sexta-feira, 21 de agosto de 2015

AVALIAÇÃO DE CONTÉUDO NA CATEQUESE: TEM ISSO?


Muitos catequistas se perguntam se devem fazer, e alguns fazem, “avaliação” de conteúdos na catequese. Penso que essa é uma ação que não cabe no processo de evangelização. Claro que usamos alguns recursos pedagógicos para trabalhar os temas, por exemplo: dinâmicas, brincadeiras, canto, etc. Na verdade, a “dinâmica” mesmo, é uma técnica ou método didático para tornar os conteúdos mais atraentes e não uma "avaliação". Da mesma forma, uma ou outra atividade para fixação de conteúdo, pode se fazer necessária, mas, nunca pensando em "corrigir" e apontar erros.

Estou na catequese de crianças há um bom tempo já. Normalmente fico com elas na catequese até receberem a primeira Eucaristia. E NUNCA fiz qualquer tipo de avaliação, mesmo porque, se fizesse, ia chegar à de que elas não “aprenderam” nada... Nosso universo é de “experiências” muito mais de que “saber” ou reter “conhecimento”.

E essa é a questão na catequese: ela não existe para se "aprender” alguma coisa. E isso o documento Catequese renovada, já apontou em 1983.. A Catequese é “iniciação à vida cristã”, e vida, leva à “vivência” cristã.

E até quando a gente vai teimar em conduzir o barco a remo se a gente tem "motores" potentes hoje? Temos "informações"! Temos ajuda das ciências (pedagogia/psicologia). E elas nos ajudam a entender o universo da criança e como ela “aprende” e incorpora na sua vida as experiências que vai tendo. Mesmo que TODAS as catequistas da minha paróquia fizessem "avaliação" ou "prova" eu não faria. É simplesmente fora de propósito, desculpe-me dizer, mas é. Como se avalia a fé de uma pessoa? Como saber, “decor e salteado", mandamento e sacramento, indica que essa pessoa se converteu? Como isso pode fazer a vida de uma pessoa mudar? Não tem, simplesmente não tem, como a gente saber se o que estamos trabalhando na catequese hoje vai ou não mudar a vida de uma criança no futuro, portanto, "relax"!

Ao invés de esquentar a cabeça pensando numa "avaliação", vão lá fora, em algum lugar que tenha uma grama bem gostosa pra deitar, e fiquem uma meia hora olhando para o céu azul, brincando de "pintar" figuras nas nuvens. Olhando e se maravilhando com a criação do Altíssimo. Garanto a vocês que daqui uns 30 anos eles vão "voltar ao passado" e pensar: "Como foi bom estar na catequese!".

O que se pode, e deve fazer sempre, é uma avaliação conjunta, pela equipe de catequese e pelo padre, sobre a eficácia e o alcance da evangelização que está sendo feita pela paróquia. Analisando isso, se está pondo a "prova" a catequese feita por todos nós.


Ângela Rocha - Catequista

SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO