquias e reuniões para evitar bater de frente com as lideranças, outras vezes não procuramos nos reciclar e nem entender e muito menos analisar a eficácia que está tendo a nossa evangelização. A verdade é que, quando não conseguimos criar vínculo entre homem/Jesus/Eucaristia (que acontece na missa!), não atingimos o objetivo maior que é a “pertença” e o “seguimento” ao projeto do Reino. Certamente falhamos aí, como falham os pais, como falham os padres, como falha a comunidade.

E aí, já nem penso em "culpa". É como as coisas são e vem vindo ao longo do tempo. O que acontece é que nos "acostumamos", nos acomodamos a pensar que não vamos conseguir mudar as coisas. E, assim como temos catequistas comprometidos que veem tudo isso, que lutam para mudar, para interferir na organização da catequese; temos também aqueles que sequer tem consciência de que as coisas podiam ser diferentes. E enquanto isso caminhamos em busca da nossa santidade, errando e acertando. Mas, nunca deixando de “pensar” que esta missão é nossa.  

Festejemos o REI! Mas, não podemos esquecer que Ele precisa de nós para ajudar a construir o Seu REINO.

Um excelente início de Ano Litúrgico para todos!

Ângela Rocha
Catequista

OS DEZ MANDAMENTOS DO ADVENTO

 1.      Abrir as portas do coração.Deus desce e vem. Quer estar no meio de nós. Vamos abrir nossos corações e a porta da fé. Advento é Deus nos procurando para o dialogo, a aliança de amizade, a oferta da salvação. Não fecheis vossos corações, vamos acolher receber, ouvir a Deus que vem. Escancarai as portas do coração a Jesus Cristo. Ele bate à nossa porta.

2.      Respeitar o direito e a justiça.Os textos bíblicos do Advento enfocam a nova ordem, a nova terra que o Messias trará. O seu trono pousa sobre o direito e a justiça, a paz e a convivência fraterna. O que o Messias vai trazer é o reino de Deus que consiste em “amar a misericórdia, praticar a justiça e viver na presença de Deus” (Miq. 6, 8). O reino de Deus transforma o deserto em jardim, as espadas em arados, as lanças em foices.

3.      Estar vigilantes, não distraídos. Quem espera deve estar vigilante, acordado, atento. São três as vindas de Deus: no Natal, no fim do mundo e no nosso cotidiano. Precisamos estar antenados, conectados, sintonizados com Deus, sua presença, sua vontade, seus desígnios. Agitação, barulho, dispersão nos afastam da oração, do silêncio e, portanto da vigilância. Vivemos apressados, atulhados com mil preocupações e também cansados, apáticos, indiferentes no que diz respeito a Deus e ao próximo. Vigiai, pois não sabeis nem o dia, nem a hora.

4.      Endireitar os caminhos tortuosos. Advento é tempo de conversão. Caminhos tortuosos levam à perdidão. O rumo, a bússola, a direção de nossa vida é Jesus Cristo, que pela mediação da Igreja, é luz do nosso caminho. É hora de sair de si, peregrinar, ir ao povo, endireitar os caminhos em direção ao irmão e a Deus.

5.      Preparar a chegada. A mãe prepara a chegada do bebê, a cozinheira prepara as refeições, a noiva prepara o casamento. Tudo o que é preparado tem sucesso. Devemos estar preparados para a vinda do Senhor. Nunca ociosos, desligados, desinteressados. Longe de nós a mediocridade, a sonolência, a mesmice, o desinteresse. Preparemos um belo presépio para acolher o Menino. Preparemos nossos corações.

6.      Escutar a voz que chama. João Batista clama no deserto, chamando-nos ao silêncio, à escuta, à meditação. Saber parar, silenciar, contemplar é remar contra a corrente do consumismo, da dissipação, do barulho. Advento tem tudo a ver com deserto onde Deus fala ao coração.

7.      Uma criança vai nascer. Maria esta grávida por obra do Espírito Santo graças a sua resposta de fé. Advento leva-nos a pensar na gravidez, nos cuidados e respeito com o nascituro, na generosidade de acolher a vida de mais um filho. O embrião é um de nós, é um filho. Jesus foi também embrião e Maria cuidou dele.

8.      Viver o tempo que nos é dado. Advento é um tempo especial. Que fazemos com nosso tempo? É preciso viver o hoje, o agora, o instante, o momento presente com intensidade, consciência e alegria. Percebemos que o tempo passa, a vida é breve o fim vem. Demos tempo a nós mesmos, aos outros, a Deus. É no tempo que construímos a historia e acolhemos a salvação.

9.      Visitar e ir ao encontro. Visita e encontro são os dois pés do Advento. Recebemos a visita de Deus e no propomos a visitar casas, asilos, hospitais, cadeias, creches. A missão hoje depende da visitação. A visita proporciona a experiência do encontro, do diálogo, da comunicação.

10.  Participar das novenas. Façamos de nossa rua, prédio, condomínio, uma família. Façamos a experiência da alegria que vem da comunhão e participação e de novas amizades. Superemos a solidão, o egoísmo, e isolamento e busquemos a socialização, a comunicação, a convivência.
                                                              

 Dom Orlando Brandes
Folha de Londrina, 30 de novembro de 2013.

HOMILIA DA SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

Hoje proclamamos Cristo como rei. Trata-se de um título não isento de ambiguidades. Certamente, não seria Ele um Reino monarca da idade média. Nem se parece com qualquer chefe de estado do nosso século. Seu reinado não é deste mundo.

Há um perigo em chamar Deus de rei. O risco é reforçar uma imagem de Deus que deve ser banida de nossas mentes. Sim, banida! Que se apague a imagem de um Deus dominador, poderoso, arbitrário, impassível, imutável. Aquele que reina acima de nós. Este não é o Deus de Jesus Cristo.

Deus veio até nós. Veio participar do nosso drama, de nossas dores, sofrer o que sofremos, sujar-se com a nossa lama. É preciso que levemos mais a sério o que a teologia chama de quenosis, termo que significa rebaixamento, esvaziamento, aniquilamento de Deus. Devemos levar a sério, que o Pai faz a sua quenosis quando cria, pois, a criatura lhe é infiel; que o Verbo faz a sua quenosis quando se encarna, e participa da dor humana, do abandono na morte de cruz; que o Espírito faz a sua quenosis quando vem até a Igreja e em cada coração. Deus se rebaixa, Deus participa da fraqueza, Deus sai de seu pedestal onipotente.

Quantas afirmações sobre a onipotência... É comum o discurso que exalta o poder de Deus, sua vitória, sua força, seu domínio... Entendamos, seguidores do Cristo, que Jesus manifestou quem é Deus: “Ele é a imagem do Deus invisível! ” (Cl 1,15). E que imagem é esta? Do servo, daquele que é chamado de rei na cruz, daquele que foi insultado ao morrer, daquele que morreu perdoando... onde está o seu poder? Onde está o seu domínio? Por que se sujeitou aos ultrajes? Por exibicionismo? Não! Ele assumiu a nossa condição com radicalidade. Em Jesus aprendemos que Deus é todo poderoso no amor e na misericórdia.

 “Salva-te a ti mesmo se, de fato, és o Cristo? ” (Lc 23,35). “Salva-te a ti mesmo e a nós! ” (Lc 23,39). Estas frases não são expressões exclusivas das testemunhas da morte do Filho de Deus... São expressões que surgem na boca e no coração de muitos que vivem os seus dramas humanos e pensam em um Deus que deveria vir, sim, em socorro trazendo a salvação imediata. Então, quantas orações carregadas de rancor e desespero: “Salva-me Deus! Salva-me, porque tu és o Todo Poderoso? Onde estás? Até quando terei que suportar? ” A resposta de Deus está na entrega do Senhor, na sua quenosis. Ele não nega a lógica de sua criação, Ele não intervém sempre de modo abrupto para mudar a lógica do mundo que segue sofrendo as dores de parto até o dia de sua redenção. Ao contrário, Ele assume toda esta história de limites e contrariedades e, na solidariedade, vem ao nosso encontro sofrer conosco e nos dar a salvação a partir de baixo. Por que? Eu não sei. Mas mesmo sendo mistério, é fácil perceber que é um mistério de amor...

Até quando o ser humano fabricará um ídolo que está acima dele para fazer os seus favores? A imagem da onipotência, faz-nos onipotentes. A imagem do Deus quenosis, faz-nos humildes e servidores. Escolhamos o nosso Deus.

E acima dele havia uma plaquinha: “Este é o rei dos judeus”. Ironia que não revelava a totalidade de seu ser, pois Ele é o rei de todos nós. Rei na quenosis, Rei no amor, Rei na misericórdia que morre perdoando e oferecendo o Paraíso ao ladrão arrependido... 

Pe. Roberto Nentwigteste de velocidade da internet.

Arquidiocese de Curitiba - PR

domingo, 13 de novembro de 2016

REFLEXÃO DO DOMINGO: "Tomem cuidado e não se deixem enganar!"


“Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles.” Lc 21, 8

Estamos quase no final de mais um ano litúrgico, pois no próximo domingo será a sua conclusão com a festa de Cristo Rei do Universo. É por isso que o evangelho de hoje nos quer preparar para o futuro, para as coisas que poderão acontecer em nossas vidas antes do seu fim.

É natural que todos tenhamos um pouco de curiosidade pelas coisas futuras, pois queremos nos sentir seguros, queremos fazer bons programas de vida, queremos ser felizes...

O problema é que tal curiosidade muitas vezes nos faz cair em armadilhas, pois existem algumas pessoas mal-intencionadas que manipulam a realidade e se apresentam como adivinhos: decifram as estrelas, leem as cartas, jogam Tarô, dizem ter contatos com espíritos... E acabam semeando uma grande confusão.  A nós Jesus também diz hoje: “Tomem cuidado e não se deixem enganar”:

Estas pessoas nos querem convencer de que existe um destino e que tudo já está programado. E porque o destino já está todo definido, eles acreditam que podem ter acesso através de algum meio para o poder conhecer. Assim, porque acreditam que podem consultar o nosso futuro, se põem a disposição, mediante uma oferta ou um pagamento, para nos contar tudo. Nao os sigam” disse Jesus.

Mas, a Pergunta é: se o destino já está todo traçado, de que adianta conhecê-lo? E se o conhecendo podemos fazer algo para mudá-lo, então, significa que não estava traçado, mas que na verdade somos nós que o construímos com nossas ações.

Que ninguém nos engane: nosso futuro depende em grande parte de nossas eleições presentes e todos sabemos disso. Sempre que colocamos nosso esforço para realizar algo, é porque entendemos que o futuro, que as conquistas, dependem em grande parte da força de vontade que possuímos. Deus se comove com o suor dos homens de bem, e bendiz as obras de suas mãos.

Temos que estar atentos também a outro fenômeno muito perigoso.

Existem pessoas que estão convencidas de que o futuro está em suas mãos, ou que podem realizar qualquer coisa, ou que são tão capazes que sabem o que é o melhor para os demais, ou que receberam uma iluminação especial e que todos têm que lhes dar razão em tudo... elas acabam pensando que são exatamente elas as salvadoras do mundo. Os grandes ditadores que a história conheceu, que acreditavam ter uma missão especial pela qual fizeram muitas vítimas, são um exemplo de quanto mal pode fazer o ser humano quando acaba acreditando ser um deus. Também com estas pessoas não nos podemos enganar. Também a estas não devemos seguir.

Todos somos chamados por Deus a colaborar na construção do futuro, mas ninguém deve acreditar ser o único chamado, nem tampouco devemos acreditar e seguir aqueles que querem tomar o lugar de Deus. Certamente a colaboração que Deus espera de nós, não é o fazer anúncios de catástrofes ou pregações sobre os futuros sofrimentos do inferno. Estas coisas podem gerar medo, mas não uma autêntica conversão. O Reino de Deus não será jamais imposto pela força, pois onde existe violência ele não pode crescer. Ao Reino de Deus são convidados os pacíficos, os mansos e os humildes. São convidados os que desejam conhecer o amor de Deus e estão dispostos a se deixar transformar por ele, descobrindo-se um irmão entre os irmãos, onde todos são importantes, mas ninguém é o único necessário, a não ser Cristo Jesus.

Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles. ”

Que o Senhor vos abençoe e vos guarde.
Que o Senhor mostre a sua face e vos seja favorável!
Que o Senhor volva o seu rosto misericordioso e vos de a paz.
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ROTEIRO DE ENCONTRO PARA CRISMA: O CREDO (CREIO)

Contexto do encontro: Este encontro tem como objetivo a reflexão de todos os pontos do Credo. 

Vamos vivê-lo da seguinte forma:

Oração Inicial:

Todos somos humanos, por isso todos passamos pela incerteza, a insegurança. A certeza só nos vem através da fé, e a Fé é um dom de Deus. Que cada um livremente possa dizer o como anda a sua fé.

Terminamos depois de todos dizerem o texto: Lucas- 17,5-6

Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!
Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.

Dinâmica:

Vamos estudar TRECHOS do Credo Niceno- Constantinopolitano. Esta oração traz um resumo de nossa fé aceito pela igreja Católica e algumas outras, e é rezado em algumas missas solenes. Normalmente rezamos um credo simplificado nas demais celebrações.

O nome "niceno-constantinopolitano" indica uma relação com o Primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.), no qual foi adotado um credo semelhante (o Credo Niceno), e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), o qual teria revisto o texto de 325. Na Igreja Católica Romana, o Credo de Niceia faz parte da profissão de fé exigida daqueles que realizam funções importantes na Igreja.

Nesta dinâmica o CREDO está separado por trechos e cada um dos trechos tem logo depois uma referência de Leitura bíblica.

Os trechos podem ser colocados dentro de envelopes separados, e a referência Bíblica, escrita fora do envelope.

A dinâmica pode ser feita em duplas, grupos ou individualmente. Cada jovem ou grupo, pega um envelope com os trechos e lê na bíblia para si mesmo o texto referência e reflete sobre ele. 

Quando todos terminarem a leitura na Bíblia, abre-se o envelope e lê-se o trecho do Credo correspondente. Em seguida incentiva-se um debate sobre cada um deles, buscando ver o que o trecho do Credo tem a ver com a referência Bíblica, tirando-se as dúvidas que surgirem.

Abaixo os trechos:

01 - Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Genesis – 1, 1-5.

02 - Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
João – 1, 1-18.

03 - Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Lucas 1, 26-38.

04 - Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
João – 19, 17-35.

05 - Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. 
João – 20, 1-18.

06 - De novo há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim. 
Marcos – 13, 24-37.

07 - Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas.
Atos dos Apóstolos, 2, 1-13.

08 - Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há-de vir. Mateus, 16, 13-19.

Conclusão

No final, verifique se alguém tem alguma dúvida ou curiosidade e termine com uma oração final, que pode ser o próprio Creio em sua forma simplificada.

Prepare cartões marca-páginas com o CREDO Niceno-Constantinopolitano, para deixar aos catequizandos como lembrança.

Fonte: Internet com adaptação de Ângela Rocha.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

HOMILIA DA CELEBRAÇÃO DE FINADOS


Hoje a Igreja nos convida a orarmos pelos que já partiram. Por que oramos pelos mortos? Nós, católicos, acreditamos que a morte não nos priva de uma comunicação com os irmãos e irmãs. Ou seja, podemos rezar pelos que já partiram. Quando fazemos isso, unimo-nos aos falecidos em Deus, amamos os falecidos no amor de Deus, pois toda oração é um gesto de amor; se esta é eficaz para ajudar os vivos, será também útil para dar forças para aqueles que precisam completar o seu caminho. 

A fundamentação bíblica mais clara a este respeito está em 2Mac 12,38s.: Judas Macabeus percebe que os soldados mortos de seu exército tinham cometido idolatria; diante da prática dos idólatras, o exército fez súplicas para que Deus perdoasse o pecado cometido. Rezamos pelos mortos para que eles completem o que ainda falta para serem plenos, pois apenas desfrutaremos da glória quando estivermos plenamente convertidos, santificados. 

O Céu não é um lugar em que se entra, mas a participação do amor de Deus de acordo com a mudança de coração de cada pessoa. Quem não muda o coração aqui, terá a mesma dificuldade para fazê-lo depois da morte, antes de participar das alegrias eternas; por isso, é melhor começar aqui. O que chamamos de Purgatório não é um lugar de tormentos, mas uma última oportunidade de conversão para Deus, de total empobrecimento de si, uma graça que Deus nos concede para que sejamos plenos à estatura do Cristo Jesus (Ef 4,13). A nossa oração dá forças para que os falecidos façam o seu caminho. 

Algumas reflexões importantes: 

1. O Céu não é somente uma conquista, mas um dom de Deus, que deseja que todos participem de sua morada, que nenhum de seus filhos e filhas se percam (Jo 6,39). Não podemos acreditar em um Deus que quer a nossa condenação, nem achar que vamos sozinhos, somente pelos nossos esforços, para o céu. 

2. Não acreditamos em um mundo totalmente espiritualizado, mas na ressurreição dos mortos. Oficialmente, a Igreja ensina que aguardamos (mesmo aqueles que já veem Deus face a face) o dia da plenitude do Reino definitivo. Então acontecerá a ressurreição dos mortos. Deus nos dará um corpo imperecível e renovará toda a criação – o mundo visível, material. Portanto, este mundo não deve ser desprezado, pois será renovado para a glória de Deus. Na morada do Céu seremos nós mesmos, com nossa consciência, e teremos a lembrança de nossa história e das pessoas que conviveram conosco. 

3. A vida é efêmera. Presenciamos mortes de idosos, de jovens, mortes previsíveis e repentinas. Não sabemos quando será o fim de nossa vida terrena. Lembrar-se dos que morreram é uma boa oportunidade para pensar sobre a nossa vida. A existência terrena tem consequências eternas. O que cada um de nós está fazendo de sua vida? Estamos preparados para fazer a nossa páscoa para a vida totalmente renovada e prometida pelo Senhor? Vivemos movidos pela esperança da eternidade. Nossa fé vive unida à esperança. 

Hoje a saudade não deve ser maior do que a certeza da vitória “escrita e gravada com ponteiro de ferro e com chumbo, cravada na rocha para sempre”. Um dia esperamos nos encontrar todos no banquete do Céu. Lembremos de que a Eucaristia já é a antecipação desta vida nova. O Céu começa em nós, em você. 

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - Pr.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PARA SERMOS SANTOS...

Ser santo não depende apenas de nossas forças, mas da graça de Deus. O princípio da santidade é a vida de Deus vivendo em nós.


A Igreja professa a fé na Comunhão dos Santos, pois cremos que existe uma comunhão entre o Céu e a Terra. Os santos do Céu podem interceder por nós, já que estão mais próximos de Deus, como nos diz Santa Teresinha: “Passarei o meu Céu fazendo o bem a Terra.” Nós também podemos orar pelos que já partiram, pedindo que tenham a graça de darem o último passo na sua conversão rumo à plenitude no Céu. 

Hoje celebramos todos os santos. Não somente aqueles que são canonizados, ou seja, reconhecidos pela Igreja como tais. Mas todos aqueles que já estão na glória de Deus, que participam da santidade de Deus são santos. Entre eles estão mães e pais de família, trabalhadores simples, jovens sinceros, crianças; estão pessoas de todas as classes, línguas e crenças. 

Para chegar à santidade plena do Céu há um caminho. As bem aventuranças são o programa de vida para se chegar a santidade. Não é apenas o caminho para se chegar ao Céu, mas o caminho para ser bem aventurado aqui e agora, ou seja, feliz. O dom da vida eterna, o dom escatológico, não cai do céu como mágica, mas pressupõe nossa colaboração. As bem aventuranças mostram que santidade exige liberdade: o reino é dos pequenos, dos pobres de coração (desapegados que não acumulam para si), dos puros de coração (que são sinceros, não usam máscaras), dos misericordiosos (que não julgam), dos que procuram a paz, dos perseguidos pelo amor a Deus e pela fidelidade à justiça. 

Ser santo, portanto, não é beatice, não é ter medo de viver, não é abraçar um monte de proibições e normas, não é fugir do mundo e das realidades do dia a dia. Ser santo é viver como uma pessoa de carne e osso que leva a sério as opções de Jesus Cristo. “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos” (1 Jo 3,1). Ser santo não depende apenas de nossas forças, mas da graça de Deus. O princípio da santidade é a vida de Deus vivendo em nós. É o seu amor derramado em nossos corações, dado como presente, como dom. Ser santo é responder com amor ao amor de Deus. 

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR

sábado, 29 de outubro de 2016

HOMILIA DO DOMINGO: O PRIMEIRO PASSO

HOMILIA DO 31º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Neste domingo, o Evangelho nos apresenta a perícope do encontro de Jesus com Zaqueu. Trata-se de um cobrador de impostos, considerado impuro pelos judeus. Zaqueu era um ladrão, desonesto em suas cobranças, além de ser um homem de muitas posses.

Para este homem é destinada a misericórdia de Deus, pois o Senhor não despreza nenhuma de suas criaturas, como nos diz o livro da Sabedoria: “Sim, ama tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste, porque, se odiasse alguma coisa, não a teria criado” (Sb 11, 24). Deus não deseja a condenação de ninguém, mas, a felicidade de seus filhos: “Acaso eu quero a morte do pecador – oráculo do Senhor – e não que se converta e tenha vida?” (Ez 18, 23). A misericórdia manifestada em Jesus nos revela a gratuidade divina, fundamentada no amor que ama acima de qualquer pecado. Esta gratuidade ainda é mal compreendida por muitos em nossos dias.

Zaqueu fez o caminho da conversão. Queria ver Jesus, havia um desejo intenso de ver o Salvador, e de vê-lo de longe. Não queria ser descoberto, identificado. Por isso, estava escondido na árvore. Não é incomum a atitude de Zaqueu: aqueles que se escondem porque têm baixa autoestima, acham-se incompetentes, insignificantes; há aqueles que se escondem porque não querem compromisso (na comunidade); há aqueles que têm medo de encontrar a salvação e preferem se esconder, não dão o passo; há aqueles como Zaqueu que se envergonham do próprio pecado.

Subir na árvore revela também uma atitude empenhativa. O que faria um homem rico, reconhecido, subir numa árvore para ver o Mestre Jesus? Não pode ser apenas a sua baixa estatura, mas o desejo real de encontrar salvação. Ou seja, Zaqueu dá o passo, tem uma atitude real em prol da reconstrução de sua identidade e de sua vida. Sem esta atitude proativa, não há salvação, pois a graça de Deus é um convite para que demos o nosso passo.

A atitude de Jesus é de acolhimento: “Hoje quero estar em sua casa!” (Lc 19,5). Seu primeiro passo não é condená-lo, dar lições de moral, falar da sua vida de cobrador de imposto. Nem mesmo relutou por ele ser um homem de “má índole”. Jesus vai a sua casa, de um modo despojado, sem preconceitos. Esta deve ser a nossa atitude hoje: uma Igreja que não tenha medo de ir ao encontro, que não se deixa conduzir por rótulos e preconceitos. Precisamos proporcionar a experiência do Senhor que começa pela acolhida, atitude de verdadeiro amor. Há muitos Zaqueus escondidos, olhando o Senhor de longe. Eles esperam só um convite, uma oportunidade, uma atitude de acolhida. Quem irá chamá-los?

Zaqueu experimentou uma atitude de amor gratuito. A consequência foi a sua mudança de vida: “Senhor, vou dar aos pobres a metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais” (Lc 19,8). O que comoveu o coração de Zaqueu foi a misericórdia, a grandeza de Jesus, não os moralismos falsos. Este amor provocou mais do que um sentimento, causou, sim, uma nova atitude.

Hoje a salvação entrou em sua casa” (Lc 19,9). Lucas gosta desta expressão “hoje”. A salvação não é só um lugarzinho no céu, como esperavam os tessalonicenses preguiçosos com a comunidade. A salvação é uma nova atitude diante da vida, arraigada na experiência do amor. Hoje a salvação pode entrar na tua casa e na minha. Basta que mais uma vez deixemo-nos amar pelo Senhor. Ele bate a porta; se permitirmos sua entrada, Ele entrará e fará conosco a refeição!

Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba – PR.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ENCONTROS DE FORMAÇÃO PARA CATEQUISTAS: COMO FAZER?


Um dos principais objetivos do nosso grupo é proporcionar "formação" aos catequistas, complementando aquelas que já temos em nossas paróquias. Mas, surgiu no grupo uma constatação: "E quando as formações não tem sentido nenhum e servem apenas para “encher linguiça”?

E por que isso acontece afinal de contas? Já é tão difícil achar espaço na lotada agenda dos catequistas para formação e, quando conseguimos a presença deles... acabamos estragando a coisa? É, mas acontece!

Quero deixar claro aqui que o que estamos tratando é da “Formação Continuada” de catequistas, ou seja, das formações que devem constar do planejamento anual da equipe. Não confundir com a formação “Básica” ou a formação das Escolas Catequéticas, constituídas em muitas dioceses. Estas, evidentemente, têm um conteúdo programático e uma estrutura “escolar” de ensino-aprendizado, voltadas mais ao catequista iniciante.

Voltemos às nossas “formações para encher linguiça”. Penso que várias são as causas disso. Primeiro é o...

1) PLANEJAMENTO

E aqui temos a "falta" dele e ele próprio como causa!
Explicando: Muitas e muitas equipes não fazem planejamento formativo para os catequistas. Elas acontecem a esmo ou são direcionadas somente pelas equipes setoriais ou diocesanas. Esse é um problema. Outro é que, preocupados em fazer o tal “planejamento” do ano, muitas equipes se preocupam em estabelecer no calendário formações para catequistas, agendando várias datas e escolhendo vários temas ou deixando para ver o tema um dia antes...
No primeiro caso, está certo, desde que haja uma preocupação verdadeira com os tais TEMAS. No segundo, a coisa está fadada a ser uma sessão típica de "encher a linguiça" sem nem ter matado o porco.

Ideal é que se faça uma análise da real necessidade de formação e conhecimento da equipe. Vejam só: nós fazemos isso aqui no grupo perguntando o que os catequistas gostariam de ver discutido. Obviamente temos poucas manifestações, se contarmos o montante de pessoas que está no grupo. Mas, quem responde, imagino que acompanhe os assuntos (Será? assim espero).

Feito este levantamento é necessário pensar se há “espaço” para acontecer os encontros ou reuniões. E não estou falando de espaço físico não. Estou falando de “espaço tempo” na agenda e na vida conturbada da maioria dos nossos catequistas. Sem contar a falta de disposição mesmo, já que muitos se acreditam "formados" e muito bem formados pelo "tempo" e não precisam saber mais nada... Imagine então se uma pessoa assim vai numa formação de “encher linguiça”? Pronto acabou! Nunca mais você pega a criatura.

Vejamos então com a equipe qual é a disponibilidade deles no ano: dois encontros, três encontros, quatro encontros? Marcado na agenda com antecedência, quem não for é porque não quer ir mesmo, não é? Aqui temos aquela velha máxima: “Quem quer arruma jeito, quem não quer arruma desculpa”. E vamos parar de nos preocupar com quem só arruma desculpa, vamos nos preocupar com aqueles que sempre estão lá!

Agendadas as datas ao longo do ano, vamos aos ASSUNTOS das formações e encontros. Primeiro que ninguém aceita um convite para ouvir alguma coisa que não é do seu interesse, então, as formações precisam ser necessárias e interessantes! Tanto do ponto de vista da coordenação quanto da equipe. Nada como perguntar aos interessados ou ter uma visão bem apurada do que pode ser melhorado no trabalho pastoral.

Feito o planejamento com formações com temas interessantes, vamos ao próximo passo...

2) ASSESSORIA

É um nome bonito para dizer quem vai conduzir a formação ou direcionar os trabalhos. E se o assunto foi escolhido com carinho, a data foi marcada com bastante antecedência e os catequistas aguardam ansiosamente... A formação tem tudo pra dar certo!
É. Tem mesmo, mas...

E quando a pessoa que direciona o trabalho mata todo o empenho para que ela acontecesse? Pessoas despreparadas, sem domínio completo do assunto, sem noção de “tempo”, que não conhecem o público alvo, enfim, sem “conhecimento de causa”, acaba por fazer de uma formação um suplício.

Certa vez isso aconteceu comigo. Trabalho o CREIO na catequese, tanto com as crianças do 3º ano quanto com os pais, por conta da Entrega do Símbolo. E estava agendada uma formação diocesana a respeito, em duas etapas, duas tardes de sábado. Oito horas de formação com um padre que entendia muito do assunto. Fiquei animada e esperei ansiosamente por ela. Afinal ia aprimorar meus conhecimentos e conseguir embasamento para a minha missão. Só que... O padre em questão era um professor de seminário, sem qualquer vivência catequética. Falou numa linguagem difícil e de uma maneira pra lá de aborrecida. As primeiras quatro horas de formação foram o calvário sem a cruz pra mim. E estas horas que “perdi”, pediram ansiosamente também, que eu não fosse à segunda tarde de sábado lá.

Resultado: aprendi mais sobre o Creio lendo o CIC e o “Eu creio: Pequeno Catecismo Católico”.

Não vou aqui criticar padres e freiras que nos dão formação, mas, é preciso pensar que estes precisam ter CONHECIMENTO CATEQUÉTICO também. Não se dá formação a catequistas como se dá aula de teologia no seminário ou se fala do trato com crianças e adolescentes se nunca se teve esse relacionamento. Então muita atenção: se queremos formação espiritual, teológica ou litúrgica; os religiosos sabem muito... Mas, sabem transmitir numa linguagem que os catequistas entendam? Outra coisa, quem fala com catequistas precisa, no mínimo, ter sido catequista um dia. A teoria a gente consegue nas inúmeras publicações da Igreja e livros. Precisamos é do conhecimento prático, das experiências que nos levarão a ser catequistas melhores.

Então, ao chamar um palestrante ou assessor para a formação, assegurem-se de que a pessoa vai “fazer a diferença” e que, além de saber do que está falando, tenha “feito” alguma catequese na vida. Essa pessoa precisa ter uma oratória adequada, conhecimento do público, do assunto e do contexto em que este público vive. Um bom assessor faz com que o tempo “voe”. Um ruim faz com que nosso relógio tenha minutos de 600 segundos.

3) ACHISMO

Este com certeza é um dos motivos dos fracassos das formações. Falei acima da questão de se consultar os interessados sobre o tema a ser tratado (e necessário para a formação da equipe) ou ter um visão sistêmica e bem acurada da catequese e da equipe para saber o que está “faltando” ali.

Mas, alguns coordenadores e até padres, trocam esta “visão sistêmica” da catequese pelo ACHISMO: “Eu acho que os catequistas precisam ter formação sobre escatologia e exegética”. Ou então algum coordenador acha que tá faltando “rezar” e dá-lhe adoração ao Santíssimo, encontro sobre “Maria”, devoção... Sendo que o que pega é o próprio “relacionamento” entre as pessoas da equipe. Vamos rezar junto? Sim vamos. Mas, primeiro, vamos aprender a “viver” e “conviver” juntos.

Outra coisa é o “achar” que o catequista tem obrigação de estar nas formações, sejam elas quando for, e não se preocupar em adequar o tempo da catequese ao tempo dos catequistas. Obviamente que haverá catequistas que não terão tempo nunca, mas, reitero: não nos preocupemos com estes, vamos nos preocupar com quem está interessado em participar de verdade.

Enfim, eu não posso “achar” nada sozinha. Preciso ter conhecimento do contexto e da necessidade real de formação dos catequistas. Lembram-se da “liderança participativa”? É essa!

4) NÃO SABER A DIFERENÇA...

Realmente é preciso saber a diferença entre: Reunião, encontro, celebração, momento orante, espiritualidade, formação...

a) Reunião: Um momento rápido para se colocar os membros da equipe a par dos acontecimentos, para discutir assuntos de ordem administrativa ou um assunto específico que tenha surgido inesperadamente. Uma reunião pode (e deve) começar com um “momento orante”, mas que não tome metade do tempo disponível, pois reuniões onde os assuntos são polêmicos (tomada de decisões principalmente), tendem a ser longas. O momento orante é apenas para nos lembrarmos de que estamos reunidos em nome do Pai e pela causa do Filho.

b) Encontro: Um encontro normalmente, tem um tema a ser explorado e um tempo de duração pré-definido. Intercala momentos de leitura, oração, reflexão. Assemelha-se ao “encontro de catequese” propriamente dito.

c) Celebração: As celebrações são momentos mais profundos e trazem vários aspectos da liturgia: Ritos, símbolos, Palavra, Comunhão. Tem um roteiro a ser seguido e um tempo determinado.

d) Momento Orante: pode ser, simplesmente, um abaixar a cabeça escutando uma música, dar as mãos para uma oração, ler uma passagem bíblica, rezar o Pai Nosso ou a Oração do Espírito Santo. Deixa de ser “momento” e passa a ser celebração quando se estende.

e) Espiritualidade: Normalmente se dá este nome aos momentos de oração ou momentos celebrativos que acontecem antes de um Encontro, uma Formação ou reunião. A “espiritualidade” é mais elaborada que um momento orante, mas, não chega a ser uma celebração. Na verdade, a “espiritualidade” do catequista precisa ser exploradas em encontros somente com este fim: apenas de oração, reflexão bíblica, adoração.

f) Formação: No nosso caso, da catequese, a formação pode ser um “encontro”, pode ser uma “celebração”, pode ter “momento orante” e pode ter “momento celebrativo”, mas, sobretudo, traz um tema a ser estudado e conhecido para a FORMAÇÃO do catequista. Uma coisa que não pode acontecer nunca é trazer a “reunião” para a formação. E aqui todos os aspectos podem estar envolvidos: o Ser, o Saber e o Saber fazer do catequista. As formações tem um tempo maior para serem realizadas e precisam ser organizadas de maneira a não serem cansativas, intercalando música, dinâmicas, brincadeiras, intervalos (cafezinho, lanche), etc. No entanto, se elas vão acontecer num espaço de tempo pequeno (1 ou 2 horas), os momentos de oração e espiritualidade precisam ser breves.


PARA FINALIZAR O ASSUNTO... O que deve e não deve acontecer numa formação para catequistas:

SEMPRE:
- Fazer sempre um “Convite” bem elaborado e chamativo;
- A formação precisa ser planejada e estar prevista no calendário, nada de marcar formação em cima da hora;
- O ambiente precisa ser adequado, confortável e “temático” (Bíblia, cruz, vela...) ;
- Começar e terminar no horário estipulado;
- Fazer um cartão/lembrança do encontro é um “carinho” que valoriza o participante;
- O material do encontro precisa ser disponibilizado aos participantes durante a formação ou depois;
- Sempre fazer uma avaliação dos pontos positivos e negativos observados para melhorar na próxima formação.

NUNCA:
- Assunto desinteressante, fora da realidade e contexto da comunidade (aqui se pode fazer uma consulta aos catequistas sobre o assunto que gostariam e “precisam” que seja tratado);
- Tempo muito curto ou demasiadamente longo;
- Assessores/palestrantes sem formação adequada, que não conhecem o público ou não sabem explanar o assunto de maneira interessante;
- Misturar assuntos do dia a dia, administrativos, com a formação, ou seja, fazer reunião na formação;
- Desviar o assunto/tema;
- Lamentar quem “não veio” (Trate disso depois, com quem não veio);
- Fazer momentos de espiritualidade e reflexão que ocupem muito tempo: se a intenção é desenvolver a espiritualidade do catequista ou fazer reflexão bíblica, marcar outro encontro com esta finalidade. Todo momento orante ou leitura bíblica de uma formação tem que estar ligados ao tema da formação, fazendo “introdução” ao tema.


Ângela Rocha
Catequista - Catequistas em Formação.



* * * *

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO