segunda-feira, 22 de julho de 2019

"MEU FILHO VIVE E RESPIRA GAMES: O QUE EU FAÇO?"


Esta foi a pergunta de uma mãe no final de uma palestra que dei a respeito do Universo dos games e as crianças. Com tantas notícias sobre jogos de vídeo transformar crianças em alienados ou zumbis, viciados e antissociais; e um número crescente de especialistas advertindo sobre os perigos do tempo demasiado no computador; pode ser tentador proibir nossos filhos de usar computadores e smarphones. Mas, isso não é a solução, vamos a elas!

Se você proibir o jogo, você vai perder a oportunidade de influenciar o comportamento de seu filho. Uma abordagem bem melhor é jogar com eles. Claro que no começo você vai se perder geral, mas, comece com jogos educativos online grátis. Depois, informe-se sobre os jogos preferidos dos jovens, a temática, o que os atrai, etc.

A chave para garantir que seus filhos tenham um relacionamento saudável com jogos de vídeo game (e, sim, existe tal coisa!) é tirar proveito de experiências prazerosas que eles experimentam, também fora desses jogos. Um estudo publicado na revista científica Nature em 1998 mostrou que jogar jogos de vídeo game libera o neurotransmissor dopamina, que causa a sensação de bem estar, realização, prazer. Qualquer outra atividade prazerosa pode causar o mesmo efeito.

O simples fato de uma criança ou jovem passar muito tempo no computador jogando, não significa que ele é um “viciado”. O jogo assim como qualquer outra atividade toma tempo, envolve dedicação, é entretenimento, é socialização e possui vários níveis de aproveitamento. Nem todos os jogos são iguais e reação de cada pessoa para os jogos é diferente, também. Perguntar quais são os efeitos dos jogos de vídeo game é como perguntar quais são os efeitos da ingestão de alimentos, é importante conhecer a realidade específica do jogo em questão e do contexto social do jogador, antes de se fazer qualquer julgamento.

ALGUMAS DICAS:

Atenção com o uso do computador: Hoje em dia os estudantes precisam do computador para estudos e trabalhos escolares. De acordo com o Center for Internet and Technology Addiction (Centro que estuda o vício em internet e tecnologia), 80% do tempo que uma criança gasta no computador não tem nada a ver com estudos. Colocar computadores, smartphones e outros dispositivos de jogos em uma localização central da casa, e não a portas fechadas, permite monitorar suas atividades. Aprenda a verificar o histórico de pesquisa do computador para confirmar o que seus filhos tem visto e feito na Internet.

Estabelecer limites: é bom impor limites no tempo de utilização do computador. As crianças são muitas vezes incapazes de avaliar com precisão a quantidade de tempo que passam de jogo. Além disso, eles são inconscientemente incentivados a permanecer no jogo. Estabeleça não mais que uma ou duas horas de tempo de computador durante a semana. Usar firewalls, limites eletrônicos e bloqueios em telefones celulares e sites da Internet pode ajudar.

Começar a conversar: Discuta o uso da Internet e jogos desde o início com os seus filhos. Defina expectativas claras para ajudar e oriente em uma direção saudável antes de um problema começar. Comunicação não significa necessariamente uma conversa formal. Em vez disso, trata-se de dar ao seu filho uma oportunidade de compartilhar seus interesses e experiências com você.

Conhecer seu filho: Se o seu filho está se dando bem no mundo real, participando da escola, esportes e atividades sociais, então limitar o jogo pode não ser tão importante. A chave, dizem os especialistas, é a manutenção de uma presença em suas vidas e estar ciente de seus interesses e atividades. Por outro lado, se você tem uma criança que já tem problemas de raiva, é importante limitar jogos violentos. 

Procure ajuda: Para alguns jovens, o jogo se torna uma obsessão irresistível. Se o seu filho está mostrando sinais de vício em videogames, procure ajuda. As opções de tratamento existem. Pode ser uma terapia ou até mesmo uma intervenção familiar.

Mas, nem todos os jogos são ruins. Jogos de vídeo game podem ajudar o cérebro de várias maneiras, tais como percepção reforçada visual, melhoria da capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, melhor processamento de informações. "De certa forma, o modelo de jogo de vídeo é brilhante", diz Judy Willis, MD, da Academia Americana de Neurologia (AAN), "Ele pode alimentar as informações para o cérebro de uma maneira que maximiza o aprendizado", diz ela.

Agora, se o seu filho se recusa a deixar o jogo até para comer, começa a dormir tarde ou fazer as tarefas em tempo record para jogar, comece a se preocupar. Um não grande hoje, pode evitar problemas bem mais sérios no futuro.

ALGUNS COMPORTAMENTOS QUE CARACTERIZAM O "VÍCIO" EM GAMES (JOGOS):


Somente um especialista capacitado pode diagnosticar que alguém está “viciado em jogos”, mas existem alguns sintomas comuns que devem ser considerados e que podem indicar um problema:

1. Passa muito tempo no computador ou vídeo game;
2. Entra na defensiva quando confrontado sobre o problema;
3. Perde a noção do tempo;
4. Prefere passar mais tempo nos jogos que com amigos e familiares;
5. Perde o interesse em atividades que antes eram importantes;
6. Torna-se socialmente isolado, irritável ou rabugento;
7. Estabelece uma nova vida social, apenas com amigos online;
8. Negligencia trabalhos escolares e sofre para conseguir boas notas na escola;
9. Gasta dinheiro em atividades inexplicáveis;
10. Tenta esconder que passou algum tempo jogando.

Apesar disso, alguns especialistas dizem que é difícil definir o “vício em jogos”. Enquanto uns creem que isso pode ser um transtorno de ordem psicológica, outros acreditam que é apenas parte de outros problemas de ordem psicológica e social. A versão atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-V, afirma que mais estudos precisam ser feitos antes incluir a "Disorder Gaming Internet" (vício em jogos da internet).

Por trás do vício em games, sempre podem existem causas psicológicas e sociais, além do prazer causado pelo jogo. Nenhuma criança fica trancada num quarto 10, 12 horas sem que pais "responsáveis" não percebam. Que criança ou jovem sai de casa a “caça de Pokémon” sem que os pais saibam que saiu? Que criança ou jovem não tem hora para voltar para casa? Claramente, aqueles que não tem uma vivência familiar ou controle por parte dos pais e responsáveis. Se o problema é excesso de celular, porque é que seu filho tem um celular? Por que uma pessoa fica viciada em jogos? Porque na sua vida real não tem nada equiparado ao prazer e a satisfação que um jogo proporciona.

Vamos olhar nossos filhos com mais atenção e buscar informações fidedignas, de médicos e psicólogos, cientistas, pessoas que trabalham na área da tecnologia, que fazem estudos sérios a respeito do assunto.


FONTES: 
Paturel, Amy M.S., M.P.H. Neurology Now. Centro Americano de Neurologia.
Academia Americana de Neurologia: Neurology Now: Junho / Julho de 2014 - Volume 10 - Número 3 - p 32-36

Um comentário:

Simone disse...

Ótimo texto!
Só penso que estamos terceirizando tudo, até nossas responsabilidades.
Criança é criança!
Educando, amando e dando limites não tem vício certo.
Não sou mãe perfeita não, é só um desabafo por ver que está sendo mais fácil colocar culpa em tudo menos na criação que estamos dando(ou não) as nossas crianças