sexta-feira, 29 de julho de 2016

HOMILIA DO DOMINGO: QUAL É O SENTIDO DA VIDA? POR QUE TRABALHAMOS?


HOMILIA DO 18º. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Qual é o sentido da vida? Por que trabalhamos? Qual é o sentido de nossas ocupações? Essas perguntas eram feitas por um homem sábio que escreveu o Livro de Eclesiastes no séc. III a. C. Sua resposta: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". O termo vaidade também pode ser traduzido por ilusão, fantasia, absurdo, algo vazio. O versículo 22 da 1ª. Leitura diz que o mero trabalhar por trabalhar, ou por dinheiro ou para se preencher, é vaidade porque não leva a nada. Assim, corremos o risco de fazermos da vida um sofrimento em vão. O sentido da existência depende do porquê fazemos as coisas, da finalidade de nossas ações. O insensato do Evangelho achou uma solução para sua existência: “Descansa, come, bebe, aproveita!” É o esbanjar a vida que está por detrás da filosofia de nossa sociedade: dinheiro, prazer, posses, vícios, o mínimo de esforço pelo máximo de prazer.

São Paulo nos traz uma advertência (2ª Leitura). Já estamos revestidos do homem novo, mas ele ainda está se revelando: ainda escondemos o homem novo pelo barro do pecado; quando lavamos a sujeira, o homem novo vai aparecendo. Devemos morrer para as coisas da terra: isso não significa desprezar o que Deus criou, mas utilizar bem o que Deus criou. Devemos deixar de lado a imoralidade, a impureza, a paixão, os maus desejos, a idolatria, a cobiça.

Jesus nos conta uma parábola que mostra o fim de um homem que apenas pensou em aproveitar a vida. Fez a riqueza na terra, mas ficou pobre de Deus. Jesus não condena a riqueza em si, mas condena a causa do problema – o ganancioso acumula só para si, eis seu pecado. É interessante observar quantas vezes o personagem da parábola fala para si mesmo no singular: “O que eu vou fazer? Não tenho onde guardar a minha colheita (...) eu já sei o que eu vou fazer: eu vou derrubar meus celeiros, eu vou construir celeiros maiores, então eu direi a mim mesmo...” (13 palavras no singular). Onde está a sua família? Ele certamente tinha filhos, esposa, amigos, mas não há espaço para eles na sua ganância. O acúmulo estava em função dele mesmo e, por isso, não estava certo. O Evangelho nos propõe uma maneira de viver: a felicidade acontece pelo dom, pela partilha, pelas relações fraternas. A riqueza deve estar em função do próximo, nossos pertences em favor da vida do outro, os bens materiais dos que tem mais devem servir aos pobres.

A ganância é uma falsa segurança. Quando não confiamos verdadeiramente que Deus traça a nossa história, confiamos em muletas que nos dão segurança. Diante do mundo capitalista, pobres e ricos precisam se posicionar. A lógica do capitalismo está na nossa cultura, faz parte do nosso cotidiano e muitas vezes nem percebemos como esta lógica nos escraviza. É esta insistência do papa em seus pronunciamentos: “Queria que nos perguntássemos com sinceridade: em quem depositamos a nossa confiança? Em nós mesmos, nas coisas, ou em Jesus? Sentimo-nos tentados a colocar a nós mesmos no centro, a crer que somos somente nós que construímos a nossa vida, ou que ela se encha de felicidade com o possuir, com o dinheiro, com o poder. Mas não é assim! É verdade, o ter, o dinheiro, o poder, podem gerar um momento de embriaguez, a ilusão de ser feliz, mas, no fim de contas, são eles que nos possuem e nos levam a querer ter sempre mais, a nunca estar saciados. ‘Bote Cristo’ na sua vida, deposite n’Ele a sua confiança e você nunca se decepcionará” (Papa Francisco).

Os 3 últimos desejos de Alexandre, o Grande

1º - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2º - Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados como prata, ouro e pedras preciosas;
3º - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões desses pedidos e ele explicou:
1º - Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte;
2º - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3º - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.  


Pe. Roberto Nentwighttp://img.copel.online/img-testecopel.gif.

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