domingo, 23 de agosto de 2015

Liberta-nos, Senhor, da Perfeição...


Era uma vez um carregador de água na Índia que levava todas as manhãs ao Senhor daquelas terras, dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara que ele carregava atravessada aos ombros, apoiada sobre o pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeitinho e chegava sempre cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do Senhor daquele carregador. O pote rachado chegava sempre pela metade.

Foi assim durante dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa do seu Senhor. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de si mesmo. Até parecia maior, tanto lhe tinha inchado o orgulho! O outro pote, rachado, estava envergonhado de sua imperfeição, e sentia-se miserável por só conseguir realizar metade do que se esperaria dele.

Ao aperceber-se disto, depois daqueles dois anos, o pote finalmente falou para o homem um dia, à beira do poço:
- "Estou envergonhado, quero te pedir desculpas. E pedir que deixe de contar comigo, que não sirvo para nada."
- "Por quê?" - perguntou o homem – “Por que você está tão envergonhado?”
- "Porque nestes dois anos eu só fui capaz de entregar metade da minha água por causa desta rachadura aqui do lado... Metade da água perde-se na beira do caminho, entre o poço e a casa do teu Senhor!"

O homem ficou triste com o que o velho pote disse, e falou-lhe com compaixão:
- "Quando retornarmos para a casa do meu Senhor, quero que olhe se há flores ao longo do caminho... e onde é que elas estão..."

Então, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado deu-se conta de que, do seu lado do caminho, a paisagem era pintada de mil cores, as mil cores de tantas flores que tinham nascido por ali... E, olhando para o outro lado, não viu mais que terra seca e pedras...

Reparou até, pela primeira vez, que o carregador se debruçava para apanhar algumas... O carregador disse-lhe então:
- "Parece impossível que você nunca reparou... O que seria este caminho sem você e sem a sua rachadura? Todos os dias pela manhã eu levo ao meu Senhor não só a água, mas as flores que dão alegria à sua mesa! Todas as manhãs... Como o poderia fazer sem você? Que flores teria para alegrar a mesa do meu Senhor se você não fosse assim mesmo como é?"




(Conto da sabedoria oriental)

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