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domingo, 31 de janeiro de 2021

JESUS: O DESAFIO DA LIBERDADE - REFLEXÃO MARCOS 1, 21-28

Imagem: CEBI. ORG

Reflexão sobre Marcos 1,21-28

Hoje o Evangelho de Marcos continua apresentando-nos Jesus no primeiro dia da proclamação da Boa Nova. Ele se encontra na sinagoga em Cafarnaum e nesse dia prega a Palavra de Deus que foi lida e escutada. Mas sua pregação é diferente: desmascara a malignidade de tudo o que desumaniza a vida das pessoas e impede-lhes de ser feliz. Ensina e atua com autoridade fundamentada no poder liberador de Deus.

A missão de Jesus é libertar os oprimidos e escravizados pelo poder do mal. Baseado na Palavra, Jesus ensina com autoridade e realiza aquilo que ele está proclamando: liberar as pessoas de qualquer forma de escravidão, abrir suas consciências para que não se deixem oprimir.

Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus. Ele menciona-o junto com uma cura e sugere assim que o ensinamento com autoridade repouse numa prática concreta de libertação. Os próprios fatos que Jesus realizava eram seu ensinamento. O povo simples e geralmente marginalizado pela sua condição de impureza é quem primeiro o reconhece e busca seu ensino.

“Mais daquilo que ele falava o que impactava era esse poder de suas ações em favor da vida e contra o mal que esmaga o homem. A presença de Jesus privava o homem de toda força. Essa era a clave de sua autoridade: ele não tinha estudos, nem credenciais ou graduações que o autorizavam, mas quando ele falava alguma coisa acontecia em favor dos que sofrem”.

Jesus está na sinagoga em dia de sábado, data sagrada para um judeu realizar seu ensinamento expulsando os espíritos imundos que o reconhecem como representante de Deus.

Agora, bem, esta proposta de Jesus provoca admiração naqueles que ficam maravilhados de sua autoridade de liberar e curar as pessoas e, por outro lado, encontra-se com uma forte oposição. Esta oposição está representada pelos escribas, colocados no mesmo caráter que os escribas: ambos são inimigos de Jesus.

“A primeira ação publicada de Jesus é também uma ação programática de purificar a Casa de Deus e libertar as pessoas de tudo que as aliena e desumaniza”. (Wenzel, João Inácio)

Os escribas e fariseus são incomodados pelas suas palavras e autoridade de Jesus que é reconhecida pelo povo simples que sente nascer em Jesus uma nova esperança de vida e liberdade.

Jesus nos convida a sermos, junto com ele, pessoas que gerem vida, sem permitir que os diferentes tipos de escravidão continuem oprimindo as pessoas que caminham ao nosso lado. Participar de sua convicção de ter uma missão e ser responsável de uma causa que é a causa do Pai.

*Texto de Ana Maria Casarotti.

Fonte: IHU

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/jesus-o-desafio-da-liberdade/

link do estudo: https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/jesus-liberta-de-todos-os-males-2/




quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

SÃO TOMÁS DE AQUINO: UM NOVO PENSAMENTO NA IGREJA

Imagem: Flick

Deus é um ser tão perfeito que eu não posso pensá-lo como inexistente. Pensá-lo como inexistente é não pensar nele. Eu penso nele”. (Tomás de Aquino)

Comemoramos em 28 de janeiro, o dia de São Tomás de Aquino! Conheça um pouco da sua história.

São Tomás de Aquino escreveu várias obras, tratados, preces e sermões, além de comentários cristãos. Considerado como  sendo um gênio escritor, estava muito à frente de sua época. Também deixou um grande legado para a Teologia e a Filosofia. Dos pensamentos dele, surgiu o Tomismo que teve Aristóteles como sua maior influência. Dedicou-se à fé, à esperança e à caridade, ficando conhecido como “Doutor Angélico”.

Nasceu na Itália, no Castelo de Roccasecca, no condado de Aquino do Reino da Sicília (atualmente, região do Lácio, tália) por volta de 1225. De uma família de militares, estudou em renomadas escolas e aos 19 anos decidiu seguir a vida religiosa. No entanto, sua família foi contra a sua decisão.

Início da vida religiosa

Desde que optou pela vida religiosa, São Tomás de Aquino passou por diversos obstáculos, chegando, inclusive, a ficar preso no castelo de seus pais. Os dominicanos, ao acolhê-lo, com receio de que a família de Tomás o fizesse desistir do caminho religioso, tentaram impedir o contato dele com os familiares. Contudo, a família o impediu de fugir sob a guarda dos dominicanos. Assim, ele foi levado à força de volta para o convívio com os pais, no castelo da família, onde ficou preso por aproximadamente um ano.

Enquanto esteve enclausurado pela família, São Tomás de Aquino foi posto a diversas provas na tentativa de desistir da vida na religião. Até uma prostituta seus irmãos contrataram, esperando que Tomás se sentisse seduzido, mas ele expulsou a mulher. Conta-se que nesta noite dois anjos apareceram para ele, enquanto dormia, como sinal de aprovação da coragem e determinação perante os obstáculos que tentavam tirá-lo da religião.

Com ajuda da sua mãe, São Tomás de Aquino conseguiu fugir da família e seguiu para Nápoles e Roma, onde graduou-se em Teologia e tornou-se professor. Quando se mudou para a Alemanha, São Tomás de Aquino escreveu as suas primeiras obras como discípulo do alemão Santo Alberto Magno - bispo, filósofo e teólogo conhecido como “Alberto, o grande”.

São Tomás de Aquino e a Filosofia

A filosofia de São Tomás de Aquino baseou-se no realismo aristotélico, do filósofo grego Aristóteles. Suas obras formularam um novo pensamento filosófico cristão, que destacavam a razão e vontade humana, contrariando os seguidores de Santo Agostinho.

São Tomás de Aquino defendeu a filosofia escolástica, que se baseava no método cristão e filosófico pregado na união entre a razão e a fé. Esta filosofia foi amplamente difundida nas universidades medievais europeias. Como exemplo de obra da escolástica, escrita por São Tomás de Aquino, tem-se a “Summa Theologica“.

O Tomismo, um movimento filosófico, surge como o conjunto de doutrinas criadas por São Tomás de Aquino, com influências de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho. Tal sistema filosófico caracterizou-se por representar o início da Filosofia no pensamento cristão e o começo do pensamento moderno.

Na Suma Teológica, escrita entre 1265 e 1274, São Tomás descreve o conhecimento de Deus a partir das criaturas humanas e pontua os conceitos de algumas palavras-chave. Para “Beleza”, por exemplo, na visão dele “tem relação com as propriedades do Filho, pois ela requer três coisas: integridade, harmonia e esplendor. O Filho é a imagem expressa do Pai, pois tem Sua natureza, por isso tem integridade. Tem harmonia, pois convém à propriedade do Filho, de maneira que uma coisa é bela quando representa perfeitamente a coisa. Possui esplendor, pois o Verbo é a luz do intelecto.”

Em sua obra, enalteceu como ninguém a figura de Deus (criador) e o homem (criação). Para ele os sentidos humanos (santificados no batismo) são as janelas da alma pelas quais se pode sentir e imaginar Deus. Tinha profundo senso de justiça e iniciou a “marcha dos mendigos” como forma de protesto em sua época. Sua filosofia fundamental era o louvor à Vida, o louvor a Deus como criador do Mundo.

Lançou a noção de preço justo e que a lei precisa ser justa. Seu único desejo era ser de Cristo. Entrava em êxtase em suas longas vigílias de oração e fazia milagres em vida. Revolucionou a religião ao afirmar que pela razão imaginamos Deus e confirmamos sua existência. Perguntado sobre pelo que mais louvava a Deus dizia: “ter entendido todos os livros que li.” Insistia que pela observação das coisas é possível alcançar a verdade, usando a razão. Com o apelido na escola de “boi mudo” seu mestre dizia que um dia o mundo iria se curvar ao seu mugido, tamanha a grandeza de suas afirmações.

São Tomás de Aquino faleceu em 07 de março de 1274, na Abadia de Fossanova. Após a sua morte 12 teses de sua autoria foram condenadas em Paris, em 1277. Em 1323, o Papa João XXII canonizou-o e, em 1567, ele foi nomeado “Doutor da Igreja”.

Seus restos estão abrigados na Igreja dos Jacobinos em Toulouse, França, desde 28 de junho de 1369. Quando foi canonizado, a festa de São Tomás foi incorporada ao Calendário Geral Romano em 7 de março, o dia de sua morte. Como esta data geralmente cai na Quaresma, a festa foi modificada para 28 de janeiro, a data da translação de suas relíquias para Toulouse.

Por sua grande influência na escolástica e na criação das universidades, São Tomás é considerado o patrono dos estudantes e acadêmicos.

Oração de São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino deixou diversas orações escritas. Abaixo, a que ele tinha o costume de recitar, diariamente, também composta por ele:

 “Concedei-me, ó Deus onipotente e misericordioso, ardentemente desejar, prudentemente descobrir, verazmente conhecer e perfeitamente realizar o que for do vosso agrado.

Para louvor e glória do vosso nome, ordenai meu estado de vida e dai-me saber, poder e querer o que me pedis que faça. E dai-me levá-lo a cabo como convém à salvação de minha alma.

Que o meu caminho até vós, seja reto e seguro. Que eu não sucumba na prosperidade nem na adversidade, a fim de não me ensoberbecer na primeira nem desesperar na segunda. Que na fortuna eu vos renda graças e na dificuldade mantenha a paciência. Que eu de nada me alegre ou entristeça senão do que me leve a vós ou afaste de vós. Que a ninguém deseje agradar nem tema aborrecer senão somente a vós.

Dai-me tudo fazer com caridade e o que não diz respeito ao vosso culto, reputá-lo como morto. Dai-me praticar minhas ações, não por costume, mas referindo-as a vós com devoção.

Que por vós eu não dê valor às coisas transitórias, e me seja caro tudo o que vos diz respeito. Que me compraza, mais do que tudo, todo trabalho que for para vós e me aborreça todo descanso que não seja em vós.

Dai-me, dulcíssimo Senhor, dirigir-vos meu coração frequente e ferventemente e, de alma contrita, emendar com firme propósito a minha fraqueza.

Fazei-me, ó Deus, humilde sem fingimento; alegre sem dissipação; grave sem depressão; maduro sem severidade; vivaz sem leviandade; veraz sem duplicidade; temente sem desespero; confiante sem presunção; casto sem corrupção; corrigir ao próximo sem indignação e edificá-lo por exemplo e palavra sem exageração; obediente sem contradição; paciente sem murmuração.

Dai-me, dulcíssimo Jesus, um coração desperto, para que nenhuma vã curiosidade o afaste de vós; imóvel, para que não ceda a nenhum afeto indigno; infatigável, para que não sucumba em nenhuma tribulação; livre, para que dele não se apodere nenhum prazer violento; e reto, para que não o faça desviar-se nenhuma má intenção.

Concedei-me, dulcíssimo Deus, inteligência para conhecer-vos; diligência para buscar-vos; sabedoria para encontrar-vos; bondade para agradar-vos; perseverança para esperar-vos doce e fielmente; confiança para alcançar-vos felizmente. Fazei-me, pela penitência, suportar vossas penas; utilizar vossos benefícios nesta vida pela graça; e por fim, na pátria eterna, desfrutar de vossos gozos pela glória.

Vós, que com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais pelos séculos dos séculos, Amém.”

(São Tomás de Aquino)

FONTES:

CHÉROLET, Brenda. São Tomás de Aquino: Novo pensamento filosófico cristão. 21/07/2020. Encontrado em https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/religiao/sao-tomas-de-aquino Acesso 28 de janeiro de 2021.

FERRARI, Márcio. Tomás de Aquino: O mestre da razão e da prudência. Encontrado em https://novaescola.org.br/conteudo/1753/tomas-de-aquino-o-mestre-da-razao-e-da-prudencia . Acesso 28 janeiro 2021.

WIKIPÉDIA. Tomás de Aquino. Encontrado em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Aquino Acesso 28 janeiro 2021.

Colaboração:

Gorete Aquino/Pascom – Lavras MG. Fonte: Bibliografia: G. K. Chesterton  "Santo Tomás, uma biografia filosófica", 2020. Editado por Minha Biblioteca Católica 2. Wikipedia  enciclopédia eletrônica (internet)


O livre-arbítrio

O homem tem livre-arbítrio. Do contrário, conselhos, exortações, ordens, proibições, recompensas e punições seriam em vôo. (…) O homem age com base no juízo porque, por meio de seu poder de conhecer, julga que algo deve ser evitado ou procurado. E porque seu julgamento (…) não provém de um instinto natural, mas de um ato de comparação racional, ele portanto age por livre julgamento e detém o poder de inclinar-se a várias coisas. (…) Agora, as operações particulares são contingentes, e portanto, nesse assunto, o julgamento da razão pode seguir caminhos opostos, sem estar determinado a um deles. E, uma vez que o homem é racional, deve ter livre-arbítrio.

Tomás de Aquino, Suma teológica. Questão LXXXIII, “Do livre-arbítrio”. Artigo 1.

 



 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

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INQUIETAÇÕES DE UMA CATEQUISTA...

 

Estava aqui pensando no que dizer à inquietação de uma catequista, lá de Barra Bonita – SP, que me chamou no whatsapp um dia destes. Sim, porque o que ela “perguntou”, na verdade é uma inquietação de todos nós. Mas, é bom que sejamos inquietos. O evangelizador precisa se inquietar e não aceitar as coisas exatamente como elas são. Agora, o que não podemos deixar acontecer é que essa inquietação mate nosso espírito de luta e nos deixe prostrados simplesmente recebendo - ou não recebendo, dependendo do caso - as coisas como vêm, prontas e acabadas.

Mas, vamos a “inquietação”:

Por que temos tantas reclamações das catequistas sobre o quase abandono de algumas paróquias, com relação às necessidades dos catequistas e da catequese?

Para começar, quero dizer que não se coloca nada numa taça já cheia – falando do pretenso conhecimento que muitos acham que tem e por isso não querem aprender mais nada – ou seja, ninguém aprende se acha que já sabe e tem tudo que precisa. E esta é a frase que me inspirou:

“Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e frivolidades.” (São Maximiliano Maria Kolbe)

Quem sabe nossos padres e lideranças não estejam, então, com a alma cheia de distrações e frivolidades?

E aqui quero lembrar a vocês que um padre é, antes de tudo (não deveria, mas é), o administrador da paróquia. Tanto no quesito pastoral quanto administrativo/financeiro. Afinal uma paróquia é uma “empresa”, com CNPJ e tudo. Evidentemente ele poderia contratar um profissional para isso, mas, é uma questão administrativa que cabe à Igreja, como instituição resolver.

Voltemos àquela questão da “taça cheia”: Muitos acham que o mandato vocacional proporciona sabedoria infinita e recorrem ao Espírito Santo (que não fez graduação nenhuma em finanças), para prover o que lhe falta em especialização e conhecimentos necessários. Com raras exceções, os padres não sabem administrar as finanças de uma paróquia e esta, acaba sendo mantida pelo coração caridoso dos seus fiéis. Ouso dizer que muitos trabalham apenas em prol de manter suas suntuosas Igrejas. Aliás, esta também é uma das reclamações de muitos dos nossos catequistas, que usam seus próprios recursos para conseguir fazer uma catequese mais elaborada.

Enfim, aqui alguns diriam que só nos resta rezar. Rezar para que nossos líderes, por algum milagre dos céus, tomem consciência de que, sem os leigos, principalmente os catequistas, não haverá mais paróquia para administrar.

E aqui eu recorro a mais uma frase de São Maximiliano: “O fruto do nosso apostolado depende da oração. Se falamos de oração, não se deve entender que seja preciso ocupar muitas horas em estar de joelhos e em oração, mas que sejam feitos atos internos...”.

“Atos internos”. O que este venerável santo quis dizer com isso? Acho que se lembrarmos que o ato mais nobre da vida dele foi se oferecer para morrer no lugar de um pai de família num campo de concentração nazista, não precisamos pensar muito na resposta. A oração deve nos mudar por dentro e fazer com que façamos “lá fora”, os atos e as mudanças que precisamos.

Mas, aí está uma coisa que a gente não se põe muito a pensar. No quanto as orações têm o poder de nos mudar “internamente”. Aos nos confessarmos fracos e impotentes e pedirmos ajuda a Deus, estamos, inconscientemente, ajudando a nós mesmos. A despertar o “Espírito Santo” que existe dentro de nós. De nada adianta nos pormos a rezar sem dar uma “ajudinha” a esse Espírito Santo. Não recebemos dele sete dons? Onde estão quando precisamos?

E essa “ajudinha” é justamente pensar no que afinal se pode fazer para que nossa catequese fique melhor. Claro que é difícil mudar alguma coisa quando coordenações e párocos estão apáticos e desmotivados ou sequer acreditam na catequese. Mas, mudanças podem ser “operadas” nas pequenas coisas que “nós” fazemos!

E que “pequenas coisas” são essas que podemos fazer, meus queridos catequistas?

Primeiro, independente de saber se o padre ou o coordenador conhece o Diretório e os documentos da catequese, preciso “EU” mesma conhecê-los.

Ah, mas não posso por em prática tudo o que diz lá!”.

Quem disse que não? Se eu sei qual é a metodologia de Jesus, o que é interação fé e vida, o que pretende o método ver-julgar-agir; por que não posso colocá-los em prática? O “como” se catequiza é uma das formas mais eficientes de se conseguir realmente, catequizar! Posso não estar influenciando as gerações que me precedem e meus pares já estarem "perdidos", mas, com certeza, influencio aquelas que virão. Ninguém é mais o mesmo depois que “experimenta” Jesus de verdade, depois que se encontra com ele. E esse encontro, é mediado pela catequese.

E quando não temos as “armas do poder” é preciso um pouco de paciência. Se não sou “nada” na paróquia - pelos menos em termos de influência com o pároco ou coordenação - o negócio é mudar NO espaço em que me é permitido. E este espaço se chama “grupo de catequizandos”, onde provoco mudanças verdadeiras quando consigo fazer ecoar a Palavra de Deus no coração de cada um.

É claro que preciso seguir as “normas” e as “regras” da pastoral. As “orientações” da coordenação. Não posso fugir delas. Tenho que trabalhar com elas a meu favor, por mais que não concorde com elas.

Para mim, por exemplo, é uma rematada tolice e um atestado de incompetência, usar qualquer coisa como “controle” de frequência de missa ou dos próprios encontros de catequese. Se as pessoas não comparecem a um evento que você convida é porque este evento não as atraia. Obrigá-las a ir, e fazer que isto se transforme num “costume” ou “hábito”, é o que faz muitas pessoas fracas na fé. E como temos fracos na fé ajoelhados todos os dias na Igreja!

Eu não obrigo catequizando nenhum a ir à missa e nem faço “chamada” em encontro. Só que eu sei perfeitamente quem foi ou não foi e porque faltou. Isso porque “converso” com eles, converso com os pais. As crianças vão à missa quando os pais vão à missa. Adianta eu fazer terrorismo com eles? Deveria é fazer com os pais. Mas, estes se eu fizer, vou afastar ainda mais da Igreja.

Não se deve ir à missa por costume ou hábito. É preciso ir porque nos faz bem celebrar com a comunidade, faz bem cantar e rezar junto com a comunidade, faz bem receber o “pão” junto com a comunidade.

Fico extremamente feliz quando encontro minhas crianças e seus pais na missa. Faço questão de cumprimentá-los com um abraço. Porque sei que estão lá porque querem, não porque os obriguei. Esta é apenas uma das “coisinhas” que a gente pode tentar fazer. E continuar se inquietando sempre. Inquietar-se é bom. Mas, é melhor ainda quando nos anima a mudar, a fazer pequenas coisas que podem ser tornar grandes na vida das pessoas que estão ali sob a nossa responsabilidade.

E para finalizar, um velho provérbio: “As palavras ensinam, mas os exemplos arrastam”

Ângela Rocha



 

 

domingo, 24 de janeiro de 2021

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 55º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS - 2021

Imagem: Vatican News

Para o Papa Francisco, "Vem e verás" foi a forma como a fé em Jesus Cristo se multiplicou. O testemunho se dá no encontro com as pessoas. 

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é comemorado no dia da Ascensão do Senhor, que este ano, 2021, será no dia 13 de maio, quinta-feira. No Brasil, como esse dia não é feriado nacional, a data é transferida para o domingo imediatamente subsequente para que os fieis possam participar das celebrações com tempo para o exercício da fé.

O Dia da Ascensão do Senhor é uma festa móvel do calendário cristão. Como uma comemoração eminentemente católica, normalmente tem maior adesão da população católica, que vê nele um dia santo de guarda.

No Dia da Ascensão do Senhor (também conhecido como a "Festa da Exaltação de Cristo"), todos os anos os cristãos celebram o retorno de Jesus Cristo como o Filho de Deus ao Pai Celestial, quando ele subiu triunfantemente ao céu depois da sua ressurreição. A festa é celebrada 40 dias depois do Domingo de Páscoa. Esta é tradicionalmente a quinta-feira depois do quinto domingo depois da Páscoa ou dez dias antes do Pentecostes, com o qual o círculo da Páscoa finalmente encontra seu fim. A data do Dia da Ascensão, portanto, depende sempre da Páscoa. Portanto, a comemoração é sempre em uma quinta-feira e pode ser entre 30 de abril e 3 de junho. 


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 55º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS:

“’VEM E VERÁS’ (JO 1, 46). COMUNICAR ENCONTRANDO AS PESSOAS ONDE ESTÃO E COMO SÃO”

 

Queridos irmãos e irmãs!

O convite a “ir e ver”, que acompanha os primeiros e comovedores encontros de Jesus com os discípulos, é também o método de toda a comunicação humana autêntica. Para poder contar a verdade da vida que se faz história (cf. Mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2020), é necessário sair da presunção cômoda do “já sabido” e mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em algum dos seus aspetos. “Abre, maravilhado, os olhos ao que vires e deixa as tuas mãos cumular-se do vigor da seiva, de tal modo que os outros possam, ao ler-te, tocar com as mãos o milagre palpitante da vida”: aconselhava o Beato Manuel Lozano Garrido[1] aos seus colegas jornalistas. Por isso, este ano, desejo dedicar a Mensagem à chamada a “ir e ver”, como sugestão para toda a expressão comunicativa que queira ser transparente e honesta: tanto na redação dum jornal como no mundo da web, tanto na pregação comum da Igreja como na comunicação política ou social. “Vem e verás” foi o modo como a fé cristã se comunicou a partir dos primeiros encontros nas margens do rio Jordão e do lago da Galileia.

Gastar as solas dos sapatos

Pensemos no grande tema da informação. Há já algum tempo que vozes atentas se queixam do risco dum nivelamento em “jornais fotocópia” ou em noticiários de televisão, rádio e websites que são substancialmente iguais, onde os gêneros da entrevista e da reportagem perdem espaço e qualidade em troca duma informação pré-fabricada, “de palácio”, autorreferencial, que cada vez menos consegue interceptar a verdade das coisas e a vida concreta das pessoas, e já não é capaz de individualizar os fenômenos sociais mais graves nem as energias positivas que se libertam da base da sociedade. A crise editorial corre o risco de levar a uma informação construída nas redações, diante do computador, nos terminais das agências, nas redes sociais, sem nunca sair à rua, sem “gastar a sola dos sapatos”, sem encontrar pessoas para procurar histórias ou verificar com os próprios olhos determinadas situações. Mas, se não nos abrimos ao encontro, permanecemos espectadores externos, apesar das inovações tecnológicas com a capacidade que têm de nos apresentar uma realidade engrandecida onde nos parece estarmos imersos. Todo o instrumento só é útil e válido, se nos impele a ir e ver coisas que de contrário não chegaríamos a saber, se coloca em rede conhecimentos que de contrário não circulariam, se consente encontro que de contrário não teriam lugar.

Aqueles detalhes de crônica no Evangelho

Aos primeiros discípulos que querem conhecer Jesus, depois do seu Batismo no rio Jordão, Ele responde: “Vinde e vereis” (Jo 1, 39), convidando-os a permanecer em relação com Ele. Passado mais de meio século, quando João, já muito idoso, escreve o seu Evangelho, recorda alguns detalhes “de crônica” que revelam a sua presença no local e o impacto que teve na sua vida aquela experiência: “era cerca da hora décima”, observa ele! Isto é, as quatro horas da tarde (cf. 1, 39). No dia seguinte (narra ainda João), Filipe informa Natanael do encontro com o Messias. O seu amigo, porém, mostra-se cético: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa?” Filipe não procura convencê-lo com raciocínios, mas diz-lhe: “vem e verás” (cf. 1, 45-46). Natanael vai e vê, e a partir daquele momento a sua vida muda. A fé cristã começa assim; e comunica-se assim: com um conhecimento direto, nascido da experiência, e não por ouvir dizer. “Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos…”: dizem as pessoas à Samaritana, depois de Jesus Se ter demorado na sua aldeia (cf. Jo 4, 39-42). O método “vem e verás” é o mais simples para se conhecer uma realidade; é a verificação mais honesta de qualquer anúncio, porque, para conhecer, é preciso encontrar, permitir à pessoa que tenho à minha frente que me fale, deixar que o seu testemunho chegue até mim.

Agradecimento pela coragem de muitos jornalistas

O próprio jornalismo, como exposição da realidade, requer a capacidade de ir aonde mais ninguém vai: mover-se com desejo de ver. Uma curiosidade, uma abertura, uma paixão. Temos que agradecer à coragem e determinação de tantos profissionais (jornalistas, operadores de câmera, editores, cineastas que trabalham muitas vezes sob grandes riscos), se hoje conhecemos, por exemplo, a difícil condição das minorias perseguidas em várias partes do mundo, se muitos abusos e injustiças contra os pobres e contra a criação foram denunciados, se muitas guerras esquecidas foram noticiadas. Seria uma perda não só para a informação, mas também para toda a sociedade e para a democracia, se faltassem estas vozes: um empobrecimento para a nossa humanidade.

Numerosas realidades do planeta – e mais ainda neste tempo de pandemia – dirigem ao mundo da comunicação um convite a “ir e ver”. Há o risco de narrar a pandemia ou qualquer outra crise só com os olhos do mundo mais rico, de manter uma ‘dupla contabilidade”. Por exemplo, na questão das vacinas e dos cuidados médicos em geral, pensemos no risco de exclusão que correm as pessoas mais indigentes. Quem nos contará a expectativa de cura nas aldeias mais pobres da Ásia, América Latina e África? Deste modo as diferenças sociais e econômicas a nível planetário correm o risco de marcar a ordem da distribuição das vacinas anti-Covid, com os pobres sempre em último lugar; e o direito à saúde para todos, afirmado em linha de princípio, acaba esvaziado da sua valência real. Mas, também no mundo dos mais afortunados, permanece oculto em grande parte o drama social das famílias decaídas rapidamente na pobreza: causam impressão, mas sem merecer grande espaço nas notícias, as pessoas que, vencendo a vergonha, fazem a fila à porta dos centros da Cáritas para receber uma ração de víveres.

Oportunidades e insídias na web

A rede, com as suas inumeráveis expressões no espaço social, pode multiplicar a capacidade de relato e partilha: muitos mais olhos abertos sobre o mundo, um fluxo contínuo de imagens e testemunhos. A tecnologia digital dá-nos a possibilidade duma informação em primeira mão e rápida, por vezes muito útil; pensemos nas emergências em que as primeiras notícias e mesmo as primeiras informações de serviço às populações viajam precisamente na web. É um instrumento formidável, que nos responsabiliza a todos como utentes e desfrutadores. Potencialmente, todos podemos tornar-nos testemunhas de acontecimentos que de contrário seriam negligenciados pelos meios de comunicação tradicionais, oferecer a nossa contribuição civil, fazer ressaltar mais histórias, mesmo positivas. Graças à rede, temos a possibilidade de contar o que vemos, o que acontece diante dos nossos olhos, de partilhar testemunhos.

Entretanto foram-se tornando evidentes, para todos, os riscos duma comunicação social não verificável. Há tempo que nos demos conta de como as notícias e até as imagens sejam facilmente manipuláveis, por infinitos motivos, às vezes por um banal narcisismo. Uma tal consciência crítica impele-nos, não a demonizar o instrumento, mas a uma maior capacidade de discernimento e a um sentido de responsabilidade mais maduro, seja quando se difundem seja quando se recebem conteúdos. Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controlo que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as. Todos estamos chamados a ser testemunhas da verdade: a ir, ver e partilhar.

Nada substitui o ver pessoalmente

Na comunicação, nada pode jamais substituir, de todo, o ver pessoalmente. Algumas coisas só se podem aprender, experimentando-as. Na verdade, não se comunica só com as palavras, mas também com os olhos, o tom da voz, os gestos. O intenso fascínio de Jesus sobre quem O encontrava dependia da verdade da sua pregação, mas a eficácia daquilo que dizia era inseparável do seu olhar, das suas atitudes e até dos seus silêncios. Os discípulos não só ouviam as suas palavras, mas viam-No falar. Com efeito, n’Ele – logos encarnado – a Palavra ganhou Rosto, o Deus invisível deixou-Se ver, ouvir e tocar, como escreve o próprio João (cf. 1 Jo 1, 1-3). A palavra só é eficaz, se se vê, se te envolve numa experiência, num diálogo. Por esta razão, o “vem e verás” era e continua a ser essencial.

Pensemos na quantidade de eloquência vazia que abunda no nosso tempo, em todas as esferas da vida pública, tanto no comércio como na política. “Fala muito, diz uma infinidade de nadas. As suas razões são dois grãos de trigo perdidos em dois feixes de palha. Têm-se de procurar o dia todo para os achar, e, quando se encontram, não valem a procura”.[2] Estas palavras ríspidas do dramaturgo inglês aplicam-se também a nós, comunicadores cristãos. A boa nova do Evangelho difundiu-se pelo mundo, graças a encontros pessoa a pessoa, coração a coração: homens e mulheres que aceitaram o mesmo convite – “vem e verás” –, conquistados por um “extra” de humanidade que transparecia brilho no olhar, na palavra e nos gestos de pessoas que testemunhavam Jesus Cristo. Todos os instrumentos são importantes, e aquele grande comunicador que se chamava Paulo de Tarso ter-se-ia certamente servido do e-mail e das mensagens eletrônicas; mas foram a sua fé, esperança e caridade que impressionaram os contemporâneos que o ouviram pregar e tiveram a sorte de passar algum tempo com ele, de o ver durante uma assembleia ou numa conversa pessoal. Ao vê-lo agir nos lugares onde se encontrava, verificavam como era verdadeiro e frutuoso para a vida aquele anúncio da salvação de que ele era portador por graça de Deus. E mesmo onde não se podia encontrar pessoalmente este colaborador de Deus, o seu modo de viver em Cristo era testemunhado pelos discípulos que enviava (cf. 1 Cor 4, 17).

Nas nossas mãos, temos os livros; nos nossos olhos, os acontecimentos”: afirmava Santo Agostinho,[3] exortando-nos a verificar na realidade o cumprimento das profecias que se encontram na Sagrada Escritura. Assim, o Evangelho volta a acontecer hoje, sempre que recebemos o testemunho transparente de pessoas cuja vida foi mudada pelo encontro com Jesus. Há mais de dois mil anos que uma corrente de encontros comunica o fascínio da aventura cristã. Por isso, o desafio que nos espera é o de comunicar, encontrando as pessoas onde estão e como são.

Senhor, ensinai-nos a sair de nós mesmos,
e partir à procura da verdade.

Ensinai-nos a ir e ver,
ensinai-nos a ouvir,
a não cultivar preconceitos,
a não tirar conclusões precipitadas.

Ensinai-nos a ir aonde não vai ninguém,
a reservar tempo para compreender,
a prestar atenção ao essencial,
a não nos distrairmos com o supérfluo,
a distinguir entre a aparência enganadora e a verdade.

Concedei-nos a graça de reconhecer as vossas moradas no mundo
e a honestidade de contar o que vimos.

Roma, em São João de Latrão, na véspera da Memória de São Francisco de Sales, 23 de janeiro de 2021.


Franciscus



[1] Jornalista espanhol, nascido em 1920, falecido em 1971 e beatificado em 2010.

[2] W. Shakespeare, O mercador de Veneza, Ato I, Cena I.

[3] Sermão 360/B, 20.


FONTEhttp://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20210123_messaggio-comunicazioni-sociali.html 

*Adaptado ao português do Brasil por Catequistas em Formação.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

ESPIRITUALIDADE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE COM AS PESSOAS DE SUA CONVIVÊNCIA – PARTE II

 

Imagem: SINOP

PARTE II - SEGUNDA INFÂNCIA

Texto bíblico Lc 2, 41-52

Todos os anos, os pais de Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Terminados os dias da festa, no momento de voltarem, Jesus permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais percebessem. Pensando que se encontrasse na caravana, fizeram o caminho de um dia e procuravam-no entre os parentes e conhecidos,  mas, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Depois de três dias o encontraram no templo, sentado entre os mestres ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos os que ouviam o menino ficavam extasiados com sua inteligência e suas respostas. Quando o viram, seus pais ficaram admirados, e sua mãe lhe disse: “Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura!” Ele respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” Eles, porém, não entenderam o que ele lhes havia dito .Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todos os esses acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens,

(Tradução -Bíblia CNBB- 3ª edição-2019)

 

Dando continuidade ao tema Espiritualidade da criança e do adolescente, iniciado no artigo anterior, inspirado pelo texto bíblico apresentado, podemos verificar que os pais de Jesus, Maria e José, educaram Jesus na fé, com todo o zelo e cuidado com o Filho de Deus. E Jesus se desenvolve em um ambiente familiar de oração e fidelidade a Deus.

Na Encíclica do Papa Francisco, Amoris Laettia, encontramos:  

A educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé, que se vê dificultado pelo estilo de vida atual, pelos horários de trabalho, pela complexidade do mundo atual, onde muitos têm um ritmo frenético para poder sobreviver. Apesar disso, a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. Isto começa no batismo, no qual- como dizia Santo Agostinho- as mães que levam seus filhos “cooperam no parto santo”. Depois, tem início o percurso de crescimento desta vida nova. A fé é um dom de Deus, recebido no batismo, e não o resultado de uma ação humana; mas os pais são instrumentos de Deus para a sua maturação e desenvolvimento. (AL, 287)

Na caminhada catequética os catequizandos precisam de um ambiente acolhedor, tanto na família, quanto na comunidade. Durante o seu desenvolvimento a criança vai absorvendo o comportamento de seus familiares e dos grupos de convivência.

Na primeira infância, conforme Calandro e Ledo (2010), denominam a idade de 0 a 6 anos, a criança contempla tudo a seu redor, tudo é novidade para ela, um mundo a descobrir. Repete os gestos, brinca, dança, toca (tato) e é dotada de espontaneidade e cheia de energia.

De 0 a 2 anos a criança percebe o mundo pelo olhar de seus pais, a fé ainda é indiferente, porém, “as pré-imagens de Deus estão inseridas neste primeiro contato que a criança estabelece com o meio familiar” (CALANDRO e LEDO, 85). A confiança que ela tem no adulto é que estabelece o sentido de cuidado e amor. A afetividade é fator primordial em todo os períodos do desenvolvimento da criança, principalmente na primeira infância.  De 3 a 7 anos, a fé já é projetada, a criança assimila a cultura de seus pais, e a comunidade aos quais os pais frequentam.

A segunda infância, de 7 a 9 anos, conforme Calandro e Ledo (2010), é o período da sistematização da criança, ela já vai se reconhecendo em um grupo maior, mas, com a sua identidade sendo formada. Com a experiência escolar também presente neste período, ela vai formando seu repertório tanto de fé, quanto de bases da educação científica. É a idade que entram na catequese.

Os catequistas, atentos à essas mudanças e realidades, precisam estar atento à maturidade gradativa de fé, que as crianças vão tendo ao longo da vivência na catequese. O Diretório Nacional de Catequese nos seus números 199 e 200 orienta:

199. A infância constitui o tempo da primeira socialização, da educação humana e cristã na família, na escola e na comunidade. É preciso considera-la como uma etapa decisiva para o futuro da fé, pois nela, através do Batismo e da educação familiar, a criança inicia a sua iniciação cristã. No final da segunda infância (pré-adolescência), uma fase curta, mas efervescente do desenvolvimento humano, ou até mais cedo (primeira infância, começa-se em geral o processo de iniciação eucarística). É nessa idade que se atinge o maior número de catequizandos e há o maior envolvimento de catequistas por causa da Primeira Comunhão Eucarística, que não deve ter caráter conclusivo do processo catequético, mas a continuidade com uma catequese de perseverança que favoreça o engajamento na comunidade eclesial.

200. A educação para a oração (pessoal, comunitária, litúrgica), a iniciação ao correto uso da Sagrada Escritura, o acolhimento dentro da comunidade e o despertar da consciência missionária são aspectos centrais da formação cristã dos pequenos. É preciso cuidar da apresentação dos conteúdos, de forma adequada à sensibilidade infantil. Embora a criança necessite de adaptação de linguagem e simplificação de conceitos, é importante não semear hoje o problema de amanhã. Simplificar com fidelidade e qualidade teológica exige boa formação e criatividade. É necessário ter cuidado para que, em nome da mentalidade infantil, não se apresentem ideias teologicamente incorretas que depois serão motivo de crise de fé. (DNC, 2006) 

                                     

Sendo assim, o que a Catequese pode oferecer para a formação na fé destas crianças e desses adolescentes diante de tanta dificuldade e adversidade? As famílias estão cada vez mais distantes de uma vivência de fé autêntica; os pais têm dado pouca atenção a seus filhos e filhas e tentam preencher o espaço que é devido aos eles com coisas materiais: celulares, tablets, videogames, brinquedos, etc. E, muitas das vezes, o que as crianças e adolescentes precisam, é simplesmente um abraço, um colo, um ombro, um ouvido atento às suas indagações. 

Muitos relatos de catequistas nos contam das frustrações de seus catequizandos, com inúmeras dificuldades familiares: presença de alcoolismo, depressão, separação, conflitos, sobrecarga de funções para a mãe, que sempre tem que dar conta de tudo ou do pai, com dificuldade de ouvir seus filhos e filhas, por estar por demais focado no trabalho.

A catequese a serviço da evangelização acaba abarcando todas essas realidades dos catequizandos. A comunidade de fé, também precisa acolher todas as situações e colaborar com a formação na fé daqueles que estão sobre seus cuidados.

Assim, durante os encontros catequéticos - sejam presenciais na paróquia, ou ainda, para aqueles que optam por catequese em casa (com os pais e acompanhamento do catequista) - pode-se propor momentos celebrativos, apresentação dos símbolos, do espaço litúrgico, momentos de partilha de alguma situação concreta, histórias inspiradoras de diversos santos e santas presentes na Tradição da Igreja, etc. Alguns subsídios catequéticos, como o “Crescer em Comunhão”, da Editora Vozes, trazem em seu itinerário de temas, celebrações catequéticas a cada bloco de temas. Estas celebrações proporcionam encontros mistagógicos, orantes, com reflexões e cantos, e pode ser convidada a família do catequizando.

Pode-se também, visitar as famílias para conhecer a realidade de cada catequizando, para que a comunidade conheça as alegrias, dificuldades e esperanças de cada um, pois, a partir do olhar do catequista e da comunidade,  pode-se proporcionar à família que vem para a catequese, um espaço de partilha e de superação das eventuais dificuldades em família.

 

Catequista: Alessandra Rodrigues França da Silva 
Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança -Pinhais/PR 
Arquidiocese de Curitiba

Referências:

CALANDRO, Eduardo; LEDO, Jordélio Siles.  Psicopedagogia Catequética - Reflexões e vivências para a catequese conforme as idades. Vol.1 – Criança. São Paulo: Paulus. 2019.

_______  Psicopedagogia Catequética - Reflexões e vivências para a catequese conforme as idades. Vol. 2 – Adolescentes e jovens. São Paulo: Paulus, 2019.

COMISSÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA - ARQUIDIOCESE DE CURITIBA. Formação Básica de Catequistas - subsídio com os principais temas para formação de catequistas. Curitiba: Editora Arquidiocesana, 2008

CNBB. Diretório Nacional de Catequese - DOC 84. 5ª ed. São Paulo: Paulinas, 2007.

PAPA FRANCISCO.  Amoris Laetitia: sobre o amor na família.  Exortação Apostólica Pós-sinodal. São Paulo: Paulus, 2016.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

REFLEXÃO BÍBLICA: MARCOS 1,14-20

Imagem: CEBI.org

 JESUS ANUNCIA A BOA NOVA DE DEUS E CHAMA PESSOAS PARA SEGUI-LO

1. SITUANDO

A Boa Nova de Deus foi preparada ao longo da história (Marcos 1,1-8), foi proclamada solenemente pelo Pai na hora do batismo de Jesus (Marcos 1,9-11), foi testada e aprovada no deserto (Marcos 1,12-13). Agora aparece o resultado da longa preparação: Jesus anuncia a Boa Nova publicamente ao povo (Marcos 1,14-15) e convoca outras pessoas a participar do anúncio (Marcos 1,16-20).

Nos anos 70, época em que Marcos escreveu, os cristãos, lendo essa descrição do início da Boa Nova, olhavam no espelho e viam retratado nele o início da sua própria comunidade. Aquela fonte que brotou na vida daqueles quatro primeiros discípulos podia, a qualquer momento, brotar também na vida deles.

2. COMENTANDO

1. Marcos 1,14: Jesus inicia o anúncio da Boa Nova de Deus

Marcos dá a entender que, enquanto Jesus se preparava no deserto, João Batista tinha sido preso pelo rei Herodes. Diz o texto: Depois que João foi preso, Jesus voltou para a Galileia proclamando a Boa Nova de Deus. A prisão de João Batista não assustou Jesus! Pelo contrário! Ele viu nela um sinal da chegada do Reino. Hoje, os fatos da política e da polícia também influem no anúncio que nós fazemos da Boa Nova ao povo. Marcos diz que Jesus proclamava a Boa Nova de Deus. Pois Deus é a maior Boa Notícia para a vida humana. Ele responde à aspiração mais profunda do nosso coração.

2. Marcos 1,15: O resumo da Boa Notícia de Deus

O anúncio da Boa Nova de Deus tem quatro pontos: (1) Esgotou-se o prazo! (2) O Reino de Deus chegou! (3) Mudem de vida! (4) Acreditem nesta Boa Notícia! (Mc 1,14-15). Estes quatro pontos são um resumo de toda a pregação de Jesus. Cada um deles tem um significado importante:

Esgotou-se o prazo! Para os outros judeus, o prazo ainda não tinha se esgotado. Faltava muito para o Reino chegar. Para os fariseus, por exemplo, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita. Para os essênios, quando o país fosse purificado ou quando eles tivessem o domínio sobre o país. Jesus pensa de modo diferente. Ele tem outra maneira de ler os fatos. Diz que o prazo já se esgotou.

O Reino de Deus chegou! Para os fariseus e os essênios, a chegada do Reino dependia do esforço deles. Só chegaria depois que eles tivessem realizado a sua parte, a saber, observar toda a lei, purificar todo o país. Jesus diz o contrário: “O Reino chegou!” Já estava aí! Independentemente do esforço feito! Quando Jesus diz “O Reino chegou!”, ele não quer dizer que o Reino estava chegando só naquele momento, mas sim que já estava aí. Aquilo que todos esperavam já estava presente no meio do povo, e eles não o sabiam nem o percebiam (cf. Lucas 17,21). Jesus o percebeu! Pois ele lia a realidade com um olhar diferente. E é esta presença escondida do Reino no meio do povo que Jesus vai revelar e anunciar aos pobres da sua terra. É esta a semente do Reino que vai receber a chuva da sua palavra e o calor do seu amor.

Mudem de Vida! Alguns traduzem “Fazei Penitência”. Outros, “Convertei-vos ou Arrependei-vos”. O sentido exato é mudar o modo de pensar e de viver. Para poder perceber essa presença do Reino, a pessoa terá que começar a pensar, a viver e a agir de maneira diferente. Terá que mudar de vida e encontrar outra forma de convivência! Terá que deixar de lado o legalismo do ensino dos fariseus e permitir que a nova experiência de Deus invada sua vida e lhe dê olhos novos para ler e entender os fatos.

Acreditem nesta Boa Notícia! Não era fácil aceitar a mensagem. Não é fácil você começar a pensar de forma diferente de tudo que aprendeu desde pequeno. Isto só é possível através de um ato de fé. Quando alguém vem trazer uma notícia diferente, difícil de ser aceita, você só aceita se a pessoa que traz a notícia for de confiança. Aí, você dirá aos outros: “Pode aceitar! Eu conheço a pessoa! Ela não engana, não. É de confiança. Fala a verdade!” Jesus é de confiança!

3. Marcos 1,16-20: O primeiro objetivo do anúncio da Boa Nova é formar comunidade

Jesus passa, olha e chama. Os quatro escutam, largam tudo e seguem Jesus. Parece amor à primeira vista! Conforme a narração de Marcos, tudo isto aconteceu logo no primeiro encontro com Jesus. Comparando com os outros evangelhos, a gente percebe que os quatro já conheciam Jesus (João 1,39; Lucas 5,1-11). Já tiveram a oportunidade de conviver com ele, de vê-lo ajudar o povo ou de escutá-lo na sinagoga. Sabiam como ele vivia e o que pensava. O chamado não foi coisa de um só momento, mas sim de repetidos chamados e convites, de avanços e recuos. O chamado começa e recomeça sempre de novo! Na prática, coincide com a convivência dos três anos com Jesus, desde o batismo até o momento em que Jesus foi levado ao céu (Atos 1,21-22). Então, por que Marcos o apresenta como amor à primeira vista? Marcos pensa no ideal: o encontro com Jesus deve provocar uma mudança radical na vida da gente!

3. ALARGANDO

O chamado para seguir Jesus

O chamado é de graça. Não custa. Mas acolher o chamado exige compromisso. É o momento de entrar na nova família de Jesus, isto é, a comunidade (Marcos 3,31-35). Jesus não esconde as exigências. Quem quer segui-lo deve saber o que está fazendo: deve mudar de vida e crer na boa Nova (Marcos 1,15), deve estar disposto ou disposta a abandonar tudo. Do contrário, “não pode ser meu discípulo” (Lucas 14,33). O peso não cai na renúncia, mas sim no amor que dá sentido à renúncia. É por amor a Jesus (Lucas 9,24) e ao Evangelho (Marcos 8,35) que o discípulo ou a discípula deve renunciar a si mesmo, carregar sua cruz, todos os dias, e segui-lo (Marcos 8,34-35; Mateus 10,37-39; 16,24-26; 19,27-29).

Os discípulos são o xodó de Jesus. No Evangelho de Marcos, a primeira coisa que Jesus faz é chamar discípulos (Marcos 1,16-20), e a última que faz é chamar discípulos (Marcos 16,7.15). Jesus passa e chama. Eles largam tudo e seguem Jesus. Parece que não lhes custa nada. Largam a família. Largam os barcos e as redes (Marcos 1,16-20). Levi largou a coletoria, fonte da sua riqueza (Marcos 2,13-14). Seguir Jesus supõe ruptura! Eles começam a formar um grupo, uma comunidade itinerante. É a comunidade de Jesus (Marcos 3,13-14.34).

Os discípulos acompanham Jesus por todo canto. Entram com ele na sinagoga (Marcos 1,21) e nas casas, sem excluir os pecadores (Marcos 2,15). Passeiam com ele pelos campos, arrancando espigas (Marcos 2,23). Andam com ele ao longo do mar, onde o povo os procura (Marcos 3,7). Ficam a sós com ele e podem interrogá-lo (Marcos 4,10.34). Vão à sua casa, convivem com ele e o acompanham até Nazaré, a sua pátria (Marcos 6,1). Com ele atravessam o mar e vão para o outro lado (Marcos 5,1).

Participam da dureza da nova caminhada. Tanta gente os procura, que já não têm tempo para comer (Marcos 3,20). Eles começam a sentir-se responsáveis pelo bem-estar de Jesus: ficam perto dele, cuidam dele e mantêm um barco pronto para ele não ser esmagado pelo povo que avança (Marcos 3,9; cf. 5,31). E, no fim de um dia de trabalho, levam-no, exausto, para o outro lado do lago (Marcos 4,36). A convivência se torna íntima e familiar. Jesus chega a dar apelidos a alguns deles. A João e Tiago chamou de Filhos do Trovão, e a Simão deu o apelido de Pedra ou Pedro (Marcos 3,16-17). Ele vai à casa deles e se preocupa com os problemas de suas famílias. Curou a sogra de Pedro (Marcos 1,29-31).

Andando com Jesus, eles seguem a nova linha e começam a perceber o que serve para a vida e o que não serve. A atitude livre e libertadora de Jesus faz com que criem coragem para transgredir normas religiosas que pouco ou nada têm a ver com a vida: arrancam espigas em dia de sábado (Marcos 2,23-24), entram em casa de pecadores (Marcos 2,15), comem sem lavar as mãos (Marcos 7,2) e já não insistem em fazer jejum (Marcos 2,18). Por isso, são envolvidos nas tensões e brigas de Jesus com as autoridades e são criticados e condenados pelos fariseus (Marcos 2,16.18.24). Mas Jesus os defende (Marcos 2,19.25-27; 7,6-13).

Distanciam-se das posições anteriores. O próprio Jesus os distingue dos outros e diz claramente: “A vocês é dado o ministério do Reino, mas aos de fora tudo acontece em parábolas” (Marcos 4,11), pois “os de fora” têm olhos, mas não enxergam, têm ouvidos e não escutam (Marcos 4,12). Jesus considera os discípulos e as discípulas como seus irmãos e suas irmãs. É a sua nova família (Marcos 3,33-34). Eles recebem formação. As parábolas narradas ao povo, Jesus as explica a eles quando estão sozinhos em casa (Marcos 4,10s.34).

Na raiz desse grande entusiasmo está a pessoa de Jesus que chama. Está a Boa Nova do Reino que atrai! Eles seguem Jesus. Ainda não percebem todo o alcance que o contato com Jesus implica para a vida deles. Isto, por enquanto, nem importa! O que importa é poder seguir Jesus que anuncia a tão esperada Boa Nova do Reino. Até que enfim, o Reino chegou (Marcos 1,15)!

Resumindo: “Seguir Jesus” era uma expressão que os primeiros cristãos usavam para indicar o relacionamento deles com Jesus e entre eles mesmos na comunidade. Significava três coisas:

1) Imitar o exemplo do Mestre:

Jesus era modelo a ser imitado. A convivência diária com ele na comunidade permitia um confronto constante. Nesta “Escola de Jesus” só se ensinava uma única matéria: o Reino! E o Reino se reconhecia na vida e na prática de Jesus.

2) Participar do destino do Mestre:

Quem seguia Jesus devia comprometer-se com seu projeto e “estar com ele nas tentações” (Lucas 22,28), inclusive na perseguição (João 15,20; Mateus 10,24-25). Devia estar disposto até a morrer com ele (João 11,16).

3) Ter a vida de Jesus dentro de si:

Depois da Páscoa, acrescentou-se uma terceira dimensão: identificar-se com Jesus ressuscitado, vivo na comunidade. “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Ter a vida de Jesus dentro de si é participar da sua morte e ressurreição (Filipenses 3,8-11).

 

CEBI ESTUDOS BÍBLICOS - Texto de Carlos Mesters e Mercedes Lopes

https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/jesus-anuncia-a-boa-nova-de-deus-e-chama-pessoas-para-segui-lo/