quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

PAPA FRANSCISCO



Papa: viver e julgar com o estilo misericordioso do cristão

"O nosso estilo de vida, o nosso modo de julgar os outros deve ser plenamente cristão, isto é, generoso e repleto de amor, e não motivo de humilhações, porque com a mesma medida com a qual julgamos, também nós seremos julgados ao final da nossa existência."

Homilia na missa celebrada na Casa Santa Marta, 30/01/2020.

ENCONTROS DE CATEQUESE PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

Todos os anos, assim que começa a catequese, também começa a CAMPANHA DA FRATERNIDADE, normalmente lançada na Quarta-feira de Cinzas - este ano dia 26 de fevereiro.
E precisamos nos preparar para os encontros!

A CNBB oferece em todas as campanhas um livrinho especialmente para a catequese, com 5 encontros já prontos. É só o catequista usar, adaptar a sua realidade e acrescentar o que achar necessário. Vale a CRIATIVIDADE de cada um.

R$ 2,90 a unidade
Os livrinhos, o cartaz, o texto base, bem como todo o material da campanha, você encontra no site das Edições CNBB e nas livrarias católicas da sua cidade. Peça ao pároco para adquirir para os catequistas da sua comunidade!

ACESSE EDIÇÕES CNBB:

PESQUISE NA INTERNET e via encontrar várias publicações a respeito!

SUGESTÕES:

Catequese a um passo de começar; então mãos à obra. Adquiri este livrinho de Encontro no site da CNBB. E nele tem uma sugestão de Encontro como este: "Que bom se cada um fizer a sua parte". Para trabalhar este encontro, sugere -se fazer um "Quebra cabeça"do cartaz da Campanha da Fraternidade.Então eu fiz!😊
Depois de feito, separei os cantos, para entregar estes para eles anotarem suas atitudes e também para facilitar a montagem depois.
Bom o resto do encontro, ainda tenho que pensar, mas isso fica para depois.

Gisele Araújo - Catequista Paróquia Santo Antônio, de Bocaiúva do Sul-PR

Para diversão dos pequenos:

Conte a parábola numa linguagem de fácil entendimento e depois discuta com as crianças qual a atitude mais correta a se tomar com o outro. Depois distribua a atividade abaixo para encontrar o caminho e colorir:


Ângela Rocha
Curitiba - Pr

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020 - Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso


Estamos chegando a mais um período de Quaresma e com ela vem a Campanha da Fraternidade, um período para analisarmos e colocarmos em prática algo que deveria ser natural para nós, a prática do amor, da solidariedade e a nossa conversão diária. Sair um pouco da “casinha” e enxergar as inúmeras dores e realidades que se passam ao nosso redor. Nesse tempo penitencial a rotina na comunidade se torna diferente, nos nossos encontros de catequese temos a oportunidade de dialogar com nossas crianças, jovens e adultos, nos nossos bairros, fazemos os encontros nos grupos de rua, com nossos vizinhos e nestes momentos em grupo, meditamos, conversamos, partilharmos histórias, experiências e nos conscientizamos dos dramas do nosso próximo. E o mais importante: temos a chance de fazer algo concreto para ajudar as pessoas, seja nas ações sociais da nossa comunidade ou na contribuição para a CF, chega o momento de se ter atitudes de fato e mostrar que pode fazer a diferença.

Neste ano, com o tema: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34) podemos refletir sobre o que significa isso na nossa vida.

Quantas vezes assumimos o papel do levita e do sacerdote e passamos adiante e quando incorporamos a do samaritano? Temos olhado ao nosso redor, sobretudo nos grandes centros urbanos e temos visto quão grande é o número de pessoas sofrendo por inúmeras enfermidades, das doenças, dos vícios, do abandono, da depressão... e onde estamos nós? As vezes quando ficamos sabendo do sofrimento de alguém, de  a gente se dispõe a rezar, claro que  nossa oração é muito importante, mas  muitas vezes não basta, precisamos sair da nossa comodidade e precisamos rezar com atitudes, com nossas mãos. Precisamos fazer algo concreto para ajudar o próximo, nos conscientizar, por meio dos ensinamentos de Jesus, do valor da vida, dom concedido por Deus a todos e do nosso compromisso como cristão de amar o próximo como a si mesmo, que se traduz em cuidado mútuo, o olhar você e olhar para o outro, na sua casa, no seu trabalho, no seu bairro, na sociedade e no mundo. Cuidar do nosso planeta, nossa casa comum, onde todos são prejudicados pela falta de responsabilidade e por não pensar no futuro.


Baseada na leitura do Evangelho do Bom Samaritano, os objetivos da CF deste ano estão divididos em três partes:

I PARTE – VIU

 - O olhar de Jesus – atenção aos outros
 - O olhar da indiferença gera ameaças à vida
 - O olhar que destrói a natureza
-  O olhar da indiferença exclui a vida
-  O olhar da solidariedade social
- Qual será o nosso olhar?

II PARTE – SENTIU COMPAIXÃO

- Compaixão de Jesus – romper com indiferença
-  Compaixão é ter mais coração nas mãos
-  Compaixão é ter mais justiça no coração
-  A caridade: verdadeiro sentido da vida
- Cuidar é ter mais ternura na vida
-  A Boa-nova do cuidado da vida
-  Ecologia integral
-  O desafio do sentido

III PARTE – CUIDOU DELE

-  O cuidar de Jesus – disposição em servir
- Um compromisso com a vida
- Um compromisso pessoal
- Uma renovação familiar
-  Em Comunidades Eclesiais Missionárias
- Jornada Mundial dos Pobres
- Uma colaboração social

Santa Dulce dos pobres, é a inspiração para os cartazes da Campanha deste ano, canonizada em outubro, seu legado permanece vivo em suas obras onde a prioridade era amar e servir.Para conhecer um pouco mais de história da nossa primeira santa brasileira clique aqui:


Que tal se inspirar neste testemunho de vida e preparar encontros inesquecíveis com seus catequizandos? Quantas obras inspiradoras não podemos tomar como exemplo?

Aqui fica um pequeno pensamento dela para refletirmos e colocarmos em prática:

“Habitue-se a ouvir a voz do seu coração. É através dele que Deus fala conosco e nos dá a força que necessitamos para seguirmos em frente vencendo obstáculos que surgem na nossa estrada. Não se vai acabar com a pobreza. Deus instituiu pobres e ricos, porém, a agente deve empregar todos os esforços possíveis para melhorar a situação. A miséria é a falta de amor entre os homens”.

Santa Dulce dos pobres


Os subsídios para os encontros, cartaz, livrinho, texto base; já estão nas livrarias e o Hino da Campanha da Fraternidade está no link abaixo:




Colaboração:
Vivian Leite - São Paulo SP.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Aparecida sediará evento para 3 mil catequistas de todo o Brasil


Catequistas Brasil acontecerá de 7 a 9 de fevereiro no Santuário Nacional de Aparecida

A cidade de Aparecida (SP) será sede da 2ª edição do Catequistas Brasil que acontecerá de 07 a 09 de fevereiro de 2020 no Santuário Nacional, na casa da Mãe Aparecida. O Evento, que tem a missão de educar para a evangelização, reunirá quase 3 mil catequistas de todos os estados do Brasil.

Com o objetivo de capacitar o catequista, o Evento tem o propósito e missão de contribuir para que ele se dedique à pastoral de forma evangelizadora e missionária, munido de estratégias e métodos construtivos que beneficiam na formação do discípulo de Jesus, mas, também oferecer conhecimentos técnicos e didáticos. Catequistas Brasil quer proporcionar um encontro onde o catequista possa exercer sua vocação missionária com inspiração, motivação e conhecimento para unir e viver a catequese na comunidade com alegria e entusiasmo. Os principais catequetas do Brasil ministrarão palestras no Evento.

A edição desse ano contará com mais de 50 atividades que acontecerão simultaneamente em sete locais, sendo três auditórios, três arenas temáticas e uma grande plenária. Além dessas atrações, Estações Dinâmicas serão apresentadas pelas principais editoras católicas do Brasil, entre elas: Paulus, Paulinas, Ave Maria, Santuário, Canção Nova, CNBB e Scala, além da Distribuidora Loyola de Livros. A programação nesses espaços é voltada para encontros de autores de catequese com os congressistas.

Venha e Veja!


Com o tema “Venha e Veja!”, o Evento contará, ainda, com artistas e bandas católicas ligadas à Catequese e promete muitas outras atrações aos participantes. Os interessados devem correr para garantir a sua inscrição pois restam poucas vagas. O Certificado Digital de conclusão do Curso será emitido pela Faculdade Dehoniana, dos padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ).

O Catequistas Brasil é um evento realizado pela Revista Paróquias que, há mais de 15 anos, publica conteúdos sobre gestão eclesial e prática pastoral e promove a Semana da Gestão Eclesial onde realiza seis Congressos voltados para a administração de igrejas e casas religiosas, como o CONAGE – Congresso Nacional de Gestão Eclesial, o CONASPAR – Congresso Nacional de Secretários Paroquiais e o CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha, entre outros. Na organização do conteúdo programático, a Revista conta com a colaboração de leigos e religiosos que dominam a catequese em suas missões evangelizadoras.

Promocat Promotora Católica, agência responsável pela Feira ExpoCatólica, o maior evento de promoção do segmento na América Latina, além de ter colaborado em grandes eventos como a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro em 2013 e os últimos três Congressos Eucarísticos Nacionais, é a promotora do Catequistas Brasil.

Inscrições:


As inscrições para o Catequistas Brasil 2020 podem ser feitas até o dia 5 de fevereiro pelo site evento.catequistasbrasil.com.br ou no local após esta data.

Serviços:

Evento: Catequistas Brasil 2020
Local: Santuário Nacional de Aparecida, SP
Data: de 7 a 9 de fevereiro de 2020
Realização: Revista Paróquias
Organização: Promocat Promotora Católica
Inscrições pelo site: https://evento.catequistasbrasil.com.br/
Facebook: www.facebook.com/catequistasbrasil
Para mais informações e inscrições entrar em contato: (12) 3311-0665 | (12) 99630-1989 (WhatsApp)


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

ANUNCIANDO SEMPRE: Conversão de São Paulo


O Conversão de São Paulo é comemorada dia  25 de janeiro. Foi neste dia que Paulo de Tarso, um feroz perseguidor dos primeiros cristãos, se tornou num seguidor de Jesus Cristo e num dos seus grandes apóstolos. Paulo é considerado o principal responsável pela expansão do Cristianismo pelo mundo.

“Servi ao Senhor com toda humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas que me fizeram. Nunca deixei de anunciar...”.
(At. 20, 19-20)

O apóstolo Paulo sempre foi referência para todos os cristãos, mais ainda para os catequistas. Sua conversão e sua vida de pregações são exemplos que nos levam a amar a nossa missão. Como ele, também somos discípulos, chamados a mais importante das missões: levar a Palavra do Pai a toda criatura.

Algumas vezes, no entanto, esquecemos um pouco nosso papel e nos deixamos levar pelas intrigas e mal-querenças existentes em nosso meio. Preocupamos-nos muito com o que os outros “não” estão fazendo, a tal ponto que nos esquecemos do nosso dever maior: evangelizar as pessoas que estão ali, sob a nossa responsabilidade, ávidas por palavras de encorajamento e pelo conhecimento da fé, sejam elas crianças, adolescentes, adultos. Parece-nos correto nos incomodarmos com o que os pais “não fazem”, o que o padre “não faz”, com o que a coordenadora “não faz” e o com o que os outros catequistas “não fazem”. E eu? O que eu “não faço”? Uma coisa podemos dizer: se estamos somente preocupados com isso, é porque não estamos fazendo coisa alguma! E isso vale para qualquer missão dentro de uma comunidade.

Lembremos que Paulo não se incomodava com que os outros discípulos “não estavam fazendo”.  Ele simplesmente fazia! Era um exemplo a ser seguido por todos os que caminhavam com ele. Exortava a todos, como pastores, a cuidar do rebanho do Senhor. Nunca achou, em nenhuma de suas viagens, que estava cansado demais para prosseguir. A vida dele foi repleta de realizações mesmo em seus piores momentos. Quando não podia estar lá, junto de todos, ele escrevia cartas. Palavras de encorajamento para não deixar que a chama da fé se apagasse. Ele não tinha medo e conhecia seu destino, aceitava sem temor a missão que lhe fora confiada.

Um trecho que nos anima a continuar a missão é, sem dúvida, a despedida de Paulo em Mileto (At 20m 17ss). São trechos que nos emocionam, uma mensagem nos entregando uma missão: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho, pois o Espírito Santo os constituiu guardiões, para apascentarem a Igreja de Deus, que Ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho” (At. 20, 28). Será que somos capazes de cumpri-la? Ao dizer tudo isso aos anciões ou presbíteros daquele tempo, Paulo estava nos dizendo da importância da missão do catequista, do evangelizador, do BATIZADO! “Eu sei: depois da minha partida aparecerão lobos vorazes no meio de vocês, e não terão pena do rebanho. E no meio de vocês mesmos surgirão alguns falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, fiquem vigiando e se lembrem que durante três anos, dia e noite, não parei de admoestar com lágrimas a cada um de vocês” (At. 20, 29-31), com essas palavras, ele nos alertava para o que aconteceria em nosso meio: intrigas, disputas por atenção, vaidades, ciúme e egoísmo.

No serviço pastoral precisamos tomar muito cuidado. Estamos, a todo o momento, sujeitos ao “aparecer” e nos mostrar à sociedade, esquecendo um pouco as pessoas a quem ajudamos, nossos catequizandos, etc.; pensando mais no “eu” do que no “todos”. Esquecendo que a evangelização não é um simples "serviço prestado" para concessão de sacramentos, e que catequese não é só para catequistas, porque ela é um aprendizado para a vida toda, é a iniciação do cristão na Igreja, que precisa de continuidade além da infância e adolescência.

Então, façamos como Paulo, que não cobiçou prata nem ouro e nem as vestes de ninguém: “Vocês sabem que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. Em tudo mostrei a vocês que é trabalhando assim que devemos ajudar os fracos, recordando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ’Há mais felicidade em dar do que em receber’.” (At. 20, 33-35).

Paulo nos entregou ao Senhor e à palavra de Sua graça, que tem o poder de edificar e de nos dar a herança entre todos os santificados. Façamos bom uso dessa herança e não a gastemos em vão.

Ângela Rocha
angprr@gmail.com



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

VAMOS ESTUDAR O EVANGELHO DE MATEUS?


Estamos no ANO A - Mateus, que começou na primeira semana do Advento, dia 01 de dezembro de 2019 e vai até o Domingo do Cristo Rei, este ano, no dia 22 de novembro de 2020.
Precisamos conhecer melhor o Evangelho e entender as mensagens contidas nele, de forma a conduzir nossos catequizandos pelo caminho das escrituras, para isso precisamos ESTUDAR com afinco!

Leia atentamente o texto abaixo e na sequencia, tente fazer o exercício pedido. Isso servirá para aprimorar seu conhecimento do Evangelho! Também pode ser feito um estudo em grupo com os demais catequistas.

Utilize os dois textos ANEXOS, para complementar as informações.

ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS

(*Todas as citações onde não aparece o nome do livro são do Evangelho de Mateus.)

Autor: Mateus significa "dom de Deus" (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9) *. Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galileia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais frequentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (Conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (Fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (Cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: "fazei que todas as nações se tomem discípulos meus...” (28,19).

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:
- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:
Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40).
Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do "Pai": a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois, convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:
- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH - Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:
- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:
O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

7. As mulheres:
- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabeia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1- 10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):
- São 7 ou nove, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados...;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”. Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões... Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:
Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando...” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:
- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.

11. Jesus é o FILHO de Davi: O Novo Davi
- Menciona Davi ligado a Jesus muitas vezes: 1,1.6.17; 9,27; 12,3.23; 15,22; 20,30.31; 21,9.15; 22,42.43.45;
- Jesus é chamado FILHO DE DAVI 7 vezes: - Três vezes pelos dois cegos (9:27; 20,30.31) e mais uma vez pela mulher Cananéia (15:22) todos pedindo compaixão; duas vezes pela multidão que se admira (12,23) e na entrada para Jerusalém (21,9); uma vez pelos meninos (21,15);
- E finalmente à pergunta de Jesus os fariseus também reconhecem que o Cristo é o Filho de Davi (22:42);
- Davi foi o Rei considerado ideal porque conseguiu unir as 12 tribos de Israel tornando-os o Povo de Israel. Jesus é o Novo Davi para unir todos os povos, tornando-os O NOVO POVO DE DEUS.

12. O verbo “ver”:
- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc...

13. É o Evangelho da Igreja:
- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembleia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

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BIBLIOGRAFIA:

CNBB. Ele está no meio de nós. São Paulo: Paulus, 1998.
MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus. São Leopoldo: CEBI, 1990.
STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus, 1990.
* Introdução ao Evangelho de Mateus na Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

Frei Ildo Perondi
Prof. no curso de Teologia da PUC-PR.

EXERCÍCIO: Ler o Evangelho de São Mateus e ir anotando:

Quem é Jesus?
- É o Emanuel, isto é, “Deus Conosco”
- É Jesus: o nosso Salvador!
- É o “Rei dos Judeus” (segundo os Magos)
- É uma ameaça para Herodes e os grandes
- É o Deus Menino (cf. Mt 2,8-21)
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Como seguir Jesus?
- Como os Magos: ir e alegrar-se!
- Como fizeram Pedro e seu irmão André
- Como fizeram Tiago e João
- Como as multidões que seguiram Jesus
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ANEXO I:
Introdução e informações da BÍBLIA PASTORAL - Paulus:

EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
JESUS, O MESTRE DA JUSTIÇA

Introdução

Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa: “Deus está conosco” (Mt 1,23). À medida que lemos este Evangelho, vamos descobrindo o significado desse título: Deus está presente em Jesus, comunicando a palavra e ação que libertam os homens e os reúnem como novo povo de Deus. As últimas palavras de Jesus (Mt 28,20) são uma promessa de permanência: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Essas palavras, dirigidas ao grupo dos discípulos, mostram que Mateus vê a comunidade cristã como semente do novo povo de Deus, povo que é o lugar onde se manifestam a presença, ação e palavra de Jesus.

Segundo Mateus, Jesus é o Messias que realiza todas as promessas feitas no Antigo Testamento. Essa realização ultrapassa as expectativas puramente terrenas e materiais dos contemporâneos de Jesus, que esperavam apenas um rei nacionalista para libertá-los da dominação romana. Frustrados em suas expectativas, eles o rejeitam e o entregam à morte. Por isso, a comunidade reunida em torno de Jesus torna-se agora a portadora da Boa Notícia a todos os homens, a fim de que eles pertençam ao Reino do Céu.

Logo de início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça: “devemos cumprir toda a justiça” (3,15). O restante do Evangelho mostra que, através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para a prática dessa justiça, isto é, vai ensinando como se deve realizar concretamente a vontade de Deus.

De todos os evangelistas, Mateus é aquele que apresenta didática mais clara. Entre o prólogo (Mt 1-2) e a narrativa da morte e ressurreição de Jesus (26,3-28,20), ele organiza o assunto de todo o seu Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso. Lendo atentamente, podemos perceber que Mateus escolheu os episódios de cada parte narrativa, de modo a ilustrar o discurso seguinte. E o discurso, por sua vez, resume e explica o que está contido nessa narrativa. Assim a palavra de Jesus é sempre apresentada como resultado de uma ação, e toda ação é sempre ensinamento, anúncio.

A comunidade cristã, lendo Mateus, é convidada a olhar para dentro de si mesma, afim de descobrir a presença de Jesus, que ensina a prática da justiça. Desse modo, a comunidade aprenderá a dizer a palavra certa e a realizar a ação oportuna, no tempo e lugar em que está vivendo.

O Evangelho segundo Mateus começa com uma genealogia, para salientar que Jesus surge do povo de Israel e o conduz ao ponto alto de sua história. Como “filho de Abraão” (1,1, Jesus) deve ser entendido à luz de toda história contada nas Escrituras (Antigo Testamento). Eis uma chave importante para abrir nosso texto: é a partir da história, das tradições, da cultura do povo de Israel que Jesus será compreendido.

Ele é chamado também “filho de Davi” (1,1), o Messias (Cristo, ungido, escolhido) que vem ensinar a respeito do Reino e realizar a justiça (vontade) de Deus, da qual se deve ter fome e sede, e em relação à qual não se deve temer a perseguição (5,6.10).


EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Prólogo: A nova história – Mt 1-2 : Evangelho da Infância de Jesus

PRIMEIRO LIVRINHO: Mt 3-7 - A JUSTIÇA DO REINO
1.1 - Parte narrativa: A chegada do Reino – Mt 3-4
1.2 - Discurso: O SERMÃO DA MONTANHA – Mt 5-7

SEGUNDO LIVRINHO: Mt 8,1-10,42 - A DINÂMICA DO REINO
2.1 - Parte narrativa: Os sinais do Reino Mt 8,1-9,38
2.2 - Discurso: A missão dos discípulos – Mt 10,1-42

TERCEIRO LIVRINHO: Mt 11,1-13,52 - O MISTÉRIO DO REINO
3.1 - Parte narrativa: A oposição a Jesus - Mt 11-12
3.2 - Discurso: As 7 parábolas do Reino – Mt 13, 1-52

QUARTO LIVRINHO: Mt 13,53-18,35 - A IGREJA - SEMENTE DO REINO
4.1 - Parte narrativa: O seguimento de Jesus Mt 13,53-17
4.2 - Discurso: A vida da Igreja – Mt 18,1-35

QUINTO LIVRINHO: Mt 19 – 25 - A VINDA DEFINITIVA DO REINO
5.1 - Parte narrativa: O Reino é universal - Mt 19-23
5.2 - Discurso: A vinda do Filho do Homem – Mt 24-25

PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS: Mt 26-28

Mandato de Jesus aos discípulos:
“Vão e façam com que todos se tornem meus discípulos...” Mt 28,19.

Da Bíblia Edição Pastoral

ANEXO II:
INTRODUÇÃO DA BÍBLIA DOS CAPUCHINHOS - Evangelho de São Mateus

INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE SÃO MATEUS
BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

AUTOR
Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3).
Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas, pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado cristão, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA
Mateus recorre a fontes comuns a Marcos e Lucas, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual:
a) compilação de palavras e de fatos, de “discursos” e de milagres;
b) recurso a certos números (7, 3, 2);
c)  paralelismo sinonímico e antitético;
d) estilo hierático e catequético;
e) citações da Escritura, etc..

DIVISÃO E CONTEÚDO
Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1. Segundo o plano geográfico:
a) o ministério de Jesus na Galileia (4,12b-13,58),
b) a sua atividade nas regiões limítrofes da Galileia e a caminho de Jerusalém (14,1-20,34),
c)  ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (21,1-28,20).

2. Segundo os cinco “discursos”, subordinando a estes as outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.
3. Segundo o objetivo de referir o drama da existência de Jesus:
Mateus apresenta o Messias...
a) em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e
b) que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (14-28).
Aqui, limitamo-nos a destacar:
I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);
II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);
III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

TEOLOGIA
Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus: 
a)    5,1-7,28;
b)    8,1-10,42;
c)    11,1-13,52;
d)    13,53-18,35;
e)    19,1-25,46.

Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: 
a)    “a justiça do Reino” (5-7),
b)    os arautos do Reino (10),
c)    os mistérios do Reino (13),
d)    os filhos do Reino (18) e
e)    a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias;
a)    Ele é o Salvador esperado,
b)    o Emanuel,
c)    o «Deus conosco» (1,23) até à consumação da História (28,20);
d)    é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus);
e)    é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos a Igreja do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de Davi e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.
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FONTE: