terça-feira, 27 de março de 2018

TRANSPARÊNCIA TOTAL COM OS RECURSOS DA IGREJA



A prisão de um bispo e de vários padres, na Diocese de Formosa em Goiás, por suspeita de desvio de dinheiro, mostra o quão frágil é a administração e a gestão de muitas comunidades.

A suspeita que recai sobre eles é do desvio do dinheiro do dízimo e das contribuições dos fiéis. Algo em torno de R$ 1,5 milhões. Um escândalo. Imagine ao ver uma notícia dessas em programas de grande audiência como o Fantástico, ou Jornal Nacional, como é que as pessoas se "empolgam" para fazer uma doação no dia nacional da coleta, como foi o pedido da Igreja em todo o Brasil no último domingo, em pleno dia de Ramos? Um constrangimento dos maiores. 

No caso específico da Diocese de Formosa em Goiás, a denúncia foi feita por 30 leigos da comunidade. Pelo que fiquei sabendo, primeiro eles fizeram a denúncia para a própria Igreja, que não fez nada. Depois, cansados de ver as falcatruas e ninguém fazer nada, foram até o Ministério Público onde fizeram denuncia oficial. E o resultado final, foi esse: o Bispo e cinco padres tiveram prisão preventiva decretada e ainda estão presos.

Há quem ainda se incomode quando alguém sugere a criação de conselhos financeiros dentro de paróquias, ou até mesmo conselhos fiscais, daqueles que fiscalizam mesmo as contas e toda e qualquer movimentação financeira. É bom lembrar, que os padres não são formados para gestão de negócios, mas sim, para a gestão de pessoas. A Igreja não é um negócio. E nem um padre ou um bispo, ninguém é o dono de uma comunidade. Mas acontece que ser gestor de uma comunidade, é também saber gerir recursos, orçamentos e prestação de contas. Lidar com o dinheiro de todos, é algo muito sério e isso não vale apenas para o setor público. Quando a gente fala da gestão do dinheiro, mesmo dentro da Igreja, é preciso transparência total, em qualquer lugar. Por isso, desde que eu me conheço como liderança pastoral, volta e meia o assunto é esse: "Onde foi parar o dinheiro da festa?" "Onde foi parar o dinheiro do dízimo?".

Não podem existir dúvidas, precisamos falar às claras sobre o dinheiro do dízimo, das festas, das rifas, das ações que a comunidade faz em busca de recursos para fazer frente as suas despesas. Isso é gestão. Uma paróquia é formada por várias pessoas, que trabalham de forma anônima, gratuita, para fazer com que as coisas andem. E a gente precisa deste "bendito" dinheiro para sobreviver. Por causa de dúvidas, de falta de esclarecimento e transparência, muitas pessoas desistem da caminhada de evangelização, se incompatilizam com a própria comunidade. A Igreja mesmo, vendo que precisa melhorar este aspecto, tem publicado documentos onde se fala muito de gestão e da responsabilidade com os recursos da comunidade.

Assim como nos inúmeros conselhos, pastorais, encontros, retiros, reuniões falamos de tantas coisas, de tantos caminhos que podemos ou não seguir, acredito que precisamos falar às claras sobre questões financeiras da comunidade. Qual é o caixa? Que total de recursos temos? Quais as nossas necessidades materiais? Onde é investido o dinheiro da comunidade? Onde está a prestação de contas? Quem fiscaliza? Quem presta contas disso? Como podemos ter acesso a estas informações? Quais são as responsabilidades de cada um? E acontece de não se abrir as contas para ninguém... Não pode ser assim. O caixa de uma comunidade, não pode ficar apenas nas mãos de alguns "donos", que chamam para si todas as responsabilidades e decisões.

Hoje eu sou presidente da Câmara de vereadores de Caxias do Sul. O orçamento por aqui é de quase R$ 40 milhões por ano. Tudo precisa ser feito de forma clara. Eu não assino um documento ou cheque sem saber exatamente o que é, qual a necessidade daquele gasto. Somos auditados pelo tribunal de contas, pela controladoria interna, enfim, precisamos fazer as coisas certas. Mas isso só não basta: precisamos deixa transparente nossas ações para que todos possam ter acesso, afinal de contas, lidamos com dinheiro público. Por isso, continuo defendendo que existam conselhos econômicos em cada comunidade, que sejam idôneos, neutros, que fiscalizem com olhar caridoso tudo aquilo que é da comunidade.

Uma comunidade não pode ser apenas de um padre, de um bispo, de um ecônomo. Precisamos de uma vez por todas, falar sobre estas questões com tranquilidade. Transparência no trato de recursos de uma comunidade, deve ser um assunto rotineiro e não um bicho de sete cabeças. Cuidar disso, é cuidar das pessoas. Fiscalizar, zelar pelo que é da comunidade, é também um ato cristão, evangelizador.

Alberto Meneguzzi
Catequista e Jornalista
Vereador em Caxias do Sul – RS.

segunda-feira, 26 de março de 2018

SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO


Você escreve a lápis ou a caneta?
Estamos nestas últimas semanas da Quaresma, vivendo com intensidade os sacramentos da Iniciação. Isso porque, pelo processo catecumenal, é o tempo ideal para os sacramentos. Assim, teremos a nossa Crisma no dia 31 de março, Sábado Santo.
E neste último sábado (24/03), que precede esta data tão importante para os crismandos, tivemos uma pequena celebração penitencial com Frei Alexandre, pároco da nossa comunidade, preparando mentes e corações para a confissão. E tal como nossas crianças, me vi "maravilhada", ouvindo e sentindo, o que é estar próximo de receber mais essa graça e este sinal de fé da Igreja Católica.
E entre tanta sabedoria que ali ouvi, destaco uma reflexão:
Frei Alexandre comentou que muita gente continua vivendo o sacramento da reconciliação como "quem ainda escreve a lápis"... 
E ele perguntou se a gente lembrava de quando trocou o lápis pela caneta na escola. 
Qual foi a sensação?
Era bom escrever a lápis, né?
E que medo de começar a escrever com a caneta!
Por que? Porque quando escrevemos a lápis, sabemos que tem borracha para apagar os erros rapidinho. 

Já a caneta, exige segurança, maturidade. Não se apaga facilmente uma escrita de caneta... no mínimo a gente acaba mesmo, rasgando a folha ou borrando tudo.

E é assim que muitas pessoas encaram o sacramento da confissão/reconciliação. Pensam e vivem "escrevendo a lápis", errando e refazendo, às vezes, até os mesmos erros. Afinal, dá pra apagar mesmo! E lá vamos nós pensando que podemos errar sempre que Deus perdoa sempre, é só ir ao confessionário. E continuamos a escrever nossa vida “a lápis”...
Não seria melhor "escrever de caneta"? Tentando fazer tudo certo, nos esforçando para não errar? E é assim, tem muito adulto ainda escrevendo de lápis a vida, vivendo uma fé infantil, imatura, achando que pode errar, é só apagar... E o confessionário vira borracha...


Ângela Rocha
Catequista 




sexta-feira, 23 de março de 2018

LANÇAMENTO!!! APOSTILA ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

OLHA A NOVIDADE!!!




FORMAÇÃO BÁSICA PARA CATEQUISTAS - MODULO III: “Itinerário Catequético”

CONTEÚDO:
Apresentação
01 – Itinerário Catequético: o que é?
TEXTO DE APOIO - Lugares privilegiados de catequese
02 – Orientações sobre o itinerário Catequético
TEXTO DE APOIO - Um processo de inspiração catecumenal
TEXTO DE APOIO - Lugares e organização da Catequese – Cap. 8º DNC.
04 – IVC - Iniciação à Vida Cristã
TEXTO DE APOIO - Documento de Aparecida - itens 286 a 300
04A – Começando a “desenhar” o mapa
04B – Preparando-se para caminhar - Métodos
TEXTO DE APOIO – As sete pedras fundamentais da Catequese
05 – Destinatários/Interlocutores da catequese
06 – Catequese com jovens, adolescentes e crianças
07 – A Família no DAp e no DNC
08 - A catequese e a comunidade
TEXTO DE APOIO – O Itinerário no DNC
09 – Formação de Catequistas
10 – Construção dos conteúdos da catequese

ANEXOS (opcional):

Nós construímos para você conforme a organização da sua catequese...

- Roteiros temáticos para a Catequese de Eucaristia
- Roteiros temáticos para catequese de Crisma
- Roteiros temáticos para catequese de perseverança
- Roteiros temáticos para pré-catequese (antes dos 9 anos)
- Roteiros temáticos para catequese de adultos

OBS. Os roteiros são apenas de TEMAS (leituras bíblicas sugeridas, doutrina, liturgia), não acompanha o desenvolvimento do encontro. 

* Para que seja construído o temário é necessário informar a quantidade de etapas e de encontros de cada etapa: Eucaristia, crisma, pré-catequese e perseverança, adultos.


Consulte os valores pelo e-mail:





MÍDIAS DIGITAIS: NOVOS SUJEITOS, NOVOS CATEQUISTAS



Comunicação significa “com – múnus”, aquilo que é compartilhado, ou seja, um dom pessoal ofertado a outro ou um dever de todos para com todos. A comunicação, na sua essência, tem o objetivo de criar comunhão, estabelecer vínculos de relações, promover o bem comum, o serviço e o diálogo. Já aprendemos que o “encontro suscita o anúncio”. Santo Agostinho nos disse: “Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. ”

Eu é isso que eu vejo no Grupo Catequistas em Formação, que atua hoje nas redes sociais e no Blog Catequistas em Formação. Vejo a Igreja agindo por intermédio de leigos catequistas, atingindo pessoas nos cantos mais remotos do país. E é um trabalho feito exclusivamente por LEIGOS, catequistas e agentes de pastoral que assumiram esta missão na Igreja.

Primeiro, teve o encontro, mesmo que virtual. Antes, porém, um objetivo comum, ou seja, a evangelização, porque a Igreja existe para evangelizar. Depois do encontro, o anúncio. Às vezes, pode até parecer que o anúncio não está acontecendo. Mas está, e de forma concreta ele acontece entre nós por aqui. De que forma? Em cada curtida, em cada postagem que é compartilhada, cada comentário, um vídeo que seja visualizado, uma foto, uma frase, um texto, uma provocação, uma reflexão a respeito da nossa missão, a nossa interação uns com os outros, tudo isso transforma o encontro em anúncio. A nossa manifestação, mesmo que tímida - às vezes nem aparece - é, ao mesmo tempo, um recado ao mundo de que nesta imensidão de coisas, de fatos, informações, nesta “loucurada” que se transformou a internet, há também gente disposta a fazer as coisas diferentes.

No marketing se diz: onde existe uma necessidade, existe também uma oportunidade. E esta oportunidade se mostra quando olhamos os números alcançados pelo blog. Mais de QUATRO milhões de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é a prova da necessidade de Deus, de uma mensagem mais humana, de caminhos diferentes, de palavras que tocam mais o coração, de transformação da sociedade. Estes quatro milhões de visualizações num blog evangelizador, direcionado para catequistas, organizado por leigos, atualizado por colaboradores; é raro, impensável, é quase para não se acreditar.

A cultura digital que está estabelecida nos dias de hoje, nos desafia a reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Isso significa favorecer a comunhão e a cooperação entre as pessoas. E a Igreja nos pede, que tenhamos uma atenção especial às crianças e aos jovens. Então, estamos no caminho certo, e isso é ótimo. Estamos, também, e isso é louvável, fugindo daquilo que os especialistas em comunicação chamam de “lógica do mercado”, ou seja, tudo aquilo que a gente vê nos veículos de comunicação de massa: monopólio, lucro, modelos distorcidos, busca obsessiva por ouvintes, telespectadores e leitores e com isso, uma despreocupação com a qualidade da programação, com uma comunicação social vulgar e banalizada. Não é isso que temos aqui, não é isso que queremos ao propagar o projeto de Deus através de um blog. Aliás, o que queremos aqui é justamente o contrário da lógica do mercado: formar cristãos capazes de anunciar a palavra e dar voz aos que dela são privados.

Por isso, um número como esse de visualizações, num blog voltado aos catequistas, é um feito a ser comemorado e, ao mesmo tempo, nos desafia a pensar além. Existe uma necessidade bem clara, e a oportunidade de evangelizar, de tocar corações e transformar o mundo, é agora, não pode ser amanhã, não podemos postergar. Somos comunicadores por excelência. A catequese hoje não nos pede que sejamos discípulos, missionários, apóstolos, evangelizadores?  Então, o catequista deve ser um facilitador neste processo, um mediador, um facilitador da comunicação e não um dificultador. O dom do discipulado, é ser comunicador. Estamos imersos num mundo digital, isso não tem volta, não adianta lutar contra. Mas é bom que saibamos e lembremos algo: o anúncio de uma mensagem, seja ela em qual plataforma for, está intimamente ligado e vinculado a um testemunho coerente por parte que de quem anuncia.

Os meios de comunicação, devem servir ao ser humano e isso significa, conhecê-lo e principalmente amá-lo. Com isso, sejamos cada vez mais, novos sujeitos também por intermédio das mídias digitais. Dá sim, para construir amizades autênticas por aqui e transformar este mundo em algo melhor. O nosso grupo, dos Catequistas em Formação, é prova disso.

Alberto Meneguzzi*
Jornalista e Vereador em Caxias do Sul – RS.
* Catequista e Jornalista – Membro do Grupo Catequistas em Formação (www.catequistaemformacao.com)

HOMILIA: DOMINGO DE RAMOS



                   
                        HOMILIA DO DOMINGO DE RAMOS – ANO B


A celebração do Domingo de Ramos nos traz duas ideias antagônicas que estão ao mesmo tempo unidas: a exaltação e a humilhação. São duas realidades humanas experimentadas em várias ocasiões da vida.


Jesus, como qualquer ser humano, passou por estes dois extremos e as consequências foram decisivas para a sua vida terrena. O mesmo povo que exaltou o Senhor em sua entrada triunfante em Jerusalém, abandonou-O  no seu momento derradeiro, e até mesmo O condenou. O final da vida de Jesus nos mostra que o aplauso fácil não nos garante absolutamente nada.


Aqueles que fazem algum feito extraordinário, os que manifestam competência são aplaudidos. Mas nem todo aplauso denota verdadeiro reconhecimento. Em muitos casos, os aplausos significam bajulação, adulação interesseira. Assim, também os incompetentes são ovacionados, se possuem algum poder. Ao carregar ramos nas mãos, podemos refletir sobre as ocasiões que elogiamos de modo fácil os outros e quando recebemos aplausos vazios.


Por outro lado, existe a humilhação. Os mesmos lábios que elogiam podem insultar, as mesmas mãos que aplaudem podem bater, a mesma presença alegre pode se transformar na tristeza da solidão. Em muitas ocasiões nos sentimos derrotados, oprimidos, humilhados.


Como Jesus encarou estas realidades? Jesus não escolheu o poder, não escolheu a fama, nem o elogio, não assumiu uma atitude triunfalista. Seu desejo não era encabeçar uma revolta, mas sim uma reforma radical. Jesus não tinha a intenção de mudar a realidade por meio da violência: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas Ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo”(Fl 2, 6-7). Se a exaltação do povo foi o caminho para a humilhação de Jesus, o esvaziamento humilde do Senhor foi o caminho para a sua exaltação: “Por isso, Deus o exaltou sobremaneira” (Fl 2,9).


As escolhas de Jesus nos levam a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência, escolher o reconhecimento. Podemos aplaudir indevidamente ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. Podemos também projetar nossas esperanças em algum líder revolucionário ou em um pregador. Outra possibilidade é escolher aquilo que não aparece e que não tem valor. Podemos escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. Podemos escolher o caminho doloroso da cruz para que o Senhor nos exalte. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva à vida.


Jesus assume nossa vida e nossa dor. Seu coração chagado não apenas sentiu a lança, mas o abandono. Sentiu-se abandonado pela multidão, pelos discípulos, pelo próprio Deus. No seu abandono tornou-se solidário nos maiores dramas do ser humano: o abandono da morte. No total abandono do Senhor, no seu silêncio, alguém reconhece que Ele é o filho de Deus. O Evangelho de Marcos narrou várias vezes Jesus se opondo àqueles que reconheciam que que era Ele o Messias, pois o faziam de modo indevido, sem entender o que realmente é o messianismo. Sua verdadeira messianeidade se revela na cruz, na sua humildade, na sua kenosis, no seu rebaixamento total, no enfrentamento da violência com o silêncio do amor, na sua doação total. O Rei-Jesus verdadeiro não é reconhecido em uma entrada triunfal sob aplausos da multidão, mas na sua capacidade de amar revelada na Santa Cruz.


Hoje podemos continuar aplaudindo o Senhor, enquanto somos passivos diante da dor humana, diante dos crucificados que surgem diante de nós pedindo uma palavra, um consolo, um gesto de amor. Também poderemos tentar encontrar o Filho de Deus sem cruz, sem o verdadeiro significado de sua existência e missão. Os ostensórios dos altares correm o risco de tornar a imagem de um Jesus aplaudido por uma multidão inconsciente sobre a verdade mais profunda do Filho de Deus.


A atitude do filho de Deus continua sendo desconcertante. O Senhor nos revela que as luzes do prestígio e da fama são efêmeras, secundárias. Só pode montar num jumentinho quem é muito consciente de sua grandeza interior, aquele que não se importa com as aparências.

Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR  
   


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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segunda-feira, 19 de março de 2018

SÃO JOSE: FIEL À VONTADE DE DEUS


Neste dia 19 de março, a Igreja celebra solenemente São José, esposo da Virgem Maria. “A admiração silenciosa e o culto firmado a São José têm as suas fundamentações, que devem ser como que garimpadas em meio às alternâncias da história e das vicissitudes do povo de Deus”, diz Frei Hugo D. Baggio. E, segundo o frade, como a Abraão, dele também foi exigida uma carga de fé quando se viu diante do inexplicável mistério. “E ele suportou a prova, venceu o teste. Ficou firme na sua posição, enfrentou o futuro, e a partir daí entrou em cheio na vida de Cristo e de Maria. Exige-se uma sensibilidade muito afinada com a vontade de Deus para perceber suas ordens através de sinais. E José o fará muitas vezes, sempre no silêncio”.

É esse silencioso “sim” que aborda Leonardo Boff, autor de um belo livro sobre São José, publicado pela Editora Vozes. “Esse silêncio não é mutismo de quem não tem nada a dizer. José teria muitíssimo a dizer. Ele, sendo justo, no sentido que aclaramos acima, certamente irradiou ao seu redor mais pelo exemplo que pelas palavras. Entretanto, quando as coisas são grandes demais, simplesmente calamos”, diz o teólogo.

Frei José Ariovaldo da Silva faz uma introdução detalhada de como nasceu a devoção ao esposo de Maria no Oriente e no Ocidente até se espalhar por todos os recantos do mundo cristão. “É muito bom sermos profundamente humanos em nossa vida espiritual. Pensar e viver a vida espiritual também com o coração! E quem assim fizer, sem dúvida encontrará em São José a figura de um pai extraordinariamente bom, inspirador de confiança, animador da esperança, e, sobretudo, criador de serenidade decidida. Parece que a história da devoção a São José nos ensina isso”, diz Frei José, refletindo também liturgicamente a solenidade.

Pe. Pe. Johan Konings, SJ, também comenta a liturgia do dia: “São José aparece como o homem responsável, fiel e prudente, a quem Deus confiou seu Filho. Nós temos o costume de achar que responsabilidade só diz respeito ao que nós mesmos fazemos. Mas muito maior é a participação quando nos tomamos responsáveis por aquilo que não tem em nós a sua origem”, observa.

Na sua reflexão, Frei Almir Guimarães destaca José como aquele a quem foram confiados os mistérios da salvação: “A criança que nasce de Maria, que precisa de leite, de pão, de atenções, de cuidados será objeto das atenções de José que chamamos de Pai nutrício do Filho de Deus feito carne. José será o homem da ação de todos os dias e da ininterrupta contemplação dos adoráveis mistérios de Deus”, observa Frei Almir.

Citada pelos articulistas deste Especial, não poderíamos deixar de apresentar a bela exortação apostólica de São João Paulo II, sobre a figura e a missão de São José: Redemptoris Custos.

Encerramos o Especial com uma oração a São José e a música “Meu Bom José” de Rita Lee. Boa leitura!


Oração a São José

Anuncia, ó José, ao teu antepassado Davi 
as maravilhas: tu que viste a Virgem dar à luz, 
tu que adoraste com os reis magos,
tu que glorificaste com os pastores,
tu que foste instruído pelo anjo suplica a Cristo-Deus,
para que salve as nossas almas!

(da Liturgia Bizantina)


ACOMPANHE AS REFLEXÕES CLICANDO NOS TÍTULOS:


FONTE: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

domingo, 18 de março de 2018

SÃO CIRILO DE JERUSALÉM

A Igreja celebra hoje a memória de São Cirilo de Jerusalém.

Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do “nestorianismo” causando profundas divisões. Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345, foi ordenado sacerdote.

Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influencia na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirílo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa , porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378.

O seu trabalho, entretanto resistiu a tudo e chegou até nossos dias e especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos. Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã. Assim, seus escritos explicam detalhadamente os “como” e os “porquês” de cada oração, do batismo, da crisma, da penitência, dos sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja.

As famosas vinte e três aulas de Cirilo, destinadas aos catecúmenos de Jerusalém que se preparavam para o batismo, chamadas por isso de "Catequeses" (kατηχήσεις), são melhor apreciadas quando divididas em duas partes: as primeiras dezoito são geralmente conhecidas como "Aulas Catequéticas", "Orações Catequéticas ou "Homilias Catequéticas" e as cinco últimas, como "Catequeses Mistagógicas" (μυσταγωγικαί), chamadas assim por tratarem dos "mistérios" (μυστήρια), ou seja, os sacramentos do Barismo, da Confirmação e da Eucaristia.

Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade. Ele morreu no ano 386.

Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semiarianos. Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiel postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloquência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram “valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião”.

Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vacilante, como dizem os registros. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém, com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos.

São Cirilo aos catecúmenos:

“Caíste na rede da Igreja (Mt 13, 47). Deixa-te, portanto, apanhar vivo; não fujas, porque é Jesus que te prende no seu anzol, para te dar, não a morte, mas, a ressurreição depois da morte. De fato, deves morrer e ressurgir ( Rm 6, 11.14)… Morres para o pecado, e vives para a justiça a partir de hoje”.

FONTE PRINCIPAL:
www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 16 de março de 2018


HOMILIA DO DOMINGO: A MISSÃO DO VERDADEIRO MESSIAS
                          HOMILIA 5º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B

Jeremias nos diz que Deus estabelecerá a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. No Novo Testamento temos a eterna aliança, chamada de testamento. A herança que nos é trazida, o movo acordo é selado pela morte de Deus – Cristo, Deus encarnado dá a sua vida na cruz. A Nova Aliança é a solidariedade de Deus. Sua morte é o ponto mais alto desta solidariedade.


Cristo, mesmo sendo Filho de Deus, foi um homem que experimentou a fragilidade e debilidade dos homens. Sofreu, chorou, sentiu angustia e medo diante da morte, como qualquer ser humano o faria.  Por isso, Jesus é o sumo-sacerdote capaz de entender as fraquezas e fragilidades dos homens. A partir dessa compreensão, Ele será também capaz de dar-lhes remédio. O Senhor partilhou as nossas dores, medos e incertezas. Ninguém está sozinho diante da dor, do sofrimento. Cristo nos toma pela mão, sofre conosco, entende de dor. Antes de se revoltar diante do sofrimento, lembremo-nos que Cristo também sofreu.


Na Nova Aliança, a liberdade do homem –Deus assume a vontade do Pai. Jesus orou com intensidade. A Carta dos Hebreus alude, provavelmente, à oração de Jesus no Monte das Oliveiras, pouco antes de ser preso: “Pai, afasta-me deste cálice, mas que não seja feita a minha vontade” (Mc 14,36). Ele foi atendido em sua prece, pois sua oração não o eximiu da vontade do Pai, da sua missão. Não aceitou a dor pela dor, não queria morrer, mas aceitou a vontade de Deus. Pela oração conhecemos a vontade do Pai, não simplesmente pedimos que se faça a nossa vontade, que muitas e muitas vezes é egoísta.


A Nova Aliança é a cruz de Cristo, abraçada por amor. Só o amor como dom total é gerador de vida: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caído na terra não morrer, permanece só; se morrer produz muito fruto” (Jo 12,24). Quem quiser gerar a vida, deve morrer. A vida é morte – eis o mistério da Páscoa! É a doação da mãe que sofre pelos filhos, é tempo gasto, é vida investida. Quantos são os exemplos de mortes que geram a vida para a comunidade e para a sociedade? Quantos doam de seu tempo, de seu dinheiro da renúncia de sua comodidade? Quantos foram mais longe, morrendo em nome de Cristo – os mártires, como Oscar Romero? Quantos gastam a vida em nome do amor aos pequenos como o fez Tereza de Calcutá?


Quem ama a si mesmo e se fecha num egoísmo estéril, quem se preocupa apenas em com defender os seus interesses e perspectivas, perde a oportunidade de chegar à vida verdadeira, à salvação. O apego egoísta à própria vida levará ao medo de agir, à dificuldade em comprometer-se, ao silêncio perante a injustiça.
Na Páscoa- nossa Páscoa, o nosso morrer deve se transformar em vida. É por isso que cada domingo temos uma nova Páscoa, ou seja, a memória da salvação oferecida por Deus: o  Senhor se oferece, dá a vida. Sua morte e ressurreição é o que celebramos. Este mistério deve configurar toda a nossa vida. Que a Eucaristia seja a força renovadora de nossa existência.


Pe. Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba-PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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Palavras sobre o Reino na vida a partir dos Evangelhos. São três livros: Ano Litúrgico A, B e C. Cada livro tem o valor de R$ 15,00. Kit com os três livros: R$ 30,00 + frete.

quarta-feira, 14 de março de 2018

CADA COMUNIDADE UMA NOVA VOCAÇÃO!


CADA COMUNIDADE UMA NOVA VOCAÇÃO: CAMPANHA

A Igreja do Paraná, atenta à indicação de Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe” (Mt 9,38), iniciou uma ação evangelizadora inédita em prol de vocações para a Igreja. A proposta é que cada comunidade coloque-se em oração, como um único corpo, pedindo ao Senhor, por intercessão de Nossa Senhora, uma nova vocação para a Igreja. 

A vocação para o sacerdócio, a vida consagrada, a família, a missão… é um dom concedido somente por Deus, mas também é fruto da comunidade que reza. O Papa Francisco acredita nisso: “Jesus nos disse que o primeiro método para obter vocações é a oração e nem todos são convencidos disso”. Além da oração, outro elemento essencial é o testemunho. Os jovens precisam ver testemunhos bonitos de pessoas que se dedicam inteiramente ao Senhor com alegria, para que possam se sentir motivados a apostar sua vida nesse mesmo caminho. “É verdade que o jovem sente o chamado do Senhor, mas o chamado é concreto e, na maioria das vezes, é: Quero me tornar como ele ou ela. Existem testemunhos que atraem os jovens. Os testemunhos dos bons sacerdotes e das boas religiosas”, disse também o Papa Francisco. 

Desta forma, a Ação Evangelizadora: Cada comunidade uma nova vocação vai se desenvolver a partir de dois eixos: 

1º - Rezar pelas vocações: Em todos os encontros/reuniões da Igreja começar ou terminar com uma dezena do rosário pelas vocações. Ex. Assembleias dos Bispos, Reuniões de Clero, Conselhos de Pastoral, Encontros da Catequese, Movimentos e Organismos, etc. É importante recordar às pessoas a intenção da oração: pelas vocações. 

2º – Evangelizar pelas Redes Sociais: Publicar vídeos breves, densos de vida cristã-presbiteral-religiosa-laical (todas as vocações) nos meios de comunicação, interagindo com os Regionais, Arquidioceses, Paróquias, Pastorais, Movimentos Eclesiais etc. 

A Ação abrange 51 Dioceses da Igreja Católica, milhares de comunidades para rezar pelas vocações e para partilhar pelas redes sociais testemunhos de quem vive com alegria a sua vocação. 

Os objetivos da campanha são: 

Suscitar uma cultura vocacional em toda a Igreja para despertar as mais variadas vocações: esse é o objetivo geral da Ação Evangelizadora cada comunidade uma nova vocação. 

Os objetivos específicos: 

  • Rezar pelas vocações em todos os espaços e momentos da vida eclesial; 
  • Desafiar as comunidades a despertar um de seus membros para uma vocação de consagração; 
  • Dar sustentação espiritual aos que responderam ao chamado de Deus; 
  • Publicar nos meios de comunicação testemunhos, músicas, filmes vocacionais; 
  • Viver a experiência da unidade eclesial na promoção vocacional. 

Estão à frente desta Ação Evangelizadora nos três estados da região sul: os Arcebispos e Bispos, a Comissão Regional dos Presbíteros, a Conferência dos Religiosos em cada estado, a Comissão Regional dos Diáconos Permanentes, a Pastoral Vocacional/Serviço de Animação Vocacional. Além destes estados várias outras dioceses já aderiram à Campanha. 

Além dos bispos, uma multidão imensa de leigos está sendo envolvida ativamente por meio de todas as Pastorais, Movimentos Eclesiais, Organismos e Serviços da Igreja. 

De modo especial, três grupos de leigos estão sendo chamados a estar na linha de frente desta Ação Evangelizadora: 

– Ministros como “guardiões” 

Os Ministros Extraordinários da Eucaristia estão presentes nas igrejas matrizes e em quase todas as comunidades/capelas. Os bispos pediram a eles para serem os guardiões desta Ação Evangelizadora. Isto é: eles vão zelar para que o povo reze pelas vocações, lembrando sempre a intenção da oração: por todas as vocações. 

– Catequistas e catequizandos como “protagonistas” 

Também a esses está sendo enviado um documento dos bispos confiando a eles o protagonismo da Ação Evangelizadora. No texto pede-se que, na medida do possível e onde for oportuno, no início de cada encontro de catequese reze-se, de forma bem dinâmica, a dezena do Rosário com os catequizandos, pelas vocações. 

Está sendo pedido para que cada grupo de catequese eleja uma imagem de Nossa Senhora e com ela confeccione uma capelinha. É importante que haja o envolvimento dos catequizandos na escolha da imagem e na “construção” da capelinha. Uma vez tendo a capelinha, no final de cada encontro um dos catequizandos a levará consigo para rezar com a sua família. Dessa forma, o catequizando se torna protagonista da oração pelas vocações junto aos seus familiares. 
Capelinha usada na Catequese da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões - Centro - Curitiba PR.
No início de cada encontro, ao acolher a capelinha que retorna ao grupo, pedir para o catequizando contar para os amigos como foi a oração pelas vocações em sua família. 

– Adolescentes e Jovens como “divulgadores” 

Do mesmo modo como está sendo pedido para os dois grupos acima, os adolescentes e jovens estão sendo encarregados de serem os divulgadores dos vídeos-testemunhos nas redes sociais. Ninguém melhor que eles para espalhar os depoimentos de quem vive a sua vocação com alegria. Os adolescentes e jovens também podem produzir vídeos para serem compartilhados. Isso seria demais de bom! 

No estado de Santa Catarina a Ação Evangelizadora teve início dia 2 de fevereiro, na festa da Apresentação do Senhor e dia da Vida Consagrada. Já no Paraná, no Rio Grande do Sul e nas demais Dioceses que aderiram à Ação Evangelizadora, a abertura será durante a Semana Santa, mais especificamente durante a Missa do Crisma. Em todas as Dioceses, os bispos diocesanos se reúnem com seus padres para a renovação das promessas sacerdotais e, nessa ocasião será realizado o lançamento da Ação Evangelizadora em âmbito de Diocese. Durante a celebração do Lava-Pés na noite da Quinta-feira Santa será feito o lançamento da Ação Evangelizadora em âmbito de paróquia. A nossa equipe está preparando um vídeo bem breve para ser projetado no início da celebração. 

Acompanhe as notícias e os vídeos da Campanha pelo site: 

quarta-feira, 7 de março de 2018

BÊNÇÃO DA MULHER


Que o Senhor te conceda a audácia de Débora
E a valentia de Ester e de Judite.
Que te encha da alegria com a Ana.
E de lealdade e de amor fiel como Rute.
Que possas cantar e dançar junto ao mar
Como Maria, a profetisa.
E que, como Maria de Nazaré,
Proclames a grandeza do Senhor,
No triunfo dos famintos e dos humildes.
Que chegues a encontrar-te com Jesus, o Senhor,
Como o encontraram Maria Madalena e Marta
e Salomé e a Samaritana.
Ele lhes devolveu a dignidade e a liberdade
E lhes deu um nome novo.
E que, como aquela mulher encurvada,
De quem Jesus se aproximou e pôs de pé,
Possa tu viver erguida e ajudar a erguer a outros, a outra.
Porque ela e tu, e nós e todas as mulheres e homens,
somos chamados e chamadas a pôr-nos de pé, sempre,
para a glória do Senhor Deus.

Amém!

(Autor desconhecido)

A TODAS AS MULHERES DO MUNDO, pelo seu DIA, sua HORA, sua VIDA, sua DOAÇÃO e seu imenso AMOR pela humanidade, que a elas foi dada como FILHOS!
DEUS AS ABENÇOE!


sexta-feira, 2 de março de 2018

HOMILIA DO DOMINGO: JESUS É O NOVO TEMPLO



                       HOMILIA DO 3º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B

“Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna! Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos” (Sl 18).O Salmo nos ajuda a entender o sentido da lei de Deus – ela existe como caminho de felicidade, como luz para guiar nossos passos. Bem diferente é o legalismo, que propõe a religião como um seguimento de ritos e de leis externas. Neste caso, a lei é como um peso que deve ser carregado, algo mito duro, configurando-se mais um caminho para evitar a condenação do que um caminho para encontrar a vida.


Deus deu uma lei no Sinai. Os dez mandamentos são as leis que organizam as nossas inclinações naturais, que podemos chamar de lei natural, escrita no coração de cada pessoa. Esta lei deve ser acolhida como uma graça, um dom e não um fardo. Esse dom deve ser vivido na alegria, na certeza que nos conduz à felicidade. A Lei vem para nos alegrar o coração. Não seguimos uma religião de pode ou não pode. , mas uma religião que liberta, que traz a vida, que orienta para eternidade. Nossa vida pode ser um inferno ou um céu, a escolha cabe a nós. A vivência da lei  não é apenas uma questão de futuro escatológico, mas de busca da felicidade no presente e no cotidiano de nossas vidas.


Qual é a opção da sua vida? O critério está no decálogo – amar ao Deus e ao próximo. No que você gasta seu tempo? Seu dinheiro? Sua vida? Quais são os sonhos da sua vida? O que mais deseja? Pergunte a si mesmo e veja se está de acordo com o projeto de Deus. A Quaresma é uma oportunidade para avaliar projeto de Deus. A Quaresma é uma oportunidade para avaliar a vida e convertê-la a partir de dentro, a partir do espírito da lei.


Para saber se estamos no caminho certo, se nossa religião é interesseira ou se é libertadora, devemos avaliar se nosso culto é autêntico. Jesus denuncia uma religião em função de si mesma, uma religião em função do lucro: os sacerdotes ganhavam muito dinheiro com a venda de animais para o culto. Nosso culto deve ser verdadeiro. Uma religião em função do lucro não é verdadeira. Uma religião em função do meu egoísmo ou de espera demasiada em curas e milagres, como denuncia São Paulo na segunda leitura, não é verdadeira. Jesus desconfiou da fé daqueles que viram seus prodígios. Uma religião de obrigações também deve ser revista. O que está em jogo não é meu eu, mas as opções da minha vida, transformadas pela adesão em Cristo – configuradas a partir do Cristo Crucificado e Ressuscitado, como prega São Paulo.


Qual é a religião que Jesus quer? Ele deseja que encontremos Nele a resposta. Ele é o Templo, ou seja, Ele é o caminho que nos leva a Deus, não as pedras das instituições. O nosso encontro pessoal com o Senhor se dá Nele, seguindo a Ele, vivendo o que Ele viveu. Assim poderemos vivenciar as palavras pronunciadas para a Samaritana diante do Poço de Jacó: “Os verdadeiros adoradores adorarão em Espírito e Verdade e são esses os adoradores que o Pai deseja” (Jo 4, 23).


Pe Roberto Nentwig
Arquidiocese de Curitiba - PR


FONTE: 
NENTWIG, Roberto. O Vosso Reino que também é nosso. Reflexões Homiléticas - Ano B. Curitiba; Editora Arquidiocesana, 2015. pg. 79.



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