segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O 4º ENCONTRO NACIONAL DA PASTORAL DA COMUNICAÇÃO E O APRENDIZADO QUE PODEMOS TIRAR DELE


Padre Antonio Spadaro - Doutor em Teologia, mestre em Comunicação Social.
Foto: Canção Nova

Foi uma grande alegria para mim, ter participado deste encontro em Aparecida – SP, de 24 a 27 de julho de 2014. Primeiro que foi um esforço conjunto de 35 pessoas do nosso grupo, "CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO" que, num ato de generosidade e doação, fizeram contribuições para que minha viagem acontecesse. Depois, que pude reencontrar amigos da PASCOM, que fiz ao longo destes anos todos como agente de pastoral, e encontrar muita gente que só conhecia pela internet. Não que eu não considere minhas amizades da rede digital de longos anos, tão importantes quanto as que estão presentes no meu dia a dia, mas, porque é muito bom poder experimentar o calor de um abraço físico também.

O encontro começou na noite de quinta-feira com uma conferência de abertura proferida pelo Pe. Antonio Spadaro, convidado de Roma, para falar sobre “Comunicação, desafios e possibilidades para evangelizar na cultura digital”. Padre Antonio é doutor em teologia, diretor da revista Civiltá Cattolica e consultor do Pontifício Conselho para a Cultura e Comunicação, também é mestre em Comunicação Social e escritor dos livros Cyberteologia e Web 2.0, ambos os livros, editados pelas Paulinas aqui no Brasil.

Basicamente, Padre Antonio falou sobre o grande desafio da Igreja que é evangelizar no ambiente digital nos dias atuais. A internet trouxe mudanças culturais e também no modo como o homem se relaciona com o outro. Nunca se viveu tantas mudanças em tão pouco tempo. Padre Antonio é especialista em Cyberteologia, expressão que tem usado para explicar a “experiência de Deus no ciberespaço”. Para ele, existem seis grandes desafios para o anúncio da fé no mundo digital (que falaremos numa próxima vez), e para ter êxito nestes desafios, é preciso antes de tudo compreender esse ambiente.

Em primeiro lugar, a internet não pode ser pensada como um INSTRUMENTO para anunciar o Evangelho, mas um LOCAL DE ENCONTRO COM AS PESSOAS. Assim, nosso grande desafio e empenho deve ser como evangelizar neste ambiente. Padre Spadaro explica que a internet é feita de pessoas e, portanto, não pode ser compreendida como um mero instrumento: “A Internet não é um instrumento de evangelização, mas um lugar”.

Segundo ele, não existe um ambiente real e outro virtual, mas os dois fazem parte da vida. “A própria vida se expressa física e virtualmente. O ambiente físico é mais rico na sensibilidade, no tato, no paladar etc., mas no ambiente digital podemos romper a barreira do espaço e do tempo”. Ele ainda lembra que o Papa Bento XVI afirmou que o ambiente digital não é um mundo paralelo ou só virtual, mas, parte da nossa realidade. Dessa forma, tanto uma relação face a face pode ser hipócrita quanto uma relação virtual pode ser sincera. “A autenticidade não é dada pela presença física, mas do coração, na intenção pura, independente do ambiente. A culpa das relações frágeis não é da tecnologia, mas do nosso coração.”

Padre Antonio explica que quando se fala de rede, fala-se de espiritualidade, não de tecnologia. Ao trabalhar com a rede digital, trabalha-se com o coração do homem. “Não é possível falar de espiritualidade, de pastoral e de comunicação sem compreender o valor espiritual da tecnologia”.

Lembrou ainda que no documento Inter Mirifica, em 1963, o Papa Paulo VI afirma que a Igreja acolhe e acompanha com especial cuidado as maravilhosas invenções tecnológicas que abriram novas vias para a comunicação, porque, de forma direta, dizem respeito aos anseios do espírito do homem. E que o Papa Bento XVI também destaca que as novas tecnologias podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido e unidade que permanecem sendo a inspiração mais profunda do ser humano. Padre Antonio diz que a Igreja compreende, portanto, o valor espiritual do ambiente digital e sobre esse valor se funda a possibilidade do anúncio da fé neste local como em qualquer outro.

Assim, gostaria de fazer uma proposta de reflexão, aos catequistas que nos leem, no seguinte sentido:

- Que aprendizado podemos tirar da fala do Padre Antonio Spadaro?
- Como podemos, de forma concreta, aplicar isto em nossa missão na Igreja como evangelizadores?


Angela Rocha
Catequistas em Formação

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO