sexta-feira, 6 de maio de 2016

HOMILIA DA ASCENSÃO DO SENHOR

Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso (cf. Ef 1,20-21). O ato de subir é profundamente simbólico. O cristão não pode se contentar com o lugar em que está, pois ainda não reside em sua casa definitiva. A vida é uma oportunidade para elevar-se. Se ainda aguardamos nossa “elevação” para a Pátria definitiva, devemos “crescer rumo a maturidade em Cristo” (Ef 4,13). 

É preciso vencer a estagnação, a paralisia que não nos deixa crescer. Sempre somos perseguidos pelo desejo de permanecer na mediocridade ou de manter sempre os mesmos hábitos, ou seja, ser vencidos pelo comodismo. Crescer significa romper a inércia, inovar, recriar, reinventar, mudar... Um pai ou uma mãe não deverão se contentar com uma vida familiar sem sabor ou com o individualismo dos filhos, que preferem horas de internet a refeição em comum. As lideranças não deverão se conformar com os limites da comunidade que segue com as mesmas estruturas pastorais defasadas, mas terão empenho de transformá-la. Um cristão deverá se comprometer com o seu crescimento pessoal, com sua vida espiritual, com o cultivo de si mesmo, com a readequação de suas práticas, com o uma vida mais voltada para o Evangelho de Jesus. Não podemos nos conformar com a manutenção da pastoral, da vida espiritual, da vida familiar, de nossa vida profissional... Jesus subiu para que caminhemos na mesma direção, no mesmo sentido. A jornada termina no Céu. 

O Céu é a nossa Pátria. A ascensão é a reafirmação de uma verdade fundamental ao cristão: este mundo passa, o Reino definitivo e glorioso é a nossa meta e esperança. É preciso ter sempre diante de nós acesa a chama da “esperança do nosso chamamento” (Ef 1,18). Sim, este mundo com suas dores e limites será vencido e transformado. O Tempo Pascal nos coloca nesta dinâmica de Céu que se antecipa, mas ainda é esperança que anima a vida terrena. Ter clara esta certeza nos dá combustível para o empenho do crescimento pessoal, comunitário e social. Triste se passarmos pelo mundo sem fazer o bem, sem construir um sentido, sem amar. 

Ele não nos abandona. O Senhor está no Céu e inaugurou, com sua ascensão, uma nova maneira de estar presente. Agora é seu Espírito que nos animará. Subir é necessário, para que esta presença seja garantida até que vejamos a Deus face a face. É preciso caminhar na certeza do futuro e, ao mesmo tempo, na certeza da presença do Senhor que nos impulsiona, encoraja e transforma. 

No final do texto do Evangelho de Lucas, os discípulos são abençoados. Não basta ficar adorando (Lc 24,52) ou olhando para o Céu (At 1,11). Os discípulos devem voltar para a cidade (Jerusalém). Devem, pois, voltar ao cotidiano, ao lugar em que estavam. É na normalidade da vida que devem testemunhar o Senhor, mas antes recebem a sua benção. Também nós, ao final da missa, recebemos a benção para partir em missão. Ou seja, a benção marca o início do testemunho. 

Resta dizer que os discípulos testemunhavam a alegria (Lc 24,52). Hoje é preciso transformar o rosto enfezado do legalismo em face inundada pelo sorriso. É esta a marca que atrairá outros ao mesmo dom. Devemos seguir como testemunhas, não apenas em Jerusalém (nossa casa), mas na Samaria e em toda Judeia. Ou seja, a Igreja nasce missionária, com o dever de não se acovardar ou acomodar-se jamais. 

Pe Roberto Nentwig

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO