sexta-feira, 22 de julho de 2016

APONTAMENTOS FUNDAMENTAIS SOBRE ORAÇÃO - HOMILIA DO DOMINGO

... é preciso rezar muito, não até que Deus nos ouça, mas até que nós ouçamos DeusÉ preciso insistir na oração, não até que Deus faça o que nós queremos, mas até que nós façamos o que Deus quer. É preciso rezar, rezar rezar, não até que Deus nos dê aquilo que pedimos, mas até que nós não queiramos pedir mais nada senão o Espírito Santo!

17º Domingo do Tempo Comum
(Lc 11, 1-13)

A pergunta demora anos a vir à boca: “Ensina-nos a rezar.” Às vezes nunca vem. Aqueles primeiros companheiros de Jesus não eram “ateus” nem indiferentes à Aliança do Deus de Israel. Quer dizer: rezavam! Mas nada fica igual quando é tocado por Jesus de Nazaré, nem a oração.

Ensina-nos a rezar”, como tu, apetece acrescentar. João Batista ensinou os discípulos a rezar à maneira dele, e os fariseus também. Jesus esperou que eles pedissem. Deu-lhes a sede antes de lhes dar a rota da água. É aquela que mais nos costuma faltar.

E Jesus rezou. A oração de Jesus conjuga-se em “nós”, no plural do Reino. E a oração de Jesus situa-nos no lugar de filhos bem amados, conhecidos e cuidados.

Depois, a parábola, para dar a volta ao coração dos mais desconfiados. Uma parábola que não podemos interpretar, sob risco de a interpretarmos ao contrário. É uma parábola de ouvir assim corrida, de apanhar no ar e perceber o que diz passando. Se te fixas nela vais cair na tentação de achar que Deus é como aquele amigo lá dentro de casa e tu és o outro, cá fora, suplicando. Bem dizia Paulo: “a letra mata”; até as parábolas!

Jesus conta a parábola para nos colocar no andamento da confiança, não para nos dizer que Deus é um osso duro de roer e a oração é a dentadura que precisamos. Se eu paro na parábola e me fixo na letra, dou-me conta que se passa toda ao contrário. Eu sou, evidentemente, o amigo que está dentro, e Deus é como aquele amigo que vem bater à minha porta pedir-me ajuda para servir outros que chegam de tantos lados. Mas eu estou ocupado, ou descansado, ou cansado, ou deitado ou ao alto… mas eu não estou.

“Eu estou à porta e bato", diz o Senhor; "se alguém ouvir a minha voz e me vier abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos juntos!” É do livro do Apocalipse. Mas, hoje, não vou puxar este fio interpretativo, não vou avançar por esta nota. Segue tu, se gostares.

Pedir - Procurar - Bater à Porta: a ordem dos fatores não é aleatória. É uma liturgia de aproximação, um processo de chegada. Não basta “pedir”; é preciso “procurar” o que se pede. E não adianta procurar sozinho ou segundo os seus próprios critérios. É preciso apresentar-se ao Senhor deste Reino. É isso que significa “bater à porta”. É colocar-se na disposição de dizer ”Sou eu!”

Bater à porta implica caminhar ao encontro e, chegando, apresentar-se. Bater à porta é oferecer disponibilidade e dizer, face-a-face, “Sou eu!”, “Aqui estou!”.

O segredo? A convicção absoluta da bondade de Deus. Sem isso, não há entregas destas. “Deus só é Bom”, disse Jesus. 

E o melhor de tudo, o mais extraordinário da oração à medida do Mestre: é preciso rezar muito, não até que Deus nos ouça, mas até que nós ouçamos Deus. É preciso insistir na oração, não até que Deus faça o que nós queremos, mas até que nós façamos o que Deus quer. É preciso rezar, rezar rezar, não até que Deus nos dê aquilo que pedimos, mas até que nós não queiramos pedir mais nada senão o Espírito Santo!

Pe. Rui Santiago, cssr

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO