domingo, 7 de setembro de 2014

HOMILIA DO DOMINGO

23º Domingo do Tempo Comum

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus se dedica ao tema da comunidade. Encontramos no Evangelho preciosas dicas para a vivência na comunidade cristã, bem como em qualquer comunidade humana. Ninguém vive sozinho, nenhum ser humano é uma ilha. Precisamos uns dos outros, precisamos das relações como fonte de vitalidade. Por isso, precisamos ser aptos para lidar com as diversas situações humanas, seja na família, entre os amigos, no trabalho e na igreja.
Uma comunidade não é um lugar de pessoas perfeitas. Mesmo a comunidade cristã padece de seus limites, pois somos um povo “santo e pecador”. Não podemos nos proclamar melhores dos que os outros, como alguns grupos religiosos. O cristão não é melhor do que ninguém, pois o seu tesouro é o próprio Deus que santifica a Igreja. Por isso, o Evangelho de Mateus reflete a vida de uma comunidade bem concreta, com suas bênçãos e limites. Entre os limites, estavam as desavenças entre os membros da comunidade.
O melhor modo de lidar com os conflitos humanos é o diálogo. Quantos relacionamentos se tornam frios, burocráticos, meramente suportáveis pela falta de um diálogo franco e aberto… O Evangelho indica que devemos conversar, em primeiro lugar, diretamente com a pessoa envolvida, usando sempre de caridade fraterna, que se traduz na leveza das palavras. Dialogar é trocar ideias, expor pontos de vista, opiniões, impressões, até mesmo evidenciar descontentamentos. Mas pra tudo tem um modo próprio de dizer, primando pela cordialidade, procurando não agredir o interlocutor.
Quando o irmão erra, não pode haver um julgamento premeditado. O cristão não julga, não deve sair falando da vida alheia. Infelizmente, este é um pecado frequente: destruímos o outro, sem procurar entender o seu erro, sem ouvi-lo, sem corrigi-lo fraternalmente, na caridade. Há um itinerário da correção fraterna: primeiro conta-se em particular, depois se chama mais um irmão, depois se leva para a comunidade. Ou seja, antes de qualquer coisa, devemos conversar com a pessoa, sendo sua sentinela (aquele que observa e avisa), tendo bem claro que não se adverte por ódio ou por espírito de grandeza, mas se exorta por amor e com amor, com o objetivo de trazer a pessoa de volta. Também se conversa com o próximo para que não sobrem rancores no coração, pois estes que destroem até mesmo a nossa saúde. São Paulo noz diz: que ninguém tenha dívidas, que ninguém guarde divisões em seu coração; e que acima de tudo reine o amor.
O Evangelho ainda nos diz que quando estamos em comum acordo para pedir, Deus nos atende. A oração sempre nos une. Parece que é fácil reunir a comunidade para orar, mas será que temos comum acordo no que desejamos? Não serve de nada todos se unirem para que cada um se preocupe tão somente consigo mesmo. Oremos uns pelos outros e com todos, em comum acordo de corações!
Pe. Roberto Nentwig
Santuário São José - Arquidiocese de Curitiba -PR

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