segunda-feira, 29 de julho de 2019

O CATEQUISTA DEDICADO

    
 “No entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor”.
(São João da Cruz)

Hoje vamos escrever sobre o bom catequista. Aquele que se dedica na sua missão com notável entrega de amor. 

Há muitos catequistas por ai lutando sozinhos na evangelização e nem sempre são vistos. São catequistas que fazem da sua vida uma página do evangelho. Tem catequistas com deficiência física que derrotando suas barreiras para cumprir horários e se fazer presente, mesmo nos dias mais chuvosos, são exemplos de superação.

Tem catequistas criticados (as) por ter usado palavras mais rígidas pedindo silêncio a uma turma que ignorava o respeito. Queria ensinar seus filhos espirituais a rezar uma dezena do terço ou fazer uma leitura orante, e para isso o silêncio era primordial. Muitos pais não sabem desse detalhe, nem indagam a respeito do comportamento do filho. Querem apenas deixar registrado que "Ela não serve pra ser catequista".

Tem catequista, que por questão de saúde fica desempregada, depois recusa serviço porque seria exatamente no dia do seu encontro de catequese. Pela fragilidade momentânea, a comunidade se uniu e  ajudou com mantimentos básicos, até sua situação financeira melhorar. Essa raramente faltou a encontros, mesmo nos dias que lhe faltava o básico em sua casa. Foi modelo na fidelidade á missão.

Tem catequista jovem  dispondo de seu pouco tempo, entre estudo e trabalho, para estar catequizando uma turma com dois catequizando aos sábados. Deixando de lado a infinidade de atividades que um jovem poderia estar fazendo em uma tarde livre de sábado.

Tem catequistas que se desdobravam nos compromissos entre evangelizar e se formar. Uma ou outra vez se fez necessário faltar para poder concluir alguma atividade de extrema importância para conclusão de sua faculdade. Julgavam que conseguiriam dar conta. E deram!

Tem catequista que trabalha a semana inteira, dona de casa e mãe de filhos pequenos. Mais nunca abriu mão de estar no seu encontro de catequese, mesmo que para isso precisasse deixar almoço já pronto, uma máquina cheia de roupa lavando, ou ter que levar seu filho pequeno junto (que milagrosamente, se mantinha comportado). E se alguém lhe pedia algum favor depois de concluir sua tarefa na catequese, prontamente dizia "sim".

Tem catequista de pouca fala, sendo moldado por Jesus. Sabe aquele jovenzinho  de raras palavras que ama a catequese? Aquele que mesmo não sabendo nada de técnicas de oratória, se dispõe a estar nos encontros ajudando outra catequista experiente, e que depois de alguns anos, aparece falando pela primeira vez no microfone? Emociona!

Tem catequista de mais idade, esbanjando disposição e simplicidade.Que normalmente tem pouco estudo e muitas vezes se vê incapaz de estar nessa missão. Foi convidada e motivada, e serve com amor e zelo. É a primeira a oferecer ajuda nos serviços comunitários. Evangeliza pelo exemplo.

Tem catequista dispondo do seu próprio dinheiro para sustentar a cateqquese. Não poucas vezes, doaram em anonimato muitas ofertas, pertences, doces, material escolar, material de expediente e até mesmo livros, Bíblia ou material para o catequizando usarem nos encontros. Ninguém viu, mas Deus sim. Foram exemplares na caridade!

Tem catequista que usou do seu talento como professora para lidar com os catequizandos que mais precisavam de paciência.

Tem catequista que grosseiramente ouviu desafetos em reuniões internas da comunidade. Para muitos seria motivo para desistir da caminhada, é desestimulante! Mas, seguiu a missão, exemplo de misericórdia e paciência.

Tem catequista de licença médica, teimando em estar no seu encontro, por não ter quem a substituísse. Assim como têm catequistas que dispensam a catequese por estarem com problemas de saúde e são duramente criticadas pela "falta de responsabilidade".

Tem catequistas que são ignoradas pelos catequizandos que vão por obrigação e fazem questão de complicar a vida do catequista sendo às vezes, indelicado nos comentários. 

Tem catequistas que se dedicaram em formações catequéticas, deixando família de lado por um ou dois dias inteiro. E tiram no mínimo trinta minutos da semana para ler e preparar encontros, mesmo assim, não são valorizadas pelos catequizandos.

Tem catequista que visita as famílias com o intuito de resgatar aqueles que "abandonam" a catequese por "n" motivos. Já resgataram desde mal entendidos até crianças faltosas por carência financeira.

Tem catequista que foi afrontada perante dezenas de crianças. Mas manteve o sorriso, chamou-o em particular e o corrigiu amavelmente por meio da oração e da conversa. 

Tem catequista orando, cantando, lendo e sendo ministra (o); Jovem e idosa. Pobre e rica. Paciente e impaciente. De muita e de pouca fé.

Todos nós catequistas temos muitas falhas. Porém, todos os sacrifícios, sinais de fé, amor, dedicação, compromisso, zelo e respeito, deixam as falhas pequeninas e desprovidas de ênfase. Na catequese estamos longe de ser perfeito, o que importa de fato é a disposição de ser humilde em aprender com os erros fazendo deles oportunidades de amar ainda mais a missão.

O catequista tem consciência de que tudo é para Deus. Não há necessidade de evangelizar olhando para as imperfeições humanas, é necessário olhar para o divino que acontece nas nossas vidas quando nos dispomos a apostolar.  Eu já vi, mas o que vi nem importa. O que vale mesmo é o que Deus vê.

Catequista Sandra Fretta Gomes Malagi
Paróquia Sant’Ana- Laranjeiras do Sul-PR



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