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Imagem: diocesedeuruguaiana.org.br |
A Catequese tem passado por muitas mudanças, respondendo aos desafios de uma nova situação histórica: A verdadeira Iniciação à Vida cristã. A Igreja assume, a partir do Concílio Vaticano II, o pedido de restauração do catecumenato.
As linhas fundamentais deste processo, podem ser assim resumidas:
1- Catequese como iniciação à fé e vida da comunidade
Do século I ao V a Catequese
iniciava nos mistérios da fé (Mistagógica) envolvendo Catequese e Liturgia, testemunhadas na comunidade. (At 2,42-47) -Catecumenato.
2- Catequese como processo de imersão na cristandade
Do século V ao séc. XVI a catequese se
realizava pela participação numa vida social, profissional e artística marcada
pelo religioso, num ambiente cristão presente na sociedade inteira, o poder
civil se une ao eclesiástico. Desaparece o catecumenato dos primeiros séculos.
3- Catequese como instrução
A partir do século XVI, a catequese torna-se
intelectualizada (catecismos), instruindo a doutrina com pouca ligação com a
comunidade e a liturgia. Muito devocionismo e sacramentalista.
4- Catequese como educação permanente para a comunhão e participação
na comunidade de fé.
No século XX o Concílio Vaticano II (1962-65)
estabelece a volta ao Catecumenato, uma catequese que une fé e vida. Caminha
com a comunidade, com a liturgia, torna-se experiência e vivência. Iniciação
aos mistérios da fé centralizada no mistério pascal de Cristo. É a catequese de
Iniciação à Vida Cristã aonde, gradualmente, as crianças (e adultos) vão
entrando conscientes e ativamente na comunidade celebrante, assimilando sua
pertença na vida da Igreja.
O catequizando e a Liturgia
Não é fácil iniciar as
crianças na liturgia pois as palavras e os sinais não estão adaptados à
capacidade delas, e sim aos adultos. Como Igreja que são, precisam ser educadas
como cristãs através da iniciação eucarística. É importante que elas sintam-se
“celebrantes” na missa com crianças
e não somente como espectadoras (missa para
as crianças). A missa não é de
crianças nem de adultos, é da comunidade.
A iniciação eucarística
introduz nas grandes atitudes que formam o conteúdo da Eucaristia:
a)
Reunimo-nos
com outros para celebrar: o sentido da “comunidade” na celebração;
b)
Escutamos
a Palavra que Deus nos dirige;
c)
Damos
graças e bendizemos a Deus;
d)
Recordamos
e oferecemos o sacrifício de Cristo na cruz;
e)
Comemos
e bebemos juntos a Eucaristia;
f)
Despedimo-nos
assumindo um maior compromisso de vida cristã: viver e anunciar o Evangelho.
Os valores humanos
necessários na formação eucarística, portanto são:
·
O
saber fazer (celebrar) algo em comum com os outros;
·
A
ação do cumprimento;
·
A
capacidade de escutar;
·
A
atitude de pedir e dar perdão;
·
A
expressão de agradecimento a quem nos fez bem;
·
A
linguagem dos símbolos;
·
O
comer fraternalmente com outros;
·
A
experiência de uma celebração festiva.
Tudo o que for feito - no seio da família, na catequese
ou escola - para fomentar nas crianças essas atitudes positivas vai preparando-as e introduzindo-as em uma celebração eucarística saudável e ativa.
Esses valores humanos são básicos para depois conduzi-las aos valores cristãos
na “celebração do Mistério de Cristo”.
O acesso das crianças à fé cristã e sua
celebração é uma experiência pessoal que deve ser propiciada
principalmente pela FAMÍLIA e pela
COMUNIDADE. Os primeiros mestres são os pais, para isso a necessidade de uma
formação permanente dos pais. A comunidade por seu testemunho é a “escola de
instrução cristã e litúrgica” com seus agentes (padrinhos, catequistas, grupos,
associações).
O Diretório para Missas com crianças (aprovado
em 1973 pelo papa Paulo VI) enfatiza a “força didática” da própria celebração. Uma
Eucaristia bem celebrada leva aos poucos a penetrar na sua dinâmica.
A iniciação eucarística não deve ser separada
da iniciação eclesial: Eucaristia e Igreja não podem se separar. As crianças
desde pequenas devem compreender que Cristo nos chama a cada um, mas não
sozinhos, e sim em comunidade.
A iniciação à Eucaristia não é apenas instrução
ou explicação, mas deve fomentar a relação pessoal com Deus, experimentar a fé,
a comunhão. Dar o significado da Missa através de seus ritos e orações, com
destaque a Oração Eucarística, a oração central da celebração.
A catequese que prepara para a Primeira Comunhão
precisa não só ensinar as verdades da fé e o que é a Eucaristia; mas sim, o que
é pertencer ao “Corpo de Cristo”, à Igreja. Realçar que a primeira comunhão
eucarística é a primeira vez que as crianças vão “participar ativamente com o
povo de Deus, plenamente inseridas no Corpo de Cristo”, ou seja, simultaneamente “na mesa do Senhor e na comunidade dos
irmãos”. Não esquecer que celebrar bem a Palavra já é uma primeira “comunhão”
com Jesus Cristo.
Celebrações de várias espécies, mais informais
também, podem iniciar as crianças nas atitudes básicas para celebrar a
Eucaristia: O sentido do silêncio, da
saudação, do louvor comum, da ação de graças, do canto. As
celebrações da Palavra, sobretudo no Advento e na Quaresma (SC 35,4) conduzem
ao apreço pela Palavra de Deus.
Nas missas os adultos são um exemplo vivo para
as crianças: às vezes elas olham mais a cara e o comportamento dos adultos que
o altar, percebendo instintivamente se é
ou não importante o que se está celebrando.
Para as crianças pequeninas, o Diretório
sugere celebrações especiais em outro local, fora da missa. Não para “entreter” com
animadores que saibam interagir com as crianças, mas para “celebrar” segundo a
sua capacidade, com alegria e com seriedade a Palavra de Deus que as interpela.
A presença das crianças deve ser notada através
de monições, atenção na homilia, nos ministérios a elas confiados (preparar o
local, cantar, tocar, proclamar as leituras, recitar as orações, etc.).
Diferenciar os ministérios onde ela “atua, intervém”, da participação que é ver,
escutar, atender, etc., enfim celebrar.
Gestos e posturas do corpo precisam ser
valorizados, pois, Liturgia é “ação de toda a pessoa humana” e não apenas da
inteligência e da vontade humana. O CORPO TAMBÉM FALA! É preciso explicar os
gestos e sinais clássicos da celebração cristã como, por exemplo: o fato de
utilizar o pão e vinho, o elevar as mãos
no Pai-Nosso, etc.
A importância do visual:
A linguagem da
liturgia afeta todos os sentidos. As crianças respondem melhor à linguagem dos
sinais e símbolos, ornamentos, etc., que às simples palavras.
Por meio da Mistagogia vai se introduzindo o
mistério: explica – celebra - explica, etc. Nunca a liturgia deverá aparecer
como algo árido e somente intelectual, ela tem que passar pelo coração,
experienciar.
É importante ajudar as crianças a “preencher os
momentos de silêncio”, educando-as a concentrar-se em si mesmas, meditar, louvar
e rezar a Deus em seu coração.
A Oração Eucarística é a parte central da
missa. Faz pouco tempo que é escutada em voz alta. Há necessidade de dar o
texto para a criança ler e saborear, não fazer uma catequese meramente teórica. Evitar o costumeiro estudo da missa parte por
parte, vista de uma vez, intelectualizada. Passar ao método mistagógico, que
faz enxergar o invisível como ato de fé . Esse método baseia-se nos passos:
ü 1º- partir do sentido
antropológico (significado comum e cotidiano);
ü 2º- ver como aparece (o gesto, objeto, símbolo, etc.)na Bíblia;
ü 3º- analisar o
significado que adquire na vida cristã e na celebração;
ü 4º- extrair o
compromisso que a evangelização e o rito cristão anunciam e celebram para
suscitar e alimentar a fé.
Percebe-se que o mistério não se ensina nem se
aprende, ele ultrapassa a verdade intelectual, racional, pois é uma verdade de
Revelação e Descoberta.
* Organizado por:
Helena Okano
Ângela Rocha
Fontes de pesquisa:
ALDAZÁBAL, José. Celebrar a eucaristia com crianças. São Paulo: Paulinas, 2008
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.
CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Documento nº 84. São Paulo: Paulinas, 2006.
CONCÍLIO VATICANO
II. Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a sagrada
liturgia. São Paulo: Paulinas, 1998.
NERY, Israel. Iniciação ao seguimento de Jesus
- slides 37ss - Formação para catequistas. Londrina, 2009.
BÍBLIA
DE JERUSALÉM. São
Paulo: Edições Paulinas, 1973.