quarta-feira, 31 de maio de 2017

CATEQUESE DO PAPA

FRANCISCO: TRANSBORDAR SEMPRE NA ESPERANÇA

Na iminência da solenidade de Pentecostes não podemos não falar da relação que existe entre a esperança cristã e o Espírito Santo. O Espírito é o vento que nos arrasta para a frente, que nos mantém no caminho, nos faz sentir peregrinos e estrangeiros e não nos permite de acomodar e de tornarmo-nos num povo “sedentário”.

Com estas palavras, o Papa Francisco iniciou na manhã de hoje, quarta-feira, dia 31 de Maio de 2017, a última audiência geral deste mês de Maio, na Praça de S. Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo inteiro. Tema da catequese de hoje, é “o Espírito Santo nos faz transbordar na esperança”: uma reflexão sobre a Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos( Rm 15, 13-14).

Ora, a Carta aos Hebreus, disse Francisco, compara a esperança com uma âncora e à esta imagem podemos acrescentar a da vela. Se a âncora é o que dá segurança ao barco e o mantém “ancorado” por entre as ondas do mar, a vela é, pelo contrário,  permite ao barco de caminhar e avançar nas águas. A esperança é realmente uma vela; ela recolhe o vento do Espírito e o transforma em força motriz que empurra o barco, segundo as circunstâncias, para o largo ou ao destino.

O Apóstolo Paulo, disse ainda o Papa, conclui a sua carta aos Romanos dizendo:“ O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo, transbordeis de esperança!”.

 Ora, a expressão “Deus da esperança”, sublinha o Santo Padre, não quer dizer somente que Deus é objecto da nossa esperança, isto é Aquele que já, desde agora nos faz esperar; mas antes de mias, nos torna “alegres na esperança: alegres agora de esperar e não só de esperar de ser alegres no futuro, depois da morte.

“Enquanto há vida há esperança”, diz um ditado popular; e é verdade também o contrário: até quando há esperança, há vida. Os homens têm necessidade de esperança para viver e têm necessidade do Espírito Santo para esperar. São Paulo atribui ao espírito Santo a capacidade de nos transbordar na esperança. Transbordar na esperança significa não desencorajar-se nunca; significa esperar contra todas as esperanças, isto é, esperar mesmo quando vêm menos todos os motivos humanos para esperar, como foi para Abrãao quando Deus lhe pediu de sacrificar-Lhe o seu único filho Isac, e como foi ainda mais, para a virgem Maria debaixo da cruz de Jesus.

O Espírito Santo, afirma Francisco, torna possível esta esperança invencível dando-nos um testemunho interior  de que somos filhos de Deus e seus herdeiros. O espírito Santo não nos torna só capazes da esperar, mas também de ser semeadores da esperança, de sermos também nós, como Ele e graças à Ele, os paráclitos, isto é, consoladores e defensores dos irmãos: são sobretudo os pobres, os excluídos, os não amados, a terem necessidade de alguém que seja para eles, o “paráclito”, isto é, consolador e defensor.

O Espírito Santo, prosseguiu o Papa, alimenta a esperança não só no coração dos homens, mas também em toda a criação. Pois, como sublinha o Apóstolo Paulo, “ a criação foi sujeita à vaidade, todavia, com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até ao presente dia”. Façamo-nos então também, concluiu dizendo Francisco, paráclitos, defensores da criação que “espera” a manifestação dos filhos de Deus.

Que a próxima festa de Pentecostes nos encontre concordes em oração, com Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. E o dom do Espírito Santo nos faça transbordar na esperança.

Queridos amigos, nestes dias de preparação para a festa de Pentecostes, peçamos ao Senhor que derrame em nós abundantemente os dons do seu Espírito, para que possamos ser testemunhas de Jesus até os confins da terra. Obrigado pela vossa presença.


RADIOVATICANA.VA

O MAGNIFICAT DE MARIA

O Magnificat, oração conhecida como Canção de Maria ou Canto de Maria, é encontrado no Evangelho de Lucas 1, 46-55. Ele é recitado por Maria na sua visitação a Isabel, sua prima, mãe de João Batista. Após Maria saudar Isabel, que está grávida, a criança (João) se mexe no útero de Isabel. Quando esta louva Maria por sua fé... Bendito é o fruto do vosso vente... Maria entoa o Magnificat como resposta.

A minh'alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador
Pois Ele me contemplou na humildade da sua serva
Pois desde agora e para sempre me considerarão bem-aventurada
Pois o Poderoso me fez grandes coisas

Santo é Seu nome!

A Sua misericórdia se estende a toda a geração daqueles que o temem
Com o Seu braço agiu mui valorosamente
Dispersou os que no coração tem pensamentos soberbos
Derrubou dos seus tronos os poderosos

Exaltou os humildes, encheu de bens os famintos
despediu vazios os ricos
Amparou a Israel Seu servo para lembrar-se da Sua misericórdia
A favor de Abraão e sua descendência
Como havia falado a nossos pais.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

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E assim cantavam nossos "pais" em latim...
Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen.

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FONTE: Youtube

A FESTA DA VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA


 A visita de Maria a Isabel: Alegria no Espírito!

Um pouco de história

Segundo a tradição, a origem do mês de maio, como mês de Maria, remonta ao século XIII. No dia 31 de maio comemoramos a Festa da Visitação de Nossa Senhora, a devoção popular cristã contempla este acontecimento no segundo mistério gozoso do terço. Iniciada por São Boaventura entre os franciscanos, em 1263 d.C., tornou-se uma festa universal em 1389, durante o pontificado de Urbano VI para promover, com a intercessão de Maria, a paz e a unidade dos cristãos divididos pelo grande cisma do Ocidente.

A festa da Visitação era celebrada no dia 2 de julho, ou seja, ao final da visita de Maria à Isabel. O calendário litúrgico mudou esta data para o último dia de maio como coroação do mês que a devoção popular consagra a Nossa Senhora.

Com esta festa, a Igreja celebra o grande exemplo de Maria como servidora. O Papa Francisco sintetizou o comportamento de Maria no episódio da Visitação em três palavras: escuta, decisão e ação.

Escuta: Maria está atenta a Deus, escuta a Deus, mas Maria escuta também os fatos, lê os acontecimentos de sua vida. Está atenta a realidade concreta e não fica na superfície, mas vai ao profundo para acolher o significado. A parente Isabel, que já é idosa, espera um filho. Esse é o fato. Mas Maria está atenta ao significado, sabe acolhê-lo: “Nada é impossível a Deus” (Lc 1,37).

Decisão: Maria não vive da pressa, da ânsia, mas como destaca São Lucas “meditava todas essas coisas no seu coração” (Lc 2,19). Também no momento decisivo da anunciação do Anjo ela também pergunta “como acontecerá isso? ”, mas não se detém nem mesmo no momento da reflexão, dá um passo a mais: decide. Ela não vive da pressa, mas apenas quando é necessário vai rapidamente.

Ação: “Maria pôs-se em viagem e foi depressa”. A ação de Maria é uma consequência de sua obediência às palavras do Anjo. Ela vai até Isabel para ser-lhe útil. Esta sua saída de casa, de si mesma, por amor, carrega o que tem de mais precioso: Jesus. Ela carrega seu Filho.

O mistério da Visitação lembra a todos que o “levar Cristo” é uma atitude “mariana”. Por esta razão a Igreja mantém os olhos fixos na Virgem Mãe: grávida do Filho de Deus, ela torna perpétuo entre os homens o caminho missionário daquela que, como Arca da Aliança, trazia em si Aquele que visitou e redimiu o seu povo: “Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.


O Evangelho deste dia

O Evangelho que ilumina este dia é Lucas 1, 39-56. Aqui, abrimos espaço dentro do calendário do Tempo Pascal, iluminado pelo Evangelho de João, para ouvir Lucas, único evangelista a narrar a visitação de Maria a Isabel. Dentre os três Evangelhos, o de Lucas é o que mais apresenta citações acerca de Maria. Segundo O dicionário de Mariologia, de 150 versículos no NT que tratam de Maria, 90 estão no evangelho de Lucas.

Na leitura de hoje encontramos o Magnificat, que, segundo São Luís Monfort, “É a única oração e a única obra composta por Maria (...). É o maior sacrifício de louvor que Deus já recebeu na lei da graça. É, dum lado, o mais humilde o mais reconhecido e, doutro, o mais sublime e mais elevado de todos os cânticos. Há neste cântico mistérios tão grandes e tão ocultos, que os próprios anjos ignoram”.

REFLEXÃO DO EVANGELHO

O assunto da vida: para começo de conversa

O texto de hoje nos fala da visita de Maria a sua prima Isabel. As duas eram conhecidas uma da outra. E, no entanto, neste encontro elas descobrem, uma na outra, o mistério que ainda não conheciam e que as encheu de muita alegria. Hoje também encontramos pessoas que nos surpreendem com a sabedoria que possuem e com o testemunho de fé que nos dão.

Chave de leitura
Na leitura que vamos refletir, sobretudo no Cântico de Maria, percebemos que ela descobriu o mistério de Deus não só na pessoa de Isabel, mas também na história do seu povo. Durante a reflexão vamos prestar atenção no seguinte: ”Com que palavras e comparações Maria expressou a descoberta de que Deus está presente em sua vida e na vida do seu povo? ”.

Situando
Quando Lucas fala de Maria, ele pensa nas comunidades do seu tempo que viviam espalhadas pelas cidades do império romano. Maria é, para ele, o modelo da comunidade fiel. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, ele ensina como aquelas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs.
O episódio da visita de Maria a Isabel mostra ainda outro aspecto bem próprio de Lucas. Todas as palavras e atitudes, sobretudo o Cântico de Maria, formam uma grande celebração de louvor. Parece a descrição de uma solene liturgia. Assim, Lucas evoca o ambiente litúrgico e celebrativo, em que as comunidades devem viver a sua fé.

Comentando
1. Lucas 1,39-40: Maria sai para visitar Isabel
Lucas acentua a prontidão de Maria em atender as exigências da Palavra de Deus. O anjo lhe falou da gravidez de Isabel e, imediatamente, Maria se levanta para verificar o que o anjo lhe tinha anunciado, e sai de casa para ir ajudar a uma pessoa necessitada. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de 100 quilômetros! Não havia ônibus nem trem.

2. Lucas 1,41-44: Saudação de Isabel
Isabel representa o Antigo Testamento que termina. Maria, o Novo que começa. O AT acolhe o NT com gratidão e confiança, reconhecendo nele o dom gratuito de Deus que vem realizar e completar toda a expectativa do povo. No encontro entre as duas mulheres manifesta-se o dom do Espírito que faz a criança estremecer de alegria no seio de Isabel. A Boa Nova de Deus revela a sua presença numa das coisas mais comuns da vida humana: duas donas de casa se visitando para se ajudar. Visita, alegria, gravidez, criança, ajuda mútua, casa, família: É nisto que Lucas quer que as comunidades (e nós todos) percebamos e descubramos a presença do Reino. As palavras de Isabel, até hoje, fazem parte do salmo mais conhecido e mais rezado da América Latina, que é a Ave Maria.

3. Lucas 1,45: O elogio que Isabel faz a Maria
“Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor vai acontecer”. É o recado de Lucas às comunidades: crer na Palavra de Deus, pois ela tem força para realizar aquilo que nos diz. É Palavra criadora. Gera vida nova no seio de uma virgem, o seio do povo pobre e abandonado que a acolhe com fé.

4. Lucas 1,46-56: O Cântico de Maria
Muito provavelmente, este cântico já era conhecido e cantado nas comunidades. Ele ensina como se deve orar e cantar.

Lucas 1,46-50
Maria começa proclamando a mudança que aconteceu na sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: “Exulto de alegria em Deus, meu Salvador”.

Lucas 1,51-53
Em seguida, canta a fidelidade de Javé para com seu povo e proclama a mudança que o braço de Javé estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão “braço de Deus” lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora de Javé que faz acontecer a mudança: dispersa os orgulhosos (1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (1,53).

Lucas 1,54-56
No fim, ela lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão de sua fidelidade às promessas feitas a Abraão. A Boa Nova veio não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos.

Alargando

O Segundo Livro de Samuel conta a história da Arca da Aliança. Davi quis colocá-la em sua casa, mas ficou com medo e disse: “Como virá a Arca de Javé para ficar na minha casa? ” (2 Samuel 6,9) Davi mandou que a Arca fosse para a casa de Obed-Edom. “E a Arca de Javé ficou três meses na casa de Obed-Edom, e Javé abençoou a Obed-Edom e a toda a sua família” (2 Samuel 6,11). Maria, grávida de Jesus, é como a Arca da Aliança que, no AT, visitava as casas das pessoas trazendo benefícios. Ela vai para a casa de Isabel e fica lá três meses. E enquanto está na casa de Isabel, ela e toda a sua família são abençoadas por Deus. A comunidade deve ser como a Nova Aliança. Visitando a casa das pessoas, deve trazer benefícios e graça de Deus para o povo.

A atitude de Maria frente à Palavra expressa o ideal que Lucas quer comunicar às comunidades: não se fechar sobre si mesmas, mas sair de si, sair de casa, e estar atentas às necessidades bem concretas das pessoas e procurar ajuda na medida das necessidades.
Carlos Mesters e Mercedes Lopes.
In O avesso é o lado certo. Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas.

FONTES:

Acácio Vieira de Carvalho. Escola Bíblica “São João Paulo II". Revista da Arquidiocese de Aparecida.



terça-feira, 30 de maio de 2017

CONTO MEU ENCONTRO: PROFISSÃO DE FÉ EM FAMÍLIA!


Esta semana, nosso encontro foi no sábado, na casa de uma das minhas catequizandas. Resumindo tudo: FOI MARAVILHOSO!

O encontro começou às 10h30. A família nos recebeu com carinho, preparando almoço e tudo mais para nós.

O ROTEIRO DO ENCONTRO:

- Oração: "Shemá Israel", convidando a família a participar, depois cantamos o mantra várias vezes. A mãe e a avó da catequizanda que nos recebia, acompanharam tudo atentas.

- Tema do encontro: Eucaristia: lembrando ainda os encontros de Jesus com os amigos, na mesa de refeição.

- Lembrar algumas passagens bíblicas: escolhi os discípulos de Emaús e contei como se fosse uma "história", sem ler da Bíblia. Depois, cada um procurou a passagem na sua Bíblia, leu em silêncio e comentou aquilo que mais achou interessante.
- Logo depois lembrei a eles o quanto estamos próximos de receber a Primeira Eucaristia. Faltam só oito meses.
- E falei também o que é preciso um católico saber de verdade para ser um bom católico (as quatro colunas da fé):
- Creio;
- Pai Nosso;
- Mandamentos e Bem-Aventuranças;
- E o sentido dos sacramentos.

Quando perguntei se eles já sabiam tudo, a coisa se enroscou. Ainda não conseguem separar muito sacramento de mandamento e nem conseguem lembrar todos, Bem-Aventuranças então, ninguém sabia nem do que eu estava falando. Prometi que vamos falar muito disso ainda.

Resolvi "apavorar" geral! Disse que o padre costuma conversar com eles na primeira confissão perguntando algumas dessas coisas. Nossa! Foi um auê! "Como, Tia? Ele pergunta mesmo? Tudo?" Não. Ele não vai fazer “prova oral” com vocês, mas, é importante conhecermos estas coisas porque elas fazem parte da vida do cristão católico.

- Então fomos brincar de "batata-quente". Aquele que ficava com a bola na vez, tinha que responder uma pergunta sobre sacramento, mandamento ou outra coisa da catequese. Quem fazia as perguntas eram as próprias crianças. Quando não sabiam eu falava ou corrigia. Eles se divertiram muito.

- Almoçamos todos juntos e após o almoço fiz a bênção da família e da casa. Todos participaram da oração, inclusive os padrinhos da minha catequizanda que foram convidados para o almoço também.

- Aí as crianças foram liberadas para brincar. Desta vez, sem que eu inventasse de colocar assunto da catequese no meio!

Os pais da minha catequizando, nos acolheram com a maior alegria. A Vovó Helena veio especialmente para a macarronada e o frango para as crianças. A irmãzinha da Rafaela, de sete anos me deixou muito lisonjeada ao perguntar se serei eu a catequista dela quando ela começar. Falei que, provavelmente só no terceiro ano, porque é essa a minha turma. Ela perguntou se ia "demorar muito"...

- Depois de mais de quatro horas "controlando" nove crianças, fiquei cansada. Mas valeu a pena! Desafiador e recompensador!

Obrigado meu Deus, por ter me chamado!

Ângela Rocha
Equipe Catequistas em Formação

*Este encontro aconteceu em 2015, quando eu ainda estava morando em Londrina – Pr.






Quer contar um encontro? 
Envie sua história com algumas fotos para o e-mail:
catequistasemformacao@gmail.com


segunda-feira, 29 de maio de 2017

ADOTAR LIVRO PARA O CATEQUIZANDO OU NÃO?

Muitas comunidades paroquiais, usam um livro ou manual como subsídio para a catequese. E as coleções mais conhecidas tem o “Livro do catequista” e o “Livro do Catequizando”. Mais recentemente algumas coleções apresentam o “Livro da Família, ainda não tão conhecido e utilizado. Há quem adote os livros “Do Catequista” e “Do Catequizando”, há quem só adote o do catequista, há quem não adote nenhum, há quem use os livros somente como subsídio pessoal, enfim...

Vamos falar um pouco sobre o Manual de Catequese!

Quem dera a resposta fosse tão simples quanto a pergunta! "Adotar livro para o catequizando ou não?" é uma coisa difícil de responder sem examinar o contexto e a realidade catequética paroquial.

Adotar um manual como subsídio para os encontros, depende de inúmeros fatores: A começar pela realidade da paróquia/comunidade e pela formação do catequista; depois vem as fases ou etapas em que os catequizandos estão, suas idades, sua capacidade cognitiva. Depois vem o "Qual livro usar?"; em seguida: “A paróquia tem um Itinerário? ” e ainda "O catequista consegue trabalhar sem o livro?"... E por aí vai.

Só não concordo com uma colocação que já li em várias posições que defendem o não uso de um manual: "Que no processo de catequese catecumenal o livro não tem razão de ser". GENTE! Cuidado. Será que vocês sabem mesmo como é o processo de catequese catecumenal? Será que IVC está sendo implantada em sua comunidade? Vocês já ouviram falar no “Didaqué”? É um LIVRO de CATEQUESE dos primeiros séculos da Igreja onde se vivia a catequese catecumenal em sua plenitude. Não é porque a catequese é vivencial, experiencial e bíblica que ela deixa de ter conteúdo doutrinal e conteúdo da Tradição de fé da nossa Igreja.

Assim como a Bíblia e a mensagem Cristã, o conteúdo doutrinal também é base da nossa catequese, os dois juntos formam a base do Cristão. Um bom itinerário também envolve:  liturgia, orações, atividades educativas, comunitárias e missionárias. O que não pode acontecer é o catequista se fixar exclusivamente no conteúdo de um livrinho, sem expandir a catequese para seu aspecto vivencial, sem dar “vida” aos ensinamentos bíblicos.

E também é bom lembrar que as crianças que estão na faixa etária dos 7 aos 11 anos, têm um aprendizado mais visual. Esta crianças precisam de imagens para aprender (figuras, pintura, colagem), exercícios de repetição (orações); o ensino é mais didático, mais lúdico. É bom ter material de apoio. Nas primeiras etapas da catequese é complicado não utilizar algum material didático/pedagógico devido às características cognitivas da idade.

Alguns catequistas podem entender que o livro sugere uma "catequese escolar”. Não concordo com este posicionamento. De forma alguma o livro sugere uma catequese escolar ... a não ser que o catequista faça uma "catequese escolar"! Os livros proporcionam atividades complementares ao encontro, além de gerarem uma "economia" tanto ao catequista, que muitas vezes acaba reproduzindo material impresso com seus próprios recursos; quanto para a paróquia, que não terá que fotocopiar material para os catequistas. A questão é SABER USAR o livro. Ele não engessa se o catequista não se “imobilizar”, buscar complementos para enriquecer os temas, criar novas possibilidades de “ensinar” o conteúdo de fé.

É muito mais preocupante quando me dizem que estão "fazendo" material por si mesmos do que quando usam algum subsídio. Os subsídios, por mais que às vezes não contemplem a realidade da comunidade, são feitos por profissionais com conhecimento de catequética, pedagogia, psicologia, didática, etc.; que utilizam o apoio das ciências para elaborar os livros. O livro não é uma "amarra", muito pelo contrário, traz os conteúdos a serem trabalhados de forma esquematizada, contínua, e é uma grande ajuda ao catequista. Além de trazer os temas, ele dá pistas do que trabalhar e sugere formas de abordagem. Quase todos os catequistas que usam os manuais, procuram enriquecer seus encontros com atividades lúdicas, além daquelas descritas, assim como podem ter o discernimento de usar ou não determinada atividade.

E me preocupa também, quando leio que o método usado é o da "IVC" ou o da "Leitura Orante". A IVC é um "processo" muito mais amplo do que um método.

Da mesma forma, a “Leitura Orante” é um método de LEITURA DA BÍBLIA, considerando-a nos seus aspectos de oração e meditação, e não um método “catequético”. Mesmo porque, há que se considerar o fato de que a leitura orante com as crianças precisa ser trabalhada de forma diversa da qual se trabalha com adultos. Você pode e deve usar a leitura orante, mas, dentro da compreensão dos seus interlocutores, dentro dos “momentos orantes” do seu encontro. Não se pode extinguir a doutrina da catequese. O CIC é o "depósito da nossa fé", a interpretação e a compreensão da doutrina católica. Que não deve ser considerada foco principal, mas, necessária. Então, além da Bíblia, da leitura orante, a catequese precisa estar integrada com a doutrina e a tradição da Igreja Católica.

Só lembrando uma passagem do DNC:

"A catequese não é uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja. É um processo exigente, um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia (...); implica um longo processo vital de introdução dos cristãos ainda não plenamente iniciados, seja qual for a sua idade, nos diversos aspectos essenciais da fé cristã. Trata, de forma sistemática, de um todo elementar e coerente, que forneça base sólida para a caminhada ‘rumo à maturidade em Cristo’. (CNBB, Diretório Nacional de Catequese, nº. 37 e 38).

Será que um "livro" de catequese não é necessário para que possamos dar esta dimensão à catequese? O manual ou livro pode trazer esta dimensão, sem comprometimento do conhecimento necessário ao catequista e do tempo do encontro.

Mas, tem o livro do catequista! Não precisa do Livro do Catequizando. Só que estão abolindo este e substituindo-o por cadernos, anotações, diários, portfólios, ou seja lá qual for o nome. Qual a diferença? Aliás, que tempo precioso do nosso encontro semanal se perde se as crianças precisam "copiar" alguma coisa!

Mesmo o portfólio, que é um recurso didático para o catequizando registrar suas experiências fora da catequese, fazendo a interação fé e vida, lembra as "aulas" da escola. Trabalho há mais de 10 anos com as 3 primeiras fases da catequese (8 a 12 anos), e acredito que a prática do portfólio pode ser usada, dependendo das características da turma. Tive mais resultados indiferentes do que positivos. A maioria das crianças não "replica" o encontro com a família e não faz as atividades. Isso porque, na maioria dos casos, a prática religiosa não faz parte de suas vidas cotidianas. Uma prática mais eficaz para estabelecer a conexão fé e vida é a "contação de histórias". Tanto da parte do catequista, que trará seu exemplo de vida, quanto da parte dos catequizandos. Eles sempre vêm ao encontro com a "bagagem" do que viveram ao longo da semana. As crianças amam "contar" suas histórias de vida: o que fizeram, o que aconteceu de diferente. Isso nos dá "gancho" para muita interação com a fé.

Sobre a IVC e sua interação com o manual

A catequese de Iniciação à Vida Cristã, vital hoje para a Igreja, visa uma formação integral do cristão. É um processo onde está presente a dimensão celebrativa e litúrgica da fé; a conversão para atitudes e comportamentos cristãos; e o ensino da doutrina. 

A inspiração catecumenal remonta ao início da Igreja e leva a uma catequese em quatro tempos: o pré-catecumenato (anúncio e adesão), o catecumenato (catequese - ensino sistematizado dos conteúdos), o tempo da purificação e iluminação (preparação aos sacramentos), a celebração dos sacramentos da iniciação (Batismo, Confirmação e Eucaristia), o tempo da mistagogia (inserção na comunidade). São tempos pré-definidos que, se não acontecem nas comunidades, não está se fazendo ainda a IVC catecumenal. Inserir ritos e celebrações de entrega de símbolos na catequese, NÃO É PRATICAR A IVC. A comunidade e todo processo catequético precisa estar permeado pelas práticas de iniciação catecumenal. Precisamos ir mais a fundo neste assunto numa outra hora.

Como adaptar o manual à realidade da sua comunidade

Pessoalmente, por ter experiência e formação catequética, sou capaz de trabalhar a catequese sem um livro, mas, da 1ª a 3ª Etapa, utilizo os subsídios sugeridos pela Arquidiocese, tanto do catequista quanto do catequizando. Nem sempre utilizo as atividades do livrinho na quando na 3ª Etapa. Nesta, construo o roteiro baseado no tema do livro, enriqueço o encontro com outras atividades e outras abordagens, mas, os catequizandos o tem para saber "por onde andamos". O fato de haver um livro economiza bastante meu tempo e o tempo do encontro, pois preciso de atividades pedagógicas com as crianças. 

Já na catequese crismal, considero dispensável o livro do catequizando, utilizo somente do catequista. Isso porque o adolescente pode chegar ao encontro só com o celular da mão e deve ser sempre bem-vindo. Nesta fase, na catequese de crisma, a psicopedagogia é outra e os conteúdos são "reforço" da catequese de eucaristia. O livro é opcional e muitas vezes os crismandos nem o querem.

Uma coisa que se faz URGENTE, é a CRIAÇÃO DE ITINERÁRIOS para a catequese da comunidade/paróquia. E ITINERÁRIO não é só PLANEJAMENTO com datas e temas de encontros a serem trabalhados durante o ano. É muito mais complexo que isso. LEMBRANDO: Um itinerário PAROQUIAL, precisa de orientações DIOCESANA para ser construído. Os temas a serem trabalhados na catequese não são assuntos a ser "inventados" pelos catequistas, precisam obedecer às instruções do Bispo e sua equipe.

Assim, quando a equipe de catequese senta para fazer um itinerário, o apoio de um subsídio/ manual é fundamental. No livrinho estão os encontros com os temas sugeridos e atividades pedagógicas. A equipe pode analisar quais são os encontros necessários, adaptar ao tempo litúrgico, inserir as celebrações, a dimensão orante, comunitária e missionária.

Com o itinerário, o catequista terá um "mapa" do caminho a percorrer. E o livrinho/manual, será somente uma "garrafinha de água" que ele vai beber quando tiver sede, e não o "carro que ele vai subir" quando não quer caminhar. Só entregar os livros do Catequista e do Catequizando nas mãos do catequista não resolve. Vamos sempre continuar discutindo aqui se a gente "usa ou não usa", se o catequista consegue ou não fazer o encontro sem ele. Então, pelo lado "formativo" que o catequista costuma ter na nossa Igreja antes de assumir uma turma (quase nenhum!); pela carência de recursos materiais disponibilizados pela paróquia (o catequista paga muita coisa do próprio bolso); pela falta de planejamento e discussão de um itinerário; pelo "disfarce" de IVC que se está dando à catequese... Eu sou a favor de se usar livro para o catequista e para o catequizando.

Este meu “sou favorável” ao uso de livro/manual de catequese, se prende, sobretudo, à realidade da comunidade/paróquia onde o catequista está inserido. Hoje há uma confusão miserável em tudo: leitura orante na catequese, IVC, itinerário, planejamento, uso de dinâmicas, tempo litúrgico... E o catequista se pergunta aí no meio: como usar tudo isso, quando, onde? O que faço? O que coloco no encontro? Qual método é adequado?

Aí vem outra questão fundamental da nossa catequese:

Qual a formação de nossos catequistas? Como se organizam as dioceses e paróquias a nível de formação?

O grupo de catequistas de uma paróquia/comunidade é continuamente renovado. Além da rotatividade de pessoas, há um percentual muito grande de jovens, o que é muito bom, mas falta um pouco de “experiência” e prática. De outro lado, há catequistas de longa caminhada, alguns aceitam se renovar constantemente, já outros permanecem na catequese do passado e rejeitam as formações. A carência de formação é sempre constante, repete-se os princípios básicos e os temas de formação quase sempre voltam. Avança-se muito pouco numa formação continuada.

Uma amiga formadora me disse que é uma tarefa árdua formar o grande contingente de catequistas, arejar cabeças, ler documentos, estimular aprendizado novo... E eu concordo com ela. Não é nada fácil, começar sempre da base: voltar sempre ao “Ser, saber, saber fazer”, e ter olhos renovados para cada coisa. A maioria dos nossos catequistas sequer chega ao conhecimento básico para criar um roteiro de encontro sozinhos. Como então, nos vemos nesta questão de não usar um manual?

Para não usar um livro ou manual, o próprio catequista precisa "ser" um livro. Precisa de uma bagagem e de conhecimentos que muitas vezes não possui. Então,  a pergunta que fica é: Estamos proporcionando formação para isso?

Ângela Rocha

Equipe Catequistas em Formação


Obs.: Que fique claro que as opiniões deste artigo são pessoais, da autora. Não tenho o objetivo de privilegiar ou criticar este ou aquele livro/manual. Cabe às comissões paroquiais e aos catequistas analisar se o uso deste ou daquele material, está de acordo com o contexto em que sua comunidade está inserida, sempre seguindo as orientações de sua diocese. Por mais que se tenha "adotado" um manual específico, o uso e a consulta a vários manuais, longe de prejudicar à catequese, ajuda muito a prática do catequista.


domingo, 28 de maio de 2017

“CLIC CATEQUESE”: Catequese em retrato...


Retratos da semana na catequese pelo Brasil...


                                                ENCONTRO DE CRISMA

         Carlos Igino - Paróquia São José Operário,  Alto Boqueirão - Curitiba-PR 



                         DIA DA PADROEIRA: NOSSA SENHORA AUXILIADORA


                             Deise Tripodi - Procissão e Coroação da Catequese



             SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA 

                                                        Luciana Genghini



                                                PRIMEIRA EUCARISTIA


                                                         Marta Cristina

                                                                                                            

                                 TERÇO COM FLORES NA CATEQUESE

                                               Luciane Machado da Cunha




                  ENCONTRO DE CATEQUISTAS DE INICIAÇÃO A VIDA CRISTÃ

Paróquia Sta. Luzia-Novo Progresso- PA e  Sto. Antonio de Pádua Castelo do Sonho
Polliana Caetano - Comunidade São Pedro distrito Moraes Almeida Itaituba - PA




                                COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA



 Primeira Eucaristia e Crisma da Paróquia Senhor Bom Jesus
                                                  Andrea Canassa - Ibitinga - SP         


     TERÇO E COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA


                                                    Denise Martinelli



                                           ENCONTRO COM AS FAMÍLIAS



Ângela Rocha




                                                     SARAU NA CATEQUESE

                                                        Rogério Bellini




                       REFLEXÃO DO EVANGELHO DA ASCENSÃO DO SENHOR


                     Paróquia São José Operário, da cidade de Maringá, no Paraná.
                   Silvana Chavenco Santini e Regina Celia Fregadolli Auada Auada.




                            PRIMEIRA EUCARISTIA – CATEQUESE CASA FORTE

                                            Tereza Diniz – Recife - PE



                                          COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA

                                           Regiana Oliveira – Suzano - SP

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO