segunda-feira, 8 de agosto de 2016

OS GAMES NO UNIVERSO DOS JOVENS E CRIANÇAS


Como catequista e mãe, eu sempre procuro estar “antenada” ao mundo dos jovens. E, confesso, aos cinquenta anos, vejo este mundo “tecnológico” com espanto e com animação. Quem dera, na minha adolescência eu tivesse o acesso á informação que estes jovens de hoje tem! E tento, na medida das minhas limitações, estar neste mundo.

Foi em 1995, no Brasil, que Internet se tornou de acesso público. E, de lá para cá, a evolução da tecnologia deixa a gente de cabelos em pé!  E com a disponibilização da interface gráfica, jovens e adultos puderam acessar a compreender o funcionamento da computação e a lógica dos sistemas digitais. Mas nenhum outro recurso foi e tem sido capaz de realizar esta tarefa de ensinar a interação com o universo virtual (o ciberespaço) como o fazem os videogames. À medida que os recursos tecnológicos e informáticos se tornam mais presentes no cotidiano da sociedade, de crianças à terceira idade, os jogos digitais realizam um importante e fundamental papel para aproximação desses públicos com as interações telemáticas e com a vivência em espaços virtuais. Não são poucos os especialistas que afirmam o quando isso ajudou no desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens.

Mas, parece que causei algum "escândalo" em algumas pessoas pelo fato de ter escrito um texto falando bem do "Pokémon Go". Eu não acredito que o "evento" seja tão maléfico assim e nem que daqui um ou dois meses ele não seja substituído por uma nova “caça as bruxas". Já queimamos na fogueira o "Avatar", "Crepúsculo", "Harry Potter", "Anjos e demônios"... Agora é a vez do "Pokémon Go”.

Mas, vamos pensar um pouquinho...

Pokémon Go é só UM dos jogos no universo dos games, e os outros? E aqueles que os pais nem imaginam que seus filhos jogam fechados em seus quartos? Os celulares dos filhos não costumam ter jogos também? Ou será que eles imaginam que os filhos só usam o celular pra telefonar e falar com os amigos? E que amigos são esses? Nós conhecemos? E agora? O que fazer nesse universo aparentemente caótico em que se transformou a comunicação digital e a informação na rede?

AGORA, vamos abrir nossa cabeça e buscar informações fidedignas, sérias, de profissionais realmente interessados no que é melhor para nossas crianças e jovens. 

Jogos são viciantes? Sim eles são. Pode fazer mal aos nossos filhos? Sim podem. Assim como faz mal aos nossos filhos serem abordados na porta da escola por vendedores de crack, serem convidados pelos amigos para fumar maconha... que também viciam. Falar que drogas fazem mal e "endemonizar" os games vai resolver o problema? Não vamos esquecer que por trás de tudo isso ainda existe uma "FERRAMENTA" muito mais eficaz do que proibição de se usar certos jogos ou assistir certos filmes. E ela se chama FAMÍLIA! Pai e mãe, orientados para dar limites e educação aos filhos. A solução para qualquer problema que possa advir desta era da tecnologia, é a INFORMAÇÃO CORRETA. Assim como a minha postura e exemplo diante disso tudo. De que adianta uma mãe ou catequista desaprovar os games, quando ela assiste normalmente às novelas da televisão que, via de regra, tem exemplos que deturpam muito mais a família e a sociedade?

Fallout 4: Um dos jogos de vídeo game considerados violentos.

Vamos considerar que por trás do vício em games, sempre podem existem causas psicológicas e sociais, além do prazer causado pelo jogo. Nenhuma criança fica trancada num quarto 10, 12 horas sem que pais "responsáveis" não percebam. Que criança ou jovem sai de casa a “caça de Pokémon” sem que os pais saibam que saiu? Que criança ou jovem não tem hora para voltar para casa? Claramente, aqueles que não tem uma vivência familiar ou controle por parte dos pais e responsáveis. Se o problema é excesso de celular, porque é que seu filho tem um celular? Por que uma pessoa fica viciada em jogos? Porque na sua vida real não tem nada equiparado ao prazer e a satisfação que um jogo proporciona.

Então vamos parar de reproduzir informações sem idoneidade alguma que se anda espalhando pela rede. Vamos buscar na internet informações fidedignas, de médicos e psicólogos, cientistas, pessoas que trabalham na área da tecnologia, busquemos resultados de estudos sérios a respeito do assunto.

CLIQUE NA IMAGEM e Veja este artigo (peça para seu PC traduzir porque ele está em inglês):

ACADEMIA AMERICANA DE NEUROLOGIA


ALGUNS COMPORTAMENTOS QUE CARACTERIZAM O "VÍCIO" EM GAMES (JOGOS):

Somente um especialista capacitado pode diagnosticar que alguém está “viciado em jogos”, mas existem alguns sintomas comuns que devem ser considerados e que podem indicar um problema:


1. Passa muito tempo no computador ou vídeo game;
2. Entra na defensiva quando confrontado sobre o problema;
3. Perde a noção do tempo;
4. Prefere passar mais tempo nos jogos que com amigos e familiares;
5. Perde o interesse em atividades que antes eram importantes;
6. Torna-se socialmente isolado, irritável ou rabugento;
7. Estabelece uma nova vida social, apenas com amigos online;
8. Negligencia trabalhos escolares e sofre para conseguir boas notas na escola;
9. Gasta dinheiro em atividades inexplicáveis;
10. Tenta esconder que passou algum tempo jogando.

Apesar disso, alguns especialistas dizem que é difícil definir o “vício em jogos”. Enquanto uns creem que isso pode ser um transtorno de ordem psicológica, outros acreditam que é apenas parte de outros problemas de ordem psicológica e social. A versão atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-V, afirma que mais estudos precisam ser feitos antes incluir a "Disorder Gaming Internet" (vício em jogos da internet).


GAMES: GUIA PARA OS PAIS


Com tantas notícias sobre jogos de vídeo transformar crianças em alienados ou zumbis, viciados e antissociais; e um número crescente de especialistas advertindo sobre os perigos do tempo demasiado no computador; pode ser tentador proibir nossos filhos de usar computadores e smarphones. Mas, isso não é a solução, dizem os especialistas.

Se você proibir o jogo, você vai perder a oportunidade de influenciar o comportamento de seu filho. Uma abordagem bem melhor é jogar com eles, diz Judy Willis, MD, médica neurologista e membro da Academia Americana de Neurologia, que sugere que se comece com jogos educativos online grátis. Depois, informe-se sobre os jogos preferidos dos jovens, a temática, o que os atrai, etc.

A chave para garantir que seus filhos tenham um relacionamento saudável com jogos de vídeo game (e, sim, existe tal coisa!) é tirar proveito de experiências prazerosas que eles experimentam, também fora desses jogos. Um estudo publicado na revista científica Nature em 1998 mostrou que jogar jogos de vídeo game libera o neurotransmissor dopamina, que causa a sensação de bem estar, realização, prazer. Qualquer outra atividade prazerosa pode causar o mesmo efeito.

O simples fato de uma criança ou jovem passar muito tempo no computador jogando, não significa que ele é um “viciado”. O jogo assim como qualquer outra atividade toma tempo, envolve dedicação, é entretenimento, é socialização e possui vários níveis de aproveitamento. Nem todos os jogos são iguais e reação de cada pessoa para os jogos é diferente, também. Perguntar quais são os efeitos dos jogos de vídeo game é como perguntar quais são os efeitos da ingestão de alimentos, é importante conhecer a realidade específica do jogo em questão e do contexto social do jogador, antes de se fazer qualquer julgamento.

ALGUMAS DICAS*:

* Atenção com o uso do computador: Hoje em dia os estudantes precisam do computador para estudos e trabalhos acadêmicos. De acordo com David Greenfield, Ph.D., fundador do Center for Internet and Technology Addiction (Centro que estuda o vício em internet e tecnologia) e professor clínico assistente de psiquiatria da Universidade da Escola de Medicina de Connecticut, 80% do tempo que uma criança gasta no computador não tem nada a ver com estudos acadêmicos. Colocar computadores, smartphones e outros dispositivos de jogos em uma localização central da casa, e não a portas fechadas, permite monitorar suas atividades. Aprenda a verificar o histórico de pesquisa do computador para confirmar o que seus filhos tem visto e feito na Internet.

* Estabelecer limites: é bom impor limites no tempo de utilização do computador. “As crianças são muitas vezes incapazes de avaliar com precisão a quantidade de tempo que passam de jogo. Além disso, eles são inconscientemente incentivados a permanecer no jogo”, diz o Dr. Greenfield, que recomenda não mais que uma ou duas horas de tempo de computador durante a semana. Usar firewalls, limites eletrônicos e bloqueios em telefones celulares e sites da Internet pode ajudar.

* Começar a conversar: Discuta o uso da Internet e jogos desde o início com os seus filhos. Defina expectativas claras para ajudar e oriente em uma direção saudável antes de um problema começar. Comunicação não significa necessariamente uma conversa formal. Em vez disso, trata-se de dar ao seu filho uma oportunidade de compartilhar seus interesses e experiências com você.

* Conhecer seu filho: Se o seu filho está se dando bem no mundo real, participando da escola, esportes e atividades sociais, então limitar o jogo pode não ser tão importante. A chave, dizem os especialistas, é a manutenção de uma presença em suas vidas e estar ciente de seus interesses e atividades. Por outro lado, se você tem uma criança que já tem problemas de raiva, você pode querer limitar jogos violentos, sugere Tom A. Hummer, Ph.D., professor assistente de pesquisa no departamento de psiquiatria da Indiana University School of Medicine, em Indianápolis.

* Procure ajuda: Para alguns jovens, o jogo se torna uma obsessão irresistível. Se o seu filho está mostrando sinais de vício em videogames, procure ajuda. As opções de tratamento existem. Pode ser uma terapia ou até mesmo uma intervenção familiar.
Mas, nem todos os jogos são ruins. Jogos de vídeo game podem ajudar o cérebro de várias maneiras, tais como percepção reforçada visual, melhoria da capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, melhor processamento de informações. "De certa forma, o modelo de jogo de vídeo é brilhante", diz Judy Willis, MD, da Academia Americana de Neurologia (AAN), "Ele pode alimentar as informações para o cérebro de uma maneira que maximiza o aprendizado", diz ela.

Ângela Rocha
Catequista

Fontes de referência: 
Academia Americana de Neurologia: Neurology Now: Junho / Julho de 2014 - Volume 10 - Número 3 - p 32-36


 * Paturel, Amy M.S., M.P.H. Neurology Now. Centro Americano de Neurologia.

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