terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CATECUMENATO DE ADULTOS


SÉRIE: Catequese com Adultos

Atualmente, a Igreja oferece duas diferentes lógicas de iniciação: de um lado o Batismo de crianças, que se adequa em uma sociedade cristã, e de outro se supõe famílias organizadas que o complementam com a educação da fé. Ao lado do Batismo de crianças, a Igreja contempla a iniciação de adultos com uma metodologia que segue a lógica da conversão da fé própria dos primeiros séculos do cristianismo, que recupera o catecumenato. Este foi restaurado pelo Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), em 1972.

O sucesso de conversões rápidas que desencadeiam uma participação mais numerosa, às vezes barulhenta, não significa, necessariamente, uma evangelização consistente. Em alguns lugares chegam a dizer que vale mais uma aceitação rápida, após uma catequese superficial para o Batismo, do que um processo demorado! O catecumenato vai na contramão destas motivações.

A proposta catecumenal não é uma oferta superficial, mas se direciona por um caminho de transformação na fé em Jesus Cristo, de conhecimento e acolhida de seu Evangelho, de ser introduzido na vida da comunidade cristã. Acaba sendo uma vivência de fé que integra visceralmente as crenças e os valores fundamentais da pessoa. Por isso, não é sumário organizar um grupo de adultos e, menos ainda, ter apenas a motivação da recepção sacramental.

Por outro lado, o catecumenato de adultos não é algo tão especializado, capaz de retrair a comunidade, impedindo-a de responder a esta necessidade. Sensibilizar as pessoas para perceberem a hora de Deus em suas vidas é divino. Ajudá-las a dar o passo seguinte de predisporem-se a acolher a novidade do Espírito em sua rotina, com uma motivação honesta e abrangente do que implica pôr-se a caminho com o Senhor, significa iniciar um diálogo honesto que evitará a evasão do grupo logo nos seus inícios.

A importância do catecumenato dos adultos se impõe pela urgência dos tempos de hoje. Muitos pais que procuram o Batismo, ou a catequese de Eucaristia ou de Crisma para seus filhos, sentem a necessidade de ser evangelizados e completar a própria iniciação. Por isso, muitos párocos se dão conta de priorizar a catequese com adultos e entender o catecumenato dos adultos como uma modalidade complementar e necessária da catequese por etapas. Não se prendem à mentalidade de que a catequese seja coisa só de criança, pois muitos adultos buscam um sentido mais pleno para suas vidas e encontram na fé em Jesus Cristo um recomeço.

O traço mais potente de sua pedagogia é a resposta de fé dada pelo adulto após um tempo de amadurecimento e conversão. Após percorrer cada etapa planejada, a resposta de fé é gerada pela progressividade da catequese ritmada pelas celebrações de passagem. Este processo culmina na celebração unitária dos três sacramentos na noite pascal e se prolonga na mistagogia, como treinamento de vida comum dada pela experiência dos sacramentos celebrados.

Dá-se um grande envolvimento tanto da comunidade na formação de seus novos membros, particularmente durante as celebrações que acontecem durante todo o processo, quanto desses novos membros na aproximação na vida da comunidade e na sua atuação pastoral. Por isso, é necessário que os catequistas estejam engajados na comunidade e testemunhem uma vida de fé e oração, centrada na Palavra e na Eucaristia, cumprindo seu testemunho cristão na sociedade.

Formar um grupo de catecumenato de adultos em vista da iniciação cristã torna-se uma tarefa cuidadosa, ao considerar a necessidade de catequistas preparados adequadamente para o diálogo entre fé e vida, capacitados culturalmente, tolerantes e com tempo disponível para dedicar a este ministério. A partir do diálogo, da escuta, que se pode desenvolver uma adequada catequese com adultos. Exige-se também da própria Igreja uma mentalidade de abertura e diálogo com a mulher e o homem modernos, que são críticos e, justamente por isso, muitas vezes se acham afastados da Igreja.

Necessariamente, as paróquias que optarem pela integração catecumenal na catequese com adultos e nas demais formas de catequese terão que investir na formação de seus agentes catequistas e conscientizar a comunidade para a mudança na forma de conceber a iniciação cristã. Sem perceber a novidade que a inspiração catecumenal agrega na evangelização paroquial, dificilmente essa catequese conseguirá produzir os efeitos esperados.

Antonio Francisco Lelo
NUCAP – Núcleo de Catequese Paulinas.


“Olá, sou o Padre Antonio Francisco Lelo.
Quero apresentar-me a vocês como um irmão que gosta de anunciar e de celebrar o mistério de nossa fé em Cristo. Aos 27 anos fui ordenado padre nos anos 80, no auge da teologia da libertação, que respondia ao clamor de uma Igreja pobre voltada para as periferias. Desde esta época, sempre atuei como educador da fé, seja na periferia da zona leste paulistana ou com os adolescentes marginalizados da cidade de Campinas-SP, seja como escritor ou assessor.
Junto com o trabalho com os pobres, fui me especializando nas áreas de pedagogia e de ciência litúrgica. Sempre foi a minha paixão compreender mais profundamente o que envolvia a celebração do mistério de Cristo. Iniciei minha especialização no antigo Instituto de Liturgia ligado à Faculdade N. Senhora Assunção (hoje PUC-SP) e segui para Salamanca - Espanha, onde estudei a adaptação do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos. Comecei a lecionar sobre os sacramentos. Passado algum tempo, cursei o doutorado em iniciação cristã na Faculdade de Teologia da Catalunha.
Aqui coincidiram dois fatores que modificaram minha vida. A partir de 2004, começou no Brasil uma reflexão que fez caminho: a iniciação cristã com inspiração catecumenal, e também houve o convite da Paulinas Editora para cuidar da editoria de catequese e liturgia. Desta forma, desde 2005, me dedico integralmente ao campo editorial da catequese e da liturgia. Este trabalho me possibilita assessorar grupos, dioceses e regionais em todo Brasil e também produzir, com certo pioneirismo, a tão sonhada catequese com inspiração catecumenal. Uma catequese e liturgia mais brasileira, refletida a partir de nossa vivência de fé, do nosso jeito de ser e de nosso meio cultural e geográfico é o que procuro fazer”.


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