segunda-feira, 12 de novembro de 2018

DESABITUAR-SE


Linha de trem entre o Hugo Lange e o Bacacheri - Curiitba
Daqui de casa, vejo o trem passar umas tantas vezes por dia, não muito longe de mim. Mas, daqui quase não o escuto. No entanto, há pessoas que estão quase coladas à linha do trem. Antes, eu até me admirava como estas pessoas conseguiam dormir. Mas, se você for conversar com elas, elas vão contar o segredo: “Nos primeiros dias ninguém dorme, mas, depois a gente se habitua e já nem se dá conta”. E eu sei disso porque já morei também “colada” à linha férrea.

Realmente é a maravilhosa capacidade de nos habituarmos. Mas, pensando bem, é uma capacidade perigosa. Porque o barulho dos comboios é como tudo na vida: quando conseguimos nos habituar, deixamos de perceber. E vejo que nos habituamos a coisas demais!

O hábito faz-nos perder a atenção aos acontecimentos, rouba-nos a alegria das novidades, e o sabor irrepetível dos dias. Impede-nos de crescer! As pessoas habituam-se a viver juntas, e deixam de prestar atenção umas às outras. Um casal habitua-se ao casamento, e perdem a essência do namoro. Esquecem a necessidade de se seduzir todos os dias. Habituam-se. E esquecem-se que têm que se pedir um ao outro de novo em casamento, em cada manhã.

Deixamos cair até a nossa Fé na rotina do hábito, e tudo vai se tornando estéril. Vamos cumprindo rituais, aos quais chamamos de obrigações e deveres. Vamos nos habituando a cumpri-los, mas, sem percebermos verdadeiramente para que servem. Habituamo-nos a ser o que somos, e deixamos de sonhar em ser mais. Habituamo-nos ao ritmo quotidiano, a que chamamos vida, e nos deixamos engolir por ele. Habituamo-nos às correrias, habituamo-nos às inutilidades sempre tão urgentes, habituamo-nos a andar tristes. Habituamo-nos a encher a boca de queixas e lamentos. E assim, jogamos fora a vontade de mudar e viver de novo cada dia que nos é dado de presente. E depois… depois ainda somos capazes de dizer, com o rosto triste e um encolher de ombros desolado: “É a vida! Temos que nos habituar”. Não, não, não! Para ser verdadeiramente Vida, a gente tem mesmo é que “desabituar-se”! E querer sempre mais!

Pe. Rui Santiago cssr – Redentorista (Adaptado)



A minha vida
Eu preciso mudar
Todo dia
Prá escapar
Da rotina
Dos meus desejos
Por seus beijos
E os meus sonhos
Eu procuro acordar
E perseguir meus sonhos
Mas a realidade
Que vem depois
Não é bem aquela
Que planejei
Eu quero sempre mais!
Eu quero sempre mais!
Eu espero sempre mais!
De ti!
Por isso hoje
Estou…
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