segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

ANO NACIONAL DO LAICATO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS?

“O Concílio não olha os leigos como se fossem membros de segunda categoria, a serviço da hierarquia e simples executores de ordens provenientes do alto, mas como discípulos de Cristo que, através do Batismo e sua inserção no mundo, são chamados a animar todo ambiente, atividade e relação humana segundo o espírito do Evangelho.... Ninguém melhor que os leigos pode desempenhar a tarefa essencial de inscrever a lei divina na vida da cidade terrena.”
(Papa Francisco na mensagem aos participantes da Jornada de estudos sobre a "Vocação e missão dos leigos", em 12/11/2015).

CNBB promove de 26 de novembro de 2017 a 25 de novembro de 2018, o Ano Nacional do Laicato, em todas as Dioceses do Brasil, fruto da decisão tomada na Assembleia Geral Ordinária dos Bispos, realizada em abril de 2016.
Ano Nacional do Laicato objetiva valorizar a presença e organização dos Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na sociedade, aprofundando sua identidade e missão, espiritualidade e vocação, estimulando o testemunho de Jesus Cristo e seu reino na sociedade. Tem como tema: “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na 'Igreja em saída', a serviço do Reino.” E como Lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”.
Segundo dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC), presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, espera-se que este ano traga um legado para a Igreja missionária autêntica, com maior entusiasmo dos cristãos leigos e leigas na vida eclesial e também na busca da transformação da sociedade. “Eu acredito que se conseguirmos estimular a participação e presença efetiva dos cristãos leigos na sociedade provocando que aconteça a justiça e a paz, será um grande legado”, disse o bispo.
Para tanto, vislumbra-se como legados dessa iniciativa, por parte dos cristãos leigos e leigas: a participação efetiva nos conselhos de políticas públicas; criação e fortalecimento de iniciativas de acompanhamento dos poderes legislativos – municipais, estaduais e federal; mobilização para realização da Auditoria da Dívida Pública brasileira, visando aplicação dos recursos do Orçamento Federal em políticas públicas direcionadas aos mais empobrecidos e excluídos da sociedade.
Neste sentido, importa destacar o pronunciamento do Papa Francisco na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, em 17/06/2016, quando propôs, como horizonte de referência para o imediato futuro, o seguinte binômio: “Igreja em saída” e “laicato em saída”, lançando o olhar para os que se encontram ‘distantes’ do nosso mundo, às tantas famílias em dificuldade e necessitadas de misericórdia, aos campos de apostolado ainda inexplorados, e aos numerosos leigos, que devem ser envolvidos e valorizados pelas instituições eclesiais. Na ocasião, o Santo Padre concluiu seu discurso dizendo: “precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que “sujem suas mãos” e não tenham medo de errar, mas que prossigam adiante. Precisamos de leigos com visão do futuro e não fechados nas pequenezas da vida, mas experientes e com novas visões apostólicas”.
Essa proposta de enfoque na ação pastoral e social resgata a concepção de uma Igreja Povo de Deus, com inspiração no Concílio Vaticano II e a coloca diante dos desafios da missão atual que Papa Francisco tão bem traduziu de uma 'Igreja em saída' na exortação “Alegria do Evangelho” e na encíclica 'Laudato Si', sobre o cuidado com a Casa Comum.
É um necessário resgate da graça batismal em sua tripla missão: profética, real e sacerdotal. Significa uma relação de maior maturidade e autonomia dos batizados e batizadas não ordenadas frente ao desafio de fermentar o Reinado de Deus numa sociedade que despreza a vida, tanto humana como do conjunto da Natureza, em função do dinheiro e do lucro.
É também um desafio resgatar o protagonismo dos Cristãos Leigos e Leigas numa Igreja paroquial concentrada no poder hierárquico, na maioria dos casos, clerical. É um forte apelo à conversão. O desafio é resgatar o protagonismo das CEBs, com efetiva presença nas periferias das cidades e nas lutas empreendidas nos assentamentos, territórios dos Povos Indígenas e Comunidades tradicionais. Outro campo exigente são as Pastorais Sociais, capazes de responder às demandas, principalmente urbanas.
Dentre as proposições de legado do Ano Nacional do Laicato, a mais desafiadora e que exigirá o engajamento de todas as pessoas de boa vontade, é a realização da Auditoria da Dívida Pública do país. Prevista nas Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, é tema interditado pela grande mídia brasileira e atinge o cerne da desigualdade social, visto que sangra quase metade do Orçamento Público federal para rolar uma dívida que enriquece os bancos e impõe pesadas restrições ao financiamento das políticas sociais.
Finalmente, os desafios não terminam por aí, o grande chamamento é para que cada diocese no país elabore um Plano de Formação para o Laicato que contemple formação básica para todas as mulheres e homens que exerçam um serviço na Igreja ou na sociedade; formação teológica-pastoral para as lideranças; e formações específicas, como Escolas de Fé e Política para Cristãos Leigos e Leigas que atuem em Conselhos, Grupos de Acompanhamento ao Legislativo, movimentos sociais e partidos políticos.
É uma agenda atraente para atuação desde a base, com a experiência e motivação para realizar novas aprendizagens e sínteses e, assim, provocar o protagonismo dos Cristãos Leigos e Leigas, apoiados pelos ministérios existentes na Igreja e seguir na mobilização da sociedade brasileira para o resgate da democracia rompida em 2016, apontando para uma nova utopia inspirada no Bem viver: é urgente construir unidade na construção de um novo Projeto Popular para o Brasil.
Daniel Seidel
Mestre em Ciência Política pela UnB, membro da CJP-DF e da Comissão Brasileira Justiça e Paz e integra a Comissão Especial da CNBB para o Ano do Laicato.

CHEGOU A HORA DOS LEIGOS E LEIGAS? ONDE? PARA QUEM?


O Ano do laicato na Igreja, sob o olhar de Francisco Orofino.

A Igreja Católica lançou no Brasil o ANO DO LAICATO, que ocorrerá ao longo do ano litúrgico de 2018. Pode ser mais uma oportunidade de retomar o papel do laicato na Igreja “em saída", como lembram certas falas e documentos. Volta-se, novamente, a falar do protagonismo dos leigos, dentro do modelo de igreja pedido pelo Vaticano II. Soltam-se muitas frases de efeito e reflexões sobre este protagonismo laical. Aponta-se o mundo secular e suas culturas como o campo específico do laicato.

Um ano voltado para o papel do laicato pode ser um momento de avanço pastoral. Os leigos são “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13.14). Mas seria bom também que os leigos e leigas fossem o sal da paróquia e luz da Igreja. O Ano do Laicato bem pode ser um momento propício de os leigos e leigas questionarem o clericalismo que ainda trava a ação pastoral da Igreja. Na sua Carta ao cardeal Marc Ouellet, de março de 2016, o papa Francisco lembra que “olhar para o Santo Povo fiel de Deus e sentirmo-nos parte integrante dele, posiciona-nos na vida e, portanto, nos temas que tratamos de maneira diversa. Isto ajuda-nos a não cair em reflexões que podem, por si só, ser muito úteis, mas que acabam por homologar a vida de nosso povo ou por teorizar de tal modo que a especulação acaba por matar a ação. Olhar continuamente para o povo de Deus salva-nos de certos nominalismos declarativos (slogans) que são frases bonitas, mas não conseguem apoiar a vida de nossas comunidades. Por exemplo, recordo a famosa frase ‘Chegou a hora dos leigos!’...mas parece que o relógio parou!”. O que se espera de um Ano do Laicato é que o relógio seja colocado de novo em movimento.

O rumo dado à caminhada da Igreja a partir do Vaticano II, ou seja, a eclesiologia proposta por este Concílio, coloca o laicato como o sujeito da evangelização. Tal proposta se choca com a eclesiologia tridentina, que colocava o clero como principal agente da evangelização. Para que o protagonismo dos leigos possa avançar, a Igreja deve enfrentar o clericalismo. Voltando à carta de Francisco: “Não podemos refletir sobre o tema do laicato ignorando uma das maiores deformações que a América Latina deve enfrentar – e para a qual peço que dirijais uma atenção particular – o clericalismo.” Na carta, Francisco retoma todo o esforço de denúncia deste desvio feito no Documento de Aparecida. No entanto, a palavra “clericalismo” foi censurada e eliminada do Documento (por exemplo, em DAp 100 b). Não há dúvida de que o Ano do Laicato pode ser uma boa oportunidade em denunciar e trabalhar a mentalidade clericalista presente ainda em grande parte do laicato latino-americano. O mesmo vale para a formação do clero, ainda presa ao modelo tridentino de formar “fora do mundo”, num regime de internato.

Para o Vaticano II, os fiéis leigos são “cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” (LG 31; cf. DAp 209). Portanto, na eclesiologia do Vaticano II o Santo Povo fiel de Deus, leigos e leigas, deve viver as dimensões messiânicas inerentes ao sacramento do batismo. É preciso recuperar a consciência de que, pelo batismo, todos somos sacerdotes e sacerdotisas, profetas e profetisas, reis e rainhas. E exercer estas funções “na Igreja e no mundo”.

Exercemos nosso sacerdócio batismal formando a assembléia celebrativa. Esta congregação dos batizados e batizadas torna-se sacramento da presença de Deus. Como disse Jesus: “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20). É a assembléia celebrativa, congregada em nome da Trindade Santa, que pode dizer com toda força e convicção “O Senhor está no meio de nós!”. Nesta assembléia somos todos e todas co-celebrantes. Pelo batismo somos “consagrados para ser edifício espiritual e sacerdócio santo” (LG 10).

Exercemos nossa profecia batismal no serviço da Palavra de Deus. Leigos e leigas, no seguimento missionário de Jesus, têm a Palavra de Deus como fonte de sua espiritualidade. Esta Palavra é a alma da ação evangelizadora. Conhecer a Palavra é anunciar a Palavra. Desconhecer a Palavra é desconhecer o próprio Cristo. Nossa dimensão profética batismal nos leva a apresentar o Pão da Palavra, sendo necessária a interpretação adequada dos textos bíblicos presentes na liturgia, na catequese e nas várias frentes pastorais. Todo cristão batizado é agente da pastoral bíblica tendo em vista a animação bíblica de toda a pastoral (cf. DAp 248).

O batismo nos torna reis e rainhas. Um grande perigo é reduzir esta dimensão batismal régia à vivência da caridade. Todos temos que viver a caridade a partir das três dimensões messiânicas do batismo. A dimensão batismal régia nos torna a todos, leigos e leigas, co-responsáveis pela condução do povo de Deus, pela manutenção do patrimônio da Igreja e pela organização eclesial. Exercemos esta função régia ocupando cargos na administração ou na coordenação das comunidades, paróquias ou dioceses.

É inegável que houve substanciais avanços no protagonismo dos leigos dentro da vida eclesial. A formação teológica deixou de ser monopólio clerical, surgiram os ministérios, novas formas de organização e as responsabilidades pastorais. Também é certo que qualquer surto de reclericalização acontece em detrimento das conquistas leigas na vida da Igreja. Busca-se anular a participação dos leigos, calando-os e diminuindo-lhes os espaços de comunhão e participação. Como lembra Francisco em sua citada carta: “O clericalismo leva a uma homologação do laicato, tratando-o como um ‘mandatário’ limita as diversas iniciativas e esforços e, ousaria dizer, as audácias necessárias para poder anunciar a Boa Nova do Evangelho em todos os âmbitos da atividade social e, sobretudo, política. O clericalismo, longe de dar impulso aos diversos contributos e propostas, apaga pouco a pouco o fogo profético do qual a Igreja está chamada a dar testemunho no coração de seus povos".

Viver o Ano do Laicato significa enfrentar o desafio do clericalismo. Não adianta “empurrar” os leigos para as ações missionárias fora do ambiente eclesial enquanto o leigo for considerado “cidadão de segunda categoria” dentro da Igreja. Leigo comprometido não pode ser aquele ou aquela que trabalha obediente e calado nas obras da Igreja. Como lembra Aparecida: “A construção da cidadania, no sentido mais amplo, e a construção da eclesialidade nos leigos, é um só e único movimento” (DAp 215). Leigos e leigas para o mundo, tudo bem! Mas leigos e leigas para a vida da Igreja também!

Francisco Orofino

Biblista, assessor de grupos populares e comunidades de base nos municípios da Baixada Fluminense, doutor em Teologia Bíblica na PUC-Rio e professor de Teologia Bíblica no Instituto Paulo VI, na diocese de Nova Iguaçu (RJ), em artigo publicado por Portal das Cebs, 2017.


sábado, 27 de janeiro de 2018

PUBLICAÇÕES E DOCUMENTOS DA CNBB


Aqui no Brasil, temos a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, responsável pelo direcionamento pastoral da Igreja católica, que nos oferece, com seus estudos e documentos, informações e o “norte” para o nosso “fazer” como discípulos missionários.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é um organismo permanente que reúne os Bispos católicos do Brasil que, conforme o Código de Direito Canônico, "exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar, de acordo com o direito" (Cân. 447). A CNBB foi fundada em 14 de outubro de 1952 e seu grande idealizador foi D. Hélder Câmara, OFS.

A CNBB, para publicar suas orientações utilizam basicamente, 03 TIPOS de publicação:

ESTUDO: nos livros de capa VERDES;



DOCUMENTO: nos livros de capa AZUL;

SUBSÍDIOS DOUTRINAIS: livros de capa VERMELHA.



E algumas publicações, antes de ser DOCUMENTO, são estudos!

Por exemplo, antes de termos do DOCUMENTO 107 - INICIAÇÃO Á VIDA CRISTÃ, na capa azul, tínhamos o ESTUDO 97 - INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, na capa verde.


Recentemente foi publicado o DOCUMENTO 107 – sobre IVC, que não podemos confundir com o ESTUDO 107- sobre LEIGOS E LEIGAS. Aliás o "ESTUDO 107" sobre os leigos na Igreja, já virou o DOCUMENTO 105. Ou seja, os estudos seguem uma numeração contínua e os documentos também. NÃO CONFUNDIR OS DOIS!


Os "estudos" são lançados primeiramente como fruto de reflexões da Igreja do Brasil sobre um determinado tema. Quando este tema é de profunda relevância para a condução da Igreja, ele é aprofundado, colocado em reunião, votado e colocado na assembleia geral dos bispos. Aí é que ele pode ser transformado em DOCUMENTO, com força de orientação às diversas Igrejas particulares.

Alguns documentos são de profunda importância para Igreja e são constantemente atualizados, como as DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA NO BRASIL – hoje DOCUMENTO 102 – que vigora até 2019. Este documento não serve só para a catequese, mas, para toda a ação pastoral.



Ângela Rocha

Catequistas em Formação.

DICAS PARA ORGANIZAR A CAMPANHA DA FRATERNIDADE EM SUA COMUNIDADE


Em breve começam, em todo o Brasil, os preparativos para a Campanha da Fraternidade. Pensando nisso, preparamos aqui algumas dicas para que você e sua comunidade vivam de forma diferente e façam “do jeito certo” no ano que vem.

1.Crie um grupo de estudo sobre a Campanha da Fraternidade

Para refletir sobre o Texto-Base da Campanha da Fraternidade. Ele pode funcionar como um ciclo de leitura e partilha do documento, de modo que vocês possam colher sugestões de atividades para que a CF seja vivida e aplicada na paróquia. Muita gente pensa que “comissão”, “grupo de estudos” ou “grupo de trabalho” não funcionam, mas se houver oração, planejamento e dedicação, as coisas saem do papel e vocês terão ótimos resultados.

2. Identifique as lideranças!

Esses líderes podem já estar estabelecidos em suas funções, por exemplo: o coordenador da equipe de música, dos grupos de jovens, da Pastoral Familiar, os diáconos, o ecônomo etc. Observe também que algumas pessoas em sua comunidade – ainda que não estejam engajadas – podem ser líderes em potencial. Em sua procura, lembre-se de que um líder (em potencial) não nasce pronto, mas costuma ser ouvido pelas pessoas. E isso, sim, acontece naturalmente. Foi assim que Samuel achou Davi.

3. Seja simples!

Santo Agostinho, em Confissões, enaltece a simplicidade de Deus e sua capacidade de ser sempre inteiro, maravilhoso. Sobretudo se essa for a primeira vez que você se propõe a organizar e “fazer dar certo” a CF em sua paróquia, busque soluções simples, aproveitando as estruturas disponíveis.

4. Organize um calendário de atividades.

Planejar e ser fiel aos prazos e atividades propostos é o segredo do sucesso. Envolva os grupos e pastorais dando a eles atribuições, delegando responsabilidades e acompanhando na execução das tarefas.

5. Faça um check-list!

Ou, simplesmente, uma lista de atividades. Se você nunca fez um check-list na vida, pode começar se preguntando: Quais as atividades que tenho para o mês que vem? Para cada uma delas, responda – sempre registrando em algum lugar de fácil acesso (pode ser na agenda, no computador) – algumas simples perguntas: Quando? Onde? Haverá comida, água, cadeiras, estrutura de som? Precisará da equipe de música? A quem é necessário pedir autorização? O que deve ser providenciado? Quando deve ser providenciado? Quem ficará responsável por cada atividade? Na internet é possível encontrar muitos modelos. Você pode escolher um e adaptar para a sua experiência.

6. Comunique os envolvidos.

Muitos bons projetos morrem depois de terem demandado muito esforço e dedicação, porque o processo comunicativo falhou. Embora a Campanha da Fraternidade seja proposta anualmente e as pessoas, supostamente, sabem que ela vai acontecer, tome sempre o cuidado de comunicar de forma clara e objetiva (e atrativa) o calendário de atividades. Lembra dos líderes? Uma boa comunicação não se resume à emissão de mensagens. Ouça! Esteja sempre atento ao feedback que eles trazem, pois estão em contato constante com a comunidade. Essa resposta pode fazer com que o planejamento de atividades da CF caminhe em sintonia com as necessidades e motivações da sua paróquia.

7. Rezem juntos.

“Se fores aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo”, diz Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja. E até nas pequenas coisas, como o desejo de fazer acontecer a Campanha da Fraternidade em sua comunidade, é preciso conhecer os desígnios de Deus. E sabemos que isso só é possível por meio da oração.

FONTE: 


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

OBJETIVO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE: fazer diferença na vida das pessoas

Já são mais de 50 anos de CAMPANHA DA FRATERNIDADE no Brasil e pode ser que você ainda não saiba para que ela existe, seus objetivos, suas finalidades. Conheça os motivos que nos levam a aprender hinos novos e acolher o espírito quaresmal de uma forma toda especial e, digamos, “brasileira”.

Campanha da Fraternidade: Como tudo começou

No início da década de 1960, três padres da Cáritas Brasileira idealizaram um fundo para realizar, como Igreja, atividades assistenciais. O embrião da Campanha que temos hoje foi realizado, pela primeira vez, na Quaresma de 1962 na Arquidiocese de Natal/RN. Cresceu aos poucos e ganhou o apoio de organismos nacionais e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Dentro desse contexto histórico, acontecia também o Concílio Vaticano II, que lançava a Igreja a uma experiência missionária intensa e trazia o protagonismo do leigo como uma resposta para as realidades contemporâneas.

Por que a CF acontece durante a Quaresma?

No tempo da Quaresma, somos chamados a crescer na oração, jejum e esmola. A vivência destes elementos é fundamental para a preparação de cada fiel na expectativa da Páscoa do Senhor e, evidentemente, seu retorno definitivo. 

A Campanha da Fraternidade começa na quarta-feira de cinzas, junto com a Quaresma. Ela acontece neste precioso tempo justamente para favorecer a boa preparação de cada um, sob a vivência do tripé citado acima: oração, esmola e jejum.
A cada ano, a CF traz em seus objetivos, reflexões sobre situações vulneráveis e necessitadas de atenção, uma atitude diante das questões apresentadas.

O gesto concreto da CF

Além de reforçar compromissos, propor o conhecimento e o aprofundamento das realidades em que a população está inserida – sobretudo no que tange a questão da preservação dos biomas –, a ação da Igreja atua para além de reflexões teóricas. Como gesto concreto, propõe-se uma coleta para o financiamento de projetos que atuem diretamente nos objetivos da campanha.

Esta coleta é destinada ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) e visa promover a fraternidade entre as diversas regiões no intuito de erradicar a vulnerabilidade e risco. Todo o processo acontece por meio de edital que acolhe sugestões de projetos de todo o país.
O FNS é composto por 40% de toda arrecadação da Coleta Nacional da Solidariedade, realizada em todas as dioceses, paróquias e comunidades durante o Domingo de Ramos. Os outros 60% da coleta permanecem em suas dioceses de origem e compõem o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS).

Campanha da Fraternidade 2018

A Campanha da Fraternidade 2018 tem como tema “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). O assunto traz a todos a compreensão, de maneira mais aprofundada, do que é uma Campanha da Fraternidade, a quê ela se propõe, as motivações da edição de 2018, o porquê dessa temática e de que maneira a Igreja é convidada a vivê-la.

Devemos abordar este tema a fim de debater assuntos relacionados à ele. O conteúdo quer chamar a atenção dos catequizandos, leigos, agentes pastorais, famílias, missionários, a todos sobre o tema da violência e as formas de combatê-la.

FONTE: 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

SER CATEQUISTA É "VOLUNTARIADO?


O CATEQUISTA É VOLUNTÁRIO?

Uma catequista de São Paulo, me contou o seguinte outro dia:

"Ângela o padre daqui nos disse outro dia: Que ser catequista não é ser voluntário, (ele não admite que a gente fale isso), que não se aprende a ser catequista...que ser catequista é um dom que Deus nos dá ao nascer, e que cabe a nós responder a esse chamado... No que é claro discordamos, dizendo que podemos e devemos aprimorar esse chamado... Bom, nem preciso dizer que isso gerou polêmicas..."

O que eu penso a respeito:

Eu acredito que ser catequista é muito mais que ir à Igreja em encontros semanais, ir à missa toda semana, participar de reuniões, formações e retiros. A gente pode ser catequista em todos os lugares e não só na Igreja.

Numa das minhas viagens por aí, eu conheci o marido de uma catequista. Que era, sem saber, um grande "catequista"! Isso porque ele se diz ateu e não frequenta a Igreja, mas não se importa que sua esposa o faça e a apoia. Ele não o faz e tem ideias bem arraigadas sobre isso, deixa a esposa na porta da Igreja e volta buscar depois.

Mas, o Seu Arnaldo é uma das pessoas mais revestidas da "couraça" de Cristo que já conheci. Ele trabalha pela comunidade como nenhuma outra pessoa faz, e sem rezar um Pai Nosso. Ele se preocupa com o outro, ele trabalha pelo outro e ele FAZ pelo outro. Está sempre envolvido em projetos em prol do bem-estar da sua comunidade, trabalha pelo social, ajuda os necessitados, trabalha pela capacitação profissional daqueles que não tem condições. Gratuitamente! Sem retorno financeiro.  Ele ama o outro sem precisar “ouvir” de Jesus que é isso mesmo que a gente tem que fazer.

Acredito, como disse o padre, que é mesmo um "chamado". Mas, mesmo aos chamados, respondemos se assim o queremos. E a caminhada, depende exclusivamente de nós. Ir ou ficar é da nossa vontade.

Deus te chama, Jesus te ensina o caminho, o Espírito Santo te dá forças, mexer as pernas: é com você! E, evidente, ninguém enfrenta uma árdua caminhada sem estar preparado: sem levar água, alimento ou ter sapatos confortáveis. E é bom estudar o mapa da jornada (itinerário) também. Somente os desavisados e imprevidentes o fazem sem preparo. E, normalmente, desistem na primeira subida...

E digo mais, o que acaba comprometendo nossa missão na Igreja, é justamente o "voluntariado". Nisso eu concordo com o padre. Catequista não é um mero voluntário.

      - Voluntário é aquele que se oferece para fazer algum serviço gratuito, nas horas em que está disponível.
- E voluntário, faz quando quer e quando pode
- E voluntário usa só as horas vagas.
- E voluntário pode deixar de sê-lo a hora em que quiser.
- E voluntário não precisa exatamente saber “bem” o que está fazendo.
- E ninguém precisa, exatamente, se preparar para ser voluntário. Normalmente é um serviço específico, dentro daquilo que ele pode oferecer, com os dons que tem.


E o problema mesmo é que a grande maioria, maioria mesmo, dos catequistas, se acha “voluntário”. Por isso eu prefiro ser "amadora"! (Risos).

O amador o é, enquanto está aprendendo e se aprimorando. Para um dia ser um “profissional” de verdade, comprometido verdadeiramente com a sua "profissão". Pois profissão, lembra especialização e comprometimento. A profissão também precisa gerar benefícios para a sociedade. Bom, aí vocês podem pensar que o profissional precisa ter como contraprestação dos seus serviços, o salário. E qual é o salário do Catequista?

OPA! Perái! Estou dizendo que catequista é profissão? Isso pode deixar os padres de cabelos em pé... vamos "arrumar"...

Não, não é uma profissão, mas, fica bem dentro daquilo que um profissional precisa fazer: formar-se, preparar-se para executar uma tarefa. Quanto ao salário, vamos pensar que, com certeza, o salário dos justos é a vida eterna.

E o que me anima nesta vida é a expectativa de que no fim da minha jornada “de trabalho", me espera lá no final, naquela derradeira sexta-feira, um "happy hour" eterno, sentada com Aquele que me acompanhou pela vida afora: Jesus! E ali vamos conversar sobre os prós e os contras dessa missão tão importante...

Ângela Rocha
Catequista Amadora (ainda e sempre).
"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A COMUNICAÇÃO ECLESIAL EM ANO DE ELEIÇÕES

Imagem: TSE.
2018 começou quente no Brasil. O debate político deve se acirrar cada vez mais até o pleito eleitoral. Vivemos tempos difíceis e obscuros, com pouca clareza da realidade. Difícil, diria quase impossível, ousar dizer quem está certo ou errado no tabuleiro político. Já fiz; hoje não faço mais isso.

Neste ambiente hostil, estamos nós, cristãos, com as nossas diferentes opiniões sobre o tema permeando os espaços eclesiais.

Nas eleições de 2014, você leitor deve se recordar quantas comunidades se dividiram naquela que foi uma verdadeira guerra de palavras. Amizades de anos foram desfeitas, parentes romperam relacionamentos e, na Igreja, há uma série de exemplos de paróquias que se enfraqueceram por causa das rupturas provocadas pela falta de respeito no debate político.

Este ano, o caos comunicacional já se repete. Quantas famílias, grupos, se dividindo novamente pelo mesmo motivo. Palavras de baixo calão são elogios, perto do que estamos vendo por aí.

No campo eclesial, a crise de comunicação se agrava quando um padre, por exemplo, emite sua opinião partidária. A divisão é imediata. Recordando que os leigos devem estar na vida política, como já afirmaram vários papas e documentos da Igreja, pergunto: É possível evitar divisões na Igreja por causa da política? Sim, é; mas é desafiador, ainda mais em tempos de redes sociais.

Faz parte do processo democrático a pluralidade de opiniões. O padre tem uma opinião, o bispo tem outra, o diácono difere, o leigo tal pensa de um jeito, a liderança tal pensa de outro, aquela outra pessoa talvez não queira pensar, etc. É um mundo de opiniões. Cada um quer ter razão e tem o direito de ter e expressar a sua. Mas como podemos usar a comunicação para que as comunidades cresçam ao invés de se dividirem neste momento tão importante para o país?

Antes das redes sociais, nossas opiniões ficavam restritas às nossas comunidades. Nossos espaços de verbalização eram físicos, conhecidos e restritos.

Hoje, não mais. Tudo é ampliado de uma maneira global em poucos segundos. O fiel questiona o post do padre. Ninguém mais aceita passivamente qualquer discurso.

O que você escreve, fica para a eternidade na rede. Pode até tentar apagar seu vídeo, mas ele já foi compartilhado imediatamente após ser postado. Depois publicada, nossa opinião se alastra e deixa rastros e pode deixar grandes feridas.
Vale a pena? Qual é o critério para eu falar o que penso?

Vai ajudar o debate político? Vai resolver? Preciso ofender pessoas, citar nomes? E se eu generalizar, não corro o risco de ampliar erro? São perguntas que devemos fazer antes de escrever ou falar algo pessoalmente ou nas redes sociais.

Vale lembrar que o impacto das nossas opiniões aumenta consideravelmente a partir de quem fala. Se o padre fala, o padre será cobrado como padre e não apenas como cidadão. Se a secretária da paróquia fala, o mesmo ocorre. “A secretária do padre disse que vai votar em fulano”. “O padre pediu para não votar em beltrano”. “O coordenador da pastoral x pediu para eu votar em cicrano”. Imaginem a confusão que isso pode dar.

O engajamento dos cristãos na política não quer dizer que temos e podemos aparelhar as estruturas eclesiais para benefício deste ou daquele candidato. A comunicação política deve ser feita pelo nosso testemunho diário, não pelo aparelhamento. O voto é o nosso mais eficaz instrumento de mudança.

Sem perder seu profetismo, a Igreja pode muito bem colaborar com o processo político de uma forma articulada e sem dividir seu rebanho. O comunicador católico tem a missão de agregar, não dividir; de arrebanhar, não dispersar.

Que o Espírito Santo nos ilumine e nos oriente para que possamos colaborar com a conversão política do nosso país, respeitando quem pensa diferente da gente. Depois de ir às urnas, você vai voltar à sua comunidade. E espero que volte em paz e de bem com os seus.

Everton Barbosa - Jornalista e palestrante.
Trabalha como assessor de imprensa da Arquidiocese de Maringá - PR





A RECORDAÇÃO DAS “ÁGUAS” NO RITO DO BATISMO


O BATISMO, senão o principal, é um dos mais belos sacramentos da nossa Igreja. Sinal da Graça e pertença a Cristo, ele "marca" o cristão por toda a vida. E desperta nossa curiosidade também, o Rito do Batismo e suas partes. Aqui, respondendo a uma pergunta da Abigail. colocamos o significado da "amnamese das águas" no Rito do Batismo.

“Vejo que debaixo do céu há tempo determinado para cada coisa, por isso aproveito este tempo e espaço e peço, se for possível, comentar a anamnese da "água", feita na oração que o padre ou diácono reza sobre a água do Batismo. Quando participo de algum batizado, fico encantada do começo ao fim e principalmente com a oração sobre a água. Percebo que a maioria das pessoas não tem consciência do significado da "Água". Começando em Gênesis 1,2: "O espírito de Deus pairava sobre as águas”. Significa que Deus não criou a água, ela sempre existiu. Penso que como catequistas é importante ensinarmos aos catequizandos sobre a água”.

Abigail Martins Oliveira – Ribeirão Preto SP.

RESPOSTA:

Essa questão que você levantou é muito interessante. Mas, ela é mais "litúrgica" do que "bíblica".

Aliás, isso veio bem de encontro a alguns "sentimentos" que tenho ao ver que muitos catequistas utilizam uma "dinâmica" para explicar o batismo: Batizar uma boneca.
Em minha opinião essa dinâmica não deve ser aplicada. Para mim é a banalização do mais importante rito da nossa Igreja: o Batismo. E tentar explicar isso para crianças brincando com suas bonecas, para mim é acabar de vez com a mistagogia e o respeito que o sacramento merece. As crianças encaram isso como brincadeira e é assim que vão levar o Batismo vida afora: uma brincadeira de criança.

Muito mais válido, é fazer “memória” do batizado das crianças, pedindo que façam uma “entrevista” com os pais e padrinhos, resgatando lembranças desse momento: uma roupinha, um sapatinho, uma foto, uma lembrança impressa, a certidão de batismo. O encontro a respeito do Batismo deve ser feito, se possível, no templo, junto à pia batismal (daqueles que ainda possuem). Pode-se convidar um ministro extraordinário da comunhão para conduzir o encontro, falando das várias partes do rito.

* Temos uma sugestão de ROTEIRO de encontro em nosso site:


Vamos a RESPOSTA sobre a “anamnese da água”:


 A água é, sem dúvida, o principal símbolo do sacramento do batismo. Ele é o elemento responsável pela “limpeza” espiritual. Assim, o sacerdote derrama um pouco de água na cabeça do batizando - grande parte das vezes, uma criança de colo – ou mergulha a criança na pia batismal (Costume que está voltando às paróquias).

Mas, vamos falar um pouco sobre o que é uma “anamnese” conforme o dicionário:

Anamnese:
1. lembrança pouco precisa; reminiscência, recordação.
2. fil na filosofia platônica, rememoração gradativa através da qual o filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes que remontam a um tempo anterior ao de sua existência empírica.

Na Igreja, com relação à pergunta, a “anamnese da água” é a lembrança ou recordação das “águas” citadas simbolicamente na Bíblia.

ABAIXO, um artigo que descreve as anamneses do Rito Batismal:

COMENTÁRIO TEOLÓGICO DA ORAÇÃO SOBRE A ÁGUA BATISMAL

A fórmula da oração sobre a água batismal inicia-se com a proclamação da fé sobre a qual não se pode ver, por se tratar de um contexto invisível da graça de Deus, que necessariamente necessita dos sinais visíveis, onde o próprio Deus se serve de tais sinais para poder manifestar o seu poder criador e mostrá-lo visivelmente aos seus por meio da graça do Batismo. A oração é dividida em oito partes, que estão intrinsecamente interligados para dar todo o sentido anamnético contido em sua estrutura, inicia-se com o prólogo (cf. 1.1-4); a anamnese da água da criação e a anamnese da água do dilúvio (cf. 5. 5-9); a anamense da água do mar Vermelho (cf. 10. 10-16); a anamnese da água do Jordão (cf. 15. 17-18); anamnese da água do lado de Cristo transpassado na cruz (cf 15. 19-20); a anamnese da água do batismo (cf. 20. 20-23); e a Epiclese (cf. 20. 24-36).  

A oração anamnética inicia-se fazendo uma alusão a seis importantes momentos, sobre a clarividência do criacionismo e obra de Deus, apontado pelo autor, onde desde o princípio já demonstra a importância e graça do sinal da água, purificada e santificada na graça e força do Seu Espírito Santificador que pairava sobre a mesma.



A Criação inteira dependente dessa água para poder sobreviver santamente, saciados e embebidos do primordial para a vida eterna (anamnese da água da criação). A água tem um significado profundo desempenhando um papel relevante na liturgia.


O tratado sobre as águas do dilúvio faz parte da anamnese da água do dilúvio, como uma prefiguração do desejo de Deus de conceder ao mundo uma nova roupagem, lavando e afogando tudo aquilo que outrora era contrária a vontade do Criador, que pela força seu Espírito e simbolizado pela água, os banha e santifica suas almas, o que de fato mais importa para Deus, ou seja, este mundo não faz parte do que se espera alcançar, mais se depende dele para se chegar ao que se espera. Prefigura o nascimento de novos homens, que faz morrer sobre si todo o pecado, único meio para se chegar a santidade. Pelo batismo, acontece o banho de água acompanhado da palavra da vida, que limpa, purifica e santifica os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal, e torna-os participantes da natureza divina e filhos adotivos do Pai, como se vê no nº10. Com efeito, o batismo, como se proclama nas orações da bênção da água, é o banho de regeneração dos filhos de Deus e do seu nascimento do alto. Por meio dos sinais sacramentais, Deus manifesta seu poder sobre todos os povos.


A anamnese da água do mar vermelho (cf. Ex 14, 5-31) também faz parte da imagem do batismo, as águas que parecem em cena é sinal de vida e de morte, é uma prefiguração do batismo como um êxodo novo, que os faz libertos de toda mancha do pecado, e assumindo um compromisso verdadeiro de pertença a Deus, abraçando a fé quem lhes é apresentada, a priori com os nossos pais. A imagem que aparece do povo de Israel significa a Igreja, a comunidade do povo eleito e batizado que se coloca a serviço do Pai adorando-o verdadeiramente, pela assiduidade no compromisso com a mesma na participação do culto ao Senhor. Dar-se aqui por encerado a cessão anamnética que faz alusão ao Antigo Testamento.

O Novo Testamento inaugura um novo batismo com a anamnese da água do Jordão. O mesmo Espírito que pairarava sobre as águas no Testamento com a criação, desce sobre o início da nova criação em Jesus Cristo o Senhor, que manifestado o poder do Altíssimo é santificado e habilitado a prosseguir o caminho do anuncio do seu reino, mostrando o tempo da salvação, o messianismo salvífico pela água do batismo, sacramento eterno.


A ananmese da água do lado de Cristo transpassado na cruz, imerge os eleitos no batismo, agora na paixão e morte de Jesus. Rios de água viva jorrarão do seu lado aberto, para todo aquele que nele crer, este terá a vida eterna. Temos aqui o símbolo do batismo e da pessoa do Espírito Santo. A água aparece como um dom gratuito de Deus sobre aqueles que foram mergulhados mistério glorificador por sua morte e ressurreição. É importante entender que o batismo é uma gratuidade de Deus, pela força dos dons derramados e concedidos conforme a sua necessidade. Cada batizando depois que recebe o Espírito Santo torna-se templo, ou seja, portador da divindade, templo vivo do Senhor.


Esta ultima anamnese da água do batismo procede ao ápice do cumprimento a vontade do Deus, seguindo as ordens do nosso mestre e Senhor, no anuncio da boa nova e aceitação da fé cristã, tendo em vista o conhecimento na orientação e formação das comunidades de vida que aderiram a escuta e vivencia do anuncio transmitido e que são chamados a dar continuidade aos ensinamentos de Jesus e na prática batismal.

Cada batizando recebe o convite a uma vida de totalidade e completude na Trindade, e assumindo uma identidade trinitária. A proposta de vida e radicalização mediante os esforços no trabalho cristão.

O texto encerra as sessões anamnéticas, passando para as invocações (Epicleses) que estão intimamente ligadas. Deus é o autor da grande maravilha da água, pôs sobre ela sua benção, concede-lhe o poder da purificação e vida nova que ela nos traz pelo batismo. Deus atualiza o momento perante a igreja reunida para celebrar a sua maternidade, através da súplica sobre as fontes batismais para que assim seja aberto esta unidade maternal.

Uma vez purificados, surge um novo homem e junto a ele os seus frutos. No homem constitui uma verdadeira significância como parte da criação de Deus, sendo ele criado a sua imagem e semelhança, que outrora era escravo do pecado, e uma vez salvos da morte, ressurgem a para uma vida eterna. A súplica epiclética tem uma conotação de invocação para que os filhos de Deus participem do mistério pascal mergulhando e passando pelas águas possam sepultar sua velha vida e ressurgir uma nova criatura.

Portanto, uma participação nos sinais da salvação, sobre um novo tempo de graça, pela graça e ação do Espírito de Deus na nova criação que surge, livres do pecado e do demônio, para dedicar-se totalmente ao serviço de Deus.

FONTE: Blog FICAONLINE, Seminarista Severino da Silva. 2013.

(Desconheço se o “Seminarista” Severino agora é padre. O blog teve sua última publicação em agosto de 2015).



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