terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PROFESSOR OU CATEQUISTA?


Dia 15 de outubro, dia do professor. Um catequizando encontrou seu catequista e tentou ser gentil:
- Parabéns professor pelo seu dia.
- Não sou professor, sou catequista!
- E qual a diferença?
- Muitas.
- Quais?
- Ah, são muitas. O professor dá aula. O catequista não.
- Então porque o senhor faz chamada no início de cada encontro?
- Para controlar a presença de vocês.
- Mas isso se faz em aula também. Lá na escola também controlam a nossa presença.
- Mas é diferente.
- Diferente por quê?
- Diferente...
- Mas se é diferente, porque a gente se matricula na catequese?
- Não é matrícula, é inscrição.
- Mas a coordenadora e o padre falam em matrícula na catequese.
- Mas na catequese é diferente. Aqui não é uma escola.
- Mas se não é escola, porque é que a gente paga taxa de inscrição para fazer catequese?
- É para manter a igreja, com seus serviços e pastorais. E não é taxa, mas sim, uma contribuição.
- Sim, mas o padre e a coordenadora falam taxa. Ouvi eles dizerem isso. Todo mundo pergunta se a gente já pagou a taxa.
- Não é taxa. Tá errado. Não é assim que devemos tratar aquele valor que muitos pais pagam no início do ano. É uma contribuição. Quem não puder não paga.
- Ah...
- Tem muita diferença entre escola e catequese, muita mesmo.
- Mas, se é tão diferente assim, porque usamos caderno e o senhor ainda usa o quadro para se comunicar com a gente? Porque temos que copiar conteúdos?
- Como vocês irão aprender se não for assim? Sim, faço isso, mas é catequese.
- Mas tudo isso a gente também faz na aula.
- Mas é diferente.
- O senhor faz prova também. Lá na escola, é prova toda a hora. Aqui na catequese o senhor também avalia a gente através de prova.
- Mas eu preciso avaliar vocês de alguma forma.
- Mas se não é aula, porque prova?
- Ah menino, já te disse, catequese não é aula. Aula é em escola. Não sou professor, sou catequista.
- Não entendi ainda a diferença...
- Mas tem muitas diferenças...
- Lá na escola a gente também fica numa sala e as cadeiras são colocadas de forma igual ao que acontece aqui na catequese, também tem chamada, quadro, prova. Tudo o que tem aqui tem lá. Não consigo entender a diferença.
- Mas tem diferença, e muita.
- O senhor poderia me explicar quais?
- Já te falei menino, preciso falar de novo?
- Não, obrigado. Mais uma vez, parabéns pelo dia do professor.
- Eu já disse, não sou professor, sou catequista.
- Lá na escola, quando não entendo algo, os professores tentam me explicar até que eu consiga entender. Talvez seja esta a diferença entre o senhor, catequista, e um professor da escola.
- Menino, não seja mal criado. Sou seu catequista.
- É que lá na escola também me obrigam a fazer algumas atividades. Aqui me obrigam a ir à missa.
- É diferente. Escola é uma coisa, catequese é outra.
- Ah, ta! Não vejo tanta diferença assim... o senhor é igualzinho meu professor quando fala...
- Menino, aqui na catequese, estamos tentando te mostrar um outro caminho, que a escola não mostra. São objetivos diferentes.
- E qual é o caminho que o senhor está tentando me ensinar?
- O caminho de Deus.
- O que tem de diferente no caminho de Deus, que o senhor ensina, do caminho que a escola ensina?
- Ah menino, já te expliquei, catequese não é escola. Eu não sou professor. Os nossos encontros não são aulas. E se você continuar me questionando assim, vou chamar seus pais aqui e você não vai poder fazer a crisma.
- Vai me expulsar porque eu te questiono?
- Vou.
- Lá na escola eles também chamam os pais para expulsar os alunos. Pensei que na catequese fosse diferente.


Alberto Meneguzzi – 22 de fevereiro de 2013.




- Uma só mesa com cadeiras a sua volta;
- Canto com ambão da Palavra, água benta, flores, vela acesa, imagem ou cruz.

ROTEIRO DE ENCONTRO – Ser igreja é viver a unidade


Criação: Rose Argolo – Ceilândia - DF





  A
  N
  T
  E
  S
Interlocutores
(Catequizandos)
Jovens Crismandos 1º ano; 14-16 anos
Duração
90 minutos
Local
Paróquia da Ressurreição (sala de catequese)
Tema/Conteúdos
SER IGREJA É VIVER A UNIDADE
Catequista: Rose Argolo
Paróquia Ressurreição – Brasília –DF.
Objetivo(s)
 - Despertar nos catequizandos o sentido de Igreja, de fazer parte de uma comunidade de fé onde irmãos comungam e partilham. E cada um, com seus talentos e dons, contribui para a edificação do Corpo de cristo.

- Mostrar ao crismando que a Igreja viva é o Corpo Místico, cuja cabeça é Jesus Cristo. Numa comparação com o corpo humano, dizemos: Jesus Cristo é a cabeça e nós, Igreja Viva, somos o seu corpo, formado por muitos membros.

Material
(Recursos)
- Bíblia
- Dinâmica – Ser Igreja.
- Altar com Bíblia, flores, vela, crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora aparecida.









  D
  U
  R
  A
  N
  T
  E







Passos
Metodológicos

Ordem dos passos:

- Acolhida
- Dinâmica;
- Palavra;
- Reflexão;
- Oração.

Acolhida/Motivação
Recebê-los na porta, mostrando que são bem-vindos. São gestos muito importantes, pois, neste momento o catequista é representante de Jesus acolhendo seus filhos.

- Invocar o Espírito Santo e convidar a rezar o Pai Nosso, oração ensinada por Cristo, cabeça da Igreja, para que seus membros saibam dirigir-se ao Pai.
Palavra
(1Cor 12, 12)


Oração:
 - Iniciar com o momento do perdão:
Assim como na Santa Missa, decidir perdoar e pedir perdão é fundamental. Cada crismando pensa nas pessoas a quem tem que pedir perdão (“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.” Mateus 5.23-24), pensando antes em quem tem que pedir perdão nos mostra que somos falhos, isso facilita perdoar quem nos ofendeu, em seguida pensamos naquelas em que precisamos perdoar.
- Colocar em seguida as intenções e pedidos, explicar que estes pedidos são o “pão nosso de cada dia”.
- Incentivar orações espontâneas.

















Atividades educativas
Dinâmica de comunhão e participação - Ser Igreja

Objetivo: Fazer entender a necessidade de ser membro do reino de Deus como discípulos missionários.

Material: bolas de inflar (bexiga).

Entregar uma bexiga a cada pessoa pedindo que elas brinquem com as bolas, jogando uma para a outra, sem deixar cair. O assessor aos poucos vai tirando as pessoas da brincadeira, aumentando a dificuldade dos últimos para deixar tantas bexigas no ar. Quando tiver muitas bexigas no chão, encerrar a dinâmica lendo I Coríntios 12,12-27 – Um só corpo, muitos membros.

Refletir com os participantes:

É fácil manter as bexigas no ar? O que acontece quando alguém desiste? Dá para manter as bexigas no ar sozinho?

Explicar que a igreja está dentro de cada um, e que todos devem participar, pois cada um tem um lugar especial na igreja. A igreja, assim como as bexigas não podem se sustentar no ar, isto é, de pé, sozinha ou com poucas pessoas, ela precisa de todos nós. Somos membros de um corpo místico, o corpo de Cristo que é a sua igreja. Se um desistir, é possível que assim deixe outro cair.



Compromisso
(sócio-transformador)
 - Incentivar o jovem a se engajar em um grupo da paróquia com o qual ele se identifique, pois se Igreja é viver em comunidade;
- Organizar uma exposição (oral ou em forma de painel) das pastorais e grupos da paróquia ou convidar um grupo de jovens pra falar com eles...

  D
  E
  P
  O
  I
  S



Avaliação
Após o encontro fazer uma avaliação dos pontos positivos e negativos do encontro.
Observar atentamente, durante o encontro, se os jovens estão interessados e atentos ao tema, qual sua participação e interação.
Ver se os objetivos foram alcançados e ver o que pode ser melhorado num próximo encontro, com relação à metodologia utilizada.


domingo, 29 de janeiro de 2017

VOCÊ SABIA QUE SOMOS PARTE DE 24 IGREJAS “SUI JURIS”?


A  Igreja Católica é atualmente constituída por 24 Igrejas autônomas “sui juris”.

Pois é! A Igreja Católica não se limita ao rito romano. Ela é uma grande comunhão de 24 Igrejas, sendo 1 ocidental e 23 orientais.

O ramo ocidental é representado pela tradição latina da Igreja Católica Apostólica Romana. É chamado “ocidental” por conta da localização geográfica de Roma e não porque a sua presença se restrinja a países do Ocidente: na verdade, a Igreja Católica de rito romano está presente no mundo inteiro e tem dioceses em todos os continentes, de Portugal ao Japão, do Brasil à Rússia, de Angola à China, do Canadá à Nova Zelândia.


As Igrejas católicas orientais também têm fiéis espalhados pelo mundo, mas, por razões históricas, estão mais fortemente presentes nos lugares onde surgiram. Possuem tradições culturais, teológicas e litúrgicas diferentes, bem como estrutura e organização territorial própria, mas professam a mesma e única doutrina e fé católica, mantendo-se, portanto, em comunhão completa entre si e com a Santa Sé.


Todas as 24 Igrejas que compõem a Igreja Católica são consideradas Igrejas “sui juris”, ou seja, são autônomas para legislar de modo independente a respeito de seu rito e da sua disciplina, mas não a respeito dos dogmas, que são universais e comuns a todas elas e garantem a sua unidade de fé – formando, na essência, uma única Igreja Católica obediente ao Santo Padre, o Papa, que a todas preside na caridade.


A legislação de cada Igreja sui juris é estudada e aprovada pelo seu respectivo sínodo, ou seja, pela reunião dos seus bispos sob a presidência do seu arcebispo-maior ou patriarca. Por exemplo, a Igreja Melquita é presidida por Sua Beatitude o Patriarca Gregório III; a Igreja Greco-Católica Ucraniana, por Sua Beatitude o Arcebispo-Maior Dom Sviatoslav Shevchuk. O rebanho dos fiéis católicos de rito latino é guiado diretamente pelo Papa Francisco, bispo de Roma, que é também o líder de toda a grande comunhão da Igreja Católica em suas diversas tradições.


É muito comum até hoje, em especial no Ocidente, confundir a Igreja Católica com o rito latino, um erro que vem acontecendo há séculos e que, ao longo da história, já causou sérios prejuízos aos católicos de ritos orientais. O que é preciso entender é que todos os católicos latinos são, obviamente, católicos; mas nem todos os católicos são católicos latinos. E esta é mais uma das tantíssimas riquezas do infinito tesouro da Igreja que é Una, Santa, Católica e Apostólica!


Concílio Vaticano II reconheceu que todos os ritos aprovados pelas Igrejas que formam a Igreja Católica têm a mesma dignidade e direito e devem ser preservados e promovidos.
Aliás, por falar em rito, outra confusão frequente é feita entre o rito latino e o rito romano: os termos costumam ser usados como sinônimos, mas, tecnicamente, além do rito romano, também existem outros ritos latinos de certas Igrejas locais, como o ambrosiano, e os de algumas ordens religiosas, além do rito tridentino. Mas eles não estão vinculados a Igrejas autônomas “sui juris“, sendo diferentes ritos dentro da mesma tradição latina da Igreja Católica. Quanto aos ritos orientais, as diferenças são mais marcadas pela diversidade de tradições e há vínculos históricos entre os ritos e as Igrejas “sui juris” específicas que os adotam: são eles o alexandrino ou copta, o bizantino, o antioqueno ou siríaco ocidental, o caldeu ou siríaco oriental, o armênio e o maronita.

Mas quais são, afinal, as Igrejas sui juris que formam a Igreja Católica?                       Eis a impressionante lista:
               
DE RITO OCIDENTAL

Tradição litúrgica latina ou romana:

1         1-    Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

DE RITOS ORIENTAIS

Tradição litúrgica alexandrina:

2-    Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)
3-    Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)
4-    Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)

Tradição litúrgica bizantina:

5-    Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)
6-    Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)
7-    Igreja Católica Bizantina Ítalo Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)
8-    Igreja Greco-Católica Ucraniana ( arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)
9-    Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorrussa)
10-  Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Russia)
11-  Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)
12-  Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Presov, Eslováquia)
13- Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)
14- Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Krizevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)
15-  Igreja Greco-Católia Romena (arcebispado maior; sede em Blai, Romênia)
16-   Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)
17-  Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)
18- Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia).


Tradição litúrgica armênia:

19- Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

Tradição litúrgica maronita:

20- Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)

Tradição litúrgica antioquena ou siríaca ocidental:

21- Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano).
22- Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)

 Tradição litúrgica caldeia ou siríaca oriental:

23- Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque).
24- Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)

 Fonte: Aleteia.org


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

AS BEM AVENTURANÇAS DE JESUS




As Bem Aventuranças de Jesus são a proclamação da Carta Magna do Reino de Deus que é o “mundo ao contrário!”

O Mundo em que se é Feliz optando pela Pobreza de Coração, que é uma maneira bonita de dizer a Liberdade diante de tudo e a Disponibilidade para com todos!
O Mundo em que se é Feliz quando se experimenta a Compaixão como comunhão interior com aqueles que sofrem e presença consoladora que não se deixa tentar pelas receitas fáceis nem pelas superficialidades beatas.

O Mundo em que se é Feliz quando se é Manso, que é uma maneira de chamar a um Coração despossuído e livre de desejos de dominar ou mandar nos outros.

O Mundo em que se é Feliz quando não se aceita ser Feliz sozinho e se assume a causa da Justiça Universal como uma luta não-violenta contra os motivos e os autores da desigualdade entre os Homens.

O Mundo em que se é Feliz quando ainda há Misericórdia, isto é, a experiência de que há casos e causas que ainda nos fazem revolver as entranhas e correr ao seu encontro num abraço consolador e libertador.

O Mundo em que se é Feliz procurando a Pureza do Coração e a Limpeza da Mente, em vez de nos tornarmos uns aos outros escravos de leis puritanas e regras da sensatez que nos moldam os comportamentos mas não nos tornam mais Humanos, como Jesus dizia daqueles fariseus que “lavavam o exterior de todas as coisas, mas tinham o interior sempre podre”! (Mt 23, 25)

O Mundo em que se é Feliz construindo a Paz que assenta na certeza de que deixa de ser um problema sermos diferentes quando aprendemos a tratar-nos e amar-nos como iguais!

O Mundo em que se é Feliz sofrendo pelas causas certas, sendo perseguido pelos injustos por causa da edificação da Justiça que é o reconhecimento da dignidade fundamental de todas as pessoas.

O Reino de Deus é este Mundo inaugurado por Jesus pela dinâmica do Espírito Santo e confiado aos seus discípulos na sua Ressurreição!
O anúncio evangélico da Ascensão de Jesus ao Céu, que é o anúncio da Ressurreição como mistério de "escondimento no seio de Deus", proclama aos discípulos de Jesus de todos os tempos esta missão de continuar a construção do Reino, porque “do Céu já Cristo tratou”: “Homens da Galileia, porque estais aí a olhar para o céu?! (At 1, 11)

É aqui e agora que esse Mundo Novo está a germinar… O Céu que Jesus prometeu e “estreou” na sua Ressurreição é a plenitude do Reino de Deus, mas é na história que os seus discípulos devem comportar-se como Povo a Caminho desse Reino, vivendo e construindo a história com critérios de Ressurreição e Horizontes de Esperança Eterna.

Felizes os discípulos de Jesus que já perceberam que não há “outra vida depois desta”, mas sim esta Vida que vivemos e construímos divinamente transfigurada!

Felizes os discípulos de Jesus que deixaram de “olhar para o céu”, os que finalmente se cansaram de esperar piedosamente “outro mundo” e começaram profeticamente a transformar este! Sim, porque o “outro mundo” que Jesus promete é este “mundo outro”, ou seja, recriado, renascido da entrega corajosa dos profetas da Palavra e dos servos do Espírito!
Vá lá! É sempre possível mais um bocadinho...


Pe. Rui Santiago

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PAPA: MARAVILHA DO SACERDÓCIO DE CRISTO, DEIXEMO-NOS PERDOAR POR DEUS


A homilia do Pontífice foi dedicada ao sacerdócio de Cristo, inspirando-se na Carta aos Hebreus proposta na Primeira Leitura.

HOMÍLIA DO PAPA FRANCISCO NA CASA SANTA MARTA

Jesus é o sumo sacerdote. E o sacerdócio de Cristo é a grande maravilha, a maior maravilha que nos faz cantar um canto novo ao Senhor, como diz o Salmo responsorial.

O sacerdócio de Cristo se realiza em três momentos, explicou o Papa. O primeiro é a Redenção: enquanto os sacerdotes na Antiga Aliança tinham que oferecer sacrifícios todos os dias, “Cristo ofereceu a si mesmo, uma vez por todas, pelo perdão dos pecados”. Com esta maravilha, “nos levou ao Pai”, “recriou a harmonia da criação”, destacou Francisco.

A segunda maravilha é a que o Senhor faz agora, isto é, rezar por nós. “Enquanto nós rezamos aqui, Ele reza por nós”, “por cada um de nós”, ressaltou o Papa: “agora, vivo, diante do Pai, intercede” para que não falte a fé. Quantas vezes, de fato, se pede aos sacerdotes que rezem porque “sabemos que a oração do sacerdote tem uma certa força, justamente no sacrifício da Missa”. A terceira maravilha será quando Cristo voltar, mas esta terceira vez não será em relação ao pecado, será para “fazer o Reino definitivo”, quando nos levará a todos com o Pai:

“Há esta grande maravilha, este sacerdócio de Jesus em três etapas – quando perdoa os pecados uma vez por todas; quando intercede agora por nós; e quando Ele voltar – mas tem também o contrário, ‘a blasfêmia imperdoável’.
É duro ouvir Jesus dizer essas coisas, mas Ele falou disso e, se o diz, é porque é verdade. ‘Em verdade Eu digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens – e nós sabemos que o Senhor perdoa tudo se abrirmos um pouco o coração. Tudo! – os pecados e também todas as blasfêmias serão perdoadas! – mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado eternamente’”.

Para explicar isso, o Papa faz referência à grande unção sacerdotal de Jesus: foi o que fez o Espírito Santo no seio de Maria, afirmou, e também os sacerdotes na cerimônia de ordenação são ungidos com o óleo:

“Também Jesus como Sumo Sacerdote recebeu esta unção. E qual foi a primeira unção? A carne de Maria com a obra do Espírito Santo. E quem blasfema contra isto, blasfema o fundamento do amor de Deus, que é a redenção, a recriação; blasfema contra o sacerdócio de Cristo. ‘Mas como é mau o Senhor, não perdoa?’ – ‘Não! O Senhor perdoa tudo! Mas quem diz essas coisas está fechado ao perdão. Não quer ser perdoado! Não se deixa perdoar!’. Este é o aspecto negativo da blasfêmia contra o Espírito Santo: não deixar-se perdoar, porque renega a unção sacerdotal de Jesus, que fez o Espírito Santo”.

Concluindo, o Papa retomou as grandes maravilhas do sacerdócio de Cristo e também a “blasfêmia imperdoável”, “não porque o Senhor não queira perdoar tudo, mas porque esta pessoa está tão fechada que não se deixa perdoar: a blasfêmia contra esta maravilha de Jesus”:
“Hoje nos fará bem, durante a Missa, pensar que aqui sobre o altar se faz a memória viva, porque Ele estará presente ali, do primeiro sacerdócio de Jesus, quando oferece a sua vida por nós; há também a memória viva do segundo sacerdócio, porque Ele rezará aqui; mas também, nesta Missa – o diremos depois do Pai-Nosso – há aquele terceiro sacerdócio de Jesus, quando Ele voltará e a nossa esperança da glória. Nesta Missa, pensemos nessas belas coisas. E peçamos a graça ao Senhor de que o nosso coração jamais se feche – jamais se feche! – a esta maravilha, a esta grande gratuidade”.

Fonte: radiovaticana.va




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A "MISSA" PRECISA COMEÇAR NOS ENCONTROS

Durante muito tempo na catequese, a LITURGIA, esteve dissociada da nossa realidade. 

Explico: Os conteúdos da catequese priorizavam mais a "doutrina" da Igreja. Ou seja, o "ensino" era mais do catecismo do que propriamente da "mensagem" que Jesus deixou com seus ensinamentos. A ideia era que cada um recebesse os sacramentos em um tempo específico, sem, contudo observar a "conversão" de cada um. Partia-se do pressuposto de que todos nasciam em uma família cristã, logo, sabiam o que se espera deles na Igreja e na vida em comunidade.

Bom, aqui cabe um parenteses: Será que ainda não se pensa assim nos dias de hoje?

A partir do Concílio Vaticano II, surgiram vários "movimentos" por parte da Igreja no sentido de tornar a catequese mais de "iniciação" à vida cristã e menos voltada aos sacramentos. Documentos e exortações do Papa, o Diretório Geral para a Catequese e muitos outros documentos vieram falando da “iniciação” e não mais da cateques ecoim vistas ao sacramento. A Bíblia passa a ser “o” documento da catequese e não mais o catecismo e a liturgia passa a ter importância também nos encontros catequéticos. “Mistagogia” passa a se uma palavra comum na catequese de iniciação.

E uma catequese de iniciação precisa de "celebração", de mistagogia (celebrar o mistério da fé). Despertar os “sentidos" da pessoa, mais que a razão, onde para se viver a fé é necessário se envolver nesse mistério. Mas, ainda assim nossa catequese parece não ter conseguido "internalizar" isso. Vê-se pela enorme "dificuldade" que quase todos os catequistas nos relatam em "levar" seus catequizandos a uma missa.

E – é quase unânime – que vamos culpar os pais: "que não levam", "que não dão exemplo", que não participam da catequese dos filhos...

Vamos então esmiuçar esta questão. Em primeiro lugar, a missa (liturgia) não é "exemplo", “costume”, “hábito” como o foi em eras passada. E nem muito menos um compromisso "social". A missa é a "celebração da fé". Que nada mais é do que a celebração "da vida"! É uma "necessidade" espiritual, jamais uma imposição e nunca deve ser lido como um dogma de “pecado”.

Enfim, nós temos uma missão na catequese, além de ensinar "conteúdos", precisamos ensinar os “mistérios” da fé. Precisamos não “ensinar” liturgia, mas, VIVER a liturgia. Precisamos ensinar a CELEBRAR! Estamos vivos! Fomos salvos pelo sacrifício amoroso de cristo. Nossa catequese deve CRISTOCÊNTRICA e não doutrinal ou devocional.

E celebrar começa pela vida, pelo nosso cotidiano, pelas pequenas coisas que vivemos. Um dia lindo de sol, a chuva que rega a terra, a beleza da natureza colocada à disposição do homem, a água que alivia a sede, a luz que ilumina a escuridão, o pão que sacia a fome... Se não ensinamos nossas crianças a "celebrar", a "festejar" a vida, eles nunca entenderão porque precisam ir à missa.

Então é isso: a "Celebração" precisa começar nos encontros! E cada etapa/fase tem os seus momentos. Como fazer isso, é uma questão de planejamento. O que precisamos celebrar nos encontros para que nossos catequizandos sintam a necessidade de celebrar com a comunidade também? Usar símbolos, usar os sentimentos, mesmo aquilo que não se pode tocar pode ser simbolizado. Somos despertados para a vida e todas as coisas ao nosso redor, pelos nossos sentidos: o olhar, o ouvir, sentir o toque, o perfume.

Por que não usar isso em celebrações catequéticas?

Ângela Rocha
Catequista 

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO