domingo, 14 de julho de 2019

O RESPEITO À LIBERDADE



Para a cultura contemporânea, permeada por uma mentalidade predominantemente urbana, o problema da liberdade é de significativa importância. Neste contexto, a pessoa sente-se livre de todos os laços que possam direcionar seu pensar e agir. Essa predominância não pode ser ignorada nos Planos de Pastorais das dioceses e paróquias, bem como no planejamento da catequese. É a partir desse princípio que as iniciativas devem ser encaminhadas, do contrário, corre-se o risco de investir esforços humanos e econômicos, sem o mínimo resultado.

Na catequese, com crianças e adolescentes principalmente - apesar da precocidade de maturidade humana, afetiva, psicológica e religiosa - vive-se de forma intensa a questão da liberdade, nos moldes da mentalidade urbana. Esta condição é tão presente no dia a dia, que colocam em crise certas posturas adotadas na catequese, que exigem revisão e uma nova postura. A crise normalmente nos leva a ver a verdade do nosso ser. Quando ela está instalada na catequese, faz ver as lacunas e suscita mudanças. Vejamos alguns elementos que a questão da liberdade coloca em crise e, a partir daí a possibilidade de saída:

a) Afirmações dogmáticas acerca da fé

A catequese como tempo de aprofundamento da fé, exige do catequista conhecimento das Sagradas Escrituras e da Doutrina da Igreja. Quando o catequista faz afirmações dogmáticas, sem a suficiente argumentação racional do que afirma, os catequizandos se vêem motivados a contestar, pois as correntes do pensamento contemporâneo fazem questão de alimentar esta postura de contestação. Alguns catequistas insistem em fazer esse tipo de afirmação, sem as devidas explicações, causando muitas vezes frustração nos interlocutores. A postura de liberdade de contestação não é boa nem ruim, simplesmente é o que é. Nada positivo, é um catequista mal preparado para enfrentar tais desafios. O nosso tempo exige de nós catequistas, maior preocupação, não só espiritual, como também humana, intelectual e cultural.

O desafio: Com o passar do tempo vai se acentuar o conflito da fé com a cultura. Isso é inevitável. Cada vez mais chegarão às nossas mãos pessoas com mais autonomia, capacidade de discussão e contestação, sem medo de perder a fé. Uma apresentação medíocre da fé resultará apenas em rejeição, pois pode parecer que a fé cristã não passa de mitos e histórias inventadas. A mensagem cristã deve ser proposta com o brilho da verdade e com a autoridade que o próprio Cristo apresentou, de tal forma que gere adesão livre e encantamento. Tudo isso sugere que os catequistas deverão estar mais atualizados nos assuntos da fé, principalmente aqueles que geram conflitos nos encontros de catequese ou na lida com os catequizandos. Os que ainda não realizaram sua experiência de encontro verdadeiro com Jesus, Palavra de vida, terão pouca possibilidade de propor uma verdade que não é vivenciada e experimentada no dia a dia da história.

b) Participação nos sacramentos, celebrações e vida da Igreja

A tradição de participar, com obrigatoriedade da vida comunitária e sacramental se desfez. Por muito tempo funcionava o argumento da “teologia do medo”: se não for à missa, Deus vai castigar.

c) Liberdade versus individualismo

Neste contexto cultural de liberdade, a pessoa tende a fechar-se no isolamento do seu mundo, visto que se exercita menos o aspecto comunitário, a começar pela família. Este é um processo irreversível. As famílias estão num crescente clima de desagregação e grande parte das pessoas, trancafiadas em seu mundo, pouco partilham de si.

Desafio: O anúncio da fé e a adesão à pessoa de Jesus Cristo implicam em alteridade, ou seja, saída de si mesmo para o encontro com a outra pessoa. De outra parte, não podemos esquecer que Jesus Cristo se dirige a cada pessoa, na sua condição e a partir do seu mundo (Cf. Mc 5, 25ss) e a insere num mundo diverso, no mundo da liberdade de filhos e filhas, que na seqüência, passa pela alteridade. Um anúncio de Jesus Cristo que encante e leve a uma espécie de paixão, alimentará na pessoa o desejo de sair de si. Não existe uma fórmula pronta para tal. A criatividade pessoal e as circunstâncias é que determinam o resultado deste elemento.

Muitos outros elementos poderiam ser aqui aprofundados com a questão da liberdade humana através da cultura, contudo, os acima apresentados servem de indicativo para tantos outros. Tudo isso leva a crer que não basta, ao analisar a realidade, estabelecer um juízo sobre a cultura. O que passou, passou e não volta mais. Os dados concretos do nosso tempo servem de substrato para possíveis iniciativas pastorais, que respondam aos desafios do nosso tempo.

Da catequese e dos catequistas espera-se muito mais uma leitura positiva dos fatos. Sendo este o “tempo do Espírito”, contaremos com a criatividade e a inspiração que nos vem pela fé, para encontramos alternativas de anunciar Jesus Cristo às pessoas do nosso tempo.

FONTE:
 *Arquivo do grupo sem referência a autores. Caso seja da autoria de alguém ou trecho de alguma material ou livro, por gentileza apontar.



                              
14 de julho

Dia Mundial da
Liberdade de pensamento

"Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência... de opinião, de expressão... e a educação deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos étnicos e religiosos".





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