quinta-feira, 20 de março de 2014

DIDAQUÉ INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS - CAPÍTULO I

VAMOS COMEÇAR NOSSOS ESTUDOS SOBRE A DIDAQUÉ?

Aí está o primeiro capítulo para leitura... logo em seguida a cada número, temos a NOTA, que explica a instrução.



Instrução do Senhor para as nações, por meio dos doze apóstolos.

Catequese fundamental para aqueles que desejam viver e se comportar de modo cristão. O caminho da vida é apresentado nos capítulos I a IV; o da morte, no capítulo V; o capítulo VI traz a exortação final desta parte.

Capítulo I - Amor a Deus e ao próximo

Os dois caminhos: o da vida exige o amor a Deus e ao próximo

1 - Há dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Ecli 15,15-17]. A diferença entre os dois é grande.

[NOTA: o cristão deve fazer uma escolha fundamental, que definirá toda a sua vida e destino. Não é possível andar com os pés em duas canoas. Só há um caminho que produz vida e realização. Os outros caminhos levam inevitavelmente para a morte em diversos sentidos e níveis.]

Viver é amar

2 - O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus que te criou; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Eclo 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].

3 – O ensinamento que deriva dessas palavras é o seguinte: Bendigam aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus inimigos, e ainda jejuem por aqueles que os perseguem. Com efeito, que graça vocês terão, se amarem só aqueles que os amam? Os pagãos não fazem o mesmo? Quanto a vocês, amem aqueles os odeiam e vocês não terão nenhum inimigo. [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].

[NOTA: o ponto de partida da vida cristã é o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. A medida do amor ao próximo é a mesma do amor que se tem consigo mesmo. E todas as pessoas, até mesmo os inimigos, são indistintamente o próximo. O amor aos inimigos mostra a originalidade, a radicalidade e gratuidade do amor cristão. Isso não significa que os cristãos não tem inimigos, e sim que eles não são inimigos de ninguém.]

A violência do amor

4 – Não se deixe levar pelos impulsos instintivos [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e você será perfeito. Se alguém te obrigar a andar um quilômetro, anda com ele por dois. Se alguém tomar seu manto, dá-lhe também sua túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você, não a peça de volta, pois você não poderá fazer isso. [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].

[NOTA: O cristão não age por simples impulso instintivo. Diante da violência, ele não responde com outra semelhante, mas com a violência maior do amor, que é capaz de desarmar o violento. A proibição final do versículo se refere ao empréstimo ao pobre, que poderia passar necessidade se tivesse de devolver (cf. Dt 24, 10-13)]

O amor de partilha

5 - Dê a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último centavo [Mt 5,25s; Lc 12,58s].

[NOTA: Deus dá os bens da vida para serem repartidos entre todos. Por isso, o cristão é capaz de partilhar seus bens com aqueles que não tem. Quem recebe deve ter discernimento, pois o espírito de partilha não deve ser usado como pretexto para acumular ou desperdiçar. Toda contribuição social deve reverter em benefício do bem comum e não em privilégio daqueles que manipulam a máquina social.]

6 – A esse respeito, também foi dito: Que sua esmola fique suando nas suas mãos, até que você saiba para quem está dando. [Cf Eclo 12,1].

[NOTA: Não basta ajudar materialmente o necessitado para desencargo de consciência. É preciso entrar em comunhão, participando de toda a situação do pobre, porque nem sempre a ajuda material é o aspecto mais importante. O grande desafio é acabar com a pobreza, e não simplesmente conservar os pobres como ocasião de fazer caridade.]

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