sábado, 29 de agosto de 2015

HOMILIA - GOTAS DE PAZ - 28 de Agosto de 2015

Jesus, respondendo, disse-lhes: “Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.”
(Mc 7, 6-7)

Realmente o evangelho de hoje nos põe diante de um problema que parece ser muito presente em toda a história da humanidade, e que hoje o sentimos muito particularmente: as aparências.

Como temos dito nas semanas anteriores, o ser humano somente pode exprimir-se através do seu corpo. Sua alma somente pode manifestar-se quando encontra um modo de fazer-se sensível, seja com a palavra, com o olhar, com o modo de vestir-se, com um gesto, com um toque de carinho.. Por isso é muito importante para nós o que se vê e o que se sente. Do mesmo modo somente podemos conhecer as demais pessoas de acordo com o que experimentamos delas: o que vemos, escutamos, sentimos...

O problema está no fato que os seres humanos tem a capacidade de manifestar não somente o que realmente são sua interioridade, mas também a capacidade de enganar, de gerar uma imagem diferente do que, de fato, são . Isto é uma verdadeira tentação em nossas vidas: mostrarmos muito melhores do que efetivamente somos. Nos preocupamos demasiado com o que os outros pensam de nós e por isso tentamos criar ilusões gerando neles uma imagem nossa que não nos corresponde.

Quantas vezes, por exemplo, diante de um pobre, quando estamos a sós, nem “Bom dia” lhe damos, mas quando estamos acompanhados, o saudamos bem e atendemos a sua súplica. Esta caridade seguramente não nasce generosidade do nosso coração, mas da preocupação com nossa imagem, é uma caridade somente aparente. Nosso pensamento não é o bem do pobre, mas nosso próprio bem. Tem o disfarce de caridade, mas é nosso egoísmo travestido.

A mesma coisa muitas vezes acontece com a nossa fé. Queremos parecer cristãos, devotos, crentes.. e por isso fazemos algumas práticas exteriores: vamos na igreja, usamos uma correntinha com uma cruz, fazemos o sinal da cruz, acendemos uma vela, colocamos alguma moeda no cofre da igreja... e assim mantemos a imagem de bom cristão.

O problema é que muitas vezes isso não passa de uma casca. As vezes nosso cristianismo é tão superficial que nosso coração continua cheio de ódios, rancores, preguiça, inveja, egoísmo, auto-suficiência, prejuízos, maus desejos, injustiças, corrupções, discriminações... Nesses casos poderíamos dizer, na verdade, que temos uma máscara de cristão, que mantemos somente uma aparência, que somos como sepulcros caiados... lindos por fora, mas cheios de podridão por dentro.

Sem duvidas esta não é a proposta de Jesus Cristo. Para ele não é interessante ter falsos seguidores. O senhor não quer que façamos somente gestos exteriores, mas sim que mudemos o nosso coração. Não serve para nada ser filhos de uma cultura cristã, se eu não nos decidimos de assumir e viver o evangelho em nossa vida. A Deus não podemos enganar. Ele conhece os nossos corações.

Com isso não queremos dizer que as obras exteriores não são importantes. São Tiago já nos disse que a fé sem obras é morta. Isto significa que, sem dúvidas, a fé tem que fazer-se visível, reconhecível. Quem tem fé, quem crê no evangelho, tem que manifestar-lo concretamente, em suas palavras e ações. Quando se tem verdadeiramente fé é como um cidade construída sobre uma montanha,que não se pode esconder. Mas a ação deve ser expressão do coração, e não mero teatro para iludir os demais.

Fica a nós a pergunta: sou verdadeiramente um cristão e com minhas ações o manifesto? Ou minhas ações são pura aparência, pois meu coração continua duro como uma pedra?

O Senhor te abençoe e te guarde,
O Senhor faça brilhar sobre ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti.
O Senhor mostre o seu olhar carinhoso e te dê a PAZ.

Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.


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