1º Domingo...

Que a nossa preparação para celebrar o Natal de Jesus seja alegre cristã!
1º Domingo...

Uma Igreja Desperta
(Marcos 13,33-37)
Jesus está em Jerusalém, sentado no monte das Oliveiras,
olhando para o Templo e conversando confidencialmente com quatro discípulos:
Pedro, Santiago, João e André. Vê-os preocupados por quererem saber quando
chegará o fim dos tempos. A Ele, pelo contrário, preocupa como viverão seus
seguidores quando já não o tenham entre eles.
Por isso, uma vez mais, mostra-lhes sua inquietude: “Olhai,
vivei despertos”. Depois, deixando de lado a linguagem aterradora dos
visionários apocalípticos, conta-lhes uma pequena parábola que passou quase
inadvertida entre os cristãos.
“Um senhor foi de viagem e deixou a sua casa”. Mas,
antes de ausentar-se, “confiou a cada um dos seus criados a sua tarefa”. Ao se
despedir, apenas lhes insistiu numa coisa: “Vigiai, pois não sabeis quando virá
o dono da casa”. Que, quando venha, não vos encontre a dormir.
O relato sugere que os seguidores de Jesus formarão uma
família. A Igreja será “a casa de Jesus” que substituirá “a casa de Israel”.
Nela, todos são servidores. Não há senhores. Todos viverão esperando o único
Senhor da casa: Jesus, o Cristo. Nunca devem esquecê-lo.
Na casa de Jesus ninguém deve permanecer passivo. Ninguém
deve sentir-se excluído, sem responsabilidade nenhuma. Todos são necessários.
Todos têm alguma missão confiada por Ele. Todos estão chamados a contribuir
para a grande tarefa de viver como Jesus. Ele viveu sempre dedicado a
servir o reino de Deus.
Os anos irão passando. Manter-se-á vivo o espírito de Jesus
entre os Seus? Continuarão a recordar o Seu estilo a serviço dos mais
necessitados e desamparados? Irão segui-Lo pelo caminho aberto por Ele? Sua
grande preocupação é que sua Igreja possa adormecer.
Por isso insiste até três vezes: “Vivei despertos”.
Não é uma recomendação aos quatro discípulos que o estão a escutar, mas um
mandato aos crentes de todos os tempos: “O que vos digo a vós digo-o a
todos: velai”.
O traço mais generalizado dos cristãos que não abandonaram a
Igreja é seguramente a passividade. Durante séculos temos educado os fiéis para
a submissão e a obediência. Na casa de Jesus, só uma minoria se sente hoje com
alguma responsabilidade eclesial.
Chegou o momento de reagir. Não podemos continuar a aumentar
ainda mais a distância entre “os que mandam” e “os que obedecem”. É pecado
promover o descontentamento, a mútua exclusão ou a passividade. Jesus deseja
ver-nos a todos despertos, ativos, colaborando com lucidez e responsabilidade no
seu projeto do reino de Deus.
José Antônio Pagola
Padre Jesuíta espanhol
“Passeando às margens do lago (em
Cafarnaum) e contemplando o nascer do sol todas as manhãs, eu me encontrei com
Jesus. Não me esqueci de que, ao pôr do sol, Jesus contemplava o Pai que faz surgir o sol tanto sobre os
bons, quanto sobre os maus."
Fonte:
https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/reflexao-do-evangelho-uma-igreja-desperta/
(Publicado no Instituto Humanitas em 01/12/2017).
Um exemplo do que
significa “Vigiar e Orar” no coração de mulheres de fé
“Vigiai e Orai” (Mc 13, 33)
Elaine Neuenfeldt
Esta é uma fórmula que fica guardada na memória ao ler este
texto bíblico. Estar atentos combinado com a oração. É esta a principal
mensagem do que se guardou na memória em relação a este texto. E muitas vezes
já se afirmou que oração sem ação ou igualmente ação sem oração se torna vazio
de sentido na prática cristã.
O texto do evangelho de Marcos a ser refletido no primeiro
domingo de Advento reflete uma linguagem apocalíptica, ou um jeito de dizer
profecia em tempos de perseguição e perigo. O contexto do texto na época
reflete o período conturbado da destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos
e a subsequente perseguição, morte e violência sofrida neste período. Vigiar
constantemente, em todos os momentos – à tarde, à meia-noite, ao cantar do
galo, pela manhã engloba todas as horas do dia. Não há tempo de deixar cair a
guarda, de cochilar. Estas são recomendações que se encaixam no período
litúrgico celebrado: o Advento. Advento é tempo de espera, de esperança; mas
não uma espera passiva, de cruzar os braços. Esperança ativa que se desenvolve
em ações que concretizam os anseios da oração feita é o que envolve o período
do advento – do tempo que já vem.
Este primeiro domingo de advento foi celebrado em 2011 num
momento que se outorgaria no dia 10 de dezembro, em Oslo, Noruega, o prêmio
Nobel da Paz a três mulheres: a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a
militante Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita
Tawakkul Karman. É de destacar que em 111 anos, apenas 12 mulheres haviam
recebido o Nobel da Paz. Considerando todas as categorias do prêmio, até aquele
momento apenas 44 mulheres haviam sido agraciadas. [1]
É a história de vida de uma delas que se faz presente neste
contexto de reflexão sobre a espera ativa de oração e ação em tempo de advento.
Leymah Gbowee teve um papel importante como ativista durante a segunda guerra
civil liberiana, em 2003. Ela mobilizou as mulheres no país pelo fim da guerra,
organizando inclusive uma “greve de sexo” em 2002. Também organizou as mulheres
acima de suas divisões étnicas e tribais no país, ajudando a garantir direitos
políticos para elas. Estas são as informações que são destacadas na imprensa em
geral, de Leymah Gbowee. O que quero trazer aqui são detalhes um pouco mais
amplos que ajudam a entender de onde vem a motivação desta mulher.
Leymah é cristã, e sua prática de fé se insere na Igreja
Luterana da Libéria, que é membro da Federação Luterana Mundial. No início de
sua militância ela foi presidente da organização de mulheres da Igreja Luterana
St. Peter, na capital Monrovia. Junto com outra mulher, Comfort Freeman,
organizaram o “Programa Mulheres Construindo a Paz”. Esta organização foi
plataforma ativa de mulheres engajadas na superação da violência, pelo fim da
guerra na Libéria.
“O povo da Libéria tem esperança”, dizia Gbowee
naquela época, se referindo às mulheres que iniciaram os seus dias sentando por
paz em meados de abril, na capital Monrovia. Sob sol ou chuva as mulheres da
Libéria se reuniam para afirmar seu compromisso pela paz. Elas se reuniam para
protestar contra as ações de todos que perpetuavam a violenta guerra civil.
“Nossa visão é pela unidade de nossas famílias e a
eliminação da fome e das doenças. Nós cremos que as mãos poderosas de Deus nos
acolhem neste esforço. Deus voltou seus ouvidos para nós.” [2]
O que elas faziam? Elas se reuniam para sentar e orar juntas!
Mas, sua oração era uma oração que juntava em si o que o texto de Marcos
recomenda – Vigiai e orai. A oração ativa e engajada destas mulheres lideradas
por Laymah se dava nos mais diferentes lugares na igreja, nas casas, nas
ruas, ou em pontos estratégicos, como na frente dos portões do exército onde os
caminhões de guerra saíam com os soldados prontos para as batalhas na guerra
sangrenta que assolou o país.
As mulheres superaram barreiras culturais que as prendiam a
serem donas de casas expectadoras da violência, ou limites religiosos – elas
reuniram cristãs e muçulmanas em suas ações de paz. Elas firmemente
pronunciaram com suas palavras que basta! Chega de violência e guerra! Queremos
paz! E tomando o rumo de suas vidas e de suas famílias em suas mãos, juntaram
as mãos em oração por paz. Seu movimento foi juntando mais adeptas e com a
pressão de serem muitas, em redes, em grupos, foram forjando os rumos do fim da
guerra no país. De 1989 a 2003, a Libéria enfrentou uma das piores e mais
violenta guerra civil na África; grupos rebeldes e forças governamentais se
enfrentaram em batalhas pelo poder, em conflitos étnicos e políticos. [3]
Em 2008, eu tive a oportunidade de visitar a igreja Luterana
da Libéria e conhecer o trabalho das comunidades e dos grupos de mulheres que
seguem firmes no testemunho de ser igreja inserida no contexto de pobreza,
testemunhando com ações diaconais a presença do Evangelho libertador neste
mundo. As mulheres seguem reunindo-se em oração, que são momentos de memória
que está vigilante para que a guerra não volte, para que a paz, mesmo que
frágil, siga regendo a vida desta sociedade tão sofrida. As mulheres
guardam na memória que a oração é capaz de parar os tanques de guerra.
A história de vida e testemunho de fé desta mulher que foi
reconhecida internacionalmente laureada pelo premio Nobel da Paz ajuda na
reflexão neste tempo de advento, inspirada pelo evangelho de Marcos, que exorta
a vigiar e orar. A oração militante destas mulheres da Libéria é um exemplo
concreto de como esta exortação se transforma em prática.
* Elaine Neuenfeldt é pastora da IECLB, trabalhando na Federação Luterana Mundial responsável pela oficina de Mulheres na Igreja e na Sociedade.
FONTE:
https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/reflexao-do-evangelho-vigiai-e-orai/

ROTEIRO DE
ENCONTRO – TEMPO DO ADVENTO
O ideal é promover este encontro na 1ª Semana do Advento e continuar a acender as velas enquanto houver encontros de catequese. Peça aos catequizandos que acompanhem as missas dos domingos do Advento durante o mês de dezembro e vejam as velas sendo acendidas.
AMBIENTE: Bíblia, imagem de Jesus menino; Cartaz ou folder do Ano Litúrgico; Papel dupla face (color set/papel cartão) verde, tesoura, lápis, cola, quatro velas: (vermelha, verde, rosa e branca), flores para enfeitar, fita vermelha;
- Confeccionar um cartão/marca página com a Oração do Advento.
ENCONTRO
- Iniciar o encontro conversando com os catequizandos sobre o Tempo
Litúrgico mostrando o cartaz/folder com a figura e pedindo a eles que
identifiquem em que tempo estamos agora. Faça-os acompanhar a trajetória do
ano.
- Em seguida pergunte a eles se sabem o significado da palavra ADVENTO.
- Use exemplos de “anúncio”, como por exemplo de um filme que está para
ser lançado. As produtoras normalmente criam cartazes e trailers para anunciar
o filme e provocar interesse nas pessoas em assistir. (Pode-se usar exemplo de
algum filme que esteja sendo bem esperado o lançamento). Comentar sobre a
expectativa que isso gera, a vontade de que aconteça logo e como isso nos causa
alegria.
- Fazer agora a analogia com o anúncio do nascimento do Salvador. Volte
àquele tempo em que era grande a espera por aquele que viria a salvar a
humanidade. Volte ao contexto da época e explique porque as pessoas esperavam o
messias.
Depois da leitura bíblica, lembre da “grande luz” anunciada pelo Profeta Isaías e fale sobre a COROA DO ADVENTO, usando as informações do texto base e outras que você conheça.
Texto base: O que
significa a Coroa do Advento?
O advento é o tempo litúrgico que antecede o Natal. São quatro semanas nas quais somos convidados a esperar Jesus que vem. Por isso é um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Neste tempo montamos a COROA DO ADVENTO.
A vela sempre teve um significado especial para o homem, sobretudo porque antes de ser descoberta a eletricidade ela era a vitória contra a escuridão da noite. À luz das velas São Jerônimo traduzia a Bíblia do grego e do hebraico para o latim, nas grutas escuras de Belém onde Jesus nasceu. Em casa, a noite, quando falta a energia, todos correm atrás de uma vela e de um fósforo, ainda hoje.
Antes da era cristã os pagãos celebravam em Roma a festa do deus Sol Invencível (Dies solis invicti) no solstício de inverno, em 25 de dezembro. A Igreja sabiamente começou a celebrar o Natal de Jesus neste dia, para mostrar que Cristo é o verdadeiro Deus, o verdadeiro Sol, que traz nos seus raios a salvação. É a festa da luz que é o Cristo: “Eu Sou a Luz do mundo” (Jo 12, 8). No Natal desceu a nós a verdadeira Luz “que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1, 9).
Na chama da vela estão presentes as forças da natureza e da vida. Cada
vela marca um ano de nossa vida no bolo de aniversário. Para nós cristãos
simbolizam a fé, o amor e o trabalho realizado em prol do Reino de Deus.
Velas são vidas que se imolam na liturgia do amor a Deus e ao próximo. Tudo
isso foi levado para a liturgia do Advento. Com ramos de pinheiro uma coroa com
quatro velas prepara os corações para a chegada do Deus Menino.
Nessas quatro semanas somos convidados a esperar Jesus que vem. É um tempo de preparação e de alegre espera do Senhor. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Nas duas últimas, a Igreja nos faz lembrar a espera dos Profetas e de Maria pelo nascimento de Jesus.
A Coroa é o primeiro anúncio do Natal. O verde é o sinal de esperança e vida, enfeitada com uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus que se manifesta de maneira suprema no nascimento do Filho de Deus humanado. A branca significa a paz que o Menino Deus veio trazer; a roxa clara (ou rosa) significa a alegria de sua chegada.
A Coroa é composta de quatro velas nos seus cantos presas aos ramos formando um círculo. O círculo não tem começo e nem fim, é símbolo da eternidade de Deus e do reinado eterno do Cristo. A cada domingo acende-se uma delas.
Tudo isso para nos lembrar o que anunciou o Profeta:
“Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor”. (Is 11,1-2)
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos. Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã. Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas; porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz. Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos” (Is 9,1-6).
DINÂMICA: COROA DO ADVENTO - feito com as "mãos" das crianças.
- Convide os catequizandos a fazer uma “coroa do advento” com suas “próprias mãos”.
- Desenhar as mãos dos catequizados num papel cartão/colorset (dupla
face) verde e recortar, depois de recortadas as mãozinhas, cole umas nas outras
formando um círculo. - Formar uma coroa imitando as folhas (que significa
vida). Enfeitar com flores e fitas vermelhas e no centro colocar pequenas
velinhas, vermelhas ou com as cores litúrgicas da Coroa do Advento.
MOMENTO DE ORAÇÃO:
(Pode-se cantar com as crianças um canto ou mantra apropriado).
- Convide-os a ler e refletir o Evangelho do 1º Domingo do
Advento: Mc 13, 33-37.
ENCERRAMENTO:
- Sugira aos catequizandos que pesquisem na internet sobre a Coroa do Advento e os vários modelos e incentivem seus pais a fazer uma coroa também. Pode ser com as mãos dos membros da família ou com qualquer modelo disponível.
- Entregue os cartões com a Oração do advento, encerrando o encontro com
a oração.
Ângela Rocha - Catequistas em Formação.
Um jeito bonito de compreender o "Pai Nosso"...
A maneira de Jesus fazer oração dava aos seus discípulos vontade de rezar como ele. E, quando lhe disseram isso, Jesus rezou com eles.
Chamou a Deus “Pai”, e disse-lhe que queria viver de tal maneira que desse bom nome a Deus. É isso que significa “Santificado seja o Teu Nome”. O de Deus, não o nosso! O segredo é fazer de Deus a questão mais importante da vida.
Depois, Jesus disse ao Pai que o seu maior desejo era que o Reino de Deus chegasse a nós e se cumprisse entre nós: “Venha o Teu Reino!” Não é simplesmente um pedido, mas sim um consentimento e uma disponibilidade para colaborar nesse Reinado de Deus. Por outras palavras: fazer a vontade de Deus e pôr o mundo como Deus gosta. Viver como Deus manda!
Jesus continuou a oração dizendo ao Pai que confiava nele, inteiramente, em todas as dimensões da vida e todos os dias. É isso que significa “Dá-nos a cada dia o Pão de que precisamos”. Por confiar em Deus, que é Pai Bom, não vivemos para ajuntar nem nos deixamos levar por nenhuma espécie de ganância.
Jesus rezou ainda para ter limpo o coração e a mente: o coração limpo de ressentimentos, e a mente limpa de tentações. Podemos contar com a força do Espírito Santo, que Deus derramou nos nossos corações, para nos ajudar a perdoar e a deixarmo-nos perdoar, e também para sermos inteligentes e fortes diante da tentação para não fazermos o que Deus não gosta.
Jesus não nos ensinou uma fórmula de oração, mas uma maneira de nos dirigirmos a Deus. Jesus não disse aos discípulos, “quando vocês rezarem digam isto”. O que está no evangelho é “quando vocês rezarem digam assim”.
O Pai Nosso é um jeito de nos dirigirmos a Deus. É o estilo da oração de Jesus, não é a fórmula que Jesus nos deu. Em outras palavras, o que Jesus nos ensinou quando rezou assim com os primeiros discípulos, foi a nos dirigirmos a Deus como filhos muito queridos a um Pai Bom. E, como filhos, a dizer ao Pai que pode contar conosco, e a confidenciar-lhe que também contamos com Ele. O Pai de Jesus e Pai Nosso é de se fiar. Rezamos isso: Deus é de confiança! E rezamos para que nós sejamos também.
Amém!
Pe. Rui Santiago, cssr. http://derrotarmontanhas.blogspot.com/

O século XVI é o século do grande Catecismo Romano
(também chamado Catecismo do Concílio de Trento ou Catecismo de Pio V),
publicado em 1566. Ele foi encomendado pelo Concílio de Trento, para expor a
doutrina e aprofundar a compreensão e saber teológico do clero. Este catecismo
difere de outros resumos da doutrina cristã para a instrução das pessoas em
dois pontos: destina-se principalmente aos sacerdotes e bispos e, como obra de
referência, gozava de uma autoridade dentro da Igreja Católica jamais igualada
por nenhum outro catecismo até o Catecismo de 1992.
A necessidade de um manual de autoridade popular surgiu do
escasso conhecimento sistemático da fé entre o clero pré-Reforma e a pouca
instrução religiosa entre os fiéis. Urgia-se que a catequese fosse feita com
maior frequência e regularidade.
Os catecismos anteriores restringiam-se às noções que os pais
ensinavam aos filhos no seio da família. Era preciso dar-lhe lugar de maior
prestígio na própria igreja e na escola. Em 1597 São Roberto Bellarmino, um dos
maiores doutores da Igreja Católica, 31 anos após a publicação do Catecismo
Romano do Concílio de Trento, escreveu o Catecismo (Doutrina
Cristã) em duas versões (compacta e estendida), resumindo o Catecismo
Romano em forma de perguntas e respostas, que se tornou o maior best-seller de
todos os tempos, traduzido para mais de 50 línguas em todo mundo. Foi este
catecismo o ensino oficial entre os leigos da Igreja nos séculos XVII-XX. O
Papa Pio X, em 1908, utilizou-se deste catecismo para preparar o seu conhecido Catecismo
Maior, largamente difundido no mundo inteiro.
O catecismo Romano, atendeu e deu uma resposta aos conflitos
de seu tempo, tendo como principal pano de fundo a Reforma. Tanto o Catecismo
Romano quanto o Catecismo de São Pio X, baseado em Bellarmino, continua em uso
na Igreja católica, em círculos mais tradicionais e por fiéis de orientação e
sensibilidade conservadora.
O Catecismo atual
Em 1985, nas comemorações do vigésimo aniversário de
encerramento do Concílio Vaticano II, a Assembleia Extraordinária dos
Bispos manifestou o desejo de um Catecismo ou compêndio atualizado
que abordasse a doutrina católica de forma geral, servindo de referência para
catecismos e compêndios a serem preparados em diversos lugares do mundo. Após o
Sínodo, o Papa João Paulo II, assumiu para si este desejo e deu
início ao trabalho de formulação do Catecismo da Igreja Católica,
entregando-o à população no dia 11 de outubro de 1992, resultado de
um trabalho que demorou seis anos.
O Papa João Paulo II confiou ao cardeal Joseph Ratzinger
(mais tarde Papa Bento XVI) em 1986, a responsabilidade de presidir uma
Comissão para preparar um projeto para o catecismo. Esta equipe contou com o
apoio de uma Comissão de redação, formada por sete bispos peritos em
teologia e catequese. A Comissão deu diretrizes ao desenvolvimento do trabalho,
cuja redação resultou em nove composições. Por outro lado, a Comissão de
redação escreveu o texto e inseriu neles as modificações pedidas pela Comissão
e examinou as observações de numerosos teólogos, exegetas e catequistas e
bispos do mundo inteiro, a fim de melhorar o texto.
O Catecismo da Igreja Católica de 1992 é composto de assuntos
que ajudam a iluminar as situações e problemas encontrados na Igreja Católica,
traz assuntos com o objetivo de formar e direcionar o seus fiéis, explicando a
Doutrina da mesma, reavivando a fé do povo de Deus. Apresenta ensinamentos
da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério; segundo o
catolicismo romano. Traz também a herança deixada pelos Santos Padres, santos e
santas da Igreja.
FONTES:
Diversas da internet (sem referências diretas)
Outro dia fui "premiada" com o seguinte comentário em uma das minhas publicações: "Tenhas as suas opiniões políticas mas tire elas do Altar de Cristo e dos seus Sacramentos."
Aí fiquei cá pensando com meus botões, se Jesus Cristo foi um alienado
político. Acho que não! E se um cristão precisa ser alienado e não falar ou se
envolver em política. Também acho que não. E uma catequista pode ter opinião
política?
Acredito, sinceramente, que um cristão PRECISA ser
politizado.
Vamos ver por que?
"Do ponto de vista político, Jesus morreu condenado
pelos romanos. A verdade é que, além dos motivos religiosos, há também motivos
políticos para a morte de Jesus, os textos bíblicos deixam transparecer. É
razoável pensar que Jesus foi considerado um agitador perigoso. Mas a principal
causa política foi a posição de Jesus em relação a honra e a posse de bens. Um
romano não podia tolerar que alguém se despoje de sua posição de honra nem de
seus bens, como atesta Sêneca, o mais humanizador dos estoicos romanos da
época. O radicalismo evangélico proposto por Jesus não era compreensivo dentro
do pensamento jurídico e social romano, o que pesou na condenação de Jesus a
morte. Os evangelhos nos deixam transparecer que Pilatos não viu nenhum mal em
Jesus, mas é instigado pelos judeus: “nós temos uma lei, e, segundo a lei, deve
morrer porque se fez Filho de Deus” (Jo 19,2)." (NENTWIG, Roberto: O
significado da morte de Jesus.)
E sejam benditas as aulas de Cristologia! Aliás, penso que
qualquer pessoa que queira defender um argumento teológico, precisa estudar um
pouquinho.
Alguns pensamentos de quem se diz "cristão" e
"católico", são, no mínimo, "interessantes". Precisam ser
"estudados” pelas lentes, algumas vezes, microscópicas - da paciência!
Um deles é aquele que acredita que quem é da Igreja, não pode
se envolver, pensar e nem falar de política. Que dirá ter um partido político!
Mas, a política está no berço da sociedade civilizada. É
anterior a Jesus Cristo. Ele viveu num sociedade muito politizada, na verdade,
"dominada" pela política imperial e religiosa do oriente médio. Foi
crucificado por tentar dar valor ao pobre, doente, excluído, trabalhadores,
mulheres... Quer mais "política" que isso?
A palavra política tem sua origem na Grécia, vem de “polis”,
que significa “cidade”. Assim, política é a ação empreendida pelas
cidades-estados gregas para normalizar a convivência entre seus habitantes e as
demais cidades. Estabelecer esta "política", sempre foi uma luta para
tornar as sociedades mais civilizadas.
Então, hoje, política é a atividade desempenhada pelo cidadão
quando exerce seus direitos em assuntos públicos por meio do seu voto.
O voto não só é um direito do cidadão, mas um dever daquele
que quer uma sociedade justa e fraterna, ainda mais ser for um cristão.
Por mais que Jesus tenha dito que o seu "Reino" não
era deste mundo, acredito que Ele esteve aqui para nos ensinar a fazer este
Reino acontecer. Ele não quis dizer que o Reino só pode alcançado lá no
"céu", penso que Ele nos deu uma “chicotada” dizendo que os seres
humanos parecem incapazes de fazer um Reino aqui neste mundo.
Para mim e para muitos, é desconexo que um cristão limite o
exercício da sua fé, ao templo, ao espaço físico onde vai orar e se ajoelhar.
Cada um deve ser um "sacrário ambulante" (Expressão usada pelo
professor Luiz Alexandre Rossi em suas aulas). O verdadeiro cristão deve
carregar consigo a sua fé, levando-a para o espaço cotidiano. Ter fé não é ser
carismático na Igreja e não praticar a ética na rua. Aliás, o que fazemos na
rua determina o tipo de "culto" que fazemos na Igreja.
De minha parte, sempre acreditei que, se não puder fazer fora
da Igreja o que aprendi dentro dela, não posso me considerar cristã.
E um ótimo dia a todos!
Ângela Rocha
“Catequista sempre em formação”.
Um pouco do que vemos em nossas Oficinas de Iniciação à vida Cristã:
PASSOS METODOLÓGICOS DE UM ENCONTRO
PASSOS METODOLÓGICOS:
01 – ACOLHIDA:
02 – MOTIVAÇÃO:
Motivar não é apenas usar dinâmicas ou recursos. Motivar na catequese é dar motivo, razão para estar no encontro e ser parte do grupo de catequese, através de um processo que movimenta e entusiasma, encaminhando cada catequizando para a prontidão no acolhimento da mensagem bíblica.
A motivação deverá ser realizada em vista do objetivo traçado para o encontro. Todos nós sabemos o que queremos ensinar no nosso encontro, logo, precisamos analisar se a dinâmicas ou recursos atendem ao nosso objetivo ou se serão mais uma brincadeira, entre tantas outras que o nosso catequizandos aprende.
03 – PALAVRA
A narração do texto bíblico mantém a atenção sobre o fato, pois é sempre agradável ouvir alguém contar uma história. Daí a importância do catequista preparar-se antecipadamente e poder substituir a leitura pela narração ou proclamação da Palavra.
É sempre bom explorar o texto bíblico proporcionando aos catequizandos o estudo do fato mais de perto, fazendo perguntas, realizando dinâmicas para que a mensagem e a atitude de Jesus e de outras pessoas, favoreça a compreensão de que a Bíblia contextualiza a história do povo de Deus. È importante também que o catequista associe o texto bíblico as situações que presenciamos hoje, para que haja por parte do catequizandos a compreensão de que o processo, a caminhada continua. Essa caminhada é decorrente da maturidade e situação histórica do povo. É sempre necessário estabelecer um elo com a realidade dos catequizandos, através de uma adaptação da Palavra de Deus de acordo com aquilo que envolve a comunidade.
Antes de apresentar o texto bíblico, podemos destacar a Palavra de Deus de diferentes maneiras:
-
Passar a bíblia de mão em mão;
-
Deixar a Bíblia em um lugar de destaque, para que cada catequizando coloque a
mão e faça um pedido;
-
Colocar pedras sobre a Bíblia, para propiciar um momento de pedido de perdão,
para que os catequizandos possam se
expressar enquanto retiram as pedras;
-
Amarrar a Bíblia com cordas para que aos poucos possam ir desamarrando;
-
Preparar uma entrada oficial e solene da Bíblia;
-
Cantar antes da proclamação.
04 – ORAÇÃO
É o ponto alto do nosso encontro, é o momento da inter-relação: Deus-catequizandos-catequista. É o momento do silêncio, da explicitação, de nosso louvor, agradecimento e o pedido de ajuda a Deus, para conseguirmos fidelidade, coragem e esperança na caminhada. É neste momento que devemos estar preparados e preparar o grupo para a escuta e o diálogo com Deus, assim teremos percorrido os caminhos de um verdadeiro encontro. Se isso não acontecer poderemos ter ficado nas aulas de catequese, não em verdadeiros encontros de catequese.
Percebemos que partimos para o encontro catequético analisando algo da própria vida dos catequizandos: motivados por uma situação, um símbolo, um fato, apresentamos a Palavra de Deus (texto bíblico) que nos mostrará uma proposta em relação a nossa realidade e nos dará luzes para a caminhada, abrindo caminho para o momento da oração.
Podemos aproveitar as fórmulas (Pai-Nosso, Ave-Maria...), os textos da Bíblia, como as orações espontâneas. O importante é educar para a oração, a fim de que não sejam apenas rezas mecânicas. Devemos educar o catequizando para se colocar diante de Deus de modo espontâneo.
05 – ATIVIDADES:As atividades na catequese são um processo de ensino-aprendizagem, por meio dos quais é possível perceber o que foi assimilado pelo catequizando, sobre a mensagem apresentada. Portanto, devem estar a serviço da fé. É importante não ficar preso apenas ao que é escrito ou expresso pelo catequizando. É necessário dar um passo a mais, transformando a atividade em uma ação transformadora, gerando o envolvimento na comunidade. É insuficiente realizar encontros com perspectivas de comunidade e o catequizando não experenciar a prática participativa. São muitos os momentos em que podemos propiciar envolvimento dos catequizandos, com ações transformadoras na comunidade: organização de campanhas sociais; missões; encontros de casais; encontros das diversas pastorais; organização da festa do padroeiro (a), etc.
06 – COMPROMISSO:
É o momento do agir. É algo que procuramos fazer a partir da nossa realidade individual, daquilo que aprendemos, que descobrimos e queremos melhorar ou mudar. O catequista atua neste momento do encontro como aquele que fornece pistas para despertar as atitudes de vida fraterna na comunidade, no grupo de amigos e vida familiar, usando como referencial o tema trabalhado no encontro. Uma proposta de agir deve partir sempre das condições reais do catequizando, daquilo que é possível realizar.
07 – AVALIAÇÃO
É o processo de reflexão em torno da tarefa catequética com função construtiva. O que se avalia:
§ Os elementos do processo catequético
§ Ação do catequista
§ O desenvolvimento
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
É importante destacar que o planejamento não garante a totalidade da ação, pois muito dependerá da ação do espírito Santo, que age no catequistas, mas o planejamento é uma ferramenta para que a caminhada do grupo possa ser bem trabalhada.
Cabe salientar, também, que os momentos deste método não são estanques e nem sequências de operações, mas é um processo. Neste sentido nosso conceito de método deve ser ampliado deixando de lado concepções de que o método é só uma questão didática de cada encontro catequético, com passos que precisam ser seguidos a risca.
Este pensar exige uma visão mais global e menos segmentada, portanto se torna necessário que o catequista realize o planejamento do Itinerário Catequético que seu grupo vai percorrer durante um determinado tempo, tendo sempre em mente o fim da caminhada, ou seja, o objetivo. Assim, não se trabalha a soma de elementos transmitidos nos encontros, encontro por encontro, mas o conjunto de ações que vai se realizando e que irão ajudar a chegar ao objetivo.
ITINERÁRIO:
O catecismo da Igreja Católica diz que para tornar-se cristão é preciso ser iniciado na fé cristã “por um Itinerário e uma iniciação que passa por várias etapas” (n. 1229).
A palavra itinerário significa caminho. Precisamos de um caminho por onde andar. Neste caso, trata-se do conjunto de elementos que unidos levam aos mesmos objetivos. Uma catequese de modelo escolar se preocupa mais com a transmissão de conteúdo, aula após aula. Na catequese, queremos avançar para um itinerário global, ou seja, um plano que inclua elementos de transformação, que não se limite ao encontro de catequese e ao conteúdo do manual. Alguns elementos são fundamentais neste itinerário:
Baseado em tudo que vimos, podemos agora montar um quadro com os principais passos de um encontro:
EXEMPLO:
ROTEIRO DE ENCONTRO – PAIXÃO DE CRISTO
|
A N T E S |
Interlocutores (Catequizandos) |
Catequizandos da 1º eucaristia Idade : 8 a 13 anos |
|
Duração |
90 min |
|
|
Local |
Salão de reuniões da catequese São Judas Tadeu |
|
|
Tema Conteúdos |
Paixão de
Cristo – Semana Santa |
|
|
Objetivo(s) |
-
Prática da espiritualidade e contemplação. -
Vivenciar com os catequizandos o amor de Cristo. A dor mais cruel, a traição,
a humilhação mais intensa, tudo é pequeno diante da realização suprema da
vontade de Deus na vida. Será um encontro Orante e contemplativo |
|
|
Material (Ambiente) |
Cartãozinho escrito “FIQUEM AQUI E VIGIEM COMIGO”. Bíblia, Crucifixo, Manto vermelho e incenso numa mesa para
contemplação e cadeiras em volta para as crianças. |
|
|
D U R A N T E |
Passos metodológicos
|
Acolhida Receber com as crianças com uma música bem suave (canto
gregoriano). |
|
Palavra 1- Mt 26,36-41. Perguntar individualmente: É POSSIVEL ESTAR JUNTO COM JESUS
NESSA HORA DE ANGUSTIA? 2- Mt 27,27-31. Imaginar a cena de zombaria. 3- Lc 23,33-38. Colocar a música: “Ao morrer crucificado”. |
||
|
Oração: Depois das leituras pedir para olhar a cruz observando cada
detalhe como as mãos os pregos a coroa de espinhos a expressão do rosto, e
quem quiser fazer uma oração de joelhos, pode orar com gratidão por essa vida
doada com tanta generosidade. |
||
|
Atividades educativas |
Encontro
Orante e Contemplativo.
Incentivá–los a rezar em casa diante de um crucifixo pedindo a
Jesus por todas as pessoas excluídas da sociedade, como presos, drogados,
meninos de rua e outras que estão sofrendo: A oração deve estar escrita num cartãozinho: PAI, TORNA-ME SENSÍVEL AO SOFRIMENTO E A DOR DE CADA PESSOA QUE
ENCONTRO NO CAMINHO, QUE MINHA COMPAIXÃO SE DEMONSTRE COM GESTOS CONCRETOS.
AMÉM.
|
|
|
Atividades Sócio- transformadoras |
Quando fazemos encontros celebrativos, orantes, as atividades
sócio-transformadoras são mais abstratas, depende muito do sentimento de cada
um na celebração. Neste caso, o AGIR na vida cotidiana leva a mudança de valores e
da maneira de se encarar a vida, mais profundas... Portanto, não é necessário que o catequista dê pistas aos
catequizandos de ações a serem feitas. As reflexões com o grupo já levam a
isso. |
|
|
D E P O I S |
Avaliação
|
Faça uma avaliação pós-encontro para analisar a capacidade de abstração,
oração e contemplação dos catequizandos. Veja se o encontro foi frutuoso, se
“mexeu” com o interior de cada um. Pontos positivos, pontos negativos. O que mudar numa próxima vez. |
Obs: Esse encontro é o 14º encontro do livro “Creio na alegria”.
FONTES:
CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC 157-162. Brasília: Edições CNBB, 2006.
MACHADO, Leo Marcelo Plantes. Formação Básica de catequistas, Metodologia Catequética.. Editora Arquidiocesana de Curitiba, 2013.
OLENIKI, Marilac L. R., MACHADO, leo Marcelo Plantes. O encontro de catequese. Petrópolis: Vozes, 2005.