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sábado, 14 de novembro de 2020

DIA MUNDIAL DOS POBRES - 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Foto: Vatcan News
A data foi instituída pelo Papa Francisco ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia para ser celebrada sempre no XXXIII Domingo do Tempo Comum. 

O Papa Francisco lançou um tuíte na sua conta oficial em português neste sábado (14), véspera de Dia Mundial dos Pobres. Diz a mensagem: “a bênção do Senhor desce sobre nós e a oração alcança o seu objetivo, quando elas são acompanhadas pelo serviço dos pobres”. A reflexão do Pontífice foi extraída da mensagem divulgada para a data que tem como tema "Estende a tua mão ao pobre" (Sir 7,32) e ainda afirma: “Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um vírus que trouxe dor e morte, desconforto e perplexidade, pudemos ver tantas mãos estendidas!”

Dia Mundial dos Pobres durante a pandemia

De fato, o Dia Mundial dos Pobres deste ano, na sua quarta edição, será celebrado neste domingo (15) mas de uma maneira diversa em relação aos outros anos, devido à Covid-19. O Papa Francisco vai presidir a missa direto da Basílica de São Pedro, com transmissão ao vivo do Vatican News às 10h na Itália, 6h no Horário de Brasília, com comentários em português. Para a cerimônia, e respeitando as medidas de segurança impostas pelas autoridades sanitárias devido ao agravamento da pandemia de Covid-19, 100 pessoas se farão presentes para representar os pobres do mundo inteiro.

A pandemia, porém, não impede a caridade do Papa: de fato, para a ocasião, foi criada uma rede de solidariedade para levar alimentos, máscaras de proteção e apoio a milhares de famílias em cerca de 60 paróquias de Roma e instituições de caridade. Além disso, no ambulatório administrado pela Esmolaria Apostólica na Praça São Pedro, pessoas carentes podem fazer o teste para a Covid-19.

Uma história de caridade e beleza

O almoço comunitário do Papa com os pobres em 2018

Todo ano, o Dia Mundial dos Pobres, procura ajudar as comunidades a refletir sobre como a pobreza está no coração do Evangelho, disse o Papa, ao instituir a data ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Na primeira edição, em 2017, cerca de 40 mil indigentes provenientes de Roma e de toda a região do Lazio, além de diversas dioceses do mundo, participaram da missa na Basílica de São Pedro. Ao final, 1500 deles participaram do almoço com o Papa na Sala Paulo VI.

Na segunda edição, em 2018, Francisco presidiu a missa e voltou a almoçar com os pobres. Contemporaneamente, em muitas paróquias, centros de voluntariado e escolas o almoço também foi oferecido aos mais necessitados. Era uma resposta ao convite do Papa feito na mensagem daquele ano, quando pedia para “dar um sinal de proximidade” aos carentes através de ações concretas de solidariedade.

Já no ano passado, na terceira edição, uma plateia de 7 mil indigentes participou de um concerto no Vaticano. Segundo o próprio Papa Francisco, um concerto para semear alegria: “a semente vai permanecer na alma de todos e fará muito bem a todos", disse Francisco por ocasião da primeira edição do ‘Concerto para e com os pobres’, de maio de 2015.

Para o Papa, de fato, os pobres têm direito não somente às necessidades básicas, mas também à harmonia e beleza como pode ser, precisamente, ouvir o som de uma orquestra, assistir a um espetáculo de circo ou fazer uma viagem para ver o mar. Todas essas iniciativas nas quais, nos últimos anos, muitos pessoas carentes puderam participar graças ao próprio Papa Francisco que ajudou a redescobrir uma nova dignidade.



REFLEXÃO DO EVANGELHO DO DOMINGO: PARÁBOLA DOS TALENTOS

Leia a reflexão sobre Mateus 25,14-30, texto de Enzo Bianchi.

Introdução

A parábola dos talentos proposta pela liturgia deste domingo é uma parábola que, de acordo com a minha opinião, é perigosa hoje: perigosa porque, várias vezes, eu a ouvi ser comentada de um modo que, em vez de estimular os cristãos à conversão, parece confirmá-los no seu comportamento atual entre os outros homens e mulheres, no mundo e na Igreja.

Portanto, talvez fosse melhor não ler esse texto, em vez de lê-lo mal…

Na verdade, essa parábola não é uma exaltação, um aplauso à eficiência, não é uma apologia para quem sabe gerar lucrar, não é um hino à meritocracia, mas é uma verdadeira contestação em relação ao cristão que muitas vezes é morno, sem iniciativa, contente com aquilo que faz, medroso diante da mudança exigida por novos desafios ou pela mudança das condições culturais da sociedade.

A parábola sequer confirma o “ativismo pastoral” do qual são presas muitas comunidades cristãs, muitos “agentes de pastoral” que não sabem ler a esterilidade de todo o seu esforço, mas pede da comunidade cristã consciência, a responsabilidade, laboriosidade, audácia e, acima de tudo, criatividade. Não é a quantidade do fazer, das obras, nem o fato de ganhar prosélitos que tornam cristã uma comunidade, mas sim a sua obediência à palavra do Senhor que a impulsiona rumo a novas fronteiras, rumo a novas lidas, a estradas não percorridas, ao longo das quais a bússola que orienta o caminho é apenas o Evangelho, unido com o grito dos homens e das mulheres de hoje, quando balbuciam: “Queremos ver Jesus!” (Jo 12,21).

Leiamos, então, com inteligência essa parábola, cuja perspectiva – repito – não é econômica nem financeira; ela não é um convite ao ativismo, mas à vigilância que permanece em espera, não contente com o presente, mas totalmente inclinada para a vinda do Senhor.

Ele não está mais entre nós, sobre a terra, como que partiu para uma viagem e confiou aos seus servos, aos seus discípulos uma tarefa: multiplicar os dons que ele deu a cada uma e cada um.

Na parábola, a dois servos, o Senhor deixou muito, uma soma conspícua – cinco lingotes de prata para um, dois para outro – para que os façam frutificar; a um terceiro servo, deixou apenas um lingote, o que, no entanto, não é pouco. Sobre todos, ele colocou a sua confiança sem limites, confiando-lhes os seus bens. Portanto, cabe aos servos não trair a grande confiança do patrão e operar uma sábia gestão dos bens, não da sua propriedade, mas do patrão, que, no seu retorno, lhes dará a recompensa. A cada um o patrão dá em função da sua capacidade, e o seu dom é também uma tarefa: conservar e fazer frutificar.

Para além da imagem dos talentos, o que é esse dom, em última instância? De acordo com Irineu de Lyon, é a vida concedida por Deus a cada pessoa. A vida é um dom que absolutamente não deve ser desperdiçado, ignorado ou dissipado. Infelizmente – devemos constatar isto –, para alguns, a vida não tem nenhum valor: não a vivem, ao contrário, desperdiçam-na e a consomem, “até fazer dela uma repugnante estranha” (Konstantinos Kavafis), e assim se deixam viver. Porém, vive-se apenas uma vez, e fazer isso com consciência e responsabilidade é decisivo a fim de salvar uma vida ou de perdê-la!

De acordo com outros Padres orientais, os talentos são as palavras do Senhor confiadas aos discípulos para que as conservem, certamente, mas, sobretudo, para que as tornem frutuosas na vida deles, ponham-nas em prática até semeá-las copiosamente na terra que é o mundo. De novo, é questão de vida, de “escolher a vida” (cf. Dt 30,19).

“Depois de muito tempo” – alusão ao atraso da parusia, da vinda gloriosa do Senhor (cf. Mt 24,48; 25,5) – o patrão retorna e pede as contas da confiança que ele depositou nos seus servos, que devem mostrar a sua capacidade de serem responsáveis, isto é, capazes de responder à confiança recebida. Eis, portanto, que todos eles se apresentam diante dele.

Aquele que recebera cinco talentos mostrou-se operoso, empreendedor, capaz de arriscar, comprometeu-se para que os dons recebidos não fossem diminuídos, desperdiçados ou inutilizados; por isso, no ato de entregar ao patrão dez talentos, ele recebe dele o elogio: “Muito bem, servo bom e fiel! (…) Vem participar da minha alegria!”

O mesmo ocorre com o segundo servo, ele também capaz de duplicar os talentos recebidos. Para esses dois servos, a recompensa é proporcionalmente igual, embora as somas confiadas fossem diferentes, porque ambos agiram de acordo com as suas capacidades.

Por fim, vem aquele que recebera apenas um único talento, que imediatamente coloca as mãos para frente, manifestando o pensamento que o paralisou:

“Desde que tu me deste o talento, eu sabia que és um homem duro, exigente, arbitrário, que faz o que quer, colhendo onde não plantaste”.

Com estas palavras (“eu julgo você pela sua própria boca”, lê-se no texto paralelo de Lc 19,22), o servo confessa ter fabricado para si uma imagem distorcida do Senhor, uma imagem moldada pelo seu medo e pela sua incapacidade de ter confiança no outro: ele considera o patrão como alguém que lhe dá medo, que pede uma escrupulosa observância daquilo que ordena, que age de modo arbitrário.

Tendo essa imagem em si, ele optou por não correr riscos: assegurou, debaixo da terra, o dinheiro recebido e agora o restitui tal e qual. Assim, devolve ao patrão aquilo que não é seu e não rouba, não comete pecado…

Mas eis que o Senhor enraivece e lhe responde: “Tu és um servo mau (ponerós) e preguiçoso (oknerós). Mau porque obedeceste à imagem perversa do Senhor que te fizeste e, assim, viveste uma relação de amor servil, de amor ‘forçado’. Por isso, foste preguiçoso, não confiável, não tiveste nem o coração nem a capacidade de agir de acordo com a confiança que eu te concedera. Não fizeste sequer o esforço de colocar o talento no banco, onde ele teria sido frutuoso, dando-me lucros. Não cuidaste do meu bem confiado a ti”.

Sim, nós o sabemos: é mais fácil enterrar os dons que Deus nos deu do que compartilhá-los; é mais fácil conservar as posições, os tesouros do passado, do que ir descobrir novos; é mais fácil desconfiar do outro que nos fez bem do que responder conscientemente, na liberdade e por amor.

Eis, portanto, o louvor para aqueles que arriscam e a reprovação para aqueles que se contentam com o que tem, fechando-se no seu “eu mínimo”. Este servo não fez mal; pior ainda, não fez nada! Então, diante de Deus no dia do julgamento, comparecerão dois tipos de pessoas:

– quem recebeu e fez frutificar o dom;

– quem o recebeu e não fez nada.

Os servos fiéis entrarão na alegria do Senhor; aqueles que, ao contrário, foram “bons em nada” (achreîos) serão despojados até mesmo dos méritos dos quais pensavam poder se orgulhar!

Mas eu gostaria que a parábola se concluísse de outro modo: assim, ficaria mais claro o coração do patrão, enquanto o coração do discípulo seria aquilo que o patrão deseja. Ouso, portanto, propor esta conclusão “apócrifa”:

Chegou o terceiro servo, a quem o patrão confiara um único talento, e lhe disse: “Senhor, eu ganhei apenas um talento, dobrando o que tu me entregaste, mas, durante a viagem, perdi todo o dinheiro. Sei, porém, que tu és bom e compreendes a minha desgraça. Não te trago nada, mas sei que és misericordioso”. E o patrão, a quem, mais do que o dinheiro, importava que aquele servo tivesse uma imagem verdadeira dele, lhe disse: “Bem, servo bom e fiel, embora não tenhas nada, entra também tu na alegria do teu patrão, porque tiveste confiança em mim”.

Assim, a parábola também seria uma boa notícia!

FONTE:

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/reflexao-do-evangelho-a-parabola-dos-talentos/ 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

PRIMEIRA COMUNHÃO NA PANDEMIA

 G1 - Foto: Jorge Figueiredo.


Muito se tem falado sobre se há ou não necessidade de “catequese online” com as crianças nas paróquias do Brasil. 

Há muitas e controvertidas opiniões. Alguns acreditam que o “ensino da fé” não pode parar – foco mais no ensino do que na fé – outros acreditam que a iniciação à vida cristã se faz presencialmente, numa comunidade “física” e não “digital”. 

Segundo o Cardeal Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb, a internet é “antes de mais nada, um mundo, que alguém chegou a chamar de ‘sétimo continente. Na internet os jovens criam seus laços sociais e aprendem a viver!” . Mas, ainda assim, os meios digitais são “ferramentas” para a evangelização neste novo "continente". Não temos que nos mudar pra lá, temos que trazer as pessoas pra cá, para a comunidade de “contato”. A evangelização de fato, se dá na Comunidade. Ou será que, com esta pandemia, vamos nos tornar pessoas totalmente isoladas uns dos outro? Aí, então, viveremos para sempre num outro mundo. Então, se Jesus chegar agora, sem perfil no Instagram ou Whatsapp, nada feito! 

E estamos (devemos!) usando a internet para manter contato com nossos catequizandos e suas famílias. Para não "perdê-los" neste tempo de tanto medo e isolamento. 

Mas, estou vendo por aí, uma coisa assustadora. Chegou novembro e - como sempre - estou vendo acontecer muitas "PRIMEIRAS COMUNHÕES" (aconteceu catequese "online"?), com crianças em nossas paróquias. 

"Ah, mas, estamos seguindo os protocolos de segurança!" 

"Pouca gente, com máscara, só a família..." 

“Os pais estão pedindo...” 

Desnecessário isso, em minha opinião. Porque esta pressa? As crianças vão fazer a próxima comunhão, quando? Onde? Nem em tempos normais elas voltam à Igreja tão cedo... 

Isso podia esperar! Ah, que oportunidade maravilhosa estamos perdendo em estreitar os laços, conhecer as famílias, evangelizar os pais, dar às crianças um pouco mais de maturidade! É um tempo que nunca tivemos! O de poder falar com os pais pelo whatsapp, facebook, ter liberdade de fazer grupos nas redes sociais, de fazer chamadas de vídeo. Dificilmente os pais vão à paroquia para receber catequese presencial. Não têm tempo, não tem vontade, estão cansados... Porque não apostar na catequese familiar? Esta sim, é muito válida por meios digitais. 

No caso dos sacramentos dados aos adultos ao final do catecumenato, eu até concordo (ainda com certas restrições). Eles são adultos e responsáveis pelas suas escolhas e ações, as crianças não. 

Isto de se fazer o sacramento; sem uma participação na comunidade, na liturgia e nas ações da paróquia; leva as nossas tentativas de conscientização às famílias, de que a catequese não é só para receber sacramento, e sim, é iniciação à vida cristã; vai ladeira abaixo!

Mais do que receber o sacramento ao final de um período de aprofundamento da fé (como se isso fosse possível com crianças!), perde-se a inserção "comunitária" destes pequenos católicos. Perde-se uma das coisas mais importantes para o anúncio: a liturgia e a mistagogia da fé. 

A "Primeira comunhão”, além de uma data para receber o sacramento da eucaristia, é também a "festa" de entrada na vida comunitária, no "banquete" de Cristo, que tem tudo a ver com a comunidade. Senão, a celebração não teria nada de especial, não seria na missa, com toda a comunidade presente. Seria individual. O catequista fazia a catequese e quando via que esta ou aquela criança estava "preparada", dava o ok para o padre e pronto: a criança já pode comungar junto com todos os outros fiéis. 

E eu nem vou falar do sacramento da Reconciliação... Ele acontece “online”? 

Estas "1ª comunhões", em tempo de isolamento social, estão "sacramentando" a sacramentalidade de uma catequese já muito sacramental, ou seja, faz-se catequese com crianças exclusivamente para receber o sacramento. Porque os pais têm esta mentalidade, porque padres e catequistas corroboram ao dizer sim, porque a data estava marcada, etc. 

Sei que há muita coisa envolvida nisso, mas, o fato de muita gente não entender que é preciso FICAR EM CASA, sair só se for extremamente necessário, que não é preciso expor os filhos ao contágio, nem que seja numa celebração com 20 pessoas só... Não entra na minha cabeça! E que os catequistas aceitem isso, façam isso acontecer, aí é que não dá pra entender mesmo! Somos o “rosto” da Igreja e falamos em nome da Igreja. Não vem com papo de que “o padre que quer ... ele manda”. Será que não dá pra esperar pela vacina? 

Muitas pessoas acham que isso é bobagem e pânico desnecessário. Parece uma frase que estamos ouvindo desde o começo da pandemia no Brasil: "Todo mundo vai morrer mesmo... " 

E já são 5.749.007 de casos no Brasil com 163.406 mortes... 



domingo, 8 de novembro de 2020

HOMILIA DO DOMINGO - 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM: "VEM SENHOR!"

Imagem: Pinterest

Comentário de Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 32º Domingo do Tempo Comum, 8 de novembro de 2020 (Mateus 25,1-13).

EIS O TEXTO:

Nestes últimos domingos do ano litúrgico, a nossa contemplação se dirige à parusia, à vinda gloriosa do Senhor, mediante a leitura das três parábolas que concluem o discurso escatológico de Jesus no Evangelho segundo Mateus (cf. Mt 25). Hoje, ouvimos a parábola do Noivo que tarda a vir e das dez virgens chamadas a esperá-lo.

O Noivo estava demorando…”Senhor Jesus é o Noivo messiânico (cf. Mt 9,15; Ef 5,31-32), que veio para estreitar a nova e eterna aliança de Deus com toda a humanidade, no amor e na fidelidade (cf. Os 2,21-22). Depois de narrar Deus com toda a sua existência, Jesus “foi tirado” (cf. Mt 9,15) dos seus de forma violenta, conheceu a injusta e vergonhosa morte de cruz: o Pai, porém, o chamou de volta dos mortos, selando com a ressurreição o amor por ele vivido.

Pois bem, na sua inabalável esperança na ressurreição, Jesus tinha previsto e prometido aos discípulos a sua própria vinda como Noivo definitivo no fim dos tempos, afirmando, no entanto, que a hora precisa desse evento não é conhecida pelos anjos nem pelo Filho, mas apenas pelo Pai. (cf. Mt 24,36).

O problema sério, sentido com urgência pelos autores do Novo Testamento, consiste em fazer as contas com a demora da parusia. Diante desse grande mistério, não devemos desanimar nem cair no cinismo, mas obedecer a um mandamento preciso de Jesus: “Despertem, fiquem prontos, porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês” (Mt 24,42,44).

É precisamente nesse rastro que se situa a nossa parábola. Dez virgens, figura da Igreja chamada a se apresentar a Cristo como virgem casta (cf. 2Cor 11,2), pegam as lâmpadas para sair ao encontro do Noivo, que vem celebrar as núpcias eternas com a humanidade inteira. Jesus logo especifica que cinco delas são imprevidentes, e cinco, previdentes: as primeiras levaram consigo o óleo para reacender o fogo nas lâmpadas, prevendo um longo tempo de espera, as outros não o fizeram.

O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo.” É difícil permanecer vigilante, manter-se constantemente voltados ao encontro com o Senhor. Por isso, Jesus insiste no fato de que o sono une todas as virgens: e quem de nós pode dizer que não passou por horas e dias de obliteração, de esquecimento da vinda do Senhor? Realmente ninguém está isento desse risco. A diferença está em outro lugar...

De fato, quando a noite é trespassada pelo grito: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!”, todas as virgens, assim como haviam adormecido, acordam e preparam as lâmpadas. Então, as imprevidentes, vendo que as suas lâmpadas se apagam, começam a pedir óleo às previdentes, mas ouvem uma rejeição: “De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós”.

Egoísmo? Falta de caridade? Não, simplesmente esse óleo ou se tem em si mesmo, ou ninguém pode esperá-lo dos outros: é o óleo do desejo do encontro com o Senhor. Cada um de nós conhece (ou deveria!) a sua própria verdade mais profunda, sabe aquilo que no próprio coração se mantém acordada ou, pelo contrário, apaga a espera do Senhor: nos dias bons como nos maus, na vigília como no sono – “Eu durmo, mas o meu coração vigia” (Ct 5,2), afirma a noiva do Cântico – é nossa responsabilidade renovar os estoques desse azeite, para que o nosso coração arda do desejo do encontro com o Noivo...

É na capacidade de manter vivo esse desejo hoje que está em jogo o juízo final, isto é, o fato de ser ou não reconhecido pelo Senhor quando Ele vier no fim dos tempos.

Neste tempo que vai da ressurreição do Senhor Jesus à sua vinda na glória, o grito da Igreja é o da noiva que, junto com o Espírito, invoca: “Vem, Senhor Jesus! Maranà tha!” (cf. Ap 22,17.20; 1Cor 16,22). E cada cristão, ao ouvir esse grito, deveria responder, por sua vez, com todo o coração, a mente e as forças: “Vem!”, sabendo que o desejo ardente da vinda do Senhor já é, aqui e agora, primícias da comunhão com Ele.

 

Tradução: Moisés Sbardelotto.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/604426-ainda-ha-alguem-que-espera-o-senhor

OFICINAS DE INICIAÇÃO: PARTICIPE!

AS NOSSAS OFICINAS CONTINUAM! 

O grupo CATEQUISTA EM FORMAÇÃO, está oferendo Oficinas "Online" para catequistas, neste tempo de pandemia.

Oficinas são "cursos" ou "formações" de curta duração, com o objetivo de ensinar o jeito "de fazer" as coisas. mais do que "palestra" é o SABER FAZER na catequese. Colocar a teoria na prática!

As Oficinas vão acontecer todos os sábados de novembro, pela manhã e à tarde, com mais ou menos 2 horas de duração.

* Para participar é preciso ser membro do grupo: peça adesão respondendo as perguntas neste link:


Temas das oficinas do dia 14/11/2020:


CLIQUE ABAIXO PARA FAZER A INSCRIÇÃO:



 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

I V C - Iniciação à Vida Cristã de inspiração Catecumenal


É tarefa da Igreja neste terceiro milênio, e exigência dos documentos – que a catequese da nossa Igreja, "assuma" a IVC – Processo de Iniciação à vida cristã pelo modelo catecumenal [1], como "Itinerário para formar discípulos missionários", conforme destaca o documento da CNBB, fruto da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

Mas, nos deparamos com a seguinte questão:

Como inserir um processo de Iniciação à Vida Cristã (IVC), um modelo catecumenal, que remonta à Igreja dos primeiros séculos, neste mundo atual, tão midiatizado?

Tentando responder a esta questão, vamos discutir aqui os desafios e as perspectivas da IVC Catecumenal na catequese, sobretudo, de crianças, que são o maior “público” ou maior “demanda” hoje na pastoral. Sem contar a “catequese se adultos” que exige a implantação do modelo de catecumenato dos primeiros séculos, desde os documentos catequéticos pós Concílio.

Segundo o padre Luiz Lima (2014), a catequese nasceu nos primeiros séculos da Igreja, dentro de um processo chamado Iniciação à Vida Cristã, conhecido também por catecumenato; “nele os que se convertiam ao Evangelho eram verdadeiramente iniciados, mergulhados na vida nova de Cristo Jesus” (LIMA, 2014, p. 8). Nesse processo, a catequese era a etapa onde acontecia a instrução e o aprendizado da doutrina cristã, o aprofundamento a partir das Escrituras e o ensino dos Apóstolos, guiados por catequistas, pessoas especializadas e preparadas para este fim.

Essa catequese, além de ser “ensino”, estava imersa em muitas outras práticas como a oração, celebrações mistagógicas, liturgia, ritos, exercícios de vivência cristã, acompanhamento pessoal, etc. Era um processo verdadeiramente “iniciático” na vida cristã. No entanto, os destinatários ou interlocutores desse Catecumenato eram adultos e não crianças.

Dentro desse grande processo, a catequese, como momento do ensino, não era educação ou formação do tipo escolar, onde alunos adquirem conhecimentos de seus professores e são avaliados por eles. Não! Era uma iniciação que verdadeiramente tocava as raízes da vida, o sentido e orientação de toda existência. Dessa iniciação cristã, da qual fazia parte a catequese, saiam pessoas muito bem formadas, convictas da própria fé, da própria opção por Jesus Cristo e seu Evangelho, vivendo em comunidades vivas que davam autêntico testemunho de vida cristã. E aí estava a força da expansão rápida do cristianismo.[2]

Mas, com tantos anos de “conversas” (DGC, DAp  DNC, DpC, Doc 107, etc), como está o processo de iniciação à vida cristã em nossas paróquias? Em nossa Diocese? Documentos, encontros, seminários, formações que a Igreja vem fazendo e mostrando, tem tido representação dos catequistas de base? Está chegando aos catequistas estas informações? Quem está trabalhando com os novos manuais e itinerários criados pelas dioceses, está levando em conta esta proposta? Quem está se reunindo para criar roteiros de catequese está adaptando os roteiros a esta realidade? Ou está adaptando para crianças coisas de adultos? Será que não corremos o risco de mudarmos a "capa" e deixar o mesmo conteúdo?

Pergunto isso porque no contato com catequistas na internet, via redes sociais, tem me assustado um pouco a quantidade de solicitações de "roteiros" e dúvidas sobre isso ou aquilo da IVC pelo modelo catecumenal.

Se as comunidades estão "implantando" um modelo baseado no Ritual de Iniciação a Vida Cristã - RICA, o mínimo que se precisa ter são orientações da diocese e um itinerário. A catequese pelo processo catecumenal é um passo grande demais para ser "solitário". Não é um (a) catequista só ou uma comunidade só, que resolve. É e deve ser um processo global que envolve toda a Igreja.

Os ritos, celebrações e entregas não são uma "moda" a se aderir, coisas bonitas para impressionar a família e a comunidade, são ações dentro da liturgia da Igreja. Precisam que os padres liderem e presidam as celebrações, que a comunidade esteja informada, que as famílias sejam participantes e, sobretudo, que essas ações dentro do rito da missa, não atrapalhe os ritos litúrgicos. Não é só uma simples "festa", não é ritualismo e enfeite, penduricalho, é mistério, anúncio e deve levar à espiritualidade e ao aprofundamento da fé, principalmente dos adultos!

Segundo o padre Lima (2014)[3]:

Diante do pluralismo de hoje e de uma sociedade descristianizada, a proposta da Igreja é retornar ao catecumenato, esse eficaz processo iniciático da Igreja Primitiva. Então a catequese retornará ao seu verdadeiro lugar e não será uma atividade independente dentro da Igreja, como acontece hoje. Além do anúncio da Palavra de Deus e do ensino da doutrina conduzidos pelos catequistas, o processo de Iniciação Cristã envolve muitas outras forças da comunidade (introdutores, acompanhantes, padrinhos, apoio da família), sobretudo a Liturgia, pois é nela que se faz a verdadeira experiência do mistério de Cristo Jesus.

Cuidemos para não cometermos os mesmos erros da catequese sacramental que vem sendo praticada há anos em nossa Igreja. Vamos dar significado às coisas, fazendo jus ao apelo na carta de Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês“ (1Pd 3, 15).


Ângela Rocha
Catequista e formadora.
Graduanda do 4º Período de Teologia - PUCPR

 

[1] CATECUMENAL vem de Catecumenato ou Catecúmeno, do Latim catechumenu, do Grego katechoúmenos, que significa “o que é instruído de viva voz”, aquele que se prepara e se instrui para receber o batismo.

[2] LIMA, Luiz. A situação da catequese hoje no Brasil. Revista de Catequese 143. Jan-jun 2014. São Paulo: UNISAL, 2014, p. 6-7.

[3] Idem.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

PARA A VIDA e PARA A MISSÃO...

 



“Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude Nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio Dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus”.

(Cl 1,19-20)


Cristo não veio ao mundo para uma mera libertação do pecado, mas, para nos conduzir a Ele, pois nele fomos criados, ele participa de nossa humanidade para que participemos de sua divindade. Ele eleva a nossa condição humana, pois participamos agora, de uma natureza elevada.




SEMINÁRIO NACIONAL DE CATEQUESE À SERVIÇO DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

 

ATENÇÃO PESSOAL! NÃO PERCAM!

SEMINÁRIO NACIONAL DE CATEQUESE À SERVIÇO DA INICIAÇÃO CRISTÃ!

De 04-06 NOV - Comissão de Catequese da CNBB.

Dia 04 de novembro:

- “Itinerário histórico da reflexão catequética do Concílio Vaticano II aos dias atuais”. O convidado para assessorar o momento é o irmão marista Balbino Eduardo Juárez Ramírez, da Guatemala.

No dia 05 haverá a participação de dois painelistas:

- “O Diretório Geral para a Catequese de 1971 à Catequese Renovada de 1983”, pelo padre Luiz Alves de Lima;

- “O Diretório Geral para a Catequese de 1997 ao Diretório Nacional de Catequese de 1996”, pelo irmão Israel José Nery.

No último dia, 06, haverá outros dois painéis:

- “Documento de Aparecida à Iniciação à Vida Cristã em 2017”, pela irmã Sueli Cruz,

- “Documento 107 – Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários ao Novo Diretório de Catequese”, pelo padre Abimar Oliveira de Moraes, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Mais INFORMAÇÕES:

https://www.facebook.com/cnbbcatequesedobrasil

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

OFICINAS DE INICIAÇÃO CRISTÃ


O grupo CATEQUISTA EM FORMAÇÃO, está oferendo Oficinas "Online" para catequistas, neste tempo de pandemia.
Oficinas são "cursos" ou "formações" de curta duração, com o objetivo de ensinar o jeito "de fazer" as coisas. mais do que "palestra" é o SABER FAZER na catequese. Colocar a teoria na prática!
Participe Conosco!

Elas vão acontecer todos os sábados de novembro, pela manhã e à tarde, com mais ou menos 2 horas de duração.

* Para participar é preciso ser membro do grupo: peça adesão respondendo as perguntas neste link:

Temas das oficinas do dia 07/11/2020:


FICHA DE INSCRIÇÃO PARA AS OFICINAS DE 07/11/2020:

AQUI


OBS.  O custo das 2 oficinas é de R$ 10,00, valor utilizado para a manutenção do grupo.