sexta-feira, 2 de junho de 2017

HOMILIA: SOLENIDADE DE PENTECOSTES

Vivemos na crise da modernidade: tempo de valorização do indivíduo, da liberdade, da emoção… É um momento muito propício para se acolher a pessoa do Espírito Santo, figura um tanto esquecida.
 É preciso considerar que estamos deixando o tempo da tradição. É muito difícil, porque temos um peso muito forte da tradição, da instituição, daquilo que já está pronto. Caminhamos para o tempo da decisão – e esta é a ação típica do Espírito: discernir e escolher, caminhos para a decisão. Uma Igreja sem o Espírito valoriza a imposição, o rigorismo, a intransigência. Pela presença do Espírito, todas as realidades eclesiásticas deve se transformar em fonte de paz, de alegria e liberdade.

Por outro lado, o Espírito ainda é um grande desconhecido. Às vezes não sabemos quem é ele, como e onde age. Por vezes, as pessoas restringem sua ação aos fenômenos extraordinários, aos milagres e êxtases. Há uma sede pelo extraordinário que causa desequilíbrio da fé.

É o Espírito que age na Igreja. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’, a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). É Ele que nos faz pregar a Palavra de Deus, é Ele que faz brotar a caridade, que une, inspira, motiva… Todo bem realizado, mesmo por aqueles que não creem no Cristo, é obra do Espírito. É ele que mora dentro de nós: a experiência de interioridade, de perceber a presença divina em nós é possível pela habitação do Espírito em nós.

Hoje, no Evangelho, o Ressuscitado sopra o Espírito. O Antigo Testamento usa o termo Ruah para revelar o que o Novo Testamento revela como uma pessoa divina: significa sopro, respiração, ar, vento. O Espírito, portanto, é o hálito de Deus, o sopro divino que nos move. Como o vento tem o seu dinamismo, como o ar nos faz viver, assim é o Espírito de Deus.

Sem o Espírito há a confusão, a disputa pelo poder, pelos próprios interesses, o anseio egoísta de subir ao cume do orgulho, como aconteceu na construção da Torre de Babel. Em Babel houve a confusão diabólica (=que desune, que se atravessa para atrapalhar), já em Pentecostes todos se entendiam mesmo falando línguas diversas. Há uma só língua pela graça do Espírito. Hoje é necessário falar a mesma língua, observar mais o que nos une e deixar de lado as diferenças. Para isso, faz-se necessário uma abertura ao Espírito que arranca o que divide.
Pe. Roberto Nentwig

Arquidiocese de Curitiba - PR

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