terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ROTEIRO DE ENCONTRO – A SEXUALIDADE (CRISMA)

 A SEXUALIDADE

1 - Objetivo: Entender a sexualidade não apenas como dimensão biológica, mas, sobretudo como integração de todas as potencialidades humanas.

2 - Reflexão:
Fazer as seguintes perguntas:
- Qual a diferença entre sexo e amor?
- Por que as pessoas vão ter relação sexual dizem “vamos fazer amor”?
- Toda relação sexual é também uma relação de amor?

3 - Proclamar: 1 Cor 6, 13-20 – Vosso corpo é templo do espírito Santo que mora em vós.

4 – Texto de apoio

A sexualidade é uma pulsão vital que nos acompanha a vida toda. É energia, força dinâmica que não ocorre integralmente e de uma vez no ser humano. Indo muito além do genital (aqui chamamos biológico), a sexualidade se situa no centro da pessoa humana.

Ao assumir a condição humana, Jesus também assumiu a sexualidade. O Filho de Deus, que se fez homem, tinha sentimentos de amor, carinho, amizade, ira, solidariedade, etc. Na visão cristã, a sexualidade possui quatro níveis: sexo, Eros, filia e ágape. O sexo refere-se mais diretamente ao biológico da sexualidade; o Eros, ao psicológico (o desejo); a filia representa o amor interpessoal; e o ágape abre o amor  humano a  Deus, que é amor. Mais que “ter” sexualidade, somos sexualidade e afetividade.

Biologicamente não existe o neutro; existe o sexo masculino e o feminino. O homem produz milhões de espermatozoides em horas e tem a genitalidade externa. Já a mulher produz, mensalmente ao longo ao longo de alguns anos, um ou mais óvulos e tem a genitalidade interna.

Mas a sexualidade não atinge somente as faculdades corporais, ou seja, o biológico. Existe uma maneira masculina e uma feminina de pensar, imaginar, amar, agir, reagir; é o que se chama de desejo sexual. A menina sente desejo pelo menino, e o menino sente desejo pela menina; é o desejo heterossexual.

A dimensão psicológica do Eros, a esfera do erótico, é entendida como a área da atração, do desejo de posse. Por meio dessa dimensão é que entramos na área dos sentimentos. É o nível da beleza física, do charme, da elegância, do estético. Este é o campo da sensualidade, entendida em seu aspecto positivo, ou seja, o da irradiação da emoção sexual sobre todo o corpo. Na dimensão erótica, a linguagem mais comum é a da ternura, isto é, à vontade e a necessidade de dar e receber carinho. A sexualidade não permanece localizada nas zonas erógenas, mas envolve todo o corpo da pessoa.

O Eros degradado a puro sexo torna-se mercadoria, simplesmente uma coisa que de pode comprar e vender; antes, o homem ou a  mulher tornam-se mercadoria. Passa-se a considerar o corpo e a sexualidade como partes meramente materiais de si mesmo para usar e explorar com proveito.

Na verdade, encontramo-nos diante de uma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade de nosso ser, relegando-se unicamente à sua dimensão biológica. A fé cristã sempre considerou o ser humano como uno, com duas dimensões inseparáveis. Nele, espírito e matéria se compenetram mutuamente. O Eros quer nos elevar em êxtase para o divino, conduzir-nos para além de nós próprios; por isso mesmo, porém, requer um caminho de ascese, renúncias e purificações. [1]

Para descobrir o outro sexo, é necessário em primeiro lugar abrir-se a seu conhecimento, á sexualidade na dimensão filia. É um dever ético par ao adolescente e para o jovem conseguir um conhecimento adequado do sexo oposto, como também de seu próprio sexo.

Embora já na infância a criança conviva com crianças de ambos os sexos, é somente durante a adolescência que o(a) menino(a) se “encontra” de verdade com o sexo oposto no plano vivencial ou emocional. Na fase juvenil, chega o dia em que se realiza um encontro totalmente novo com um você pessoal. O(a) jovem conhece uma (um) jovem que ocupa seu pensamento. Mas o que o(a) domina já não é o erotismo ou a emoção; é um sentimento novo: a necessidade de conhecer, de descobrir o mistério da pessoa amada e oferecer-lhe o melhor de si. Naturalmente, esses sentimentos deverão amadurecer em direção a um compromisso mais sério, culminando no matrimônio. Esse encontro definitivo pode também ser vivido em forma de virgindade consagrada ou de celibato integrado. São formas diferentes de realizar-se como pessoa em uma relação heterossexual.

A relação heterossexual deve ser uma linguagem de amor e, ao mesmo  tempo, uma realização do amor humano. Ela não deve guiar-se unicamente pela força do impulso biológico, pois isso comprometerá a plena realização do amor humano.

5 – Homossexualidade

OBS: Conforme as necessidade e características do grupo serão convenientes abrir o debate sobre situações semelhantes: gravidez precoce, prostituição infantil e aborto. Cuidar para não nivelar essas situações com os desvios de personalidade que levam à pedofilia e ao estupro. No anexo, um texto de Pe. Zezinho sobre o assunto.

Conforme o Catecismo da Igreja católica, “a homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração exclusiva ou predominante, por pessoa do mesmo sexo”. [2]  Trata-se, portanto, de um fenômeno moral e social.[3] 

Para avaliação moral da homossexualidade, a Igreja sempre entendeu que “o homem, imagem de Deus, foi criado homem e mulher (Gn 1,27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem”. [4] Portanto, a tradição da Igreja sempre declarou que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados. [5] São contrários á lei natural. Impedem que ao to sexual se abra ao dom da vida.

Mesmo apresentando essa posição, a Igreja sempre declarou que as pessoas homossexuais “devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza. Deve-se evitar, para com elas, qualquer atitude de injusta discriminação”. [6] Como os demais cristãos, são chamados a viver a castidade. Se, decidem com assiduidade a compreender a natureza do chamado pessoal que Deus lhes dirige, estarão em condição de receber a graça do Senhor, que se oferece generosamente nos sacramentos apara ajudar no seguimento de Cristo.

A Igreja, ao mesmo tempo em que deixa claro não aceitar a vivência de práticas homossexuais, de maneira alguma menospreza as pessoas homossexuais, mas zela pela acolhida e mostra sua disposição em ajudar cada irmão e irmã de maneira verdadeira, clara e honesta, sempre com o olhar de misericórdia e amor.

6. Vivência

É fundamental gostar do próprio corpo, cuidar bem dele, com alimentação saudável, dormir adequadamente, não desperdiçar a saúde com cigarro, álcool e outras drogas. Mas também é preciso evitar a moda atual de cultuar desesperadamente o corpo unicamente por motivos estéticos. Ao integrarmos o sexo às demais dimensões de nosso ser, passamos a perceber o(a) outro(a) como pessoa e o(a) entendemos como parte de uma relação mais ampla.

Nesse entendimento, costumes como ter relações sexuais somente porque me sinto atraído ou “ficar” com o maior número de pessoas durante uma balada, devem ser repensados. Eles desvalorizam não só o outro, mas, também a mim mesmo. Há um simplismo de muita propaganda que reduz o compromisso entre duas pessoas à necessidade de usar o preservativo.
Procure motivar o grupo a se aconselhar com pessoas mais experientes e maduras, como os pais, o pároco, o orientador educacional da escola, o médico.

7 – Oração

Ler em silêncio o texto a seguir e colocar-se em atitude orante e silenciosa por alguns minutos. Concluir com a leitura em dois coros do Salmo 138.

O gesto e o corpo na liturgia

Durante as celebrações, os gestos externos de nosso corpo correspondem à atitude interior de fé e de oração. Expressamos nossos sentimentos de respeito, disponibilidade, humildade, adoração, espera confiante e receptividade com a postura de nosso corpo. A liturgia valoriza o corpo e os sentidos para celebrar o amor ágape e promover a comunicação com deus e com os irmãos.

Na dimensão horizontal, a  liturgia prevê a formação da assembléia como povo de deus reunido, encontro de irmãos que se acolhem, se cumprimentam, se
reconhecem e se ajudam. São pessoas que se reconhecem unidas em Cristo e capazes de vencer a discórdia pela ação do Espírito. Na celebração rezamos com as atitudes que ornam a pessoa: o sorriso, o carinho, a boa educação com que nos dirigimos a quem está ao nosso lado, ou mesmo o cuidado e atenção que dispensamos aos idosos. O abraço da paz sela o compromisso de toda assembléia.

Na dimensão vertical, o corpo humano ora, suplica, louva e agradece o criador: de pé (sinal de atenção e prontidão), sentado (atitude de escuta e acolhida), de joelhos (expressão de súplica e de humildade), em procissão (em peregrinação a casa do Pai). Assim, temos também os gestos com os braços e as mãos levantadas, ou unidas em prece, em posição de oferta ou estendidas. Com as mãos batemos no peito ou as lavamos, em sinal de reconhecimento dos pecados.

O corpo é o templo de Deus, morada do Espírito. De sua integridade brota o culto em espírito e em verdade, pois no coração humano se ergue o altar das boas obras de nosso trabalho. Esse é o louvor que realizamos nas várias horas do dia, a  chamada liturgia da vida.

SALMO 138*

1. Eu te dou graças, SENHOR, de todo coração: pois ouviste as palavras da minha boca. Vou cantar para ti diante dos anjos,
2. e prostrar-me diante do teu santo templo. Celebro teu nome pela tua bondade e pela tua fidelidade: pois tua promessa supera toda fama.
3. Quando te invoquei, me respondeste, aumentaste em mim a força.
4. SENHOR, todos os reis da terra te louvarão quando ouvirem as palavras da tua boca.
5. Cantarão sobre os caminhos do SENHOR: “Grande é a glória do SENHOR!”
6. Excelso é o SENHOR e olha para o humilde, mas conhece o soberbo de longe.
7. Se ando no meio da angústia, tu me conservas a vida; contra a ira dos meus inimigos estendes a mão e tua mão direita me salva.
8. O SENHOR completará para mim a sua obra. SENHOR, tua bondade dura para sempre: não abandones a obra de tuas mãos.

8 – Anexo

Homossexualidade

Pe. Zezinho

“Foi difícil para ele admitir que não tinha controle sobre o que sentia. O corpo masculino o atraía. Sabia das consequências. Com 19 anos, não tinha ninguém em família para quem dizer isso. Não tendo os trejeitos que alguns demonstram, nem voz afeminada, a família não percebeu. Mas ninguém entenderia. Procurou uma professora que o orientou. Falou com o padre, que serenamente lhe explicou o que é tendência, inclinação e tentação e o que é assumir-se.Mas ele queria assumir-se como homossexual. Não sentia atração por mulher alguma. O padre lhe explicou a doutrina da Igreja. O pastor presbiteriano a quem fora ver com um amigo disse o mesmo. São doutrinas iguais. Deixou a Igreja. Foi morar numa cidade grande, onde divide o apartamento com um colega mais velho. Diz com todas as letras:
- Não posso viver como católico ou como evangélico, nem consigo viver minha sexualidade como um hetero. Milhões passaram por isso desde que o mundo existe. Vou descobrir o meu lugar sem julgar ninguém. Mas espero que também não me julguem.

A resposta do seu ex-pároco, de quem continua amigo, foi clara:
- Não concordo com esta sua escolha, mas consigo ver todos os seus valores. Minha Igreja não me permite julgar você. Você assumiu uma situação e a Igreja faz séculos que assumiu outra. Discordo, mas respeito isso. Venha aqui sempre que quiser. Posso não ter um sacramento para lhe oferecer, mas, se diálogo AJUDA, DIALOGAREMOS. Afinal, não discordamos a respeito de tudo!”.


FONTE: Pe. ZEZINHO. Adolescentes em busca de si mesmo. Subsídios para pais e filhos à procura de uma linguagem. São Paulo, Paulinas, 2007, pp. 104-105.


OBS.: Roteiro retirado do livro Testemunhas do Reino: Catecumenato Crismal – Livro do catequista, NUCAP, Paulinas, 2008. pp. 85-90.



[1] Cf. bento XVI. Carta Encíclica Deus Caritas est. São Paulo, paulina, 2006. n. 5.
[2]  Catecismo da Igreja Católica, n. 2357.
[3] Para maior aprofundamento desse tema, consultar: MOSER, Antonio. O enigma da esfinge: a sexualidade. Petrópolis, Vozes, 2001.
[4] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais. São Paulo, paulinas, 2003. n. 3.
[5] “A particular inclinação da pessoa homossexual, embora não seja em si mesma um pecado, constitui, no entanto, uma tendência, mais ou menos acentuada, para um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral. Por esse motivo, a inclinação deve ser considerada objetivamente desordenada. Aqueles que se encontram em tal condição deveriam, portanto, ser objeto de uma particular solicitude pastoral, para não serem levados a crer que a realização concreta dessa tendência nas relações homossexuais seja uma opção meramente aceitável” (CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Declaração sobre alguns pontos de ética sexual. São Paulo, paulinas, 1976. n.3).
[6] PONTIFICIO CONSELHO PARA A FAMILIA. Sexualidade humana; verdade e significado. São Paulo, Paulinas, 1995. n. 104.

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