terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A ARTE DE LIDERAR - Formação sobre liderança

 

A ARTE DE LIDERAR

A palavra liderar significa, em sua raiz, “ir, viajar, guiar”. Liderança implica sempre num movimento. Os líderes “vão primeiro”, são pioneiros. Iniciam a busca de uma ordem. Aventuram-se em território inexplorado e nos guiam em rumo a lugares novos e desconhecidos. O papel do líder é nos conduzir a lugares onde nunca estivemos antes.

Ser líder não é uma herança genética, nem determinação do destino. É algo que se pode aprender, exercitar e aperfeiçoar pela prática. Trabalhando com valores, confiança e desafios, é possível criar oportunidades no contexto do desempenho cotidiano e fazer delas seu campo de treinamento. E, com a prática poder até transformar a liderança em um novo modelo de vida, como fez Jesus.

Liderar não é uma tarefa fácil, é algo que exige muita paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso. Desta forma, pode-ser definir liderança como o processo de dirigir e influenciar as atividades relacionadas às tarefas da equipe. Não podemos esquecer também que o líder precisa saber gerir conflitos e direcionar as energias aos objetivos do grupo.

No início do século quando se pensava em liderança a primeira coisa que vinha a mente era algo do tipo “mandar”, “exigir”, em outras palavras uma liderança autocrática. Em nossos dias, mencionada a palavra liderança, associamos a um trabalho diferente. Alguns teóricos sobre o estudo de liderança procuraram verificar a influência causada por três diferentes estilos de liderança nos resultados de desempenho e no comportamento das pessoas. Os autores abordaram três estilos básicos de liderança: a autocrática, a liberal e a democrática.

- Liderança autocrática: o líder centraliza totalmente a autoridade e as decisões. Os subordinados não têm nenhuma liberdade de escolha. O líder autocrático é dominador, emite ordens e espera obediência cega dos subordinados. Os que se sujeitam à liderança autocrática tendem a apresentar maior volume de trabalho produzido, mas com evidentes sinais de tensão, frustração e agressividade. O líder é temido pelo grupo, que só trabalha quando ele está presente. A liderança autocrática enfatiza somente o líder. Este tipo de liderança na vida eclesial é desastrosa, porque só traz medos e inseguranças. Para a catequese também não ajudaria por que essa liderança não gera protagonistas.

- Liderança liberal: o líder permite total liberdade para tomada de decisões individuais ou grupais, participando delas apenas quando solicitado pelo grupo. O comportamento do líder é sempre “em cima do muro” e sem firmeza. Os que se sujeitam à liderança liberal podem apresentar fortes sinais de individualismo, divisão do grupo, competição, insatisfação, agressividade e pouco respeito ao líder. O líder é ignorado pelo grupo. A liderança liberal enfatiza somente o grupo. Esse tipo de liderança também só tem a prejudicar a caminhada da comunidade. A catequese também não funcionaria desse modo.

- Liderança democrática: o líder é extremamente comunicativo, encoraja a participação das pessoas e se preocupa igualmente com o trabalho e com o grupo. O líder atua como um facilitador para orientar o grupo, ajudando na definição dos problemas e nas soluções, coordenando as atividades e sugerindo idéias. Os que se sujeitam à liderança democrática apresentam boa quantidade de trabalho e qualidade surpreendentemente melhor, acompanhadas de um clima de satisfação, integração grupal, responsabilidade e comprometimento das pessoas. Esse é o tipo de liderança que se espera florescer no ambiente eclesial e catequético.

James C. Hunter, autor da obra “O Monge e o Executivo” traz propostas do que é chamada de liderança servidora, que tem como teoria: liderar significa servir. Jesus sempre exercia liderança por meio de autoridade e não de poder, ou seja, as pessoas seguiam Jesus por livre espontânea vontade. Quando se usa o poder você obriga as pessoas a fazerem sua vontade, mas quando se usa a autoridade, as pessoas fazem o que quer de boa vontade, por sua influência pessoal.

Outro princípio bíblico é aprender a servir, que requer do líder a humildade de encarar as mesmas tarefas feitas por seus subordinados. Na prática, ao serem incorporadas essas atitudes da liderança servidora, como partilhar poder e valorizar o desempenho das pessoas na equipe, leva as pessoas a ter um bom êxito em tarefas desafiantes. Isso faz toda a diferença.

Atividade em grupo:

1. Fazer a leitura do texto: Ex 18,13-27.
2. De que trata o texto? Qual o problema a ser solucionado?
3. Quais a atitudes de Moisés e de Jetro?
4. O que aprendemos com o texto?

Uma ajuda para o grupo:

Aqui encontramos dois princípios fundamentais para uma liderança bem-sucedida:
a) O texto aponta para a necessidade de uma autoridade exercida de forma participativa, com a organização de grupos menores e com a escolha de lideranças experientes.
b) O sogro alerta Moisés que se ele não mudar a metodologia, todo o povo vai morrer. O caminho é descentralizar. Concentrar poder é matar-se a si mesmo e matar o povo!
c) O que este texto e estas afirmações têm a dizer para a nossa catequese?

QUADRO COMPARATIVO

Você sabe qual a diferença básica entre um chefe/gerente e um líder?

CHEFE / GERENTE
LÍDER

Existe para controlar as decisões que vêm de cima para baixo
Existe para articular as funções e responsabilidades de cada um através do diálogo e da partilha.
Os chefes são obedecidos.
Os líderes são respeitados.
Busca o controle.
Busca a mudança e a inovação.
Trabalha o presente, olhando para o passado.
Trabalha o presente, olhando para o futuro.
Mantém o “sistema”.
Inova o “sistema”.
Enxerga funções e estruturas.
Enxerga pessoas e aptidões.
Segue projetos e idéias estabelecidos.
Estabelece novos projetos e idéias.
Vê as coisas como estão funcionando.
Busca novos caminhos para a organização.
Faz certo as coisas – eficiente.
Faz as coisas certas – eficaz.
Trabalha baseando na obrigação.
Serve baseando na motivação.
Interessa-se pelo que as pessoas podem fazer.
Interessa-se pelo que as pessoas são.
Trabalha pensando na remuneração e no dinheiro.
Trabalha voluntariamente em vista do bem comum.
Busca a produtividade no trabalho.
Busca a felicidade dos outros no serviço.
Movido pelos interesses da corporação.
Movido pela fé e por princípios de nobreza.
Preza regras e regulamentos.
Preza os relacionamentos inter-pessoais.
Prima pela competição.
Prima pela compaixão.
Adora subserviência.
Ele ama a humildade.
Exalta as conquistas pessoais.
Exalta as conquistas do grupo.
Trabalha sozinho, tendo poder sobre os outros.
Trabalha em equipe, em comunhão com o grupo.

PARA DEBATER EM GRUPO:

O catequista é mais chefe/gerente ou mais líder? Isto se verifica concretamente em nossa realidade?


Fontes de consulta:

BULLARA, Cesar Furtado de Carvalho. A evolução do conceito de liderança. Disponível em www.ise.org.br?informe/artigos. Acessado em 06/02/2005.

CIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. São Paulo: Campus, 1999.

MOREIRA, Maria Elisa. Liderar não é preciso - Um guia prático para o dia a dia dos líderes. São Paulo: Paulinas, 

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