sábado, 21 de outubro de 2017

O QUE É O "CERCO DE JERICÓ"


O CERCO DE JERICÓ: UMA CRÍTICA

Por Guillermo D. Micheletti
Introdução

Em certa ocasião, um grupo me pediu para organizar um “Cerco de Jericó” (CdJ). Perguntei o que é era. Disseram que se tratava de um encontro de adoração com missa e que geralmente, após a missa, se realizava uma procissão com o Santíssimo ao redor do povo, com cantos, súplicas e clamores: cada dia acrescentando-se uma volta, até completar sete. Como no relato bíblico da queda das muralhas de Jericó, hoje, no CdJ, vão “caindo” todas as muralhas que atrapalham a vida humana: carência, depressão, encostos, bruxarias, despachos, falta de dinheiro, brigas em família etc. Então, pedi que fizessem uma pesquisa bíblica para esclarecer melhor o fato… Passado um tempo, o grupo veio me dizer que “tinha desistido” de realizar o encontro porque a pesquisa não lhes dera uma resposta convincente; parecia que o tal cerco de Jericó “não tinha acontecido como descrito na Bíblia”. Eu, já ciente disso, decidi então escrever este artigo, a modo de contribuição.

O que é o Cerco de Jericó? Um pouco de história

Sobre o Cerco de Jericó, CdJ, não se tem história muito documentada. Parece que começou na Polônia, como preparação para a visita do papa João Paulo II a Cracóvia. Em 8 de maio de 1979, decidiram organizar práticas piedosas; uma delas foi chamada de Cerco de Jericó.

Diz-se que uma piedosa mulher polonesa teve a inspiração de organizar um momento forte de oração mariana em preparação para a visita papal. A preparação contou com o reforço de um congresso sobre o rosário, em Jazna Gora. Foram sete dias e seis noites de rosários consecutivos diante do Santíssimo Sacramento.

Em que consiste o Cerco de Jericó?

O CdJ é uma oração de “arrebanhamento comunitário (e extra comunitário)” baseada na saga de Josué na conquista de Jericó. Consiste em uma semana “incessante de batalha espiritual”, com a intensificação de orações em grupo: terços e pregações da Palavra. O coração é a missa diária, acompanhada, em seguida, da procissão com o Santíssimo Sacramento. Em ocasiões, acrescentam-se práticas como a confissão, jejum e muitas imprecações.

A exemplo do relato bíblico, os articuladores do CdJ direcionam o pensamento para “cercar os inimigos” com orações e louvores, esperando Deus atuar em favor do grupo. É preciso perseverar e persistir durante os sete dias.

Espera-se “derrubar as muralhas” com a força da oração, com a ciência de que o Espírito Santo é capaz de derrubar, destruir e aniquilar as “forças malignas”. O terço de Nossa Senhora e os clamores diante do Santíssimo vão “quebrando” os alicerces das nossas muralhas. Acredita-se que “muitas curas e libertações acontecem”: portas que estavam fechadas se abrem, crises conjugais e econômicas superadas, doenças e tantos outros problemas solucionados. Mas o mais importante é o poder de Deus se derramando sobre o povo.

O que sabemos da Jericó bíblica?

Jericó, em hebraico yerihô (cidade da lua), em grego ierichõ, é quase a cidade mais antiga do mundo, situada na depressão do rio Jordão, 23 quilômetros a nordeste de Jerusalém. O nome deriva provavelmente de um deus pagão: yrh = deus-lua, traduzido como Jericó pelos membros do clã dos binu-yamina (1800 a.C.).

O lugar é um grande oásis irrigado por três fontes: a principal, a fonte de Eliseu dos peregrinos (2 Reis 2,19-22); a segunda, alguns quilômetros a noroeste; a terceira, um pouco ao sul. Jericó era ao mesmo tempo um lugar agrícola, comercial e estratégico; daí a notável importância em diversos momentos da história bíblica e cultural da região.

Como se estruturou o relato bíblico da “queda das muralhas”?

A ciência bíblica diz que a formação dos livros da Bíblia resulta da complexa convergência de três elementos conhecidos dos biblistas. Comentaremos todos e aplicaremos ao tema das muralhas.

1º elemento: Na pesquisa dos acontecimentos “históricos” da multissecular história do povo bíblico, entram conjunturalmente vários aspectos. O que se entende por “história bíblica”? Deve-se entender por experiências pessoais: (personagens, patriarcas, profetas, Jesus, os apóstolos) e coletivas (vida do povo, formas de viver, de se exprimir, batalhas, lutas, doenças, acontecimentos, nações, estados), nas quais se inclui também a cultura (patrimônio jurídico: leis, conjunto de instituições civis e religiosas, monarquias, impérios, governadores, escribas, sacerdotes do templo, fariseus; tradições, lendas, parábolas, narrações míticas etc). Isto é, uma história feita de homens, com tudo o que isso implica de bom e de ruim, de correto e de impreciso.

Apliquemos isso ao texto de Josué 6,1-19: o fato narrado no texto deu-se por volta de 1200 a.C., quando os israelitas chegaram à Palestina, a terra prometida. Jericó foi a primeira cidade inimiga com a qual se defrontaram: cidade muito bem organizada, com um rei, com serviços de inteligência (Josué 2,2) e um exército bem apetrechado; os israelitas, pelo contrário, um bando desorganizado de tribos e clãs que vinha fugindo da escravidão do Egito.

A respeito “das muralhas”, sabe-se que as múltiplas pesquisas arqueológicas não observam restos de muralhas caídas nesse tempo. A pesquisa mais expressiva, organizada entre 1952-1959 pela arqueóloga Kathleen Kenyon, nada deixou sem averiguação. Graças a essa aprimorada investigação, foi possível traçar quase toda a história e a fisionomia da(s) cidade(s) mais antiga(s) do mundo. Foram descobertas muralhas de defesa, construídas cerca de 8000 a.C. (2 m de largura, uma torre de 9 m de altura e 8 m de diâmetro). Outras interessantes descobertas estabeleceram que, na verdade, existiram “muitas Jericós”, no mínimo 17. Pois aquela região de Jericó foi tomada, saqueada, queimada, destruída e abandonada em inúmeras ocasiões. Foi finalmente destruída em 1550 a.C. para nunca mais voltar a reerguer-se.

Então, quando o grupo de Josué chegou à região, aproximadamente no ano de 1200 a.C., havia 350 anos que Jericó “já não existia”. Provavelmente moraram ali pequenos grupos seminômades, empobrecidos, com uma precária organização social e política, e grupos chegados do Egito (o grupo de Josué), acreditando no todo-poderoso Javé, ter-se-iam infiltrado aos poucos na vida desses povoados e, com pouco esforço, os teriam vencido e subjugado.

2º elemento: É a interpretação teológica e sapiencial dos fatos ou a mensagem religiosa/espiritual dos eventos para o bem do povo que culmina normalmente numa “história” que se concretiza, no decorrer do tempo, numa forma concreta de literatura: livros.

O que de fato aconteceu, podemos lê-lo no relato bíblico de Josué 6,1-19. O mais importante é que a conquista de Jericó foi um acontecimento militar essencial para afirmar o sentido social e religioso de todo o povo de Israel, já que abriu as portas para a conquista da Palestina. O relato bíblico é uma construção literária montada por motivos religiosos e teológicos (processo muito complexo) para deixar bem manifesto que “as promessas de Javé não falham”: a terra prometida seria posse do povo eleito.

Aplicando ao texto: a exegese bíblica diz que a história de Josué foi codificada de modo amplo ao longo de muitos séculos: do século X ao I a.C. A redação definitiva da conquista de Jericó corresponde aos escritos pós-exílicos dos séculos VI e V a.C.

3º elemento: A literatura bíblica surge das “histórias” acolhidas como mensagem de amor e amizade que Deus quis comunicar aos homens e mulheres de todos os tempos. Essa literatura plasmada em gêneros literários permite individuar as linhas teológicas dessa história até chegarmos a uma correta percepção da “mensagem” de Deus. É claro que a mensagem permanece o escopo final de uma caminhada que exige tempo, boa vontade e fadiga (BISSOLI, 2002, p. 18-19).

Teologicamente, sabe-se que muitos anos depois (no mínimo 700/800) esses relatos da entrada na terra prometida foram escritos. Ao chegar e achar tudo derrubado, veio à tona a pergunta: quem derrubou as muralhas e entregou para nós a cidade? A resposta da teologia diz: tudo isso foi obra de Javé, que abriu o caminho e facilitou a entrada na terra que ele mesmo prometeu; acontecimento jubilosamente festejado liturgicamente com orações e rezas acompanhadas de trombetas e gritarias.

Finalmente, o relato ficou imortalizado no capítulo 6º de Josué, inspirando-se provavelmente na procissão que todos os anos o povo realizava desde o santuário vizinho de Guilgal até as ruínas, para comemorar a “inesquecível” conquista.

O que diz a Igreja sobre a finalidade da adoração eucarística fora da missa

A devoção da adoração eucarística fora da missa desenvolveu-se entre os séculos IX e XIII, como resultado do gravíssimo empobrecimento na compreensão da dimensão plena e integral da celebração eucarística. Por vários motivos, a Igreja abandonou os processos de iniciação à vida cristã para adultos e deu início ao batismo de crianças (paidobautismo) de forma massiva, o que originou um agudo empobrecimento bíblico e teológico da população e resultou na deturpação do mistério eucarístico como um “todo dinâmico celebrativo”. Assim, a eucaristia “polarizou-se” em “isolada devoção”, fora do contexto da celebração do mistério pascal. A sensibilidade do povo devotou-se à exagerada acentuação da “presença real” de Cristo na hóstia consagrada, valorizada “em si mesmo”, desligada do contexto celebrativo, fazendo com que de fato resultasse uma “visão coisificante/rígida” da realidade sacramental.

O que aconteceu? Ao longo dos séculos, a exposição do Santíssimo Sacramento foi se separando totalmente do acontecimento celebrativo, sobrepondo-se, por vezes, às mesmas celebrações. Por exemplo, durante a missa, ficava o Santíssimo exposto acima do sacrário. Pela grave ausência de uma correta iniciação ao mistério eucarístico, o povo já não entendia a liturgia em língua latina e ficava ainda mais afastado da comunhão sacramental. O povo não mais compreendia o sentido da celebração eucarística e ficava apenas com uma superficial (quando não supersticiosa) devoção “à presença real de Cristo na eucaristia”.
A adoração eucarística se dirige a Cristo, realmente presente na espécie eucarística do pão conservada no sacrário após a celebração. De que forma Cristo está presente nesse dom? Os símbolos de sua presença manifestam que ele aparece diante de nós de uma maneira especial; presente sob as espécies eucarísticas como “encarnação de seu louvor eucarístico”; bênção (beraká) que se concentra, por assim dizer, em sua pessoa, verdadeiro “acontecimento de salvação”: no pão e no vinho eucaristizados, Cristo está presente como “louvor eucarístico”, personificação dele, anamnese vivente da obra salvífica. Ele continua, como “presença oblativa”, como dom para nós, como permanente convite a consumi-lo, isto é, a participarmos extasiados e agradecidos em seu louvor, em seu sacrifício, em seu caráter de servo de Javé. A sua presença espera uma resposta de acolhida; resposta de fé em Cristo.

Comunhão como atitude fundamental.

Quando o cristão se coloca na presença do pão eucaristizado, faz isso “aproximando-se” dele para acolher o “Dom” que o convida a participar no sacrifício de louvor. Assim, a primeira atitude será de comunhão; comunhão que, na celebração eucarística, é cume da vida cristã, pois o sacrifício de Cristo não pode ficar isolado, sem ligação com a vida cotidiana do cristão. Todo o direcionamento do cristão que participa da eucaristia (e da adoração) abrange todos os aspectos da comunhão: louvor, adoração, participação no sacrifício, súplica. A comunhão é – e o reiteramos – a atitude fundamental da oração eucarística, entendida como “real participação no memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor”.

Caráter eclesial da adoração eucarística

Graças à celebração eucarística, os cristãos se unem e participam do mesmo memorial da ceia, recebendo o pão eucarístico, comungando do mesmo Corpo e Sangue de Cristo e constituindo juntos seu Corpo místico que é a Igreja. Assim, a presença eucarística de Cristo não é presença estática, é “presença em ação”, dinâmica, para plasmar a vida da Igreja toda. Pois não tem sentido de modo algum considerar a presença em si mesma, separada do ato, por meio do qual a Igreja, pela comunhão no sacrifício sacramental, une a própria oferenda à de Cristo, cujo poder de apresentação ao Pai recebeu. Por isso, a intenção da Igreja, ao conservar a eucaristia após a missa, responde ao desejo de “prolongar”, “completar”, de algum modo, o sacrifício de Cristo em alguns de seus membros (CDC, cânon 938 §1 e 2).

Omitir a consciência de eclesialidade na adoração eucarística fora da missa é, na verdade, “caminhar contra a vontade da mesma Igreja”. Cristo está presente na eucaristia para selar e constituir entre Deus, seu Pai, e os homens uma aliança eternamente nova e vital. Pois a eucaristia é o sacramento da amizade/aliança entre Deus e os homens, e da amizade que os une como sacramento da fraternidade. É preciso amadurecer nos adoradores a consciência de que Cristo está presente sobretudo para a edificação da Igreja, seu Corpo místico.

Infelizmente, partindo de um grave desconhecimento do sentido mistagógico da celebração eucarística, pensa-se erroneamente que a falta de insistência na adoração fará com que esmoreça o sentido da presença de Cristo no pão eucaristizado; com isso, volta-se “quase desesperadamente à insistência da adoração”, incorrendo-se nos exageros da época medieval e esquecendo-se dos preciosos princípios conciliares sobre a eucaristia.

Com efeito, não obstante se saiba que a missa não é a hora oportuna para a adoração do Santíssimo, age-se completamente “fora de lugar” quando se coloca a hóstia num ostensório e se percorre o interior da Igreja (e até sete vezes, como no CdJ), não raro acompanhado de uma balbúrdia que impede penetrar o sentido do mistério, fazendo com que o povo continue tão vazio como entrou, ou pior (cf. TABORDA, 2013, p. 3-8).

Por outra parte, se perguntamos à ciência litúrgica sobre a importância da adoração eucarística do ponto de vista da “densidade sacramental do mistério pascal”, ela nos dirá que a adoração “não aparece como primeira categoria”. Pois, sobre a ordem de importância das ações litúrgicas segundo a densidade do mistério pascal celebrado, diz: primeiro a celebração eucarística, como a maior e privilegiada densidade sacramental que nos conduz ao mistério pascal, depois os sacramentos e a Liturgia das Horas; a seguir, a celebração da Palavra, as bênçãos sacramentais, as exéquias e consagrações; depois vem a adoração ao Santíssimo Sacramento.

Conclusão

Evangelizar não se reduz a vender um produto religioso que agrada ao cliente e lhe dá satisfação espiritual, mas, numa sociedade desfocada do sentido cristão da vida, sem capacidade para uma profunda vida de oração e adoração, os oportunistas transformaram a religião em lucrativo mercado, e os fiéis em consumidores de seus produtos. Alimentam nos fiéis o medo, a insegurança, a obsessão fanática por devoções; grupos que negligenciam as normas da Igreja, promovendo “espetaculares” momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento desconectados do mistério pascal da eucaristia; novenas e devoções desligadas do compromisso comunitário, cultos televisivos marcados pelo espetáculo, shows narcisistas; venda do sagrado e promoção de emoções descontroladas; gritaria em vez de silêncio, práticas quase mágicas em vez da sobriedade evangélica; obsessão por milagres e fatos extraordinários, em vez do serviço discreto, silencioso e permanente aos pobres e a todos.

Procura exacerbada do aspecto curativo e subjetivo da religião, esquecendo o principal – a dimensão profética a serviço da vida e da justiça – para constituir-se em caminho de subjetiva alienação. Deus não pode ser transformado em “objeto de desejos pessoais”, assim como a religião não pode reduzir-se a “prosperidade material”, saúde física e realização afetiva. Já conhecemos a ação dos “mercadores da boa-fé”, das “igrejas-pedágio”, do mercado do religioso (o segundo produto mais rentável do capitalismo). Buscas sinceras por respostas a perguntas legítimas sendo instrumentalizadas por expertos do mercado religioso, deformando gravemente a visão de vida cristã. Sem dúvida, atrás dessas iniciativas existem, não poucas vezes, manifestações até patológicas.

Percebe-se que a desleixada atitude diante do imponente mistério eucarístico exposto à adoração não responde a uma saudável e construtiva oração contemplativa. Pessoas desejosas de entrar na intimidade com o Senhor ficam desiludidas e enganadas, cultivando uma visão depauperada do mistério eucarístico da Igreja.

Na verdade, estão em jogo duas concepções diametralmente opostas de ser humano. Ou queremos aquele “deus” que o nosso egoísmo projeta, que vive de ter, poder e aparecer, ou optamos por Jesus, que revela a face do amor: partilha, serviço, humildade. Um Deus “diferente”, no estilo de Jesus. Pois poderemos ser salvos se nos tornarmos discípulos de Jesus, que é dom de si até a morte de si.

O cristianismo não nasceu de forma fanática, pois teria deturpado a beleza da fé original, tornada doença e desvio patológico, levando as pessoas a viver uma religião de vernizes, de superficialidade; transformando os fiéis em funcionários obedientes e sem raciocínio, distantes dos pobres e das causas do reino de Deus, acreditando enfim numa caricatura de Deus, esvaziada de uma autêntica vivência religiosa. A vida cristã não é uma busca epidérmica e apressada de satisfação… não é um “oculta-vazio’ ou um alívio emocional para sociedades à beira de um ataque de nervos. É uma fascinante aventura que nos radica na verdade nua do homem e na verdade de Deus.

Os promotores de uma caridade sem ação social transformadora, ingênua, anticristã, humilhante e ofensiva aos pobres apostam em saídas milagreiras, na beleza insípida das celebrações, em assembleias festivas sem contemplação, abusos sacramentais e melado devocionismo. Os símbolos cristãos não são atos de magia e não nos distanciam do concreto, do cotidiano da vida; ao contrário, eles apenas querem antecipar, no rito, a eternidade na precariedade do presente.

Até aqui, minhas palavras. Agora o discernimento. Deixemos de lado o que nada tem a ver com a beleza do cristianismo para sermos livres com a liberdade dos discípulos de Jesus, cultivadores de uma fé amorosa, bondosa, misericordiosa, inteligente e nobre, bela e profunda.

Bibliografia:

ALTEMEYER, F. O fundamentalismo é uma doença. O Mensageiro de Santo Antônio, Santo André,n. 587, p.10-13, set. 2015.
BISSOLI, C. Viaggio dentro la Bibbia. Leumann: Elledici, 2002.
Jericó. In: Diccionario de la Biblia. Santander: Mensajero/Sal Terrae, 2012. p. 412-413.
MAZAR, A. Arqueologia na terra da Bíblia. 10.000-586 a.C. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 322-327.
POIRÉ, M.-J. “Voici le pain, voici le vin, pour le repas et pour la route…”. Quelques enjeux liturgiques et pastoraux de la pratique de l’adoration eucaristique. Lumen Vitae, n. 3, p. 309-320, jul/set. 2009.
RAMOND, S. Giosuè há conquistato Canaan. Il mondo della Bibbia, n. 121, p. 20-21, jan./fev/ 2014.
TABORDA, F. Valorizar o sentido mais profundo da eucaristia: entrevista com Pe. Francisco Taborda, sj. Vida Pastoral, n. 291, p. 3-8, jul/ago. 2013.
TAGLE, L. A. L’adoration authentique. Lumen Vitae, n.3, p. 291-298, jul./set. 2009.
VALDÉS, A. A. Como caíram as muralhas de Jericó? ______. Que sabemos sobre a Bíblia? Aparecida: Santuário, 1997. p. 49-58 v. 3.
______. Como foi a misteriosa conquista da terra prometida? ______. Que sabemos sobre a Bíblia? Aparecida: Santuário, 2001. p. 19-29. v. 5.


Guillermo D. Micheletti - Presbítero argentino da Diocese de Santo André. Pároco da Igreja Jesus Bom Pastor. Membro fundador da Sociedade Brasileira de Catequetas (SBCat) e SCALA. Autor de vários livros de catequese e liturgia. E-mail: gdmiche@terra.com.br


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O QUE SIGNIFICAM AS SIGLAS JHS, INRI, XP e ICTYS NA IGREJA CATÓLICA


JHS

No Brasil, temos a tradição de dizer que significa “Jesus Hóstia Sagrada” (o que não está errado, pois Jesus é a Hóstia Sagrada). Mas na realidade, JHS ou IHS é a sigla da expressão: “Iesus Hominun Salvator”, que significa: “Jesus Salvador dos homens”. JHS é um Monograma de Cristo que corresponde as três primeiras letras de “Ihsus” que é como se escreve Jesus em grego (também aparece escrito como Ihcus). O “J” em paleografia corresponde a pronúncia do “I” na antiguidade, da mesma forma que o “V” era empregado como “U””.


INRI

Escrita normalmente em crucifixos, a sigla INRI significa “Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum” ou “Jesus de Nazaré Rei dos Judeus”. Segundo o Evangelho de São João (19, 19-20), Pilatos mandou redigir o texto em latim, grego (Ἰησοῦς ὁ Ναζωραῖος ὁ Bασιλεὺς τῶν Ἰουδαίων) e hebraico (ישוע הנצרת מלך היהודים).


XP
Vemos essa sigla em paramentos, em casulas e até na Sagrada Eucaristia. Ela significa “Cristo” pois as letras gregas XP (Chi-Rho) são as primeiras duas letras de Χριστός, Cristo. O monograma foi criado pelo imperador Constantino para simbolizar o Cristianismo.


ICTYS

Apesar de não ser visto comumente a sigla ICTYS é um importante marco na história da Igreja. Era utilizado pelos primeiros cristãos para que eles pudessem se identificar de uma forma discreta, pois sofriam inúmeras perseguições na época. Então a palavra grega ICTYS (peixe) passa a ser a sigla de “Iesus Christus Theou Yicus Soter”, ou “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”.


FONTES: Diversas na internet.

HOMILIA: 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


A pergunta dos fariseus de herodianos tem o objetivo de pegar Jesus em uma armadilha: se Jesus fizesse alguma oposição ao imposto, seria acusado de revolucionário contrário ao poder romano; mas se aceitasse o pagamento, estaria contra o povo. Jesus procura mostrar que seu Reino está acima destas questões, o que não significa defender a alienação da realidade política.


Ao pedir uma moeda, Jesus desmascara a hipocrisia dos seus adversários, pois ao portarem a moeda com a imagem do imperador em lugares santos, os judeus revelam a falta do zelo escrupuloso e a  aceitação do sistema econômico vigente. Deste modo, não poderiam criticar qualquer atitude de Jesus.


O que o Senhor nos mostra é que somos adoradores de Deus, portanto não devemos ter outros deuses. Em muitos casos, Deus foi apenas substituído por outros deuses: o dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social... Muitas coisas tomaram o lugar de Deus e passaram a dirigir e a condicionar a vida das pessoas. A consequência é certa: a frustração e a infelicidade. Certamente continuaremos no mundo do dinheiro, da politica e do trabalho. O que se exige não é fugir do mundo, mas  fazer uso das estruturas do mundo com discernimento. O próprio não é ruim em si mesmo, depende do que fazemos com ele. Certamente, não podemos esquecer que as estruturas geram injustiças, e devemos ter consciência de que muitos esquemas humanos geram escravidão. Enfim, o questionamento que brota do Evangelho é este: existem outros deuses que tomam posse da minha vida e condicionam minhas opções e interesses?


Lutar contra a idolatria é mais do que dizer adorador de um púnico Deus. Depende das escolhas e projetos da vida pessoal. Depende do uso das instituições, dos “poderes”, dos bens materiais. De a César o que  é de César, mas não deixe que nenhum poder de instituição humana ocupe o lugar do verdadeiro Deus de amor, liberdade e justiça.


Na história da humanidade, muitos casamentos espúrios entre o poder temporal e o poder religioso. Não raras vezes, a religião foi instrumentalizada a favor dos monarcas e ainda hoje, a favor de políticos corruptos que pensam somente em seus interesses. O Evangelho de hoje, é uma oportunidade de refletirmos sobre a nossa consciência política e sobre o modo como Deus pode ser manipulado em favor de interesses egoístas.


Na segunda leitura, São Paulo dá graças pela comunidade Tessalônica e ora por ela. Facilmente preferimos pedir coisas, soluções para os  problemas, ou reclamamos das amarguras da vida. Se olharmos a vida com os olhos da gratidão, poderemos mais facilmente encher o coração de bondade, deixando o amor divino brotar, pois veremos que a vida é uma grande benção. Assim, é preciso saber olhar para a vida e agradecer por muitos motivos. A gratidão torna-se mais que uma oração e passa a ser uma dinâmica da vida: viver agradecendo, viver a vida como um dom. Mesmo as coisas tristes do caminho são dignas de agradecimento, pois podem ser oportunidades de crescimento.


Tessalônica era uma comunidade que floresceu ao ouvir o apelo de Deus.Com três meses de pregação, Paulo fez nascer uma fé entusiasmada.  O apóstolo insiste na eleição divina, pois a comunidade é escolhida por Deus. Nós diferente dos tessalonissences, estamos na igreja há muito mais tempo, mas nem sempre mantemos a alegria pela eleição divina e a gratidão pelos inúmeros benefícios que o Senhor nos concedeu. O tempo pode nos tornar duros de coração, insensíveis a Boa Nova do Evangelho.. A fé pode tornar-se burocrática, fria e sem vida. Hoje o Senhor nos convida a olharmos além das moedas do Templo, ou seja, além das normas e das estruturas humanas. É preciso olhar para a beleza da vida ao redor e para o tesouro que reside no interior de nossos corações. Daí brota a gratidão e o compromisso com o Reino sonhado pelo Pai, revelado no Filho e atualizado pela ação do Espírito.  

Pe. Roberto Nentwig




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

LEIGOS PODEM USAR ÓLEO BENTO???

SIM! Podemos fazer uso de Óleo Bento!
Vale acrescentar que não estamos falando do “óleo crismal”, litúrgico, portanto, seu uso é “legal”, conforme o Código de Direito canônico, pois ele é considerado como “Sacramental”.

"1 Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! 2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes; 3 como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre."

(Salmo 133)


Quando falei do meu "Kit catequista", algumas pessoas se espantaram e se surpreenderam por eu ter citado o "óleo bento" que costumo carregar. Alguns até acharam um "sacrilégio" eu ter óleo para ungir meus catequizandos... E fazer essa unção!

Mas, não é nada disso! Não carrego comigo nenhum dos "Santos óleos" reservados para os sacramentos. O óleo que levo é um "sacramental". E, como catequista posso ungir com óleo aqueles que precisam. Você vai entender melhor ao ler as explicações do texto.

Primeiro vamos ao que diz o Canôn da Igreja (Código de Direito Canônico):

Cân. 1166 — Sacramentais são sinais sagrados, pelos quais, de algum modo à imitação dos sacramentos, se significam efeitos sobretudo espirituais, que se obtêm por impetração da Igreja. 

Cân 1167 — (...) 
§ l. Somente a Sé Apostólica pode estabelecer novos sacramentais ou interpretar autenticamente os já existentes, abolir ou alterar neles alguma coisa. 
§ 2. Na realização ou administração dos sacramentais observem-se cuidadosamente as fórmulas aprovadas pela autoridade da Igreja. 

Cân. 1168 — Ministro dos sacramentais é o clérigo munido do devido poder; alguns sacramentais, segundo as normas dos livros litúrgicos e a juízo do Ordinário do lugar, podem também ser administrados por leigos, dotados das qualidades devidas. 

Agora vamos às citações da Liturgia do Ritual Romano que fala sobre as bênçãos, item 14 e 18:


14. Este modo pastoral de considerar as bênçãos está em sintonia com as palavras do Concílio Ecumênico Vaticano II: "A liturgia dos sacramentos e dos sacramentais faz com que, para os fiéis que os celebram nas devidas disposições, quase todos os atos da vida sejam santificados pela graça divina que emana do Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual todos os sacramentos e sacramentais recebem o seu poder, e faz também com que o uso honesto de quase todas as coisas materiais possa ordenar-se à santificação do homem e ao louvor de Deus". Assim, com as celebrações das bênçãos, os homens dispõem-se para receber o fruto superior dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida. 

18. (...)Também os outros Leigos, homens e mulheres, em virtude do sacerdócio comum de que foram dotados no Batismo e na Confirmação - ou pelo próprio cargo (como os pais em relação aos filhos), ou porque exercem um ministério extraordinário ou outras funções peculiares na Igreja, como os religiosos ou os catequistas em alguns lugares - a juízo do Ordinário do lugar, quando é reconhecida a sua devida formação pastoral e a sua prudência no exercício do próprio cargo, podem celebrar algumas bênçãos, com os ritos e fórmulas para eles previstos, como se indica em cada uma das bênçãos. 

(...)
IV. BÊNÇÃOS DAS CRIANÇAS PRELIMINARES

135. Pode haver circunstâncias pastorais em que se reze a Deus pelas crianças já batizadas, p.ex., quando os pais pedem para elas a bênção do sacerdote, quando se celebram algumas festas para as crianças, quando se inaugura o ano escolar e noutras circunstâncias. Esta celebração, portanto, deve adaptar-se às circunstâncias de cada caso.

136. As celebrações que aqui se apresentam podem ser utilizadas por um sacerdote ou um diácono, ou também por um leigo, principalmente pelo catequista ou aquele a quem está confiada a educação das crianças, o qual seguirá os ritos e textos previstos para os leigos.

(E o Ritual apresenta a seguir a fórmula da bênção, que leitura usar, etc.)

Colocamos abaixo cópia das páginas 85 e 86 do livro A cura pelos Sacramentos” de Dário Betancourt, onde o autor traz explicações detalhados a respeito do uso do “óleo bento” como sacramental.


A Unção como Sacramento

Muitos sarserdotes Católicos não perceberam ainda que existe uma benção especial para o óleo, que não é nenhum sacramento, mas trata-se de uma benção para azeite que se faz precisamente para o uso diário da cura, e que as pessoas podem até levar consigo para casa e usar para orar umas pelas outras. Da mesma forma que a água Benta, que é para uso diário, lembra-nos a água do batismo, assim também esse óleo, um sacramental, lembra-nos o sacramento da Unção. Observe-se que na oração de benção se fala daqueles que vão usar esse óleo, e se assume que eles serão outras pessoas além do sacerdote que os benze.

Nós, os católicos, poderíamos recuperar o costume de orar pelos doentes, redescobrindo alguns dos meios que existe a nosso alcance meios similares que foram descobertos através do estudo profundo da epístola de Tiago e outros textos que fazem referência a curas. Tudo o que nós católicos precisamos é de uma sólida instrução nessa matéria: que os sacerdptes aprendam a respeito dessa oração do antigo Ritual Romano, que podem utilizar para depois instruir melhor e com uma doutrina sadia, os seculares. Sobre a maneira de usar o óleo e como orar pelos membros de suas famílias, amigos, vizinhos de modo bastante simples.

Exsitem muitas outras bençãos nas quais são bentos objetos para fins de cura e que procedem de Ordens e Congregações religiosas. Nos atos dos Apóstolos, lemos que, por intermédio de São Paulo, Deus operava milagres pouco comuns, de uma maneira que bastava, por exemplo, que sobre os enfermos se aplicassem lenços e aventais que houvessem tocado seu corpo, e se afastavam deles as doenças, e os espiritos maus saíam (At 19, 11-12).

Sobre esse óleo o Pe. Marcos Paraday, comenta: “Além dos três óleos que a igreja reserva para a celebração dos sacramentos (Santo Crisma, Óleo dos Catecumenatos e Óleo dos doentes), a igreja também reconhece o emprego do óleo bento para o uso de todos os cristãos”. O papa Inocêncio I escreveu não apenas os sacerdotes, mas todos os cristãos podem usar esse óleo para unção, quando eles ou membros do seu lar tendem necessidade disso” (Cartas, 25,8).

Podemos usar esse óleo dessa forma porque a igreja vê o óleo bento, assim como outros objetos bentos (como a água benta) “como extensões e Irradiações dos sacramentos” (ritual Romano p.387). Nesse sentido, assim como a água benta pode ser usada para a fé batismal em relação a Jesus, o óleo bento pode ser usado para renovar as unções recebidas nos sacramentos.

A Benção do óleo para a cura está reservada ao bispo ou ao sacerdote. Seu uso como sacramental entende-se indistintamente ao bispo, sacerdote, religiosos, religiosas e aos leigos. A benção desse azeite encontra-se no Ritual Romano, Título VIII, Cap. XIX.

BENÇÃO DO ÓLEO
- Nosso Auxilio está no nome do Senhor.
- Que fez o céu e a terra.

Óleo, criação de Deus, expulso para fora de ti o demônio, por Deus Pai Todo poderoso, que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm. Que o poder do adversário, as legiões do Diabo e todos os ataques e maquinações de Satanás sejam dispersos e levados para longe desta criatura óleo. Que ele traga a saúde à alma de todos os que o usam, em nome de Deus Pai Todo-poderoso, de Nosso Senhor Jesus Cristo seu Filho e do Espirito Santo, O advogado, assim como no Amor do mesmo Jesus Cristo. Nosso Senhor, que há de vir a julgar os vivos e os mortos e o mundo pelo fogo.

- Senhor, escuta a nossa oração.
- E chegue a ti o nosso clamor.
- O Senhor esteja contigo.
- Ele está no meio de nós.

(BETANCOURT, Dário. A cura pelos Sacramentos. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. Pg 85-86.)

* (Agradecimento especial à Cláudia Pinheiro que me enviou as páginas do livro para eu copiar).


O "óleo bento" que utilizo no meu "Kit" é azeite de oliva perfumado com alguma essência. Coloco em pequenos vidrinhos  e peço ao padre para abençoar. Como o óleo bento é poderoso para "cura" e também era usado como "proteção nas batalhas", faço uma unção em forma de cruz na testa ou na palma da mão das crianças e jovens quando estes estão aflitos por algum motivo, com medo ou com alguma pequena dor. Também uso como "bênção de envio" em algumas celebrações catequéticas.

Os ingredientes para o óleo da unção, segundo a Bíblia:


Êxodo 30, 22-32

"22 Disse mais o SENHOR a Moisés: 23 Tu, pois, toma das mais excelentes especiarias: de mirra fluida quinhentos siclos, de cinamomo odoroso a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, e de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos, 24 e de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de oliveira um him. 25 Disto farás o óleo sagrado para a unção, o perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado da unção.".

O total dos ingredientes para o óleo da unção, são cinco.
Cinco (5 representa a graça de Deus) ingredientes com óleo (frutos do Espírito –Gálatas
5, 22-23) da santa unção (ingredientes para a unidade).

Ingredientes para o óleo da unção:


* Mirra fluida = 500 siclos (6 kilos).
* Cinamomo (canela) odoroso = a metade, a saber 250 siclos (3 kilos).
* Cálamo (cana) aromático = 250 siclos (3 kilos).
* Cássia = 500 siclos (6 kilos).

* Azeite de oliveira = 1 him (4 litros).

Cada um destes ingredientes e suas porções (6 = o homem e suas limitações; 3 = divindade, Deus; 4 = o que é criado tem total dependência do Criador), têm um significado especial, o principal  deles é o azeite de oliva, símbolo da unidade:


Prensa para azeitonas em Cafarnaum
Em muitos lugares em Israel se pode observar as antigas prensas de azeitona. Uma pedra pesada era utilizada para exprimir as azeitonas e extrair seu azeite. O azeite extraído corria por um pequeno canal, caindo em um recipiente onde era recolhido e armazenado.

Uma azeitona é "uma só" antes de passar pela prensa. Ao passar já não é uma azeitona mas sim óleo misturado com muitas outras azeitonas. A unidade rompe (através da prensa de Deus), nosso individualismo levando-nos a ser um com nossos irmãos. Assim como a azeitona que se transforma em azeite (óleo), pela "prensa", nos transformamos de pessoas "individuais" para pessoas que vivem em união e cheias da unção do Espírito Santo.

Mirra: Renuncia e morte de si mesmo para obter e viver a unidade.
Canela: Valorizar a unidade por ser difícil de encontrar. É um presente entre os nobres.
Cálamo: Nossa vontade é triturada para então exalar a fragrância da unidade, trazendo restauração.
Cássia: Flexibilidade, humilhação, pedir perdão, desenvolvimento natural da comunhão.
Todos esses quatros ingredientes + azeite = unidade.

Mas, para simplificar mais nossa vida, hoje encontramos nas casas de perfumes e essências, pequenos vidrinhos com essências já em óleo - que não precisam ser exatamente estas - para misturarmos ao azeite de oliva e criarmos nosso "óleo bento". 


Ângela Rocha

Catequista

FONTES DE PESQUISA:

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus. 2002.
BETANCOURT, Dário. A cura pelos Sacramentos. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. Pg 85-86.
Código de Direito Canônico. 10ª ed. São Paulo: Loyola, 1997.
Missal Romano. 9ª edição, São Paulo: Paulus, 2004.

Comentários Bíblicos - Norman Champlin.
Números na Bíblia - James Strong.


                         

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

CATEQUESE DO PAPA: MANTER A ESPERANÇA E A FÉ!

            PERANTE O ENIGMA DA MORTE MANTER A ESPERANÇA  E A FÉ
Na catequese desta quarta-feira na Praça de São Pedro, o Papa Francisco estabeleceu uma relação entre a esperança cristã e a realidade da morte que - disse – a civilização moderna tende cada vez mais a cancelar. Assim, nos encontramos despreparados, sem um ”alfabeto” adequado para dizer palavras com sentido em volta do mistério da morte. No entanto, os primeiros sinais de civilização humana passaram precisamente por este enigma.

“Poderíamos dizer que o homem nasceu com os culto dos mortos." Diversas civilizações olharam com coragem para esta realidade incontestável que obrigava o homem a viver por algo de absoluto – afirmou Francisco citando o salmo 90 que diz “Ensina-nos a contar os dias e a termos um coração sábio”. Palavras – continuou o Papa – que nos chama a um são realismo, pondo de lado o delírio da onipotência. 

O que somos nós? – perguntou Francisco, que respondeu com as palavras do salmo 88: “quase nada”, a vida passa como um sopro, e a morte põe a nu a nossa vida e nos mostra que os nossos atos de orgulho, de ira, de ódio não eram senão vaidade, pura vaidade. E nos damos conta, com amargura, de não ter amado suficientemente, de não ter procurado o que era essencial. Por outro lado, vemos o que de realmente bom semeamos: os afetos pelos quais nos sacrificamos e que agora nos asseguram a mão. E Bergoglio continuou:

“Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Com o seu comportamento nos autoriza a nos sentirmos tristes quando um ente querido morre. Ele se sentiu profundamente perturbado perante o túmulo do amigo Lázaro e desatou a chorar. Nesta atitude, sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão. Ele chorou pelo seu amigo Lázaro” .

E Jesus rezou ao Pai, fonte de vida e ordenou que Lázaro saísse do túmulo. A esperança cristã – explicou o Papa – apoia-se nesta atitude que Jesus assumiu perante a morte humana. Embora a morte esteja presente na criação é, contudo, como que uma ferida que deturpa o projeto do amor de Deus, e o Salvador quer curar essa ferida.

O Papa falou ainda de outros episódios bíblicos em que, perante a doença e a morte, as pessoas se dirigem a Jesus para que ponha remédio a isso. E Ele sugere que não se tenha medo, mas sim a manter viva a chama da fé. E diz “Eu sou a ressurreição e a vida, quem acredita em mim, mesmo que morra viverá; quem vive e acredita em mim, não morrerá em eterno”. Acreditas nisso?– interpelou o Papa, frisando que toda a nossa existência se joga nisto, entre o lado da fé e precipício do medo. E lançou mais uma pergunta: “Nós aqui nesta Praça, acreditamos nisto?” 

A esta pergunta Francisco respondeu que perante a morte somos todos pequenos e indefesos, mas - disse - será uma graça se naquele momento tivermos no coração a chama da fé. E tal Jesus como fez com a filha de Jairo a quem disse “Talita Kum” (menina, levanta-te), também dirá a cada um de nós: “levanta-te, ressurge!”

E Francisco lançou um convite aos participantes na audiência: “Eu vos convido, agora, a fechar os olhos e a pensar naquele momento: da nossa morte. Cada um de nós pense na própria morte, e imagine aquele momento que virá, quando Jesus nos tomará a mão e nos dirá: “vem, vem comigo, levanta-te”. Ali acabará a esperança e será a realidade, a realidade da vida. Pensai bem: o próprio Jesus virá a cada um de nós e nos tomará as mãos, com a sua ternura, a sua doçura, o seu amor. E cada um repita no seu coração as palavras de Jesus: “levanta-te, vem. Levanta-te, vem. Levanta-te, ressurge!”.

Esta é a nossa esperança perante a morte. Para quem acredita é uma porta que se abre de par em par. Para quem dúvida é um raio de luz que passa por um buraquinho que não se fechou completamente. Mas para todos será uma graça, quando essa luz, do encontro com Jesus, nos iluminar – concluiu o Papa.

No final da sua reflexão bíblica, o Papa lançou este apelo relativo à Somália: “Desejo exprimir a minha dor pelo massacre acontecido há alguns dias atrás em Mogadiscio, na Somália, que causou mais de trezentos mortos, entre os quais algumas crianças. Este ato terrorista merece a mais firme deploração, também porque se perpetua sobre uma população já muito provada. Rezo pelos defuntos e pelos feridos, para os seus familiares e por todo o povo da Somália. Imploro a conversão dos violentos e encorajo quantos, com enormes dificuldades, trabalham pela paz naquela terra martirizada .”

A catequese do Papa foi resumida em diversas línguas para os grupos presentes a quem saudou. Eis a tradução da sua saudação aos peregrinos de língua portuguesa: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, com destaque para os diversos grupos vindos do Brasil, em particular os fiéis da arquidiocese de Natal com o seu Pastor e os da arquidiocese de Londrina, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus, como os Protomártires do Brasil. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja”.


FONTE: radiovaticana.va

KIT BÁSICO DO CATEQUISTA


KIT CATEQUISTA 

Igual caixinha de "primeiros socorros", todo catequista deve ter em sua "malinha":

- Uma Bíblia;
- Um cruz;
- Uma vela;
- Um vasinho de flor;
- Um vidrinho de água benta;
- Um vidrinho de óleo bento;
- Uma toalha branca;
- Pequenas toalhinhas com as cores do tempo litúrgico;
- E sempre que possível, balinhas em quantidade suficiente para o número de catequizandos.


Ah! Vocês acham que estou brincando, né? 


Não... isso se chama "mistagogia", aguçar os sentidos para "sentir" aquilo que é sagrado: Poder olhar e tocar a Palavra, ver o símbolo da nossa fé (cruz), sentir o calor da luz da vela, a beleza das flores, o toque da água e do óleo, as cores que despertam os sentidos, o doce da alegria...

Ângela Rocha

CATEQUISTA, QUE DEUS TE ABENÇOE...

Catequista, que Deus te abençoe...

Que Deus te abençoe com o desconforto: contra as respostas fáceis, as meias verdades, as relações superficiais, para que você seja capaz de ir fundo dentro do seu coração, em busca da verdade que só o amor oferece.
Que Deus te abençoe com raiva: frente a injustiça, a opressão e a exploração das pessoas, para que você seja capaz de trabalhar pela liberdade, justiça, paz, com ardor e energia.

Que Deus te abençoe com lágrimas: para que você possa vertê-las por aqueles que sofrem dor, rejeição, fome e guerra. Para que você seja capaz de estender a sua mão e reconfortá-los, e converter as suas dores em alegria.

E que Deus te abençoe com loucura o suficiente: para acreditar que você pode fazer a diferença neste mundo e fazer o que os outros proclamam ser impossível!

Amém.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

COMO OS DISPOSITIVOS MÓVEIS PODEM AUXILIAR NO PROCESSO DE FORMAÇÃO CRISTÃ DAS CRIANÇAS?


Hoje, os dispositivos móveis (celular, tablet, etc.), fazem parte da vida das crianças desde muito cedo. E é uma parte muito “importante” da vida delas, funciona não só como meio de comunicação, mas, como entretenimento, cuidado dos pais (vigilância e segurança), meio de adquirir conhecimento, registrar fatos e eventos, meio de fazer amigos e “estar” com estes amigos. É uma forma de interagir com o “mundo” como nunca se viu antes. E isso torna possível hoje, conhecer mais de si próprio e do outro pelo simples fato de que a rede nos dá outra perspectiva sobre o tempo e o espaço. Pode-se estar em qualquer lugar, a qualquer hora. Ao contrário do que se pensa, as relações estabelecidas por meios digitais não substituem as do mundo real, e sim, as complementam.

Com relação à educação religiosa, hoje existem aplicativos de jogos, vídeos, sites, blogs, músicas, enfim; direcionados à formação cristã. Pode-se acessar a Bíblia pelo celular, a missa, liturgia, orações; pode-se usar navegadores de busca para assuntos da catequese, de religião e conhecimento bíblico e, sobretudo, pode-se ter relações de amizade e companheirismo por meio das redes sociais e de “grupos” com as pessoas que também estão na Igreja. Além disso, internet nos proporciona um conhecimento e um acesso à informação que pode ser partilhado na catequese: quando temos uma dúvida, não conhecemos um assunto ou queremos “comprovar” uma informação, vivenciar fatos e notícias: podemos pesquisar na rede, visitar sites e comparar informações. O catequista deve ser um mediador desse conhecimento e dessa informação.

Não só os pais, mas, os próprios catequistas precisam direcionar a criança a estabelecer uma “relação saudável” com seu dispositivo móvel.

Com relação às crianças mais novas, o uso do celular é mais restrito já que, quem o possui, normalmente não tem acesso às redes sociais (ou não deveria ter). Os pequenos podem assistir vídeos com historinhas e parábolas, joguinhos e se, os pais assim o permitirem (e controlarem) usar as redes sociais como contato com os amigos. Mas, veja bem, estes “contatos” precisam ser supervisionados sempre.
Mas, com os adolescentes a conversa é outra! O celular e as redes sociais são uma extensão da vida deles. É necessário interagir com o “mundo” deles: Conhecer jogos, aplicativos, músicas, ídolos e redes sociais que eles acessam e gostam, antes de fazer qualquer crítica ou proibição.

Assim, o catequista deve aproveitar justamente isso: a “sociabilidade” do celular e o contato mais estreito com adolescentes e jovens. Ter os catequizandos em seus “contatos” e como “amigos” nas redes é imprescindível. O contato via “whatsapp” por exemplo, é um excelente meio de se fazer um “pós” encontro e até mesmo um “extra” encontro, conversar sobre o que se viu e de que forma isso se aplica na vida cotidiana. Criar grupos para discussão, além dos tradicionais recados, é uma forma de interagir e praticar o “fé-vida”, objetivo também da catequese.

Evidentemente que cuidados precisam ter tomados. Com relação à presença das crianças nas redes, nos deparamos com duas realidades preocupantes: a imaturidade das crianças que não sabem que o que fazem na internet tem consequências na realidade física; e pais que não dão a devida importância ao mundo digital. Acham que é algo passageiro, da “moda”: não é! A internet veio para ficar e tornar-se cada vez mais uma interconexão com a realidade. As crianças precisam ser educadas para os perigos da rede: pessoas mal-intencionadas, o perigo do vício e a “fuga” daquilo que é preciso viver de modo “real” e físico. Pais precisam ter consciência de que, assim como no mundo “real” em que vivemos, eles precisam cuidar dos filhos no mundo digital também e, não raras vezes, trazê-los “de volta” ao mundo mais real, físico, ao cotidiano: alimentar-se, praticar atividades físicas, conversar “olho no olho”, brincar, se encontrar com os amigos (fisicamente), dar um abraço, um aperto de mão.


O que os pais (e os catequistas!) devem fazer, é não ficar alheios ao que os filhos fazem na internet. É preciso compartilhar conhecimento e informação e isso pode ser feito de forma diversificada: fotos no Instagram, vídeos, torpedos, mensagens formato Twitter, Facebook, Whatsapp, etc. A presença dos pais deve ser oportuna e segura. Sem imposição, mas, educando para o bem e para o que é bom, formando consciência crítica nos jovens. Pais precisam ser “contato” dos filhos nas redes sociais! Precisam ser “amigos” digitais dos filhos. Precisam estar à frente dos filhos nas questões tecnológicas, participando, se informando e vivendo junto com os filhos a experiência de “estar conectado à Internet”; e os filhos precisam ter limites e serem exaustivamente informados dos riscos e dos problemas que acontecem nesse mundo “paralelo”, o mundo digital. Assim com o no mundo “real”, existem perigos enormes no mundo digital.

Os catequistas precisam, assim como os pais, estar “antenados” nesse mundo midiático que está aí. Não dá para ficar alheio e “proibir” o uso do celular nos encontros. Guardar o celular em determinados momentos, precisa ser uma escolha e não uma imposição. O catequista precisa saber do que crianças, adolescentes e jovens gostam e o que fazem na rede. Não é preciso ser um “expert” em tecnologia, mas, é preciso, no mínimo ter um celular com acesso à rede... rsrsrsr. Pode-se integrar os temas dos encontros aos meios digitais: fazer pequenos vídeos, incentivar o uso dos buscadores para pesquisa, aplicativos religiosos: Bíblia, liturgia, oração, etc. Criar grupos no Facebook, Whatsapp, etc.
Outra coisa que o catequista precisa - de forma urgente eu diria – é se tornar um “catequista na rede”. Ser um exemplo para catequizandos e suas famílias, dar testemunho de sua missão, ser uma referência a seus contatos e a todas as pessoas que possa atingir com suas publicações. O catequista não pode ser “um” na Igreja e “outro” nas redes sociais. E precisa pensar também que o “mundo” digital, é um mundo para se catequizar e evangelizar. E não é só fazendo citações bíblicas ou publicando o Evangelho do dia, que se faz isso. É “vivendo” tudo que um cristão deve viver: tendo discernimento em seus comentários, publicando fotos do que faz e do que acredita, evitando compartilhar publicações pejorativas e de baixo nível, “sendo” o mesmo catequista que é na sala da catequese: um profeta do anúncio e da denúncia, mas, sem ferir a ninguém.

O que todos nós, que de alguma forma somos educadores - sejam catequistas, pais ou professores - precisamos nos dar conta é que, a rede não é um simples "instrumento" de comunicação que se pode usar. Ela evoluiu para o que podemos chamar de “mundo” paralelo, um espaço onde muitas pessoas habitam, um ambiente cultural que determina estilos de pensamento e cria novos territórios e novas formas de educação. E dessa forma precisamos buscar novas formas de estimular conhecimento e estreitar relações. Precisamos “habitar” esse mundo e também organizá-lo. Não é, portanto, um ambiente separado da vida “real”, mas, ao contrário, está sempre mais integrado e conectado com aquilo que vivemos na nossa vida cotidiana. Os jovens mostram que se pode viver perfeitamente estas duas realidades: física e digital. Precisamos aprender com eles. Precisamos aprender a ser missionários, solidários e evangelizadores, também, nos meios digitais.

Ângela Rocha
Catequista e Administradora do Grupo "Catequistas em Formação".

 “Os católicos precisam ser "cidadãos digitais”, construtivos ao usar a internet, que é um ‘dom de Deus’, para manifestar a solidariedade. A Internet pode oferecer mais possibilidades de reencontro e de solidariedade entre todos, o que é uma coisa boa. A Igreja deve empenhar-se para levar ao homem ferido, pela via digital, o óleo e o vinho: Que a nossa comunicação seja um óleo perfumado para a dor e um bom vinho para a alegria! ”


(Papa Francisco – 23/01/2014)

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO