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quinta-feira, 16 de abril de 2015

OS SÍMBOLOS DA NOSSA FÉ


O Sagrado para que nossos olhos vejam e nossas mãos possam tocar

A Igreja Católica tem em sua liturgia muito ritos e celebrações. E todos os ritos são muito bonitos e significativos. Trata-se do que a gente chama de MISTAGOGIA. Conduzir ao mistério, unir catequese e liturgia. Só que é preciso atentar para o seguinte detalhe: 

NÃO SE DEVE FAZER RITO PELO RITO, ou seja, porque é bonito.

O Rito significa, sobretudo, uma "passagem" de uma etapa para outra, de um momento para outro, de amadurecimento da fé. E quem já estudou um pouco do catecumenato vai saber do que estou falando.
Entregar um símbolo da nossa fé faz parte do "mistério" dela. Aguça nossos sentidos e mexe com nosso espírito. É o "sagrado", o que é "espiritual" se tornando "físico", para que nossos olhos vejam e nossas mãos possam tocar.

De nada adianta entregar um papel impresso, uma vela ou qualquer outra coisa, se o "sentido físico" não estiver também, impresso NO CORAÇÃO das pessoas.
Não se deve nunca, portanto, começar a entregar símbolo, oração, fazer ritos, etc. e tal... se não foi feita uma catequese a respeito, ANTES.

Já vi muitas celebrações "lindas" por aí, cheias de belas palavras, entradas, entregas, velas acesas... onde o catequizando nem IMAGINA O QUE É TUDO ISSO! E sua família também fica "vendida" na história, já que nunca viu isso antes.

A catequese catecumenal pretende fazer um resgate do que a Igreja perdeu de bonito, de simbólico e ritual, ao longo do tempo. E demora. Demora mesmo para se implantar isso numa comunidade. Principalmente porque é preciso resgatar primeiro os ADULTOS que não conhecem esse lado da nossa Igreja e foram catequizados exclusivamente pelo método sacramental e do catecismo de perguntas e respostas. Começa nas lideranças e, infelizmente, em muitos lugares, precisa começar pelos nossos padres.

Estes pequenos ritos que fazemos com as crianças, na verdade, tem a intenção de "tocar" o coração dos adultos, dos pais, familiares, padrinhos. Aqueles que tem mais maturidade para entender a complexidade da fé.

Às crianças podemos acolher, ensinar, orientar, mas, elas só vão entender essa simbologia toda, quando forem mais velhas. Então, para não piorar ainda mais a coisa, que se faça uma catequese e uma explicação bem detalhada a eles do que é que se está fazendo e o que se pretende com os Ritos de entrega, antes de fazê-los, para que nossa fé não se transforme somente em ritualismo.

Catequista

quarta-feira, 15 de abril de 2015

EXCESSO DE RITO BANALIZA A LITURGIA

Os ritos de entrega na catequese

A catequese de INICIAÇÃO A VIDA CRISTÃ - que costumamos chamar de IVC simplesmente - preconiza um "retorno" aos primeiros tempos da nossa Igreja. À Igreja construída pelos apóstolos de Cristo nos primeiros séculos.

Obviamente que este "retorno", carece de atualização aos tempos atuais. Então, o que temos visto é a orientação da Igreja e de vários padres estudiosos do tema, para que se faça uma catequese de "inspiração catecumenal", lembrando alguns preceitos do CATECUMENATO", como era chamada a catequese naquele tempo.

Isto pode ser estudado nas publicações da CNBB, principalmente no Estudo 97Iniciação à Vida Cristã, e na 3ª Semana Brasileira de Catequese, assim como em vários livros de autores como: Pe. Antônio Lelo, Pe. Luiz Lima, Pe. Lucio Zorzi, Pe. Leomar Brustolin, Pe. Almeida e vários outros.

Mas, o que eu considero (pessoalmente), o grande "entrave" para nós catequistas, a respeito da IVC, é que ela é destinada principalmente a catequese de adultos que:
Ø  não receberam os sacramentos da iniciação;
Ø  não complementaram sua catequese e;
Ø  ao "resgate" dos adultos que foram catequizados, receberam os sacramentos e, no entanto, não foram devidamente evangelizados e acabaram por se afastar da Igreja. Não houve a terceira etapa da evangelização que é o “seguimento”.

E nós, tão acostumados a catequese com crianças e, no máximo, adolescentes e jovens até os 15, 16 anos, nos vimos, de repente, no "olho do furacão".

A máxima de que: "criança se acolhe e se evangeliza adultos", tem dado um nó na nossa cabeça. E as pastorais catequéticas assumiram, praticamente sozinhas, a iniciação inspirada no processo catecumenal. A tal IVC - que é para adultos - e a gente quer adaptar à catequese das crianças. Como? Onde? De que forma?

Isso tem sido uma confusão só e temos vários casos acontecendo:

1 - Algumas dioceses e algumas paróquias, isoladas até, tem tomado "pé da coisa" e entendido que, para se voltar à Catequese Catecumenal ou para se implantar uma IVC de verdade, é preciso uma "reviravolta" inteira da Igreja: CPP, presbíteros, todas as pastorais, grupos e movimentos; precisam se envolver para que isso funcione, não só a catequese como uma pastoral "isolada". E devagar estão fazendo a IVC acontecer.
2 - Encontramos também algumas "implantações" da IVC aos moldes das próprias dioceses. Adaptações desta ou daquela orientação às características locais, com nomes os mais diversificados possíveis.
3 - Outras, no entanto, tem se voltado exclusivamente para a "implantação dos ritos" descritos no RICA (Ritual de Iniciação Cristã de Adultos), livro litúrgico da Santa Sé que disciplina a liturgia da Iniciação Cristã Catecumenal.
4 - E a grande maioria que, nem sequer sabe do que estou falando.

Bom, por aí se vê, o quanto é difícil falar de uma realidade tão equidistante uma da outra. Mas, a minha fala de que "excesso de rito banaliza a liturgia" se deve principalmente ao 2º e 3º caso que citei.

Tem se cometido alguns equívocos misturando um pouco a utilização do RICA e a implantação de uma catequese mais "mistagógica".
Vamos tentar "separar" um pouco os dois:

O RICA disciplina os ritos da Iniciação cristã de adultos e os sacramentos dela: batismo, crisma e eucaristia. E tem, para se adequar a realidade de hoje na Igreja, um capítulo destinado à iniciação de crianças em idade de catequese. Estes ritos fazem parte da catequese mistagógica. Mas, não é só isso que faz uma catequese mistagógica.

A "catequese mistagógica" pede que se volte a "conduzir" os catequizandos ao mistério da fé. Mistério este que prescinde de simbologia, ritos e uma volta ao sentido do "sagrado". Para isso encontramos várias orientações de celebrações catequéticas. Celebrações, ritos e momentos orantes, que podem ser feitos nos encontros de catequese e não só na celebração da missa com a comunidade.

Precisamos pensar que a Liturgia da nossa Igreja - e aqui vou simplificar para "missa" - tem suas orientações e sentidos. Ela é sagrada, milenar e regida por orientações específicas. Nem todos os "ritos" e "entregas" da catequese, "cabem" nela. O que cabe, está descrito no RICA. Mas, o que vemos em alguns casos são entregas de: mandamentos, sacramentos, dons do Espírito Santo, Bem Aventuranças, mandamento do amor... etc., etc. - feitos todos durante a celebração da missa!

Para clarear um pouco mais, voltemos agora ao RICA, que prevê o catecumenato em quatro tempos: Pré-Catecumenato ou primeiro anúncio; catecumenato (catequese e tempo mais longo); Purificação e Iluminação (Quaresma) e; Mistagogia (tempo pascal onde se inicia o serviço pastoral/missionário). E é entre estes "tempos", temos as três grandes passagens de etapa.

Ø  Depois do pré-catecumenato (conversão), o candidato é acolhido na comunidade e se faz o Rito da Admissão (acolhida)- 1ª ETAPA;
Ø  ao se passar do Catecumenato (catequese) para a Purificação, é feita outra "eleição" aos sacramentos - 2ª ETAPA; e na purificação é feita uma preparação especial nos domingos da quaresma para que no sábado santo se receba os sacramentos da iniciação. Vejam só, os SACRAMENTOS recebidos aqui é o marco da passagem ao último tempo, que é;
Ø  a 3ª ETAPA, chamada de mistagogia, onde se aprofunda e se mergulha no mistério cristão, no mistério pascal, na vida nova e onde se faz uma vivência na comunidade cristã para, então, adaptar-se a ela e ser um verdadeiro discípulo missionário de Cristo.

Durante o tempo do catecumenato (Catequese propriamente dita), o RICA prevê algumas entregas de símbolos: 
- NA ADESÃO (passagem do pré-catecumenato ao catecumenato):
Ø  entrega da PALAVRA (Bíblia), aqui, no rito da acolhida (descrito também do RICA), pode ser entregue uma cruz ao candidatos;
- NO CATECUMENATO, precedidas de uma catequese adequada sobre isso:
Ø  entrega do SÍMBOLO (Credo),
Ø  entrega da ORAÇÃO DO SENHOR (Pai Nosso).

Pronto. Não existem mais "entregas" de símbolos previstos no RICA.

Existem sim, vários RITOS que podem ser feitos: Rito do Éfeta, Rito da Unção, Exorcismos (orações), Bênçãos, rito penitencial, Escrutínios (são feitos três a partir do 3º domingo da Quaresma).

E aqui vale uma orientação para que todos procurem o RICA para conhecer a beleza dos ritos de iniciação cristã de nossa Igreja. Lembrando sempre que o RICA é um LIVRO LITÚRGICO de apoio à catequese de Iniciação a Vida Cristã, com orientações preciosas. Mas, não se pode seguir um "ritual" sem que se faça catequese antes.
E nem se pode "inventar" entregas de símbolos nas celebrações litúrgicas (missa).

É claro que podemos enriquecer muito nossa catequese valorizando as grandes colunas da nossa fé: Mandamentos, Sacramentos, Bem Aventuranças; fazendo celebrações CATEQUÉTICAS, ou seja, celebrações nos encontros de catequese, com o grupo, com a presença de um diácono ou até do padre, com a presença da família, padrinhos, sem que estas envolvam, necessariamente toda a comunidade e mude a liturgia da Missa.

O catecumenato há muito foi abandonado pela nossa Igreja, nem mesmo nossos pais e avós conhecem os ritos usados pela Igreja na antiguidade. Sempre que possível, fazer uma catequese com a família sobre a simbologia e os ritos que pretendemos resgatar.

Enfim, é isso que eu quis dizer com "excessos de ritos e entregas banalizam a missa e a liturgia". As entregas dos símbolos e os ritos da iniciação são especiais demais para que se faça "por fazer", somente porque é "bonito". A comunidade precisa sentir o quão especial são os ritos e entregas e não achar que é um ritualismo desnecessário e "demorado" que algum catequista "inventou". Infelizmente muita gente vai à missa com o tempo "cronometrado" no relógio. Importante tentar mudar isso, façamos com que eles se "apaixonem" pela nossa Igreja e queiram voltar sempre e não, se aborrecer com a demora em acabar.

Outra coisa: os ritos do catecumenato foram pensados, em princípio, PARA ADULTOS, maduros, conscientes do que querem para si. Nós fazemos catequese com crianças que, muitas vezes, ainda não tem capacidade e maturidade para entender o mistério da fé e não sabem exatamente, que "escolha" estão fazendo agora. Cabe aqui, nossas orações para que estes ritos e entregas sejam momentos "marcantes" o bastante em suas vidas para que eles busquem sempre conhecer e aprofundar a sua fé.


Catequista

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A EUCARISTIA E A COMUNIDADE DO CATEQUIZANDOS

Uma questão que tem rendido desencontros em nossas comunidades está ligada ao local onde a celebração da Primeira Eucaristia deve acontecer. Alguns, simplesmente por questão de status, querem a matriz ou a igreja “mais bonita”; outros defendem a ideia de uma cerimônia reservada, em um local neutro, longe das pessoas que frequentam normalmente a vida litúrgica da comunidade; outros, ainda, têm boas razões para querer que a celebração aconteça na própria comunidade onde moram as crianças, seja na igreja ou capela, se houver, ou no local onde os membros da comunidade normalmente se reúnem para as suas liturgias.

As duas primeiras posições parecem contrariar, na essência, o que a celebração significa e realiza! A última alternativa aponta para a opção melhor e mais coerente. O templo, ou local do encontro dos irmãos na fé, é um referencial e um sinal sagrado da vida comunitária, seja uma igreja matriz, uma capelinha do bairro ou mesmo um salão. Na verdade, o local é muito mais que “um local”. Seu sentido simbólico transcende qualquer outro atributo, seja estético ou prático, isto é, a beleza do local não é o mais importante para uma comunidade, e sim o quanto, ali, os membros daquela comunidade vivem sua fé e a alimentam, na oração e na unidade. Ele representa a caminhada das pessoas que nela se reúnem e rezam, é ponto de chegada e de partida das mais diversas experiências de fé e de escuta da Palavra, é sede de decisões e de iniciativas em favor do bem comum... E é, sem dúvida nenhuma, o local privilegiado para se realizar a celebração da Primeira Eucaristia, se nele os catequizandos já participaram e participarão de muitas outras celebrações litúrgicas. Status e aparências contradizem o sentido da própria Eucaristia!

Se os catequizandos e familiares estão inseridos na vida de uma comunidade, é mais do que necessário e significativo que esses irmãos na vivência eucarística participem, acolham, apóiem, se entusiasmem e vibrem de satisfação, unindo-se às alegrias dos que são introduzidos na comunhão plena da Igreja. Desse modo, além de ajudar na realização da festa eucarística, toda a comunidade se comprometerá em ser exemplo e incentivo para que os catequizandos continuem perseverantes na participação das celebrações e da vida em comunidade.

Pe. Vanildo Paiva
Especialista em Catequese e Liturgia

sábado, 11 de abril de 2015

SOBRE A MISSA DA CATEQUESE...


Na verdade a missa "da catequese", mesmo sendo considerada "DA" catequese, se for de alguém, é de toda comunidade. O que acontece é que o pároco disponibiliza um horário de missa para que os catequizandos e suas famílias participem dela, celebrem junto com os adultos ou, em alguns lugares, até sem eles. Mas na grande maioria das paróquias a missa ainda é, DE TODA A COMUNIDADE.

Durante muito tempo eu me vi preocupada, como a maioria dos catequistas, com a baixa "frequência" dos catequizandos nas celebrações litúrgicas. E me preocupei, como muitos, em fazer de tudo e mais um pouco para que, nossos pequenos fiéis lá estivessem, naquele dia e horário...

E já fui, confesso, entusiasta de teatrinhos, showzinhos e muitos "inhos" mais... Mas, estudando liturgia mais a fundo eu vi que, na verdade, estamos totalmente equivocados quando mudamos o rito em prol da "presença" das crianças. 

Explico: Vocês já pararam para pensar o que é essa "presença" das crianças na celebração? Na festa, no banquete do Corpo e Sangue de Cristo, sendo que elas nem sequer participam ainda dele? Se temos que "exigir" presença dos catequizandos, que seja depois que eles fizerem a primeira eucaristia, ou seja, dos crismandos, pois estes sim, já podem perfeitamente participar em comunhão com toda a assembleia de fiéis. E normalmente deles não se exige nada... "Ah! Adolescente é difícil... deixa eles."

Obviamente que é importante a presença das crianças na missa. Mas... COM OS PAIS! COM A FAMÍLIA!

A família, essa instituição que a gente enche a boca pra falar que é "a primeira catequista das crianças", fica de fora na hora de dar o exemplo? Que sentido existe numa missa com crianças onde os pais ficam em casa? O que as crianças pensam em ter que participar de um "negócio" que os pais não gostam de participar e vivem arrumando desculpas para não fazer?

Gente, a missa NUNCA será e terá VALOR para uma criança se o pai e a mãe não DEREM esse valor!

Missa = celebração da comunidade povo de Deus.  Missa ≠ “hábito”.

Mas o que tenho percebido é que temos insistido na presença das crianças na missa como se fosse uma espécie de "exercício" para adquirir um "hábito", um "costume", uma "rotina", enfim... E temos visto que não funcionou com os pais delas... Missa é hábito? É costume? É rotina?  Ou é o encontro de nossas vidas cotidianas com Deus, com Jesus na Eucaristia?

Uma coisa eu digo: Nenhum adulto deveria frequentar a missa porque foi "treinado" na catequese pra não faltar missa.  E se muita gente frequenta a missa por "hábito", explica-se o fracasso que tem sido nossa evangelização nestes últimos tempos...

Para viver verdadeiramente a celebração litúrgica a pessoa precisa adentrar e viver o "mistério" da fé. Precisa se entregar ao ritual: pedir perdão pelas falhas cotidianas; louvar e glorificar a Deus onipotente; escutar a Palavra; professar a fé; fazer preces pela comunidade; oferecer os dons que possui; lembrar do sacrifício de Jesus; fazer a oração que fala diretamente ao Pai; santificar-se e renovar-se na comunhão; levando isso tudo lá para fora, para a vida, que se começa após cada comunhão.

E, para quem VIVE VERDADEIRAMENTE a missa como memória da vida, morte e ressurreição de Cristo, ela jamais será repetitiva, "hábito", "costume" ou rotina.

Portanto, dou um conselho a vocês catequistas: Parem de tratar esse assunto, da falta das crianças na missa, como uma verdadeira "tragédia". Parem de se descabelar e plantar bananeira lá no altar pra chamar atenção. Parem de fazer show de bonecos, marionetes, contar historinha de bichinhos, criar personagens fictícios como exemplo. Exemplo de verdade são pessoas! E essas pessoas estão na casa delas! Quando as crianças crescem ou vão numa missa sem essa parafernália toda, o sentimento delas é de traição! Sim. Elas se sentem traídas por vocês! Cadê os bonecos? Cadê a bicharada contando historia? Cadê o pirulito, a bala, o pãozinho? "Ah! Missa então não era tudo aquilo? Não tem mais teatrinho?".

A missa, se formos falar como "catequese", precisa ser mais intensamente vivida quando o sacramento da Eucaristia se encontra próximo. Aí sim, é interessante que o catequista valorize a celebração, peça as crianças que participem dela a cada domingo, que vão observando os ritos, que perguntem o que não entenderam, que falem de suas dúvidas.

Mas, NÃO DÊ AULA DE MISSA! Não trate a missa como uma questão de biologia a ser dissecada e olhada no microscópio em todos os seus "pedaços". Quando trabalhamos o sacramento da Eucaristia na catequese, nós estamos explicando a missa! Quando levamos as crianças para conhecer o espaço sagrado e mostramos o que significa os símbolos, os objetos e tudo mais... Estamos explicando a missa! Mas deixe-os vivê-la, eles mesmos, em seus mistérios! Porque "mistério" não se explica! 

Quando encontro meus catequizandos na Missa eu fico muito feliz! vou cumprimentá-los e AOS SEUS PAIS e demonstro minha alegria em encontrá-los. Mas, se não os vejo, se eles não vão... eu não cobro, acuso ou faço "chantagem". Nenhuma criança de 11 anos decide a vida sozinha ou aonde quer ir. Eles sabem que amo encontrá-los e vão quando se sentem bem em fazê-lo. Outro dia, eu estava quieta lá no meu banco em oração e alguém me bate nas costas: era um dos meninos da catequese para me dar um abraço. No dia do catequista, na saída da missa lá estava uma das minhas catequizandas, que raramente vai à missa, me esperando com um vasinho de flores pra me presentear. E quando tenho oportunidade de ajudar na organização, convido-os para fazer o ofertório, leituras, preces, entrar com símbolos... Para que eles, aos poucos, adentrem a beleza desse rito que marca a nossa fé e nossa vida de cristãos. Convido, nunca imponho. E quando peço ajuda, eles vão.

E ainda há, em muitos lugares, folha de "presença" de missa, carteirinhas, figurinhas e muitos "comprovantes" para apresentar depois à catequista (esta pode faltar à missa!). Mas, será que esta é a solução? Queremos presença ou pertença?

Liturgicamente falando, a Missa é a celebração da fé, a memória do sacrifício de Jesus, o banquete da comunidade. Bem, que festa e banquete é esse que precisamos "obrigar" as pessoas a irem? Jesus convida. Quem não se sente convidado, não vai. Quem não entende o convite, não vai. Quem ainda não tem "amizade" com Jesus, não vai e se está "intimado" a ir, vai de má vontade. Resumindo: quem NÃO ESTÁ CONVERTIDO não vai. Quem foi que disse que qualquer pessoa é obrigada a ir à missa se está fazendo catequese??? Nem à catequese as pessoas devem ser obrigadas a ir! 

Sabe quando a missa vai deixar de ser um problema para a catequese? Quando começarmos a nos preocupar em realmente EVANGELIZAR as pessoas, quando nos preocuparmos com o ENCONTRO, não só o nosso encontro semanal, mas, AQUELE encontro, de cada um com a pessoa de Jesus Cristo. A ida à missa, não deve ser simplesmente uma "ida", ela deve ser uma necessidade do nosso coração.

O que mais pode ajudar as crianças a gostarem de estar na Igreja? 

CRIANÇAS não se mandam, não fazem as coisas sozinhas, precisam de alguém que lhes direcione, dê testemunho, exemplo. Se os pais não estão evangelizados, como exigir deles que deem um testemunho que não vivem? E sejamos bem francos: a missa não foi feita para crianças! Ainda mais aqueles que ainda nem comungam. Como querer que, no melhor da festa, elas fiquem só olhando? 

Para que uma missa COM crianças seja frutífera, é preciso envolvê-los nela, dar-lhes pequenas tarefas, envolvê-las na música, que a homilia e toda a ação do padre seja carismática, voltada para uma linguagem que as crianças entendam. Nenhuma criança é capaz de ficar sentada quietinha, durante mais de uma hora, prestando atenção num rito que não faz parte da vida dela. Por isso a necessidade de fazê-las interagir com o rito, participar dele como agentes ativos e não passivos.

Que seja feita uma acolhida diferenciada a eles, que o sacerdote fale uma linguagem que eles entendam, que os chame em alguns momentos, que eles se sintam bem vindos, que possam ir tomar água quando tem sede, fazer xixi se der vontade, que não fiquem sendo "cutucados" a toda hora sobre o "certo" e "errado". E que escutem "historinhas" da boca do padre, porque lá, o catequista é ele e não nós.

Ângela Rocha
Catequista

sexta-feira, 3 de abril de 2015

NOSSA SEMANA SANTA...


Tão comum e parte de nossas vidas, a Semana Santa para nós católicos, muitas vezes, dispensa explicações. No entanto, precisamos considerar que muitas das tradições que viveram nossos avós, hoje são desconhecidas por nós e por nossos filhos. A beleza das celebrações e ritos é ignorada e trocada pelas muitas ocupações que acabamos arrumando nesta semana, que, por ter o feriado na sexta-feira, não raras vezes, torna-se um final e semana de “férias” para muitas famílias.

A Semana Santa é muito mais que uma tradição religiosa católica que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo. Ela é o ápice e a coroação da fé em Jesus Cristo Salvador. Ela se inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, depois de ter ficado quarenta dias em provação no deserto, e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no Domingo de Páscoa.

Domingo de Ramos: O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a celebração da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos e entrou na cidade como um rei, mas sentado num jumentinho (símbolo da humildade) e foi aclamado pela população como o Messias, o rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de Davi!". No entanto, dali a poucos dias, Jesus é preso e condenado.

Segunda-Feira Santa: É o dia onde se recorda a prisão de Jesus Cristo. A liturgia deste dia traz a maldição da figueira, um prenúncio da sua morte e a expulsão dos vendedores do templo, o que incita mais ainda sua prisão e condenação.

Terça-Feira Santa: Terceiro dia da Semana Santa, onde são celebradas as Sete dores de Nossa Senhora. E muito comum também por ser o dia de penitência no qual os cristãos cumprem promessas de vários tipos. Também se faz  memória do encontro de Jesus e Maria no caminho do calvário.

Quarta-Feira Santa: É o quarto dia da Semana Santa. Em algumas igrejas celebra-se neste dia a piedosa Procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebram o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da morte de Jesus.

Quinta-Feira Santa: É o quinto dia da Semana Santa e, na manhã deste dia, nas catedrais das dioceses, os bispos se reúnem com o seu clero para celebrar a Missa dos Santos Óleos ou Celebração do Crisma, na qual são abençoados os óleos que serão usados nos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos ao longo do ano. Com essa celebração se encerra a Quaresma. A Quinta-feira já é considerada parte do Tríduo Pascal. Neste mesmo dia, à noite, são relembrados os três gestos de Jesus durante a Última Ceia: a Instituição da Eucaristia, o Lava-pés, com a instituição de um novo mandamento (ou "ordenança") segundo algumas denominações cristãs e a instituição do sacerdócio. É neste momento que Judas Iscariotes sai para entregar jesus por trinta moedas de prata. E é nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e, no amanhecer da sexta-feira, açoitado e condenado.

A igreja fica em vigília junto ao Santíssimo, relembrando os sofrimentos de Jesus, que tiveram início nesta noite. A igreja já se reveste de luto e tristeza, desnudando os altares (quando são retirados todos os enfeites, toalhas, flores e velas), tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontecer. Também cobrem-se todas as imagens existentes no templo, com panos de cor roxa.

Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão: É quando a Igreja recorda a morte de Jesus. Pode-se encenar a Via Sacra. É celebrada a Solene Ação Litúrgica, paixão e a Adoração da Cruz. A recordação da morte de Jesus consiste em quatro momentos: A Liturgia da Palavra, a Oração Universal, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão. Presidida por presbítero ou bispo, os paramentos para a celebração são de cor vermelha.

Sábado Santo ou Sábado de Aleluia: É o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam sua ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, como disse Santo Agostinho, que se inicia com a Bênção do Fogo Novo e também do Círio Pascal; proclama-se a Páscoa através do canto do Exultet e faz-se a leitura de 8 passagens da Bíblia (4 leituras e 4 salmos) percorrendo-se toda história da salvação, desde Adão até o relato dos primeiros cristãos. Entoa-se o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o Batismo dos adultos que se prepararam durante toda a quaresma. A celebração se encerra com a Liturgia Eucarística, o ápice de todas as missas.

Domingo de Páscoa: É o dia mais importante para a fé cristã, pois Jesus vence a morte para mostrar o valor da vida. Esse dia é estendido por mais cinquenta dias até o Domingo de Pentecostes. Costuma-se celebrar a missa bem cedo, quase ao amanhecer e despertar a comunidade com sinos.


Fontes: Diversos/internet.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O LIMITE DA CORAGEM

Falamos muito no perfil do catequista, no quanto essa pessoa deve ser exemplo e referência na comunidade. Temos seis páginas e meio dedicadas ao assunto no Diretório Nacional de Catequese. No item 262 do DNC, encontramos a seguinte definição de catequista: “Ser catequista é assumir corajosamenteo Batismo e vivenciá-lo na comunidade cristã”. Esse grifo no “corajosamente” é meu e é proposital.

Gostaria de refletir um pouco sobre a coragem. A palavra no dicionário encontra-se assim definida: firmeza de ânimo, energia para enfrentar o perigo, os reveses, os sofrimentos físicos ou morais, intrepidez, bravura, ousadia, valor. Mas é na origem etimológica da palavra que se encontra a melhor definição. Coragem vem do latim Cordis que significa coração, assim, coragem é fazer as coisas com o coração. É pôr energia e vontade naquilo que se faz. Sem dúvida o catequista ou a catequista, precisam ser corajosos, agir com firmeza e determinação. Não ter medo de enfrentar os reveses, nem as aflições que acompanham essa nobre missão. E os reveses são muitos e constantes. O catequista medroso, não dura, não agüenta o “repuxo”. Mas até onde vai essa coragem?

Busquemos agora, no mesmo dicionário, qual é o limite da Coragem. Ele se chama Temeridade. O temerário é o audacioso, arrojado, imprudente, precipitado, audaz. É o guerreiro que enfrenta as batalhas sem armas, sem preparo, de peito aberto. Com “a cara e a coragem”, como se diz. Assim como o contrário da coragem é o Medo, o contrário da temeridade é a Cautela. Não podemos ter medo, mas, precisamos da cautela.

Para melhor ilustrar o tema preciso contar a história da Karine. Ela ainda é jovem, tem uma filha de oito anos e veio à nossa paróquia em busca de catequese para a filha. No início do ano passado, a filha da Karine ainda não tinha idade para entrar no primeiro ano de preparação e como não temos Pré-catequese, karine foi embora. Perguntou na coordenação se não precisávamos de catequista e recebeu a seguinte resposta: “Não, não estamos precisando”. Neste ano, novamente, ela se ofereceu e trouxe a filha. Novamente não podemos acolher sua filha e novamente, não precisávamos de catequista. Karine voltou para casa e comentou com o marido: “Pôxa, eles vivem dizendo que faltam catequistas na Igreja e quando vou lá eles me dizem não!”. “Calma.”, aconselhou o marido: “um dia vai dar certo”.

E Karine insistiu. Telefonou para a paróquia e por acaso, atendi ao telefone. Queria por a filha (que faz nove anos em janeiro) na catequese nem que fosse para repetir a primeira etapa no ano que vêm. Eu perguntei a ela se acreditava que a filha podia acompanhar as outras crianças numa boa. Ela me garantiu que sim, que a filha queria muito freqüentar os encontros de catequese, que ela e o marido freqüentam a Igreja sempre e que está disposta a ajudar à catequese da filha. “Então, vamos colocá-la na catequese!” Como os nossos encontros já estavam acontecendo desde fevereiro, pedi a ela que frequentasse a formação inicial para pais numa outra paróquia onde a catequese ainda não havia começado. Karine foi. Precisava freqüentar apenas três celebrações da Semana Catequética. Freqüentou todas.

Voltou e, conversando, me contou que havia sido catequista na área rural onde morara. Ofereceu-me ajuda na catequese. Aceitei muito feliz: tenho duas turmas de terceira etapa com 20 crianças em cada. Naquela mesma semana, uma de nossas catequistas teve que deixar a turma porque começou a trabalhar e estudar. Não tive dúvidas: convidei a karine para assumir aquela turma. Ela se mostrou disposta e animada. E se ofereceu para me auxiliar com minhas turmas.

Sem dúvida Karine é um exemplo de coragem e de persistência. Ouviu o chamado e, apesar dos reveses que encontrou, corajosamente continuou insistindo, mesmo recebendo “nãos” pelo caminho. Corajosa, também, por retornar depois de dois anos fora da catequese. Mais corajosa ainda por propor-se a ser catequista no sábado e auxiliar em outra turma na quarta-feira.

Mas Karine também é temerária. Não na catequese. Ela se mostrou responsável. Pediu material e conteúdo para se preparar e se atualizar. Não foi para a batalha sem armas, pediu auxílio, conselhos, orientação. Está animada para fazer as formações ao longo do ano.

Karine mostrou-se temerária de outra forma. Nesta quarta-feira, ao atravessar a Praça da Catedral, indo ao encontro de catequese, viu uma “briga”. Um rapaz, armado de uma faca, tentava atacar um homem. Já havia ferido a vítima uma vez. O homem sangrava. Karine estuda enfermagem e seus instintos se aguçaram. Quando foi prestar socorro, observou que o rapaz continuava atacando o outro e ninguém dos espectadores tomava uma atitude. Não teve dúvidas. Entrou no meio da aglomeração e temerariamente, segurou o braço do agressor. Ao saber que se tratava de uma “briga” entre “famílias” (o rapaz estava agredindo o pai da moça que ele queria namorar e que fora proibido, levando inclusive uma surra do pretenso sogro), Karine, segurando o braço do rapaz, aconselhava: “Larga essa faca! Você vai matar o outro! Você vai estragar a sua vida, da sua namorada! O que é isso? Fica calmo!” Nisso, outras pessoas começaram a ajudar, chamaram a polícia e tudo se acalmou.

Nós, catequizandos e eu, observávamos da frente da Igreja todo aquele movimento. As crianças queriam ver o que estava acontecendo, tive que segurá-las. Um dos meninos chegou a me dizer: “Nossa catequista tá lá, Tia!”. Acalmados os ânimos, recolhidas as crianças, chega Karine. Perguntamos o que estava acontecendo na praça e ela nos contou. Estava tremendo, com dor no braço pela força que fez para segurar o rapaz, nervosa. Perguntamos à temerária Karine: “Você não ficou com medo?” “Não pensou que podia ser ferida?” “Não sabe que é perigoso enfrentar pessoas armadas?”.

A corajosa Karine respondeu: “E eu ia deixar que uma pessoa matasse a outra sem fazer nada?”. Karine, nossa CATEQUISTA, Graças a Deus, assumiu corajosamente o seu Batismo na Comunidade Cristã e, sim, um pouco temerária, correu risco de vida, mas provou que seu Espírito, o Espírito de Deus, que mora dentro do seu coração, é a prova de fogo e de facas!

Ângela Rocha
(19/03/2009)

segunda-feira, 30 de março de 2015

FELIZES AQUELES QUE ACREDITAM

Hoje foi meu quarto encontro com as crianças da catequese. Tenho onze crianças agora para evangelizar: “fazer ecoar a palavra de Deus”. E eu levo isso muito a sério! Semana que vem, não teremos encontro na quarta. Então fizemos nossa páscoa hoje.

Levei para cada um, um saquinho de doces e um cartão: “Mais doce que o chocolate é o enorme amor de Jesus, que morreu na cruz por nós!”.

Apesar de ensinar metodologia nos encontros de formação, minha metodologia, às vezes, é um tanto diversa daquela que tem escrito nos livros. Procuro sempre copiar Jesus: acolho, escuto, ensino com a palavra, e deixo que eles se iluminem com aquilo que entenderam. Não sigo uma regra de: Acolhida, oração inicial, motivação, leitura, atividades de fixação, compromisso... O método ver-julgar-agir-rever é ótimo, mas com crianças é preciso saber adaptar isso aos momentos “deles”.

Para começar, se formos seguir um cronograma de encontro de fio a pavio, corremos o risco de fazer orações mecânicas, leituras mecânicas, atividades chatas e falar de compromissos que ninguém vai seguir. Então em alguns encontros não fazemos orações. Algumas vezes as crianças estão tão dispersas que nem sabem o que estão falando...

E deixo que eles se “iluminem” com a Palavra sem forçá-los a acreditar no que EU acredito. Meu entendimento das Escrituras Sagradas jamais vai ser o de uma criança de dez ou onze anos, então, deixo que uma mente de dez anos veja Jesus com uma mente de dez anos, não com uma de quarenta e três.

E isso, por vezes, não é fácil! Hoje lemos a passagem de João 20, 19-29, que fala de Tomé. Que não acreditava na ressurreição se não pudesse ver com os próprios olhos, a Jesus e suas chagas. A atividade consistia em pedir a eles que me dissessem o que tinha entendido quando Jesus disse: “Felizes daqueles que crêem sem ter visto”. Bom, pra um adulto é fácil (ou não...). Imediatamente nos vem a mente que a Fé é a crença no mistério da ressurreição do Senhor. Mesmo sem termos estado lá para ver.
E para uma criança, o que é isso?
Lemos a passagem mais de uma vez e mesmo assim as crianças tiveram dificuldades em me dizer afinal, o que Jesus queria dizer com aquilo. É por isso que odeio “seguir roteiro”. Quando vi que aquilo que tinha nas mãos parecia ser “vazio” para minhas crianças, tive vontade de pegar aquele roteiro, rasgar, mastigar e cuspir pela janela...

Então partimos para o mais factível. Vocês já viram Deus? Como ele é? Não, ninguém viu. Só imaginam Deus. Vocês já viram Jesus em carne e osso? Ao vivo não. Jesus eles já viram nas imagens, na cruz na Igreja, na imagem do Sagrado Coração no altar. E vocês acreditam em Deus? Acreditam em Jesus? Acreditam que ele morreu crucificado e dali três dias acordou de novo? E a resposta foi um unânime e sonoro: Sim!!! Então chegamos a seguinte conclusão: Somos todos felizes.

Sendo assim, deixamos roteiro pra lá e fomos para a Praça do Santuário sentar aos pés da cruz comendo nossos chocolates de páscoa enquanto eu contava das antigas tradições. Eles amaram a história de que antigamente as pessoas apagavam as luzes das velas e lampiões e até do fogão, na Sexta-Feira Santa e só iam acender no sábado, com o fogo novo, que era feito no pátio da Igreja e aceso com pedras. Nossa, Tia! Você sabe acender fogo com pedra? E falei do Rito Medieval do Ofício das Trevas. E falei do Lava-pés, que o padre lava e beija os pés dos fiéis, da denudação do altar, da benção da água do Batismo, da Vigília, que antigamente a Primeira Eucaristia era no Sábado, que havia toda uma preparação especial para esse momento, da missa da Ressurreição, do som maravilhoso de todos os sinos tocando e da beleza do Glória a Deus. Resumindo: Deixei-os doidinhos para ver tudo isso acontecendo! Pobres pais que vão ter que ir a Igreja nessa Semana Santa, mesmo não querendo...

E nós fizemos a oração do Pai-Nosso. Lá no meio da praça com todo mundo passando e olhando... Que catequista doida!

Ângela Rocha
Catequista Amadora (aprendendo, aprendendo...)

(25/03/2010)

quarta-feira, 25 de março de 2015

POR ONDE COMEÇO? Gênesis ou os Evangelhos?

Como deve ser um itinerário de catequese com relação à Bíblia e seus ensinamentos? Como se pode trabalhar o “Seguimento a Jesus” usando os ensinamentos do Antigo Testamento?

Por mais que o catequizando venha de uma família onde tenha recebido os primeiros ensinamentos de fé, devemos começar a catequese "apresentando" Jesus ao catequizando, fazendo-o "acolher" Jesus em seu coração, acreditando nele. É a conversão mostrando as ações Dele nos Evangelhos. E o "seguimento" só vem depois da conversão, para seguir Jesus é preciso então saber "de onde Ele veio", o que fez com que Deus mandasse à terra, seu único filho? Para isso é preciso conhecer a história da salvação contida no Antigo Testamento. No entanto, é preciso frisar que esta etapa da catequese de crianças, ainda não exige um estudo aprofundamento do AT. Pode-se apresentar a criação relacionada ao grande amor de Deus por nós ao nos fazer “senhores” de todas as criaturas e da natureza e, assim, responsáveis por ela. Em seguida o início das alianças com os patriarcas e a história do povo escolhido por Deus: reis, juízes, profetas; mesmo assim, relacionando sempre com os Evangelhos. Depois, numa terceira etapa vem o conhecimento dos sacramentos e da Igreja, ou seja, ali é que se "adere" realmente à causa maior de Jesus, o "Reino de Deus". É trabalhando na comunidade ajudando aos outros e sendo discípulo missionário que se adere de verdade à fé.

Jesus veio para fazer uma "Revelação", que somente por Ele se chega ao Pai. É por meio dos ensinamentos de Jesus que chegamos ao Pai, bondoso, amoroso, que perdoa e cura. Se começarmos a catequese pelo Antigo Testamento, que Deus os catequizandos conhecerão primeiro? Aquele Deus dos patriarcas, exigente e que castiga o homem pelos seus erros, muitas vezes, até sem piedade? Será que é este Deus que converte? Não seria melhor primeiro aprender de Jesus o quanto o Pai é bom e só depois conhecer a caminhada do povo escolhido?

Assim como temos catequistas que acreditam que a catequese deve ser “ordenada” pelos livros da Bíblia, ou seja, do Gênesis ao Apocalipse, muitos acham que focar o Antigo Testamento pode se mostrar sem necessidade. De forma alguma ele pode ser ignorado, afinal, trata-se da Tradição e origem da nossa fé. Mas, é preciso dar o "foco" que se deve, à luz de hoje, do mundo de hoje, da pedagogia de hoje.

Por exemplo: ao falar do Gênesis, valorizar a criação, a natureza, os animais e os homens criados por Deus; ao citar os patriarcas estamos falando de um povo "escolhido" por Deus, de Abraão, de Moisés, que deixaram tudo que tinham por "confiança" em Deus; juízes, reis, como as várias tentativas de se juntar um povo em torno de uma mesma fé; e os profetas como aqueles que vinham preparando o caminho para a chegada do Messias. Tudo tem importância. Claro que algumas leituras são mesmo muito difíceis de entender e podem ser deixadas para quando houver mais maturidade.

Outra coisa, os Mandamentos da Lei de Deus estão entre as bases da nossa fé. E eles estão no AT. Como não falar de como eles foram passados ao homem? Lembra-se de Jesus com os discípulos de Emaús: Ele falava e "explicava" as Escrituras. Que escrituras? As que ele conhecia: a fé judaica, o Pentateuco (Torá) e os profetas. E ainda Jesus falando: ele não veio para desfazer as leis e sim para acrescentar uma nova, o amor.

Ângela Rocha

Catequista

O QUE SIGNIFICA MEMORIZAR AS ORAÇÕES ATRAVÉS DO MÉTODO MISTAGÓGICO?

Santa Teresa D'Ávila
Orar é “falar com Deus”.  A oração autêntica é aquela que transforma a pessoa, para orar de verdade a pessoa precisa se recolher em si mesma. No mundo de hoje somos projetados para "fora", damos importância demais ao que acontece ao nosso redor e esquecemos-nos de olhar para dentro da gente.

Por isso, ao orar com os nossos catequizandos precisamos nos desprender um pouco do "roteiro". Normalmente a gente chega e já é de praxe que todos se levantem, rezem o Pai Nosso, Ave Maria, Santo Anjo ou outra oração. E, quase sempre, esta oração é vazia. As crianças estão ali agitadas, querendo contar as novidades, conversar com os colegas, querem ser vistas e querem atenção... E nós queremos que elas calem a boca para que possamos começar o encontro!

A oração é antes de tudo a "busca" de Deus, ela precisa ser pessoal, silenciosa, contemplativa. Aí nos esbarramos num “porém”: crianças não conseguem isso com facilidade! A capacidade de abstração de uma criança é bem pequena. Por isso a importância do ambiente: de uma vela acesa, da bíblia, de incenso, da água benta, do silêncio, respiração pausada, olhos fechados. Então precisamos ensinar ás crianças que a oração é uma “conversa”, onde se “escuta” mais do que se fala. Orar é uma relação de amor, é criar uma relação de amizade com Deus, onde ele te escuta e, mesmo sem parecer que responde, Ele age na sua vida.

E nós não nos voltamos para Deus só com a boca ou o pensamento, é preciso voltar-se pra Ele com todo nosso ser. Lembrar-se da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, que, pela bondade do Pai, faz morada em nós. E podemos, sempre, usar as fórmulas. Desde que as orações sejam “trabalhadas” antes em sua essência. O que se diz a Deus em cada frase do Pai Nosso? De onde vêm as frases da oração à Virgem Maria? Por que invocar o Santo Anjo? Qual é o significado de professar o Creio? É preciso “sentir” em cada frase que sai de nossa boca o significado que ela tem em nosso intelecto.

Enfim, é preciso criar o "clima", orar sem dispersar o pensamento. E não é fácil fazer isso com as crianças. Como já foi dito, elas não tem a capacidade de contemplação acentuada, é preciso então lembrá-las do "concreto", daquilo que acontece com ela no dia a dia, das suas pequenas e angústias e medos; e lembrá-las que basta fechar os olhos e conversar com Deus, contar e ele em pensamento tudo que acontece, que dá medo, tristeza, angústia... E Ele, como Pai amoroso, abraça, traz paz, tranquilidade e te envolve com seu manto de amor.

Para ajudar, existem alguns "exercícios" que podem relaxar o corpo e a mente que é possível fazer, no entanto, sempre com cuidado de não constranger ninguém ou obrigar.

Um deles é pedir que tirem os sapatos, coloquem a planta dos pés no chão, que sintam a energia que emana da terra, do ambiente que Deus criou para nossa morada, que vai subindo devagar pelas pernas, joelhos, estômago, coração até chegar ao cérebro, berço do pensamento. Que respirem o ar pausadamente, sentindo o Espírito Santo se mover para dentro e para fora do seu corpo; fechar os olhos e pensar que, mesmo no escuro, Deus segura sua mão. Outro exercício é primeiro situar-se na realidade deles, perguntar como estão as pessoas que convivem com eles: quem está triste, doente, quem conseguiu alcançar um grande objetivo, está alegre por uma conquista, etc.; e relacionar isso ao louvar, agradecer e suplicar.

Mas, não é em todo encontro que você vai conseguir a verdadeira oração com eles. Existirão momentos em que o “agito” será bem maior que a vontade de orar. Deixe a oração para o final então, quando a “energia” baixar um pouco, quando a calma estiver presente. Então não é preciso começar, necessariamente, o encontro pela “oração inicial”. Com o passar do tempo, as crianças entram numa rotina e acabam ficando no “automático”.

Como começar meu encontro então? Com um alegre e animado bom dia, boa tarde, boa noite, mostrando que estão ali para um encontro de amigos e não uma “aula de catequese”. Lembre às pessoas (e isso vale para adultos também), que elas estarão reunidas para um encontro e pedir que façam o sinal da cruz, pois estarão ali em nome da Trindade. Em seguida use uma motivação, algo que desperte curiosidade pelo tema. Que pode ser uma brincadeira, uma história, uma dinâmica, uma música... E até uma ORAÇÃO, diferente daquelas que estamos acostumados a fazer.

Uma dica: Um estudo sobre Oração: Itinerário Mistagógico segundo Santa Tereza D'Ávila. Excelente fonte de inspiração para a oração. Como subsídio para o catequista, bem entendido, para o catequizando ainda é cedo! Temos os arquivo para download ali em cima na aba do blog.

Também temos alguns textos sobre oração:
"Entra no teu quarto", excelente para entender um pouco o que é orar.
E você pode achar interessante também este: ROTEIRO DE ENCONTRO: ENSINANDO A ORAR. 
Temos também ORANDO NA CATEQUESE

Ângela Rocha

Catequista

sexta-feira, 20 de março de 2015

TEM UM ITINERÁRIO DE CATEQUESE AÍ PRA ME ARRUMAR?

Ultimamente temos nos deparado com muitos pedidos de ITINERÁRIOS para a catequese, ou seja, que roteiro seguir, que conteúdos abordar, o que, afinal, ensinar às crianças na catequese. E isso vale pra eucaristia, crisma, perseverança, catequese infantil, adultos...

Gente perdoem-me, mas, às vezes, eu acho que vivo em outro mundo, em outro país, em outro planeta... Sei lá. Sem contar que sempre estou voltando a este assunto. Mas, até entendo, sempre temos pessoas novas na catequese e em nosso grupo que ainda não conhecem nossas orientações.

Eu sou da Arquidiocese de Londrina, pertencemos ao Regional Sul II, que congrega as dioceses e arquidioceses do estado do Paraná. Nosso regional tem uma Comissão Bíblica- Catequética, como devem ter todos os outros regionais. Os regionais são uma segmentação feita pela CNBB para melhorar as orientações e os trabalhos dela com relação ás orientações e responsabilidades. Cada regional deve orientar as diversas pastorais, incluindo a catequese, dentro do seu território, direcionando e sugerindo material e conteúdos, baseado no que determina o Diretório Geral de Catequese (DGC) da Santa Sé e o Diretório Nacional da CNBB. As dioceses e arquidioceses possuem também comissões diocesanas de catequese, que orientam as paróquias. 

Em nenhum lugar se pode simplesmente pegar uma apostila de catequese, de qualquer lugar que seja, para adotar na catequese SEM AUTORIZAÇÃO destas comissões. As dioceses podem criar seus itinerários (devem, aliás), mas NUNCA, em hipótese alguma, eu ANGELA, uma simples CATEQUISTA, posso escolher uma apostila pra usar na minha paróquia ou na minha turma, mesmo que eu fosse a coordenadora geral. O que posso fazer, e faço sempre, é buscar material para COMPLEMENTAR OS TEMAS que eu TENHO que trabalhar. Aqui, na arquidiocese de Londrina, é sugerido como roteiro de conteúdos, a coleção Crescer em Comunhão, da Editora Vozes (pelo fato dela estar sintonizada com o que estabelece uma catequese de iniciação à vida cristã). Somos livres para adotar o livro ou não, mas, seguimos o roteiro de TEMAS, orientado por ele.

Eu tenho, em minha biblioteca aqui de casa, em torno de 10 coleções de catequese, entre Eucaristia, crisma, adultos, catequese infantil e outras mais. Tenho inúmeras apostilas de vários lugares, que uso como fonte de referência e de ideias para desenvolver meus encontros. Agora, imprimir para usar com os catequizandos, isso eu não posso e não devo fazer. Como catequista e agente de pastoral eu devo seguir as orientações da Igreja, da minha diocese. E os documentos da Igreja me dizem que TODA DIOCESE DEVE ORIENTAR SUAS PARÓQUIAS. Lá no item 327 do DNC, na alínea d, diz o seguinte: “A coordenação diocesana de catequese, formada por uma equipe, assume tarefas fundamentais como: (...) d) Estabelecer os itinerários e a modalidade da catequese segundo a pedagogia catecumenal para as diversas idades (...)”. E ali são listadas mais 16 tarefas diocesanas com relação á catequese. Caso queiram conhecer mais das RESPONSABILIDADES sobre a catequese é só ler o DNC dos itens 319 ao 330. Vocês vão saber o que cabe ao pároco, à coordenação, as comissões diocesanas, regionais e nacionais. Minha arquidiocese cumpre o que determina o documento e minha paróquia também.

Acontece que muita gente tem me dito que as dioceses não dão orientação alguma, que não fazem diretórios. Agora, elas não fazem ou vocês não sabem se elas fazem? Vocês já foram atrás? Perguntaram ao pároco, ao coordenador de setor, ao coordenador diocesano de catequese? Às dioceses não cabe "fiscalizar", nem fazer "auditoria" pra ver se as paróquias estão fazendo o que devem. São as paróquias que devem buscar orientação. Se ninguém vai em reunião e encontro das comissões de catequese, é difícil saber o que está acontecendo, não é?

Nossa arquidiocese possui um Itinerário que nos orienta a cumprir as "Tarefas da Catequese" determinadas pelo DNC (Diretório Nacional de Catequese, item 53), que é baseado no DGC da Santa Sé, que são: Conhecimento da fé, Iniciação Litúrgica, Formação Moral, Formação para Oração, Formação Comunitária e Formação Missionária. Estas são as seis dimensões que a catequese precisa atingir. No item conhecimento da fé, temos a orientação de 20 temas a trabalhar em cada uma das cinco etapas. Como são mais ou menos 36 encontros por ano, nos outros trabalhamos as festas da Igreja, padroeira, comemorações especiais, eventos extra-sala, CF, mês missionário, mês da Bíblia, etc. Como método usamos o ver-julgar- agir com inspiração da IVC pelo processo catecumenal, privilegiando uma catequese mistagógica e inserida nas outras cinco dimensões. Por exemplo: temos três anos de catequese até o sacramento da Eucaristia; no primeiro ano trabalhamos o "conhecer Jesus", o apaixonar-se por Ele; no segundo trabalhamos a História da Salvação (com alguns tópicos do AT somente) com vistas à conversão, ou o "aderir ao projeto de Jesus"; no terceiro ano, apresentamos a Igreja, a celebração dominical e os sacramentos. Incorporados à estes temas, apresentamos a liturgia, as orações, formação de atitudes cristãs, iniciação a vida da comunidade e missionariedade. Resumindo tudo isso: Somos ORIENTADOS ao que fazer na catequese. O como fazer é que é com a gente.

Então meus queridos catequistas, não botem “chifre em cabeça de cavalo” antes de ter certeza que o bicho existe. Não assumam uma missão que é da Igreja como um todo, completamente sozinhos.

Ah não tem? Então vamos fazer sozinhos. Vamos pegar uma apostila da internet e mandar ver. Vamos escolher uma coleção de uma editora renomada (isso até vai, mas...). Que é isso meu povo? Olha, qualquer catequista que se prese, antes de se meter a uma tarefa dessa grandiosidade, no mínimo deve ter lido o Catequese Renovada (1983) e o DNC (2006), umas 10 vezes cada um, mais uns 200 documentos da Igreja; deve ter pelo menos uns 10 anos de experiência, para pensar (só pensar) em se atrever a escolher um material para sua paróquia ou sua turma.

Ah, mas tem uma apostila maravilhosa que a diocese de “itinerário milagroso” fez, que é ótima! Sim, é ótima... Pra realidade dela, pro contexto social dela, pro conhecimento do povo que vive nela, pra cultura da região dela! Nosso país é CONTINENTAL, enorme! Não dá pra pensar que vivemos a mesma realidade de norte a sul e nem que temos os mesmos interlocutores. E desconfiem de quem tá “vendendo” apostila ou livro que resolve tudo. Isso não existe. O que existe são catequistas responsáveis e comprometidos com a missão que se dispõem a sentar, estudar e adaptar todo o material disponível por aí, à SUA realidade.

E lembrem: catequese não é só conteúdo e doutrina não! É muito, muito, muito mais...

Angela Rocha
Catequista