quinta-feira, 30 de março de 2017

O EVANGELHO DO DOMINGO É USADO NO ENCONTRO DE CATEQUESE? QUANDO? ANTES OU DEPOIS?


Andei perguntando por aí (com segundas intenções, confesso!), como e, “SE”, é feito um trabalho com a Liturgia Dominical ou Evangelho nos encontros de catequese. Aproveitei a interação que nos grupos de catequistas do Facebook para levantar a questão.

Fora o fato de que (cada vez mais!), me convenço de que alguns catequistas entram em grupos de catequese meio sem saber por que (porque nunca respondem, comentam ou curtem o que quer que seja), descobri que esse é um assunto que não parece ser preocupação de muita gente. Num universo considerável, de digamos, umas DUAS MIL PESSOAS, eu recebi resposta de VINTE E SEIS! Ou seja 1%... UM POR CENTO! E a maioria delas, negativa.

E agora eu faço uma pergunta retórica, antes de começar o assunto de verdade...

- Sendo assim, não dá pra vocês reclamarem se só 1% das suas crianças frequentam a missa!! Dá?

E antes que se comece a considerar que eu sou tão “desinteressante” para vocês, como a missa é para as crianças, vamos a nossa questão!

Primeiro, por que trabalhar a liturgia dominical nos encontros de catequese? 
Por falta de assunto? 

É claro que se esse último for o motivo, podemos considerar que a proposta de solução é das mais felizes. E algumas paróquias usam mesmo o Evangelho do domingo como roteiro de catequese.

Mas, vamos ao “porque” do por que?

Precisamos trabalhar a liturgia dominical nos encontros de catequese, porque a nossa catequese PRECISA ser LITÚRGICA, ou seja, conduzir à liturgia e ao grande mistério da nossa fé “contado” na “mesa da Palavra” e vivido na Mesa do Pão, todos os domingos.

Para o DNC, a proposta ideal é de uma catequese litúrgica, que leve para os encontros a reflexão e os ensinamentos que provêm da leitura do Evangelho Dominical e que depois se estendem para a vida de cada um. “A catequese como celebração da fé e a liturgia como celebração da fé são duas funções da única missão evangelizadora e pastoral da Igreja”. (DNC 120)

E vamos considerar outra coisa: se não for pelas leituras ou menção do Evangelho que se faz na catequese, ele nem seria conhecido já que a maioria das nossas crianças NÃO VAI À MISSA!

Entre as respostas que recebi do “não” se trabalhar o Evangelho do Domingo, o motivo está no fato de que já temos (e tomara isso fosse uma realidade para todo mundo!), indicados em nossos roteiros, leituras para trabalhar nos encontros.

Hum.... É um fato! Mas não penso que a “memória” da missa dominical vá causar algum “desarranjo” no nosso encontro. Muito pelo contrário. Vai é “arranjar” as coisas. Porque, de uma forma ou de outra, os Evangelhos acabam sendo “tema” da nossa catequese. Às vezes só não estão na mesma ordem que o índice do nosso “livrinho”. Por isso a importância de se adaptar os temas ao calendário litúrgico.

E antes de falar do antes ou depois, quero trazer aqui um dos nossos grandes dilemas, que tem a ver com esse assunto também: O que fazer para que nosso catequizando participe da missa... (E nem boto ponto de interrogação porque já nem adianta perguntar mais).

Mas, certamente, a resposta não é a “exigência” de que ele vá à missa, se nem sequer falo sobre um dos pontos centrais dela, que é a liturgia da Palavra! O fato é que nossos catequizandos não “veem” muita ligação entre a catequese semanal e a missa dominical.

- Já não basta ir ao encontro? Pra que ir à missa?

Outra coisa, nossos catequizandos da Eucaristia (e a grande “massa” dos nossos catequizandos está nesta fase), participam da Liturgia Eucarística como “ouvintes” e não como “participantes”. Ou seja, eles não participam ainda do “banquete”. Estão se preparando para ele. Como? Ouvindo as leituras dominicais e fazendo catequese até que estejam prontos, preparados e sejam “eleitos”.

Então, vamos achar aí um espacinho de tempo para lembrar da liturgia dominical na catequese. Sempre! E não só nas festas e eventos especiais.

Se na missa nos é impossível fazer uma “leitura orante”, a catequese nos permite fazê-lo. Pelo menos a parte do ler “novamente”, pausadamente e com reflexões pessoais a respeito.

- Ah! Não dá tempo! É muita coisa!

Numa catequese de uma hora não dá mesmo. Pense em rever com sua coordenação esse aspecto do “tempo de duração de um encontro”.

Mas, a gente fala do Evangelho do Domingo, antes ou depois dele acontecer?

O ideal é que o encontro fale do Evangelho do Domingo ANTERIOR ao encontro. Isso porque, tendo participado da celebração e ouvido as leituras e a proclamação do Evangelho, o catequizando trará consigo a reflexão feita na homilia e seus próprios questionamentos e opiniões sobre o tema tratado. Riqueza para ele, mais riqueza aos nossos encontros!

Tirando esta justificativa (e acho que nem precisava de outra!), dou mais algumas, fruto de minhas próprias reflexões.

Com toda essa nossa verdadeira “ojeriza” em fazer com que as crianças participem da Missa Dominical, contar (antes) a elas o que vai acontecer, é um excelente motivo para ela acreditar que não precisa ir à missa. Já sabe, afinal, o que vai ler lido lá e a catequista até já fez a “homilia”!  

- E vira pro canto, puxa as cobertas e dorme mais um “pouquinho”!

Segundo o DGAE 21 – 2003/2006: “A liturgia é considerada lugar privilegiado de educação da fé (DNC 118). A proclamação da Palavra na liturgia torna-se para os fiéis a primeira e fundamental escola da fé”. Então, se ela é a “primeira”, por que vamos “antecipá-la” no encontro de catequese? O encontro (feito depois) neste caso, servirá para aprofundamento dessa educação.

Outra coisa: Quem é o “nosso” catequista na paróquia? (Catequista dos catequistas).

Pelo menos na dimensão bíblica, é o PADRE. É nas reflexões e na homilia dele que a primeira catequese se faz, inclusive para o próprio catequista!

Eu uso a homilia dele para complementar a minha catequese. Não faço uma “homilia” antes dele. Mesmo porque posso até falar sem o devido preparo. Os nossos presbíteros são preparados para isso, tem conhecimento bíblico, oratória e sua missão é “conduzir” o rebanho paroquial. A mim cabe, depois dele (aproveitando que tenho mais tempo e não estou ligada ao rito), rememorar a liturgia para que, realmente, ela permaneça e faça parte da vida do catequizando.

Finalizo, respondendo a minha pergunta:

Uso o Evangelho dominical na catequese sim. Às vezes com mais profundidade, se ligada ao tema de um encontro, noutras mais de “leve”, apenas para lembrar daquilo que ouvimos e deve conduzir-nos pela vida afora. Sempre “depois”. Porque, como os discípulos de Emaús, primeiro eu “aprendo”, “escuto”, faço “arder” meu coração... Depois ensino e faço ecoar a mensagem que aprendi.

Ângela Rocha 
Catequista


SEGUIDORES DO CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO