quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CATEQUESE DO PAPA

RESIGNAÇÃ0 NÃO É UMA VIRTUDE CRISTÃ

 Na sua catequese desta quarta-feira, o Papa deteve-se sobre aquela dimensão  da esperança que é a espera vigilante. O tema da vigilância – disse – é um dos fios condutores do Novo Testamento. Com efeito, Jesus disse aos seus discípulos para estarem sempre prontos como aqueles que esperam o patrão para lhe abrirem a porta. No tempo que segue a ressurreição de Jesus em que se alternam momentos serenos e de angústia, os cristãos não podem nunca relaxar-se. São como servos que nunca vão dormir enquanto o patrão não voltar – disse o Papa que acrescentou:

“Este mundo exige a nossa responsabilidade, e nós a assumimos completamente e com amor. Jesus quer que a nossa existência seja laboriosa, que não diminuamos nunca a vigilância, para acolher com gratidão e maravilha cada novo dia que nos é dado pelo Senhor
E o Papa recordou que cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com boas obras. Já fomos salvos pela redenção de Cristo, agora esperamos a plena manifestação da senhoria de Cristo, quando finalmente Deus será tudo em todos. Nada é mais certo do que este encontro marcado com o Senhor. Devemos estar prontos para a salvação que vai chegar, prontos para o encontro.

“Já pensastes, vós, como será esse encontro com Jesus, quando Ele vier? Mas será um abraço, uma alegria enorme, uma grande alegria! Devemos viver na alegria deste encontro!”

O Papa recordou depois que o cristão não é feito para o aborrecimento, mas sim para paciência, a perseverança, pois que nada acontece em vão, nenhuma situação é completamente refrataria ao amor, nenhuma noite é tão longa ao ponto de fazer esquecer a alegria da aurora. E quanto mais escura é a noite, mais próxima é a aurora. Se permanecermos unidos em Jesus, o frio dos momentos difíceis não nos paralisa e o futuro não será nunca obscuro. O cristão sabe que nesse futuro haverá o retorno de Cristo. Ninguém sabe quando será, mas só o facto de saber que no fim da nossa história está Jesus Misericordioso, já é suficiente para termos confiança e não maldizer a vida. Tudo será salvo, tudo – disse o Papa.

“Depois de ter conhecido Jesus, não podemos senão, escrutar a história com confiança e esperança”.
Francisco comparou Jesus a uma casa em que estamos e recomendou que não fechemos as janelas dessa casa, que não nos fechemos em nós próprios, a não chorarmos o passado, mas a olharmos para a frente, para um futuro que não é apenas obra das nossas mãos, mas antes de mais uma preocupação constante da providencia de Deus. Tudo o que é opaco, um dia se fará luz.

Deus nunca nos desilude – voltou a sublinhar Francisco. Ele quer que todos os seres humanos sejam salvos, por isso, não olhemos para a história com pessimismo como se fosse um comboio sem controlo – disse o Papa, recordando que a resignação não é uma virtude cristã. Assim como não é cristão levantar os ombros e baixar a cabeça perante um destino que nos parece inelutável.

Jesus recomenda que O esperemos sem estar de braços caídos. Não é a pessoa remissiva que dá esperança ao mundo – disse Francisco:
“A pessoa remissiva, não é um construtor de paz, mas sim um preguiçoso, uma pessoa que quer estar sempre cómoda. Enquanto que o cristão é construtor de paz quando arrisca, quando tem a coragem de arriscar para trazer o bem, o bem que  Jesus nos deu, nos deu como um tesouro”

O Papa concluiu recomendando que repitamos todos os dias da nossa vida aquela invocação (em aramaico) dos primeiros discípulos: Maranathá, “Vem, Senhor Jesus”. No nosso mundo não precisamos de mais nada senão de uma carícia de Cristo. E que graça, se na nossa oração, nos dias difíceis desta vida, sentirmos a sua voz que nos responde e nos dá segurança: “Eis, venho já”.

Depois da sua catequese, o Papa saudou os fieis presente com traduções em sete línguas, entre os quais o português:
“Saúdo todos os peregrinos de do Brasil e de outros países de língua portuguesa, particularmente os diversos grupos de sacerdotes, religiosos e fiéis brasileiros residentes em Roma, que vieram a esta Audiência para dividir a alegria pelo jubileu dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, cuja festa se celebra amanhã. A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, nos lembra que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça. Que Deus lhes abençoe”.
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No final da audiência geral o Papa recordou que a 13 de Outubro se conclui o centenário das últimas aparições marianas em Fátima, e pediu que, especialmente neste mês de Outubro, se reze o Santo Rosário pela paz no mundo: 

“Na próxima sexta-feira, 13 de outubro, conclui-se o centenário das
últimas aparições marianas em Fátima. Com o olhar voltado para a Mãe do Senhor e Rainha das Missões, convido todos, especialmente neste mês de Outubro, a rezar o Santo Rosário pela intenção da paz no mundo. Possa a oração dissuadir os ânimos mais rebeldes, para que tirem a violência de seus corações, das suas palavras  e dos seus gestos, e construam comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podemos ser construtores de paz”.

O Pontífice recordou que 13 de Outubro é também Dia Internacional para a Redução dos Desastres Naturais:
 “Renovo o meu premente apelo pela salvaguarda da criação, mediante uma sempre mais atenta tutela e cuidado pelo ambiente. Encorajo, neste sentido, as instituições e todos os que têm responsabilidade pública e social, a promover sempre mais uma cultura que tenha como objectivo a redução da exposição aos riscos e às calamidades naturais. As acções concretas, voltadas ao estudo e à defesa da casa comum, possam reduzir progressivamente os riscos para as populações mais vulneráveis”.


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