quinta-feira, 12 de maio de 2016

RUAH...


Pouco a pouco, vamos aprendendo a viver sem interioridade. Já não necessitamos de estar em contato com o melhor que há dentro de nós. Basta-nos vivermos entretidos. Contentamo-nos com funcionar sem alma e alimentarmo-nos só de pão. Não queremos expor-nos a buscar a verdade.

Vem Espírito Santo e livra-nos do vazio interior.

Já sabemos viver sem raízes e sem metas. Basta-nos deixarmo-nos programar a partir de fora. Movemo-nos e agitamo-nos sem cessar, mas não sabemos o que queremos nem aonde vamos. Estamos cada vez melhor informados, mas sentimo-nos mais perdidos que nunca!

Vem, Espírito Santo e liberta-nos da desorientação.

Às vezes interessam-nos as grandes questões da existência, mas não nos preocupa ficarmos sem luz para enfrentarmos a vida. Fizemo-nos mais céticos, mas também mais frágeis e inseguros. Queremos ser inteligentes e lúcidos… Então, porque não encontramos sossego e paz?! Porque nos visita tanto a tristeza?!

Vem Espírito Santo e liberta-nos da escuridão interior.

Queremos ser livres e independentes e encontramo-nos cada vez mais sozinhos. Necessitamos viver e encerramo-nos no nosso pequeno mundo, às vezes tão aborrecido. Necessitamos sentir-nos queridos e não sabemos criar contatos vivos e amistosos. Ao sexo chamamos “amor” e ao prazer chamamos “felicidade”, mas quem há de saciar a nossa sede?!

Vem Espírito Santo e ensina-nos a amar.

Na nossa vida parece não haver lugar para Deus. A Sua presença ficou reprimida ou atrofiada dentro de nós mesmos. Cheios de ruídos por dentro, já não podemos escutar a Sua voz. Submergidos em mil desejos e sensações, não chegamos a perceber a Sua proximidade. Sabemos falar com todos menos com Ele. Aprendemos a viver de costas para o Mistério.

Vem Espírito Santo e ensina-nos a ter fé.

Crentes ou não crentes, pouco crentes e mau crentes, assim peregrinamos todos muitas vezes pela vida. Na festa cristã do Espírito Santo, Jesus diz-nos a todos o que um dia disse aos seus discípulos, exalando sobre eles o seu alento: “Recebei o Espírito Santo!” Este Espírito que sustém as nossas pobres vidas e dá alento à nossa débil fé pode penetrar em nós por caminhos que apenas Ele conhece...




Texto de José Antonio Pagola, para o dia de Pentecostes.

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO